Arquivo do autor:Rogério Lessa

Politica externa justa

Tradução do Inglês de Giovanni G. Vieira do Abaixo-Assinado da "JUST FOREIGN POLICY".
 
A organização americana "JUST FOREIGN POLICY"(Política Externa Justa) faz um apelo, através do presente abaixo-assinado, as autoridades inglesas para que não extraditem Julius Assange para os Estados Unidos, onde o dirigente do "Wikileaks" corre o risco de ser condenado à morte por ter revelado documentos que expôem inúmeras ações ilegais de governos, organizações políticas e grupos econômicos norte-americanos, europeus, latino-americanos e outras nacionalidades.
 
Depois de seis semanas na embaixada do Equador em Londres, onde julius Assange se encontra sob a proteção do governo equatoriano, permanece grande a possibilidade de ele ser extraditado para os Estados Unidos.
 
Enquanto isso, as autoridades do Equador tentam obter uma resolução diplomática com garantias dos Estados Unidos, Grâ-Bretanha e Suécia de que Julius Assange não será extraditado para os Estados Unidos, caso ele regresse à Suécia para prestar depoimento.
Mas até agora não houve nenhuma resposta dos três países.
Sabe-se, também, que o governo sueco recusou proposta  para entrevistar Assange na embaixada equatoriana.
Ciao,
Giovanni
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— Mensagem encaminhada —–
De: Just Foreign Policy <info@justforeignpolicy.org>
Para: giovannisbrocca@yahoo.com.br
Enviadas: Sexta-feira, 3 de Agosto de 2012 6:20
Assunto: Thank you for telling the UK not to consent to US extradition of Assange!

Dear Giovanni,

Thank you for telling the UK not to consent to US extradition of Julian Assange.
Could you also help spread the word by asking your friends to sign the petition? We have provided some sample text for you below to email your friends. You can also share this action on Twitter and through Facebook.
Thank you for all you do for a just foreign policy,

Megan Iorio, Sarah Burns, Chelsea Mozen and Robert Naiman
Just Foreign Policy

Help us build for a Just Foreign Policy
Your financial contributions to Just Foreign Policy help us create opportunities for Americans to advocate for a just foreign policy.
http://www.justforeignpolicy.org/donate.html

For your friends:
Since June 19, Wikileaks' Julian Assange has been holed up in the Ecuadorean embassy in London while his application for political asylum is reviewed. Meanwhile, Ecuadorean officials have been trying to reach a diplomatic resolution by seeking assurances from the US, UK, and Swedish governments that Assange will not be extradited to the United States if he travels to Sweden for questioning. But all three governments have remained silent on the issue. It is also being reported that the Swedish government has refused an offer to interview Assange at the Ecuadorean embassy.
But there is still hope. A senior legal advisor to the Ecuadoreans told the Guardian that the UK must waive what is called “speciality” for Assange to be extradited to the US after proceedings in Sweden are complete. If the UK were to give assurances that they would not waive specialty, Assange would be safe to venture to Sweden for questioning.
To date, there hasn't been much public pressure on the UK government to declare its intentions with regard to Assange. Let's change that. Sign our petition pressing the UK to publicly declare that it will not waive specialty in the case of Julian Assange.
http://www.justforeignpolicy.org/act/uk-dont-allow-us-extradition-assange

Thanks!

envolvi] em Portugal, a esperança nãomorre


A esperança não morre

por Miguel Urbano Rodrigues

Adolfo Casais Monteiro escreveu no final dos anos 50 que "era difícil ser português". Expressou uma realidade.

Humberto Delgado estava refugiado na Embaixada do Brasil e naquela época a imagem do fascismo era medonha nos meios intelectuais brasileiros.

Conheci no exílio essa situação. Os amigos perguntavam como podia o povo português suportar há décadas uma ditadura tão obscurantista como a de Salazar. As nossas explicações para a sobrevivência do regime não convenciam.

Transcorrido meio século, a situação em Portugal faz-me recordar o desabafo de Casais Monteiro num contexto histórico muito diferente.

A crise do capitalismo irrompeu nos EUA e alastrou pelo mundo. Mas em Portugal os seus efeitos inserem-se num quadro que pelas suas facetas humilhantes é difícil compreender e explicar.

Cada manhã, quando abro o computador e tomo conhecimento das últimas notícias e à noite, ao acompanhar os noticiários da televisão e ouvir resumos de declarações de ministros e deputados dos partidos da burguesia e de falas do primeiro-ministro, sou tocado pela estranha sensação de assistir a uma farsa intemporal num país inimaginável.

Temo que não exista precedente para uma situação como a de Portugal neste ano sombrio de 2012.

Sei que os trabalhadores irlandeses, gregos e espanhóis, entre outros, sofrem duramente as consequências de políticas impostas pelo grande capital internacional em nome de uma "austeridade" que empobrece mais os de baixo enquanto enriquece os de cima.

O que diferencia então o caso português dos demais?

Aqui a linguagem, o comportamento, o arrogante exibicionismo dos responsáveis pelo trágico agravamento da crise são irrepetíveis, ao exigirem "sacrifícios" aos explorados e oferecerem prebendas aos exploradores. Tudo em nome do interesse nacional, da salvação da Pátria. O discurso lembra o do fascismo.

Cartoon de Fernão Campos. Mas creio que nem no auge do fascismo Salazar tenha reunido em qualquer dos seus governos um feixe de ministros e secretários de estado comparável ao gabinete formado por Passos Coelho. Com a peculiaridade de o Partido Socialista, cúmplice do binómio que desgoverna o Pais, participar conscientemente da tragédia social e económica em desenvolvimento.

Politólogos, professores de discurso pomposo (alguns formados em universidades de fantasia), jornalistas de pretensa sabedoria analisam em múltiplas e insuportáveis mesas redondas a crise e, com raríssimas excepções, alinhem com o governo ou não, destilam anticomunismo, identificam no presidente Obama um grande humanista e justificam as guerras imperialistas.

A política de "austeridade", a submissão servil ao diktat da troika, o roubo de salários, a supressão dos subsídios de natal e de férias, o aumento de impostos sobre o trabalho, os despedimentos sumários configuram já o funcionamento de mecanismos de uma ditadura de facto da burguesia, mas o coro dos epígonos fala com orgulho farisaico da "nossa democracia".

A engrenagem que ostenta as insígnias do Poder é servida por uma equipa de pesadelo.

O Primeiro-ministro merecia figurar no Guiness. Impressiona pela vastidão da ignorância, pelo vácuo intelectual.

Estranhamente, fala como se fosse detentor do saber universal. Quase diariamente enaltece os benefícios da sua política neoliberal ortodoxa, afirmando que o povo a compreende, mas é recebido com vaias em todas as cidades e vilas onde aparece.

Conheci-o em 1991. Eu era então secretário da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da Republica, ele um jovem deputado que liderava a Juventude do PSD.

Recordo que quando pedia a palavra bolsava tanta asneira que, por decoro, lhe pedia que abreviasse as suas arengas.

O ministro Relvas ganhou notoriedade por talentos que lembram os de vilões de tragédias shakespearianas. O ministro da Economia escreveu livros "criacionistas" [NR] que principiam agora a correr de mão em mão como obras de contornos extraterrestres. São apenas três figuras de um painel governativo impar na Europa comunitária.

O Presidente da Republica, um reaccionário quimicamente puro, apoia o descalabro.

É essa gente que, desfraldando o estandarte da democracia, garante que "os portugueses" apoiam a ditadura de classe que os afunda na miséria.

Desaprovo as analogias em política. Mas este governo, pelo absurdo, pela crueldade social, pelo exibicionismo ridículo, pela submissão ao capital faz-me lembrar atitudes do subsaariano Imperador Bokassa da Republica Centro Africana.

É tão transparente o repúdio popular pela estratégia de Passos e seus rapazes que até Pacheco Pereira – o mais inteligente e culto dos ex-dirigentes da direita – sentiu a necessidade de escrever um artigo ( Publico, 28 de Julho de 2012) desancando o sistema. Nele pergunta: "Como devemos cruzar-nos com os credores? De alpergatas, trabalhando 10 horas por um salário de miséria?". Ele próprio responde que em breve o povo acordará, "porque estas coisas, uma vez maduras, não escolhem nem dia, nem hora".

A História de Portugal lembra que a esperança não morre no povo. Quando a opressão atinge um nível insuportável, as massas levantam-se e assumem-se como sujeito da ruptura.

Foi assim em 1383, na guerra da Restauração em 1640, e no 25 de Abril de 1974.

Os actuais inimigos do povo, Passos&Companhia, instrumentos do capital e do imperialismo, vão desaparecer na poeira da História. A obra é devastadora, os autores figurinhas liliputianas.

Vila Nova de Gaia, 01/Agosto/2012

[NR] Álvaro Santos Pereira, Diário de um Deus Criacionista , Ed. Guerra&Paz, 204 pgs.
Excerto:   "Esta é uma obra de ficção, e qualquer semelhança com a realidade poderá ou não ser coincidência. Só Deus saberá. Este é um diário da História de Deus e da Sua solidão infinita durante biliões e biliões e biliões e biliões de anos e da Sua magnífica Obra e da incrível criação dos universos e do Tempo e das estrelas e da expansão desmesurada do Cosmos que atingiu uma enormidade tal que deixou o Divino com os nervos em franja"

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O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2566

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

‘Discípula’ Dilma homenageia ‘mestre’ Maria da Conceição Tavares

A economista recebeu o prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011 das mãos da presidenta Dilma Roussef e disse estar muito otimista com o Brasil. Emocionada, Tavares revelou que foi Darcy Ribeiro quem lhe convenceu a “virar brasileira de fato”, decisão da qual se orgulha: “Ele disse que ao contrário da Europa, que ele não tinha grandes esperanças, com toda razão, o Brasil ele achava que iria ser capaz de construir uma sociedade mais homogênea, multirracial e mais democrática”.

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Diálogos desenvolvimentistas Nº45

Soros: “Se fosse investir agora, apostaria contra o euro”

Numa entrevista concedida ao  jornal Le Monde, o mega especulador George Soros afirmou que, “se fosse investir agora, apostaria contra o euro”. Soros fez parte de sua fortuna ao derrubar a libra esterlina, em 1992, apostando contra a moeda britânica cerca de 10.000 milhões de euros.

Para ele, mesmo que sua moeda sobreviva à crise, a Europa terá um longo período de dificuldades, com as nações mais fracas enfrentando problema semelhante ao que aconteceu com a América Latina após a crise de 1982 ou do Japão estagnado há 25 anos.

O bilionário avalia que dificilmente a Zona do Euro, inclusive a França, se livrará do jugo da Alemanha. “Toda a Europa é guiada pela ortodoxia do Bundesbank”, comenta Soros, acrescentando que o banco central alemão “empurra Europa para a deflação”. Ele não descarta uma ação dos Estados Unidos para desestabilizar o euro, enfraquecendo assim um potencial competidor do dólar.

Rodrigo Medeiros: Apesar dos pesares, os EUA têm a moeda de circulação e reserva internacional; eles têm algumas coisas interessantes da dinâmica econômica contemporânea – P&D, inovação, cinema, música, e outros. Quem poderia sobrepujá-los no curto prazo? Fala-se muito em uma ordem multipolar… Ok, é interessante! Bem, o projeto do bancor de Keynes foi rechaçado no passado e creio que seja difícil de ser aceito pelo dólar ou qualquer outro projeto hegemônico.

Ceci Juruá: Concordo contigo, Rodrigo. Mas a questão não é econômica, no meu entender, é política. Moeda é expressão da soberania de um povo ou nação. No passado, os banqueiros brigaram muito com os soberanos, por causa do teor metálico das moedas. E a disputa continua por outras razões. A Inglaterra impôs a libra e o padrão ouro, quando se tornou a vencedora nos conflitos mundiais, nas primeiras décadas do século 19. E nós nos subordinamos ao padrão ouro durante mais de cinco décadas. O que foi um dos empecilhos  de nossa industrialização no século 19.

Os Estados Unidos impuseram o dólar como moeda internacional, porque já eram mais poderosos, na economia e na fábrica de guerra que montaram. Não querem perder esta posição. O euro, para eles, é um “atrapalhador”. E todos os pontos positivos que vc cita – P&D, inovação, etc..- existem, é verdade. Ninguém é só mau ou só bom. Se não me engano, Fiori já diz há algum tempo que não há outro país que possa sobrepujá-los. E esta é uma afirmação que tem base, tem fundamentação. Sua dominação sobre o mundo é recente, não tem 100 anos.

O problema portanto não é derrubá-los. Seria uma bobagem pensar nisto. O problema é como deles se defender, resistir simplesmente. Veja agora, hoje, a notícia sobre o foguete, míssil, lançado pela Índia. Um armamento poderoso capaz de atingir cidades da China. Significa que a China, para se defender simplesmente, terá que avançar na corrida armamentista. Como ocorreu com a União Soviética há décadas atrás. Porque os recursos, materiais e financeiros são limitados, entrar na corrida armamentista significa desviar o excedente de aplicações produtivas, que concorrem para o aumento de bem estar das populações, para um consumo improdutivo – de guerra. Esse é um desafio ao qual não se pode dar resposta hoje. Ela virá de decisões políticas, isto é do poder de Estado e do sistema político que lá vigora. Minha grande indagação é – como a Índia, um país habitado por centenas de milhões de miseráveis, financia esta corrida armamentista?

Rodrigo Medeiros: Apenas busquei ressaltar que a tal desejada ordem multipolar é complicada na prática. Claro que os EUA se desgastaram muito com a invasão do Iraque e o Obama não conseguiu avançar na agenda “liberal”, no sentido anglo-saxônico do termo. As questões raramentos são estritamente econômicas.  Dificilmente… Os marginalistas podem ter tentado ir nessa direção com a teoria do valor-utilidade-escassez, porém ela não se sustenta como fato. Keynes já sinalizara nesse sentido.

Flávio Lyra Como Soros não justifica sua afirmação, também dou-me ao luxo de imaginar que a Alemanha e a França vão lutar com todas as forças para segurar o Euro, pois trata-se de assegurar um importante mercado sobre o qual eles têm poder de decisão. Os países mais frágeis vão ter que se submeter aos interesses da França e da Alemanha, mas estes dois vão precisar fazer maiores concessões especialmente no que toca à política fiscal. Este é obviamente, um palpite.

Rodrigo Medeiros: A questão é saber se os europeus da zona do euro estão dispostos ao IV Reich. Não creio…

Sergio P. Botinha: O Soros falou que os EUA querem afundar o Euro, é isso que vocês estão discutindo? As vezes é dificil pegar o fio de alguma meada, mas a discussão sobre o futuro me anima muito. Quando você expõe as forças dos EUA, essa é uma criteriorização muito valiosa para a mensuração do futuro, tanto como o próximo e o mediato.

A Saber das forças da Europa, me parece que os pensadores e analistas não sabem precisar normalmente quais sejam.

Que existe o campo fértil para a continuidade dos EUA enquanto potência, isso não me parece haver muito dissenso. Que há a informática, o dólar, o cinema (ainda que a cada dia mais decadente) e a apple, dentre outras variáveis como povo, educação, terra), isso não é mesmo de duvidar-se. Seu maior problema hoje são as guerras, como bem apontado pela Ceci no pesar do gasto e esforço militar (de que vale, a que ponto custa, como tem sido usada a arma hoje em dia, como se imagina seja possível ainda usar, são todas questões legítimas e que devem ser analisadas)

Outro problema dos EUA são seu sistema bipartidarista ou o populismo de direita.

Mas que há a multipolaridade, é, apesar dos furos e contradições dessa própria multipolaridade, eu, francamente tendo a aceitar como irrefutável, já. Basta ver o crescimento percentual dos PIBs dos países emergentes no bolo total, e a linha ascendente de participação. Ainda em que pesem outras variáveis, creio que essas variáveis pesam mais a favor do que contra a existência de um peso inegável desses países. A propria dinâmica política internacional dentro do Direito Internacional Público através da Diplomacia não deixam a isso negar. A emergência de Fóruns outros que os limitados G-7 e OCDE são realidade.

Mas certamente têm peso hoje maior. População e espaço, dentro de um ambiente mais competitivo favorecido pela Globalização, e o encurtamento de distância das inteligências propiciado pelo novo cenário tecnológico, não serão facilmente olvidáveis, assim como também não será qualquer sinergia de Guerra que terá pronta e / ou fácil assimiliação, creio eu.

Internamente: As economias emergentes têm de trabalhar melhor seu portfolio econômico para que seu social possa crescer com a dinâmica econômica escolhida e abranger cada vez mais gente dentro de conceitos sociais aceitáveis.

Nesse sentido nossa luta dentro de nosso Brasil.

Flávio Lyra: As oligarquias francesa e alemã não estão preocupadas com a democracia. O povo dos países endividados, sim. Nos casos da Grécia e da Itália o povo não foi ouvido, recentemente. É triste, mas é a realidade!

Sergio P. Botinha: E, nesse caso, o Que fizeram as forças financeiras liberais ao imporem o seu receituario não obstante a democracia foi ridículo. Nesse ponto escapou a europa melhor inteligência. Mas como quem deve não apita… Isso foi uma autofagia na verdade. só pode dar dó aos países que ficaram a mercê disso.

Nesse sentido a experiência da UE terá como resultado o que sempre ocorreu na Europa, o jogo para o predomínio.

Há uma entrevista nas páginas amarelas da Veja, com o primeiro ministro de Portugal. Apesar, é claro, de Portugal estar na condição de devedor , a posição deles , apenas a título de debater o que argumenta o outro lado(o sistema financeiro) , é clara: não tem dinheiro para investir na economia , então o único caminho é clara trabalhar o corte de gastos primeiro e depos pensar em investir.

Sim ok, mas e o Que deram aos Bancos que não foi repassado para a economia. A verdade que a resposta a essa crise financeiro de uma repugnancia incrível . Que bom que nós não fomos alvo de nenhum resgate. Temos muito o que estar feliz, eu considero.

 

 

 

Bate Papo com Carlos Lessa



A partir de agora, nossos leitores  passam a contar com as análises do professor Carlos Lessa, ex-reitor da UFRJ e uma referência para aqueles que se interessam pelo desenvolvimento autônomo do Brasil.

Na coluna “Bate Papo com Carlos Lessa” o economista irá destacar e fazer comentários objetivos sobre as notícias que achar mais relevantes no noticiário.

Nesta estreia, ele aponta a recuperação, pela Argentina, do controle sobre recursos naturais estratégicos (petróleo e gás), ao retomar a maioria das ações empresa petrolífera YPF, administrada pela Repsol, anunciada há uma semana pela presidente Cristina Kirchner.

Desejamos a todos uma boa leitura.

Rogério Lessa

O exemplo argentino deveria servir de alerta para o Brasil

“Hoje, a energia é o que há de mais estratégico e seria uma temeridade abrir mão de controlar os recursos naturais para produzi-la. O Brasil, inclusive, deveria aproveitar o alerta de nossos vizinhos para a proteger melhor o pré-sal. No caso da YPF, acrescente-se a absurda liberalização promovida pelo ex-presidente Carlos Menen, que envolveu uma privatização cercada de denúncias a respeito de negociatas.”

A Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) costuma lembrar que a Repsol usou uma auditoria norte-americana e conseguiu reduzir as reservas da empresa em 30%, para 1,6 bilhão de barris. Menos de um mês depois da privatização, voltaram para 2,3 bilhões.

Apesar de considerar que a Repsol, por vias tortas, “acabou fazendo o correto” que, para Lessa, é a não exploração de reservas estratégicas em ritmo acelerado, ele ressalva que gás e petróleo são essenciais para, por exemplo, a calefação, já que a Argentina tem clima frio durante boa parte do ano e a maior parcela da população vive nas cidades. “Não é só uma questão de equilibrar a balança comercial, para a Argentina petróleo e gás são fundamentais para a sobrevivência”.

Mídia e pré-sal

Lessa destaca também a “espantosa reação da mídia” na defesa da Repsol e achou os 62% de aprovação da população argentina à decisão do governo um índice relativamente baixo. “Na Europa, ameaçaram levar a Argentina para tribunas internacionais. Isto sinaliza para o Brasil cuidados que o nosso governo não tem. Imaginem o que poderá acontecer com o pré-sal, que talvez seja a terceira reserva mundial, se estamos no ‘baixo-ventre’ dos Estados Unidos”, disse. Para o economista da UFRJ, por trás da notícia, está a tese da soberania nacional.

Nota:

Documento das províncias argentinas produtoras de petróleo e gás, divulgado este ano, mostra que a produção das empresas de gás e petróleo desabou 11% e 18%, respectivamente. Na Repsol-YPF, o tombo ficou entre 30% e 35% da produção de petróleo nos últimos anos e de 40% da de gás.

 

Dilma e o discurso desenvolvimentista

Em discurso na cerimônia de formatura da Turma de 2010-2012 do Instituto Rio Branco, a Presidenta da República, Dilma Rousseff, afirmou, de improviso, que “um país que deixa seu povo à margem do seu desenvolvimento e do seu crescimento, não é respeitado por ninguém”. Lembrando que hoje mundo  1% dos habitantes do planeta controla 40% por cento da riqueza, ”e isso tende a se ampliar”, a presidenta acrescentou que  a saída da crise tem levado à perda de direitos.

Para o Brasil, ela vê uma janela de oportunidades nas Relações Internacionais, inclusive com os Estados Unidos. Mas o país possui  três amarras, para Dilma: “Temos de equacionar três amarras do país e construir o caminho, o chamado quarto caminho. As três amarras são: taxa de juro, taxa de câmbio e impostos altos. E o caminho é a educação de qualidade”.

Veja o discurso na íntegra Continue lendo