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Keynes: um clássico da economia

 

Luiz Gonzaga Belluzzo / CartaCapital

A obra de Keynes, que atravessa o tempo, propõe a “ação jurídica e política do Estado” contra os efeitos negativos do darwinismo social. Foto: Tim Gidal/Getty Images

Mais do que um economista, Keynes era um publicista, um homem que pretendia falar em nome do interesse público e que acreditava no poder de persuasão das ideias. Para Maynard – assim o chamavam os discípulos de Cambridge –, o estudo da economia – uma ciência moral – só valia a pena como um meio para a realização dos valores que a sociedade moderna promete, mas não entrega aos cidadãos.

Publicado em 1930 na revista Nation and Atheneum e republicado em 1931 nos Essays in Persuasion, o artigo As Possibilidades Econômicas de Nossos Netos pretendia superar o pessimismo que afligia os tempos da Grande Depressão. Tempos açoitados pela derrocada econômica, pelo desespero social e pela turbação política.

No seu estilo peculiar, avesso aos cacoetes da linguagem usual dos economistas, Keynes desenha as possibilidades econômicas dos próximos cem anos.  Na visão do autor, impulsionado pelo avanço tecnológico e pela rápida acumulação produtiva, o capitalismo criou as condições para a superação das limitações impostas milenarmente à satisfação das necessidades básicas. Essa vitória sobre a escassez acenou com a fruição de uma vida boa, moral e culturalmente enriquecedora para homens e mulheres. Mas, em sua maníaca obsessão pela acumulação monetária, o capitalismo cria tantos problemas quanto os que consegue resolver. A admirável “criatividade” produtiva e tecnológica não consegue rea-lizar a promessa da vida boa. Os poderes que o convocam à produção da abundância são os mesmos que submetem as criaturas humanas ao vício do consumismo, à permanente insatisfação das necessidades ilimitadas e aos grilhões do impulso insaciá-vel da acumulação de riqueza monetária.

Nesse texto perturbador para o ethos da sociedade aprisionada nas engrenagens da concorrência, Keynes escreve: “Devemos abandonar os falsos princípios morais que nos conduziram nos últimos dois séculos. Eles colocaram as características humanas mais desagradáveis na posição das mais elevadas virtudes. Não há nenhum país, nenhum povo que possa vislumbrar a era do tempo livre e da abundância sem um calafrio… Pois fomos educados para o esforço aquisitivo e não para fruir… Se avaliarmos o comportamento e as realizações das classes abastadas de hoje, as perspectivas são deprimentes… Os que dispõem de rendimentos diferenciados, mas não têm deveres ou laços, falharam, em sua maioria,  de forma desastrosa no encaminhamento dos problemas que lhes foram apresentados”.

Entre minhas modestas tentativas de desvendar os valores que orientaram os trabalhos do maior economista do século- XX, sublinhei o peculiar conservadorismo de Keynes. Ele professava a crença de que a sociedade e o indivíduo são produtos da tradição e da história. Cultivava os valores de uma moral comunitária, radicalmente antivitoriana e, portanto, visceralmente antiutilitarista. Isso não quer dizer que recusasse as virtudes criativas da modernidade capitalista nascido sob consigna do avanço das liberdades e da autonomia do indivíduo.  O “amor ao dinheiro”, dizia, é o sentimento que move o indivíduo na economia mercantil-capitalista.  Fator de progresso e de mudança social, “the love of money” pode se transformar em um tormento para o homem moderno. A sanha competitiva não avalia os custos da refrega, “mas olha apenas para seus resultados finais, assumidos como permanentes”.

No seu célebre artigo O Fim do Laissez-faire, Maynard ironizou a ideia de que a busca do interesse privado levaria necessariamente ao bem-estar coletivo. “Não é uma dedução correta dos princípios da teoria econômica afirmar que o egoísmo esclarecido leva sempre ao interesse público. Nem é verdade que o autointeresse é, em geral, esclarecido.”

Os efeitos negativos do darwinismo social devem ser neutralizados mediante a ação jurídica e política do Estado e, sobretudo, pela atuação de “corpos coletivos intermediários”; como, por exemplo, um Banco Central dedicado à gestão consciente da moeda e do crédito. Keynes acreditava que a cura para os males do capitalismo deve “ser buscada, em parte, pelo controle da moeda e do crédito por uma instituição central e, em parte, por um acompanhamento da situação dos negócios, subsidiados por abundante produção de dados e informações”. Ele insistia na “da direção inteligente pela sociedade dos mecanismos profundos que movem os negócios privados”, particularmente as decisões sobre a posse da riqueza marcadas pelo conflito entre o investimento criador de riqueza nova – leia-se emprego, rendimentos e lucros para trabalhadores e empresários – e a acumulação de valores fictícios, estéreis para a comunidade.

No último capítulo de sua obra maior intitulada Notas Finais sobre a Filosofia Social, A Que Pode Levar a Teoria Geral, Keynes constrói a síntese entre a sua filosofia moral e a crítica à “teoria clássica” empreendida ao longo do livro. Ele propõe um conjunto de políticas apoiadas nas concepções já sugeridas no artigo de 1933, The Means to Prosperity: “O problema econômico é uma questão de economia política, isto é, da combinação entre teoria econômica e a arte da gestão estatal”.

O primeiro ponto desse arranjo de política econômica é a “socialização do investimento”, entendida como a coordenação pelo Estado das relações entre o investimento público e privado. O “orçamento de capital” do governo deve ser administrado de modo a minorar as incertezas que contaminam o investimento privado. “Creio que uma socialização bastante completa do investimento será o único meio de se aproximar do pleno emprego, ainda que isso não exclua qualquer forma de cooperação entre a autoridade pública e a iniciativa privada.”

O segundo pilar da proposta keynesiana cuida da eutanásia do rentier. A política bancária e de crédito deve ser administrada para neutralizar “o poder de opressão acumulativo do capitalista para explorar o valor de escassez do capital… enquanto sejam intrínsecas as razões para a escassez da terra, isso não é verdade para a escassez de capital”.

O terceiro ponto reclama um sistema fiscal que mantenha permanentemente a capacidade de redistribuir renda dos mais abonados para as classes menos favorecidas, com o objetivo de manter o consumo crescendo à mesma velocidade da expansão da renda.

O quarto ponto. Já na Teoria Geral, Keynes clamava por uma distribuição mais equitativa do ajustamento dos desequilíbrios de balanço de pagamento entre deficitários e superavitários, como forma de evitar os desatinos competitivos de “empobrecer o vizinho”. Isso significava facilitar o crédito aos países deficitários e penalizar os países superavitários. O propósito era evitar os “ajustamentos deflacionários” e manter as economias na trajetória do pleno emprego. Mais tarde, em Bretton Woods, Keynes propôs à Clearing Union, uma espécie de Banco Central dos bancos centrais.  A Clearing Union emitiria uma moeda bancária, obancor, destinada exclusivamente a liquidar posições entre os bancos centrais. Ele imaginava que o controle de capitais deveria ser “uma característica permanente da nova ordem econômica mundial”.

É facil perceber a atualidade dessas recomendações de política econômica. Mas é quase impossível vislumbrar sua aplicação no mundo controlado pelas ideias do poder – econômico, financeiro e midiático – e não, como pretendia Keynes, pelo poder das ideias.

Perspectivas para 2012

por James Petras

A perspectiva económica, política e social para 2012 é profundamente negativa. O consenso quase universal, mesmo entre economistas ortodoxos da corrente dominante, é pessimista em relação à economia mundial. Embora, mesmo aqui, as suas previsões subestimem o âmbito e profundidade das crises, há razões poderosas para acreditar que no princípio de 2012 marchamos rumo a um declínio mais pronunciado do que foi experimentado durante a Grande Recessão de 2008-2009. Com menos recursos, maior dívida e crescente resistência popular em arcar com o fardo de salvar o sistema capitalista, os governos não podem salvar o sistema.
Muitas das maiores instituições e relações económicas que foram causa e consequência da expansão capitalista mundial e regional ao longo das últimas três décadas estão em processo de desintegração e confusão. Os novos centros de crescimento, China, Índia, Brasil, Rússia, que durante uma “década curta” proporcionaram um novo ímpeto para o crescimento mundial cumpriram o seu curso e agora estão a desacelerar rapidamente e continuarão assim ao longo do novo ano.
O colapso da União Europeia 
Especificamente, as crises que gangrenaram a União Europeia irromperão e a estrutura de facto em múltiplas camadas transformar-se-á numa série de acordos de comércio e investimento bilaterais e multilaterais. A Alemanha, França, os Países Baixos e os países nórdicos tentarão aguentar a retracção económica. A Inglaterra – nomeadamente a City de Londres, em esplêndido isolamento, afundará no crescimento negativo, seus financeiros esforçar-se-ão por encontrar novas oportunidades especulativas entre os estados petrolíferos do Golfo e outros “nichos”. Na Europa do Leste e Central, particularmente a Polónia e a República Checa, aprofundarão seus laços com a Alemanha mas sofrerão as consequências do declínio geral dos mercados mundiais. A Europa do Sul (Grécia, Espanha, Portugal e Itália) entrará numa depressão profunda quando pagamentos maciços de dívidas alimentados por assaltos selvagens a salários e benefícios sociais reduzirão drasticamente a procura do consumidor.
O nível de desemprego e sub-emprego chegando a um terço da força de trabalho provocará conflitos sociais de longa duração, que se ampliarão em levantamentos populares. Finalmente, uma ruptura da União Europeia é quase inevitável. O euro como divisa de referência será substituído por novas moedas nacionais ou as antigas, acompanhado por desvalorizações e proteccionismo. O nacionalismo estará na ordem do dia. Bancos na Alemanha, França e Suíça sofrerão enormes perdas nos seus empréstimos ao Sul. Grandes salvamentos serão necessários, polarizando as sociedades alemã e francesa, com oposição entre as maiorias tributadas e os banqueiros. A militância sindical e o pseudo populismo de extrema-direita (neofascismo) intensificarão as lutas de classe e nacionalistas.
Será menos provável que uma Europa deprimida, fragmentada e polarizada adira a qualquer aventura militar estado-unidense-israelense, de inspiração sionista, contra o Irão (ou mesmo a Síria). A Europa cavalgada pela crise opor-se-á à abordagem de confronto de Washington em relação à Rússia e à China.
Os EUA: A recessão retorna com uma vingança 
A economia dos EUA sofrerá as consequências do seu inchaço do défice fiscal e não será capaz de contrapor-se à recessão mundial de 2012. Nem pode ela contar com a saída de “exportar” o crescimento negativo voltando-se para a Ásia anteriormente dinâmica, pois a China, Índia e o resto da Ásia estão a perder vapor económico. A China crescerá muito abaixo da sua média móvel de 9%. A Índia declinará dos 8% para 5% ou menos. Além disso, a política militar do regime Obama de “cerco”, sua política económica de exclusão e proteccionismo, impedirão qualquer novo estímulo por parte da China.
O militarismo exacerba o declínio económico 
Os EUA e a Inglaterra serão os maiores perdedores na reconstrução económica do Iraque do pós guerra. Os US$186 mil milhões em projectos de infraestrutura, as corporações dos EUA e Reino Unidos ganharão menos do que 5% ( Financial Times, 12/16/11, p 1 e 3). Um resultado semelhante é provável na Líbia e alhures. O militarismo imperial dos EUA destrói um adversário, mergulha-o em dívidas, e países não beligerantes obtêm os contratos lucrativos da reconstrução económica do pós guerra.
A economia dos EUA cairá na recessão em 2012 e a “recuperação sem empregos de 2012″ será substituída por um aumento drástico do desemprego em 2012. De facto, toda a força de trabalho contrair-se-á pois pessoas que perdem seus benefícios de desemprego deixarão de registar-se.
A exploração do trabalho (“produtividade”) será intensificada pois os capitalistas forçarão os trabalhadores a produzirem mais, por menos pagamento, ampliando-se portanto o fosso dos rendimentos entre salários e lucros.
O declínio económico e o crescimento de desemprego serão acompanhados por cortes selvagens em programas sociais para subsidiar bancos e indústrias financeiramente perturbados. Os debates entre os partidos serão sobre quão amplos deverão ser os cortes para trabalhadores e pensionistas a fim de assegurar a “confiança” dos possuidores de títulos. Confrontado com escolhas políticas igualmente limitadas, o eleitorado reagirá não reelegendo os políticos no governo, abstendo-se e com movimentos de massa espontâneos e organizados, tais como o protesto “Occupy Wall Street”. A insatisfação, hostilidade e a frustração permeará a cultura. Os demagogos do Partido Democrata farão da China o seu bode expiatório; os demagogos dos Partido Republicano culparão os imigrantes. Ambos fulminarão contra “os islamo-fascistas” e especialmente contra o Irão.
Nova guerra em meio a crises: sionistas puxam o gatilho 
Os “52 presidentes das Principais Organizações Judias Americanas” e seus seguidores “Israel First” no Congresso, no Departamento do Estado, no Tesouro e no Pentágono pressionarão pela guerra com o Irão. Se eles tiverem êxito isto resultará numa conflagração regional e numa depressão mundial. Dado o êxito extremista do regime israelense em assegurar obediência cega para as suas políticas de guerra por parte do Congresso dos EUA e da Casa Branca, quaisquer dúvidas acerca da possibilidade real de um resultado tão catastrófico não podem ser ignoradas.
China: Mecanismos compensatórios em 2012 
A China enfrentará a recessão global em 2012 com várias possibilidades de amenizar o seu impacto. Pequim pode comutar a sua produção para o fornecimento de bens e serviços aos 700 milhões de consumidores internos actualmente fora da tormenta económica. Através de aumentos salariais, serviços sociais e segurança ambiental, a China pode compensar a perda de mercados além-mar. O crescimento económico da China, o qual está em grande medida dependente da especulação imobiliária, será afectado adversamente quando a bulha estourar. Daí resultará um declínio agudo, levando a perdas de emprego, bancarrotas municipais e conflitos sociais e de classe agravados. Isto pode resultar tanto numa maior repressão como numa democratização gradual. O resultado afectará profundamente as relações da China entre mercado e estado. A crise económica provavelmente fortalecerá o controle do estado sobre o mercado.
A Rússia enfrenta as crises 
A eleição do presidente Putin diminuirá o apoio da Rússia aos levantamentos e às sanções fomentadas pelos Estados Unidos contra os aliados e parceiros comerciais da Rússia. Putin aproximar-se-á da China e beneficiar-se-á com o estilhaçamento da Europa e o enfraquecimento da NATO.
A oposição russa apoiada pelos media ocidentais utilizará a sua influência para desgastar a imagem de Putin e encorajar boicotes ao investimento, o que não os impedirá de perder as eleições presidenciais por um grande margem. A recessão mundial enfraquecerá a economia russa e irá obrigá-la a escolher entre as nacionalizações ou a utilização de fundos crescentes do estado para salvar oligarcas eminentes.
A transição 2011-2012: Da estagnação e recessão regionais para a crise mundial 
O ano de 2011 preparou o terreno para o colapso da União Europeia. As crises começaram com a agonia do euro, a estagnação nos EUA e a irrupção de protestos em massa numa escala mundial contra desigualdades obscenas. Os eventos de 2011 foram um ensaio geral para um novo ano de guerras comerciais de plena escala entre grandes potências, agravando lutas inter-imperialistas e a probabilidade de rebeliões populares transformarem-se em revoluções. Além disso, a escalada da febre guerreira contra o Irão, orquestrada pelos sionistas, promete a maior guerra regional desde o conflito indochinês com os EUA. As campanhas eleitorais e os resultados de eleições presidenciais nos EUA, Rússia e França aprofundarão os conflitos globais e as crises económicas.
Durante o ano de 2011 o regime Obama anunciou uma política de confrontação militar com a Rússia e a China e políticas concebidas para minar e degradar a ascensão da China como uma potência económica mundial. Face a um aprofundamento da recessão económica e com o declínio de mercados além-mar, especialmente na Europa, verificar-se-á uma grande guerra comercial. Washington buscará agressivamente políticas que limitem exportações e investimentos chineses. A Casa Branca ampliará seus esforços para perturbar o comércio e os investimentos da China na Ásia, África e alhures. Podemos esperar maiores esforços dos EUA para explorar conflitos internos inter-étnicos e populares na China e aumentar a sua presença militar ao largo da costa chinesa. Neste contexto, uma grande provocação ou incidente fabricado não pode ser excluído. O resultado em 2012 podia levar a raivosos apelos chauvinistas por uma nova “Guerra Fria”. Obama proporcionou o quadro e a justificação para uma confrontação em grande escala e a longo prazo com a China. Isto será visto como um esforço desesperado para promover a influência e as posições estratégicas dos EUA na Ásia. O “quadrângulo de poder” militar dos EUA – EUA-Japão-Austrália-Coreia do Sul – com o apoio satélite das Filipinas, tentará destruir os laços comerciais da China por meio da potência militar de Washington.
Europa: Austeridade mais profunda e luta de classe intensificada 
Os programas de austeridade impostos na Europa, desde a Inglaterra até à Letónia e o Sul da Europa, serão a marca de 2012. Despedimentos maciços no sector público, salários e oportunidades de emprego reduzidos no sector privado levarão a um ano de guerra de classe permanente e desafios ao regime. As “políticas de austeridade” no Sul serão acompanhadas por incumprimentos de dívida resultando em falências bancárias na França e na Alemanha. A classe dominante financeira na Inglaterra, isolada da Europa mas dominante na Inglaterra, insistirá em que o Partido Conservador “reprima” inquietações trabalhistas e populares. Um novo pensamento estilo neo-thatcheriano de domínio autocrático emergirá; a oposição sindical trabalhista emitirá protestos vazios e apertará as rédeas da populaça em revolta. Numa palavra, as políticas sociais e económicas regressivas desenvolvidas em 2011 prepararam o cenário para novos regimes policiais e confrontações mais grves e possivelmente sangrentas com trabalhadores e jovens desempregados sem futuro.

As próximas guerra que acabarão a América “tal como a conhecemos” 
No interior dos EUA, Obama preparou o terreno para uma nova e grande guerra no Médio Oriente através da relocalização de tropas desde o Iraque até o Afeganistão e a sua concentração contra o Irão. Para minar o Irão, Washington está a expandir operações militares e civis clandestinas contra aliados iranianos na Síria, Paquistão, Venezuela e China. A chave para a estratégia belicosa dos EUA e de Israel em direcção ao Irão é uma série de guerras em estados vizinhos, sanções económicas à escala mundial, ciber-ataques destinados a incapacitar indústrias vitais e assassínios terroristas clandestinos de cientistas e responsáveis militares. Toda a pressão, planeamento e execução das políticas estado-unidenses que levam à guerra com o Irão podem ser empiricamente e sem qualquer dúvidas atribuídas à configuração de poder sionista que ocupa posições estratégicas na administração dos EUA, nos mass media e na “sociedade civil”.
Uma análise sistemática de decisores americanos que concebem e implementam a política de sanções económicas revela que os papéis principais são exercidos por mega-sionistas(Israel-Firsters) como Ileana Ros-Lehtinen e Howard Berman no Congresso; Dennis Ross na Casa Branca, Jeffrey Feltman no Departamento de Estado e Stuart Levy e seu substituto David Cohen no Tesouro. A Casa Branca está totalmente dominante por gente que arrecada fundos para os sionistas e faz o que querem os “52 presidentes das Principais Organizações Judias Americanas”. A estratégia israelense-sionistas é cercar o Irão, enfraquecê-lo economicamente e atacar os seus militares. A invasão do Iraque foi a primeira guerra por Israel; a guerra líbia a segunda; a actual guerra por procuração contra a Síria é a terceira. Estas guerras destruíram adversários de Israel ou estão em vias de fazê-lo.
Em 2011, as sanções económicas, as quais foram concebidas para criar descontentamento interno no Irão, foram a arma escolhida. A campanha de sanções globais empenhou todas as energias dos principais lobbies judeus-sionistas. Eles não enfrentaram qualquer oposição dos mass media, do Congresso ou da Casa Branca. A Configuração de Poder Sionista (Zionist Power Configuration, ZPC) ficou virtualmente isenta de crítica por parte de quaisquer movimentos ou grupos progressistas, de esquerda e jornais socialistas – com umas poucas excepções notáveis. O reposicionamento do ano passado de tropas estado-unidenses do Iraque para as fronteiras do Irão, as sanções e a influência crescente da quinta coluna israelense nos Estados Unidos significa que a guerra irá estender-se ao Médio Oriente. Isso implica sem dúvida um ataque aéreo “surpresa” de mísseis pelas forças estado-unidenses. Ele será justificado por um pretenso “ataque nuclear” iminente inventado pelo Mossad israelense e transmitido fielmente pela ZPC aos seus lacaios dos Congresso estado-unidense e da Casa Branca para ser oficializado e difundido no mundo inteiro. Esta será uma guerra assassina, sangrenta e longa em proveito de Israel; os Estados Unidos pagarão o preço militar directo e o resto do mundo pagará um preço económico elevado. A guerra estado-unidense promovida pelos sionistas converterá a recessão do princípio de 2012 numa grande depressão por volta do fim do ano e provavelmente provocará levantamentos em massa.
Todas as indicações apontam para 2012 como um ano de viragem da implacável crise económica que se propaga da Europa e dos EUA para a Ásia e suas dependências na África e América Latina. A crise será verdadeiramente global. Confrontações inter-imperiais e guerras coloniais minarão quaisquer esforços para atenuar esta crise. Em resposta, emergirão movimentos de massa que com o tempo transformar-se-ão em protestos e rebeliões – e, esperançosamente, em revoluções sociais e poder político.
O original encontra-se em
 

Atiram em Cristina para acertar Dilma

“A imprensa brasileira, com a Globo na liderança, tem por hábito promover chanchadas para demonizar a presidenta Cristina, criticando as reformas na legislação dos meios de comunicação”. Dizem que Paulo Henrique Amorim, um dos jornalistas mais influentes do Brasil, está entre as pessoas mais detestadas pelos executivos da rede Globo, onde trabalhou por mais de uma década.

“Conheço a maquinaria da Globo por dentro, vi ela funcionar quando fui editor e depois correspondente em Nova York, entre 1985 e 1996, sei como orquestraram uma campanha para destruir a reputação de Lula nas eleições de 1989. As campanhas sujas contra governantes que provocam algum incômodo são habituais aqui e, ressalvadas as distâncias, se repetem agora contra Cristina. Isso que digo sobre a Globo alcança também outros meios de comunicação aos quais passei a chamar Partido da Imprensa Golpista (PIG)”, assinala o jornalista. “O PIG se horroriza com o que acontece na Argentina, diz que é o exemplo que não deve ser seguido; imagine se Dilma resolvesse fazer o que fez Cristina, a colocariam diante de um pelotão de fuzilamento…Por isso aparecem editoriais dizendo que há uma ‘democradura’ na Argentina. Um absurdo…em matéria de comunicações, o Brasil é uma ditadura perfeita”.

A entrevista de Amorim ao Página/12 iniciou há dois meses no aeroporto de Porto Alegre, onde um grupo de senhoras o observava insistentemente, até que uma delas se aproximou de mim para perguntar: “É o Amorim, da televisão?” O diálogo foi retomado na semana passada por telefone, desde São Paulo, onde ele trabalha como um dos âncoras da Rede Record, a única que disputa em alguns horários a liderança ainda incontestável da Globo.

Uma espécie de movimento de “indignados” contra o bloco midiático dominante começa a se observar no Brasil, processo vigoroso, mas que ainda permanece nas bordas do sistema, dado que ainda não conseguiu colocar o pé na televisão nem conta com o apoio de um jornal de alcance nacional. Encabeçando essa guerrilha informativa, há centenas de blogueiros e sites independentes como Carta Maior, Vermelho, Opera Mundi, Brasil Atual, identificados com uma bandeira comum: a aprovação de uma nova legislação para a regulação dos meios de comunicação.

Nas últimas semanas de seu governo, Lula deu a benção ao movimento insurrecional concedendo-lhe uma entrevista no Palácio do Planalto e elaborando um esboço para esse projeto de legislação, herdado por Dilma Rousseff.

Paulo Henrique Amorim está entre os poucos, ou pouquíssimos, âncoras televisivos de grande audiência alinhado com as reivindicações da imprensa genericamente chamada de “alternativa”. Por isso, suas intervenções sarcásticas acabam sendo particularmente incômodas para os herdeiros de Roberto Marinho, patriarca do grupo Globo, falecido em 2003.

“O Brasil precisa despertar, e creio que está despertando. A Globo é poderosa, mas já não é mais tanto quanto foi. A Globo quis, mas não conseguiu impedir que Lula fosse eleito e reeleito, quis e não pode impedir que Dilma fosse eleita. A família Marinho é uma ameaça à democracia”.

Uma hipotética lei de comunicação deveria acabar com o modelo “monopolista onde a família Marinho abusa da propriedade cruzada de meios de comunicação para asfixiar a competição; no Rio de Janeiro, são donos de tudo, até do Cristo Redentor, a fundação Marinho limpou a estátua do Cristo Redentor, e o próximo passo é se adonarem da Copa do Mundo de 2014”. O método do maior grupo midiático da América Latina, sustenta Amorim, pode ser sintetizada em uma linha: “Proscrever todo debate com um mínimo interesse na mudança”.

“Se dependesse da família marinho, se interromperiam os movimentos de rotação e translação da Terra, eles não querem mudar nada”, reforça. Seguindo a lógica de um partido político, a “Globo atuou como oposição golpista contra Lula e atrasa mesmo as transições mais modestas em um país como o nosso, onde nunca caminhamos na direção de mudanças com grande velocidade”.

“O Brasil foi o último país a liberar os escravos (no final do século XIX) e para que ninguém se sentisse ameaçado queimaram os arquivos; um século depois veio a transição para a democracia, uma transição porca, porque em 1985 assumiu a presidência um colaborador dos militares, José Sarney. E seguimos esperando a transição completa porque até hoje se obstrui toda investigação sobre a ditadura”.

No dia 18 de novembro, Dilma Rousseff promulgou a Comissão da Verdade, atribuindo a ela poderes para averiguar e examinar os delitos perpetrados durante a ditadura. O lobby militar e o “boicote” do grupo Globo serão, aponta Amorim, dois fatores de poder que oporão “total resistência” a uma comissão que, segundo a lei, só procurará levantar os responsáveis por assassinatos, desaparecimentos e torturas, mas não encaminhará o julgamento de ninguém. “Se a Comissão avançar, inevitavelmente virá a público a cumplicidade da Globo com a ditadura, por isso eles vão combatê-la ou ocultá-la. A Globo foi muito mais porta-voz, foi um dos grupos mais beneficiados pelos militares, que deram a ela uma rede nacional de micro-ondas, tornando possível que se tornasse o gigante que é hoje”.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19317&boletim_id=1091&componente_id=17387

A nova façanha do Wikileaks: identificar as empresas que vigiam o mundo

Resistir - [Ciper] A mais recente revelação da organização dirigida por Julian Assange põe a nu o negócio milionário das empresas de segurança que converteram o seu negócio na nova indústria de espionagem maciça que alimenta sistemas de espionagem governamentais e privados.


A última entrega de Wikileaks fornece os nomes das empresas que, em diferentes países, interceptam telefones, rastreiam mensagens de texto, reconstroem a navegação na Internet e identificam inclusive, as vozes de indivíduos sob vigilância. Tudo isso é feito de forma maciça com softwares que são vendidos a governos democráticos e a ditaduras.

Poderia dizer-se que se trata de um mau filme, mas os sistemas de intercepção maciça fabricados por empresas ocidentais e usados, entre outros objectivos, contra adversários políticos, são mesmo uma realidade. A 1 de Dezembro, Wikileaks começou a publicar um banco de dados de centenas de documentos provenientes de cerca de 160 empresas do sector de vigilância dos cidadãos.

Em colaboração com Budget Planet et Privacy International, bem como meios de comunicação de seis países – L’ ARD na Alemanha, Le Bureau of Investigative Journalism na Grã-Bretanha, The Hindu na Índia, L’Espresso, em Itália, OWMI em França e Washington Post nos EUA, – Wikileaks expõe à luz do dia essa indústria secreta cujo crescimento explodiu após o 11 de Setembro de 2001, representando milhares de milhões de dólares em cada ano.

Desta vez Wikileaks publicou 287 trabalhos, mas o projecto “Um mundo sob vigilância” está lançado e novas informações serão publicadas esta semana e no próximo ano.

As empresas internacionais de vigilância estão localizadas nos países que têm as mais refinadas tecnologias. Elas vendem a sua tecnologia a todos os países do mundo. Esta indústria, na prática, não está regulamentada. As agências de espionagem, as forças militares e as autoridades policiais são capazes de interceptar massivamente, sem serem detectadas e no maior segredo, os telefonemas, tomar o controle de computadores, mesmo sem que os fornecedores das redes acesso se apercebam ou façam algo para o impedir. A localização de utentes pode ser seguida passo a passo, se usarem um telefone celular, mesmo se este estiver desligado.

Os dossiers de “Um Mundo Sob Vigilância” de Wikileasks estão acima do simplismo dos “bons países ocidentais”, exportando as suas tecnologias para os “pobres países em vias de desenvolvimento”. Empresas ocidentais também vendem um vasto catálogo de equipamento de vigilância para as agências de espionagem orientais.

Nas histórias clássicas de espiões, as agências de espionagem, tais como MI5, DGSE, colocam sob escuta o telefone de uma ou duas pessoas que interessem. Durante os últimos 10 anos a vigilância em massa tornou-se uma norma. Sociedades de espionagem, como a VASTech, têm secretamente vendido equipamentos que gravam de forma permanente chamadas telefónicas de países inteiros. Outros registam a posição de todos os telemóveis de uma cidade, com uma precisão de 50 metros. Sistemas capazes de afectar a integridade de pessoas numa população civil que usa Facebook, ou que tem um smartphone estão à venda neste mercado de espionagem.

VENDA DE FERRAMENTAS DE VIGILANCIA A DITADORES

Durante a primavera árabe, quando os cidadãos derrubaram ditadores no Egipto e Líbia encontraram câmaras de escuta onde, com equipes britânicas da Gamma, os franceses da Amesys, os sul-africanos da VASTech ou os chineses de ZTE, seguiam os seus mais pequenos movimentos on-line e por telefone.

Empresas de espionagem, tais como SS 8 nos Estados Unidos, Hacking Team na Itália e VUPEN na França, fabricam vírus (Troianos) que invadem computadores e telefones (incluindo iPhones, Blackberry e Android), assumindo o seu controle e gravação de todos os seus usos, movimentos e até mesmo imagens e sons da sala onde os usuários estão. Outras sociedades, como a Phoenexia da República Checa, colaboram com os militares para criar ferramentas para análise de voz. Elas identificam os indivíduos e determinam o seu sexo, idade e nível de stress e, assim, seguem-nos através de suas “faixas vocais.” Blue Coat nos EUA e Ipoque na Alemanha, vendem as suas ferramentas aos governos de países como China e Irão para impedir os seus dissidentes de se organizar pala Internet.

Trovicor uma subsidiária da Nokia Siemens Networks, forneceu ao governo do Bahrein tecnologia de escuta que lhe permitiu seguir a pista do defensor dos direitos humanos Abdul Ghani Al Khanjar. Foram mostrados detalhes de conversas a partir do seu telefone pessoal, que datam de antes de ter sido interrogado e espancado durante o inverno de 2010 e 2011.

EMPRESAS DE VIGILANCIA PARTILHAM AS SUAS BASES COM ESTADOS

Em Junho de 2011, o NSA inaugurou um sítio no deserto de Utah para o armazenamento para sempre de terabytes das bases de dados tanto americanas como estrangeiras, a fim de poder analisá-las em anos futuros. Toda a operação teve um custo de US$1,5 mil milhões.

As empresas de telecomunicações estão dispostas a revelar as suas bases de dados dos seus clientes às autoridades de qualquer país. Os principais noticiários mostraram como, durante os confrontos em Agosto na Grã-Bretanha, a Research In Motion (RIM), que comercializa as Blackberry, propôs ao governo identificar os seus clientes. RIM tem estado envolvido em negociações semelhantes com os governos da Índia, Líbano, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, propondo-lhes compartilhar as suas bases de dados extraídas do sistema de mensagens do Blackberry.

TRANSFORMAR AS BASES DE DADOS EM ARMAS PARA MATAR INOCENTES

Existem muitas empresas que comercializam actualmente software de análise de bases de dados, transformando-os em poderosas ferramentas utilizadas por militares e agências de espionagem. Por exemplo, em bases militares dos EUA, pilotos da Força Aérea usam um joystick e um monitor de vídeo para pilotar os “Predator”, aviões não tripulados durante as missões de vigilância no Médio Oriente e Ásia Central. Estas bases de dados estão acessíveis aos membros da CIA que se servem delas para lançar mísseis “Hellfire”, sobre os seus alvos.

Os representantes da CIA têm adquirido software que lhes permite instantaneamente correlacionar os sinais de telefone com faixas vocais para determinar a identidade e a localização de um indivíduo. A empresa Intelligence Integration Systems Inc. (IISI), sediada no Estado de Massachusetts (EUA), vende software para esse fim – “análise com base na posição”,– chamado “Geospatial Toolkit”. Outra empresa, a Netezza, também de Massachusetts, que comprou este software com o objectivo de analisar o seu funcionamento, vendeu uma versão modificada à CIA, destinada a equipar aviões pilotados remotamente.

A IISI, que diz ter o seu software uma margem de erro de 12 metros, processou a Netezza para impedir a utilização deste software. O criador da sociedade IISI, Rich Zimmerman, disse a um tribunal que ficou “chocado e surpreso com o fato de que a CIA teria um plano para matar pessoas com o meu software, que nem funciona.”

UM MUNDO ORWELLIANO

Em todo o mundo fornecedores mundiais de instrumentos de vigilância em massa ajudam as agências de espionagem a espiar os cidadãos e os “grupos de interesse” em larga escala.

COMO NAVEGAR PELOS DOCUMENTOS DE “UM MUNDO SOB VIGILÂNCIA?

O projecto ” Um mundo sob Vigilância ” da Wikileaks revela, até ao pormenor, as empresas que estão fazendo milhares de milhões na venda de sistemas refinados de vigilância para os governos, ignorando as leis de exportação e ignorando de forma sobranceira que os regimes a quem vendem são ditaduras que não respeitam os direitos humanos.

Para pesquisar estes documentos, clique no local escolhido no mapa na esquerda da página para obter a lista por tipo, empresa, data ou palavra-chave.

Mapa Um mundo sob vigiláncia.

 

Extorsão legal mas ilegítima

TAXA DE 238% É CINCO VEZES MAIOR DO QUE OS 50% AO ANO DA ARGENTINA 

Os juros do cartão de crédito no Brasil são, não apenas os mais altos na comparação com os outros seis principais países da América do Sul e o México, como superam a soma das taxas praticadas naquelas nações. A conclusão é de pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

Segundo a pesquisa, nem a soma das taxas dos seis países chega ao valor médio dos juros astronômicos cobrados pelas operadoras de cartão de crédito no Brasil.

Segundo a Proteste, o brasileiro que recorre ao financiamento via cartão de crédito, o chamado crédito rotativo, está submetido a uma taxa média de juros de 237,9% ao ano. Essa taxa é quase cinco vezes superior à da Argentina, que aparece na segunda colocação e cuja taxa média de juros cobrada nas operações de cartão de crédito é de 50% ao ano.

“As condições econômicas dos países pesquisados, quando confrontadas com as do Brasil, mostram, claramente, que a taxa média dos juros praticados no Brasil é exagerada. Caso fosse a metade, ou seja, 119% ao ano (equivalente a 6,75% ao mês) ainda seria maior que o dobro da segunda colocada”, compara a Proteste.

Atrás da Argentina vêm Chile (taxa média de 40,7%), Peru (40%), México (36,2%), e Venezuela (29%). A menor taxa entre os países analisados foi a da Colômbia: 28,5% ao ano em média no cartão de crédito.

Os cartões de crédito, de acordo com a associação, têm sido o maior fator de endividamento dos consumidores, porque as taxas astronômicas cobradas no rotativo tornam as dívidas impagáveis.

Em dezembro, pesquisa da Boa Vista, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), apontou que, entre os inadimplentes do país, 64,1% têm dívidas no cartão de crédito.

Eliana Calmon e a sacudida no armário de togas

Por Alberto Dines

Reproduzido do Diário de S.Paulo

Se 2011 entrou para a história carimbado com o nome de Dilma Rousseff, o ano seguinte, 2012, deverá repetir a dose com outra mulher, Eliana Calmon Alves. De qualquer forma, o cidadão brasileiro já garantiu sua quota na magnífica prenda de Natal oferecida pelo imbróglio entre a destemida corregedora nacional de Justiça e as entidades que representam os magistrados.

A bateria de holofotes acesa pela juíza desde setembro, quando assumiu o cargo, é tão luminosa e promissora como a galáxia de esperanças acesa pelos fogos de artifício nos festejos do início de cada ano novo. Pela primeira vez em seus 511 anos de história e 189 de vida institucional, a nação brasileira tem a oportunidade de assistir à espetacular tomografia do edifício de privilégios e regalias no qual vivemos, construído em grande parte com a argamassa da injustiça.

Observação crítica

O confronto de Eliana Calmon com a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) e a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho) transcende às questões clássicas identificadas por antropólogos e sociólogos do “sabe com quem está falando?” e “quem manda aqui sou eu”. Sua quixotesca investida é contra o corporativismo e o clientelismo que tanto desfiguram o conceito prevalecente do Estado de Direito.

A guerreira baiana não está apenas enfrentando o autoritarismo enrustido em instituições e entidades anquilosadas pelo tempo, está garantindo a produção e sobrevivência dos indispensáveis contrapoderes (caso do CNJ, Conselho Nacional de Justiça) sem os quais nossa democracia será formal, retórica e claudicante.

Sua desassombrada cruzada dirige-se na realidade contra um sistema de abafamentos e silêncios herdados da colonização ibérica e o surpreendente apoio que vem recebendo de setores expressivos da nossa imprensa recoloca esta imprensa em posições de vanguarda que há muito não frequenta.

Este talvez seja o grande mérito da polêmica acionada pela corregedora nacional de Justiça. Ao retirar da penumbra dos tribunais e do hermetismo das sentenças questões fundamentais da vivência democrática é possível alterá-las sem necessariamente recorrer a intervenções drásticas.

Em outras palavras: a mera observação – ou exposição – de um fenômeno constitui uma forma de atuar sobre ele. A humanidade só avança quando percebe que há avanços a fazer. A consumação do processo é consequente, natural, mesmo quando não imediata.

Para as retrospectivas

Eliana Calmon tirou o trombone da estante, tocou-o e, magicamente, do ruído fez-se a luz. Mesmo solitária, sua indignação espalhou-se porque ao examinar posturas e procedimentos de alguns magistrados, movimentou os desconfortos engolidos e tormentos camuflados na alma de milhões de brasileiros que o dia inteiro resmungam e remoem queixas contra a impunidade de malfeitores e prevaricadores.

As retrospectivas do ano não contemplaram a façanha da ouvidora das nossa mágoas, ombudsman do judiciário. Ainda há tempo.

O papel da mídia na pré-privataria

Na surdina, governo garantiu tarifas altas

Houve uma intensa campanha contra as estatais nos meios de comunicação, verdadeira “lavagem cerebral” da população para facilitar as privatizações. Entre os principais argumentos, apareceu sempre a promessa de que elas trariam preços mais baixos para o consumidor, “graças à maior eficiência das empresas privadas”.

A promessa era pura enganação. No caso dos serviços telefônicos e de energia elétrica, o projeto de governo sempre foi fazer exatamente o contrário, por baixo do pano, ou na surdina.

Como assim? Antes de mais nada, é preciso relembrar um detalhe importante: antes das privatizações, o governo já havia começado a aumentar as tarifas alucinadamente, para assim garantir imensos lucros no futuro aos “compradores” – e sem que eles tivessem de enfrentar o risco de protestos e indignação do consumidor. Para as telefônicas, reajustes de até 500% a partir de novembro de 1995 e, para as fornecedoras de energia elétrica, aumentos de 150% – ou ainda maiores para as famílias de trabalhadores que ganham menos, vítimas de mudanças na política de cobrança de tarifas menores (por quilowatt gasto) nas contas de consumo mais baixo. Tudo isso aconteceu como “preparativo” para as privatizações, antes dos leilões.

Mas o importante, que sempre foi escondido da população, é que, em lugar de assinar contratos que obrigassem a Light e outros “compradores” a reduzir gradualmente as tarifas – como foi obrigatório em outros países –, o governo garantiu que eles teriam direito, no mínimo, a aumentar as tarifas todos os anos, de acordo com a inflação. Isto é, o governo fez exatamente o contrário do que jornais, revistas e TVs diziam ao povo brasileiro, que acreditou em suas mentiras o tempo todo.

Além dessa garantia de reajustes anuais de acordo com a inflação, os “compradores” das empresas de energia podem também aumentar preços se houver algum “imprevisto” – como é o caso da maxidesvalorização do real ocorrida no começo de 1999…

E os preços cobrados pelas “compradoras” das telefônicas? Para elas, apesar dos mega-aumentos ocorridos antes da privatização, a obrigatoriedade de reduzir as tarifas dos serviços locais – os mais usados pela população, sobretudo pelo “povão” – somente começa a partir do ano… 2001. Ou seja, o governo, na surdina, combinou que as tarifas não deveriam cair em 1998, 1999 e 2000. E tem mais: para esses mesmos serviços locais, a queda máxima “combinada” é de 4,9% no total.

Quando? Até 2005. Sete anos depois da privatização, o consumidor só terá 4,9% de redução acumulada.

Bem ao contrário do que o governo e os meios de comunicação afirmaram.