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Apple e Foxconn vão produzir iPad no Brasil, diz Mercadante

Dilma se encontrou com o presidente da Foxconn em Pequim.
Multinacional planeja investir US$ 12 bilhões no Brasil.

Do G1, em São Paulo e Brasília

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (12) que a Apple e a Foxconn vão produzir o computador tablet iPad no Brasil até o final de novembro deste ano. O anúncio de Mercadante acontece em meio à viagem da presidente Dilma Rousseff à China, onde se reuniu com o presidente da multinacional fundada em Taiwan e que concentra suas operações na China.

“Tem que ser detalhado agora as condições (em que se dará a produção do iPad), onde que vai ser, logística”, disse Mercadante a jornalistas.

Segundo o Itamaraty, a Foxconn, que fabrica produtos da Apple em regime de terceirização na China, anunciou a Dilma a intenção de investir US$ 12 bilhões no Brasil em até 5 anos para a produção de telas e visores para produtos como computadores, celulares e tablets.

Os investimentos da Foxconn podem gerar 100 mil empregos no Brasil. A produção de iPads deve começar a ser feita com a estrutura que a Foxconn já mantém no país, a partir de peças importadas.

Segundo Mercadante, a produção de iPads no Brasil está sendo estudada por um grupo de trabalho que envolve os ministérios da Fazenda, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e de Ciência e Tecnologia, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Dilma se encontrou com o presidente da Foxconn, Terry Gou, durante seminário de negócios em Pequim, que reuniu representantes de quase 300 empresas brasileiras e chinesas.

Também nesta terça-feira, Dilma se reuniu com presidente chinês, Hu Jintao, para a assinatura de acordos de cooperação nas áreas de política, defesa, ciência e tecnologia, recursos hídricos, inspeção e quarentena, esporte, educação, agricultura, energia, energia elétrica, telecomunicações e aeronáutica, entre outros.

 

Brasil x China – modelos de desenvolvimento de Telecomunicações comparados

Do Blog do Arnobio Rocha

A revolução das comunicações

No início dos anos 90 o mundo, além da queda do muro de Berlim, se preparava para uma nova era na área de comunicações – a tecnologia de telefonia celular, por volta de 1992 os principais padrões mundiais foram definidos: Na Europa – o GSM, nos EUA – o CDMA. Ambas tecnologias prometiam a digitalização da voz libertando das interferências, quedas de chamadas, e o pior a insegurança da comunicação.

Este novo cenário fez com que as maiores players de equipamentos telefonia fixa passaram a investir pesado na nova revolução, e buscaram novos locais no mundo para baratear a produção e garantia de presença em novos mercados. Países investiram firme para se capacitar e receber estes investimentos e criar novas indústrias mundiais. Dois exemplos deste esforço foram: Finlândia com a Nokia e Coréia do Sul com Samsung e LG.(tratei destes casos no post: Tecnologia – Nokia e Samsung – Exemplos para o Brasil)

Modelo Chinês

Em 1995 a China decide participar efetivamente deste novo momento, a nova política econômica aprovado pelo Governo chinês foi atrair as grandes empresas de Telecomunicações, dando-lhes acesso ao seu mercado, porém com a contrapartida de que eles tivessem acesso à tecnologia e pudessem compartilhar licenças e patentes de produtos.

Coordenado pelo ministério da indústria e de comunicações, a China montou grandes laboratórios para que os equipamentos dos grandes fabricantes fossem montados e interconectados aos protótipos chineses. Por exemplo uma Central de Comutação de fabricante X é conectada ao agregador de Estação de Rádio base chinês, ou vice-versa. Esta estratégia rapidamente deu grandes frutos, as duas empresas chinesas fomentadas pelo governo Huawei e ZTE aprenderam muito rápido a lógica de funcionamento fim a fim e começou a desenhar seus produtos com alta tecnologia.

Ontem Dilma assinou acordos de um grande laboratório de pesquisas da Huawei para funcionar em Campinas, investimento em torno de US$ 350 milhões, mas poucos sabem quem é a empresa chinesa. A Huawei é uma empresa chinesa que em menos 10 anos se tornou a vice-líder mundial em Telecomunicações, atrás apenas da Secular Ericsson, com Alta tecnologia e inovação

Em 15 anos a Huawei e ZTE são casos de sucessos, política de estado, que os neoliberais odeiam. Os chineses foram geniais: tinham projeto, estratégia, academia, desejo de aprender, certeza que dominariam a arte em pouco tempo. Eles literalmente saíram do Zero em Telefonia não produziam nada decente, conheci os primeiros protótipos de centrais telefônicas chinesas eram ruins demais, bem piores que os que fazíamos no Brasil. Em pouco tempo lançaram, o que considero, as melhores centrais telefônica do mundo, com a vantagem sobre os demais, sem legado pra administrar, ousaram produzir modernas NGN (next Generation).

Brasil perdeu o bonde da tecnologia

Se ao invés de entregarmos as empresas de telecomunicações tivéssemos política industrial nacional, hoje poderia o Brasil ter um fabricante com expressão mundial, mas não tem. Erros graves de uma política entreguista foi o legado de FHC, perdemos o bonde histórico de tecnologia de ponta em vários setores, em Telecomunicações é bem nítido.

Mesmo os grandes fabricantes instalados no Brasil, abandonaram o desenvolvimento e passaram apenas a importar e no máximo montar partes dos equipamentos, houve perda de empregos e de qualidade dos empregos, alguns fabricantes se foram, maior exemplo é a Nec, que chegou a ser a maior empresa de equipamentos de telefonia do Brasil.

Havia capital abundante no mundo, busca de novos mercados para produção e desenvolvimento, FHC preferiu o capital especulativo. Perdemos a vez ali, por volta de 97 a 99. O dinheiro abundante, as grandes empresas querendo ir para novos mercados. Podíamos e tínhamos como fazer até melhor que os chineses, mas não tínhamos projeto de Nação (aquilo que o Bresser falou na entrevista ao valor Econômico).

O modelo de privatização sem contrapartida nacional, de incentivo a indústria de telecomunicações, pouca articulação para que as compras fossem feitas prioritariamente baseadas no que aqui se produziam, fez com que rapidamente se desmontasse o setor.

Apresentar do resultado dos milhões de celulares, muitas vezes mascara o fracasso de sermos apenas consumidores de produtos que não se faz aqui, que não geram empregos de melhor qualidade, entraremos na 4ª geração de telefonia celular (ver artigo Celulares: Ontem, hoje e amanhã ) e continuaremos fora do circuito. Mesmo a universalização da Banda Larga, efetivamente não se dará numa articulação de setores de serviços de Telecomunicações com a de fabricação nacional destes produtos.

Governo Lula pouco alterou deste cenário de terra arrasada em telecomunicações , acertadamente, priorizou a Petrobrás, mas não acredito que teremos desenvolvimento e importância no mercado mundial apenas em cima do petróleo, que é muito, mas precisamos buscar terreno em tecnologia e alternativas.


Terras raras, um negócio da China?

do Valor

“Se os árabes têm petróleo, a China tem terras raras”. Lendas urbanas creditam essa frase a Deng Xiao Ping, líder político chinês entre 1978 e 1992. Fato é que hoje a China domina o mercado mundial dessas “terras raras”, como é chamado o conjunto de 17 elementos químicos, utilizados para aplicação em alta tecnologia, como a dos ímãs que transformam energia elétrica em energia mecânica e em produtos high tech como notebooks, telefones celulares, trens-bala, iPods, fibras óticas e painéis solares.

O mercado dos 17 elementos químicos individualizados é da ordem de US$ 5 bilhões anuais e, mais que isso, é estratégico. O significado da palavra estratégico ficou muito claro em 2010, quando a China anunciou que imporia cotas de exportação destas terras raras, jogando os preços para o céu, e, de forma mais chocante, ameaçou não mais entregá-las para o Japão, depois de uma escaramuça de fronteira marítima.

Tratou-se de um claro perigo à supremacia japonesa em produção de carros híbridos, cuja tração elétrica baseia-se nos superímãs de terras raras e objetos de alta tecnologia. O disparo dos preços foi extremo. Por exemplo, em 30 de março deste ano, o preço do neodímio metálico, um dos 17 elementos terra rara, foi cotado na Ásia em U$ 200 o quilo, enquanto em janeiro de 2009 estava em R$ 15 o quilo.

O domínio chinês, nesse caso, não se refere somente ao baixo custo da mão de obra. A China detém mais de 50% das reservas mundiais de terras raras. Ou melhor, detinha. Em novembro de 2010, a US Geological Survey, a agência científica dos Estados Unidos, publicou um artigo que indica que a maior reserva de terras raras é, muita atenção, brasileira, para a surpresa geral e de todo o mundo. Afinal, o que grande parte dos pesquisadores brasileiros sabia era que nossa areia monazítica (tipo de areia que possui uma concentração natural de minerais pesados) havia acabado. Grande parte dos pesquisadores, mas não sua totalidade, pois a fonte da informação da US Geological Survey foi um breve resumo de um brasileiro, nos anais de um Congresso Internacional de Geologia de 1996

Especialistas já avaliaram diversos locais em que ocorrem terras raras no Brasil. Estão na cidade mineira de Araxá, na goiana Catalão, no Paraná, na Bahia… e a lista deve crescer. Usando a terminologia técnica, é possível afirmar que “recursos minerais” o Brasil tem, sem dúvida. Mas a questão é saber se são “reservas minerais”. Explico: é preciso verificar se a concentração de terras raras é economicamente viável, ou seja, se a operação de separar o mineral que contém as terras raras dos minerais restantes é válida economicamente.

Agora em 2011, telefones em Brasília tocam pedindo explicações e posicionamentos. Com os preços onde estão hoje, o mundo todo se anima e revê as possibilidades. Americanos anunciam investimentos de US$ 100 milhões para reativar sua maior mina. Australianos falam de números maiores ainda. E o Brasil… sobra alguma chance para o Brasil?

Normalizados os preços, é possível viabilizar no território brasileiro empreendimentos de mineração que produzam concentrados de terras raras. Mas isso vale pouco. Separar as terras raras em cada um dos elementos agrega bastante valor, mas exige uma tecnologia química especial, resinas importadas… enfim, custa muito caro. Vale a pena? A estratégia chinesa foi a de ocupar frações cada vez maiores da cadeia produtiva. Hoje a China não quer mais exportar superimãs, quer exportar motores elétricos que os usam. Aqui se configura uma oportunidade particular e de extrema relevância para o Brasil, que é um dos maiores produtores de motores elétricos do mundo.

Atualmente o Brasil é forte nos motores convencionais, sem ímãs, mas os geradores movidos a vento e a motorização elétrica de veículos, baseados em superimãs, prometem enorme expansão desse mercado. Desenvolver as tecnologias da cadeia produtiva das terras raras coloca grandes desafios para a tecnologia nacional. E isso é ótimo. Dentre algumas iniciativas nessa direção já se destaca uma articulação entre a Fundação Certi, de Santa Catarina, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, e o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Rio de Janeiro. São três dos melhores órgãos de pesquisa nacional, unidos em torno das terras raras.

É preciso levar em conta que há cerca de 30 anos – nos anos 1980-1990 – o Brasil investiu nessa cadeia, mas os baixos preços chineses inviabilizaram todas as iniciativas. Um tradicional fabricante brasileiro de ímãs investiu nos superímãs de terras raras, mas não resistiu à abertura dos mercados e sucumbiu no ano de 1994. Hoje, as equipes que trabalharam com esse tema em dezenas de grupos de pesquisa brasileiros estão praticamente desfeitas, decidiram assumir outros rumos. É possível retomar o projeto, mas é necessário um plano de mais longo prazo, resistente às intempéries do mercado e das estratégias de outras nações. É hora de agir, de maneira consistente.

Fernando J. G. Landgraf é professor associado da Escola Politécnica da USP e diretor

 

 

Commodities já são 69% das exportações

Participação das matérias-primas nas vendas externas cresceu para 69,4% em 2010, ante 67,2% em 2009, e deve chegar a 75% este ano

Márcia De Chiara – O Estado de S.Paulo

A escalada de preços das matérias-primas no mercado internacional elevou a participação desses produtos nas exportações brasileiras para o maior nível em duas décadas. A fatia das commodities nas vendas externas atingiu 69,4% em 2010, ante 67,2% em 2009 e 51% em 2000, revela um estudo do banco Credit Suisse, obtido com exclusividade pelo “Estado”.

 

Apenas seis produtos – minério de ferro, petróleo, soja, açúcar, aço e celulose – responderam por 50% das exportações de US$ 201,9 bilhões em 2010. “É muito provável que o peso das commodities nas exportações brasileiras aumente neste ano, podendo chegar a 75%”, prevê o economista-chefe da instituição e responsável pelo estudo, Nilson Teixeira.

Para calcular a participação das matérias-primas nas exportações, Teixeira considerou como commodities itens que passaram por algum tipo de processamento, como produtos siderúrgicos e açúcar, por exemplo, e não apenas os produtos tidos como básicos nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A projeção do economista-chefe do Credit Suisse de que a fatia das commodities possa atingir 75% neste ano é endossada pelo vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Teixeira prevê que as commodities continuem avançando na pauta de exportações baseado na boa maré dos preços das matérias-primas no mercado externo. Entre outubro de 2010 e fevereiro deste ano, as cotações das commodities exportadas pelo País aumentaram 17,5%, enquanto os preços das exportações em geral subiram 9,5% no mesmo período, aponta o estudo. O aumento de preços explicou 30% do crescimento da receita de exportação de produtos básicos no ano passado.

Minério de ferro. Nas contas do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, em 12 meses encerrados em fevereiro, o aumento de preços das commodities proporcionou à economia brasileira um ganho de US$ 60 bilhões ou 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Só o minério de ferro, por exemplo, que respondeu por cerca de 15% da receita de exportação no ano passado e é a principal commodity exportada pelo Brasil, está cotado hoje no mercado à vista a US$180 a tonelada.

A perspectiva, segundo Teixeira, é que a cotação atinja US$ 200 até dezembro, reforçando a tendência de maior importância das commodities na receita de exportações neste ano.

Além do minério de ferro, Castro, da AEB, lembra que os preços da soja, outro pilar do comércio exterior, estão ascendentes e a safra brasileira do grão de 2011 é maior. Nos cálculos da RC Consultores, o País colhe neste ano 71,6 milhões de toneladas do grão, um volume 4,5% acima do produzido em 2010.

Risco. “O Brasil está no melhor dos mundos. Se melhorar, piora”, brinca Castro, lembrando que o preço em dólar das commodities é tão elevado hoje que compensa qualquer distorção provocada pela taxa de câmbio. “Só os fabricantes de produtos manufaturados estão reclamando.”

Para Castro, o ganho de importância das commodities na pauta de exportações não é bom e é um fator de risco, pois amplia a dependência do País do cenário externo. “Quando os preços caírem vamos fazer o quê?”, questiona. “Nesses termos, o comércio exterior não é sustentável.”

Já para Teixeira, do Credit Suisse, trata-se de uma vantagem competitiva do País.
Maré favorável

NILSON TEIXEIRA
ECONOMISTA-CHEFE DO CREDIT SUISSE, RESPONSÁVEL PELO ESTUDO

“É muito provável que o peso das commodities nas exportações brasileiras aumente neste ano, podendo chegar a 75%”

JOSÉ AUGUSTO DE CASTRO
VICE-PRESIDENTE DA AEB

“O Brasil está no melhor dos mundos. Se melhorar, piora. Só os fabricantes de manufaturados estão reclamando

 

 

Diálogos Desenvolvimentistas No 31: A mídia e o poder

Leandro Aguiar

Apesar de uma ou outra voz dissonante, como Paulo Francis e Mino Carta, a afinidade da grande mídia com a elite econômica é tão grande que, às vezes, é difícil definir quem é quem. Os interesses são mais ou menos os mesmos e os discursos se aproximam; a diferença é que o que a mídia diz normalmente é aceito como verdade legítima e confirmada. Convenientemente, para a elite.

Essa relação de amizade quase fraternal dos editores de jornais com o poder econômico é antiga, e para conhecê-la na sua integridade teríamos que voltar ao 1º império, quando Dom Pedro ainda era nosso soberano. Mas não é preciso ir tão longe para entendê-la, basta olhar exemplos recentes como o da “bolinha de papel’’ que atingiu o candidato Serra, que na época do ocorrido foi noticiado como um atentado de petistas contra o tucano, ou para a edição do debate dos presidenciáveis em 1989, que claramente favoreceu Collor, em detrimento de Lula.

Nesta semana, o Desenvolvimentistas discutiu a questão da mídia no Brasil, sobretudo daquela encarregada da cobertura econômica. Acompanhe as principais aspas, o já famoso comentário de Paulo Henrique Amorim sobre o que ele denomina “PIG”, e o texto do deputado federal e presidente do PDT, Brizola Neto:

 

“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.”

Paulo Henrique Amorim, jornalista e blogueiro

 

Escrevo este post logo na abertura do mercado de câmbio. E é evidente que o dólar abriu caindo mais, porque “o mercado quis assim”, como já indicava, já bem cedo, a coluna de Merval Pereira, uma espécie de dublê econômico daquele médium famoso, o Zé Arigó. Só que o Dr. Fritz de Merval é “a mão invisível do mercado”, que se comunicou com ele ontem à noite e disse que o dólar ia cair.

E é evidente que é essa a aposta do mercado. Não porque ache que o dólar deva cair por estar “caro”. Negativo. Até as pedras da calçada, como se dizia antigamente, sabem que o real está sobrevalorizado. Deve subir, e não cair.

Quem o mercado quer que caia, porém, é o Ministro Guido Mantega e, com ele, Alexandre Tombini, presidente do Banco Central.

Sabem que, com eles, não é só rosnar um pouco que os juros aumentam.

Como disse num post anterior, o jogo será pesado. Há um volume monstruoso de dinheiro “apostado” no dólar baixo, coisa de dezenas de bilhões. Vão forçar a mão e contar com a mídia divulgando, como fez Merval, que as medidas “falharam”.

De outro lado, vai seguir o “terrorismo da inflação”, como justificativa para o aumento da Selic.

Vamos ver quem vai piscar nas próximas horas e dias.

Brizola Neto, em seu blog

“Na verdade, o PIG está bem organizado e azeitado nesta cruzada, como aqui assinalado, o “colunista vidente” já deu a senha hoje. A briga vai ser insana, há muita grana na mesa. O PIG tudo fará para derrubar o Ministro e o presidente do BC.”

Carlos Ferreira

“O ministro Guido Mantega acertou ao falar sobre uma guerra cambial no mundo. De que adianta o BC brasileiro buscar calibrar o juro para o núcleo da meta de inflação se os EUA inundam os mercados de dólares?

A China mantém o “capitalismo de Estado”, câmbio administrado e agressivas políticas desenvolvimentistas; outros parecem que seguirão caminho similar. Pensemos na União Européia. Alguém acredita que ela não defenderá suas empresas e seus níveis de emprego e renda?”

(…)

“Enfim, o que se pode esperar de um país sem projeto nacional de desenvolvimento? Uma oposição articulada por interesses rentistas e partidos políticos sem programas?”

(…)

“Há uma capa da Veja recente estampando que a rede Al Qaeda possui uma representação no Brasil e a OEA emite uma nota sobre a construção de uma hidrelétrica no Norte. Bom, até para quem não é adepto de teorias conspiratórias essas pequenas ações podem desencadear justificativas de intervenção.

Intervenção essa que não precisa se processar diretamente, mas por meio de atores sociais “confiáveis” e que sejam guardiões dos grandes interesses estabelecidos. O império forneceria apoio logístico. Qual a posição dos militares brasileiros? Muito provavelmente não do lado da esquerda jurássica voltada para o passado e que se mostra incapaz no presente de equacionar problemas básicos de educação, saúde e segurança pública.

Bom, teremos a Copa de 2014 e a Rio 2016. Ricardo Teixeira (CBF) e Carlos Nuzman (COB) estão aí para gerenciar as obras. O Rio já teve uma pequena amostra do grande estouro no orçamento no Pan. Estou falando de obras que não ficaram para beneficiar a sociedade carioca.

O Brasil é peça de extrema importância no xadrez do continente americano. Trata-se da segunda economia em PIB e possui abundância em recursos naturais.”

Rodrigo Medeiros, Professor da Univerdade Federal do Espírito Santo

“Tanto o PT quanto o PSDB são frutos dessa “teoria da dependência” de FHC. A esquerda paulistana (que fez coração e mentes em todo o país a partir de 1974 e nos anos 80) é acima de tudo, anti-estatal e anti-nacional. Por isso o primeiro mandato do Lula foi basicamente anti-estatal e anti-nacional, isso não foi visto na maior parte do PT como uma “traição do Lula”, porque essa maioria sempre foi anti-estatal e anti-nacionalista porém a política anti-estatal e anti-nacionalista não dá muito certo, e o Lula foi aprendendo isso aos poucos e passou a substituir os ministros paulistas do PT, por ministros gaúchos, mineiros, e nordestinos e o governo vem ficando cada vez mais menos paulista e mais estatizante e nacionalista e com resultados melhores mas ainda muito aquém do que deveria.”

Gustavo Santos, economista

 

O golpe militar de Sarkozy na Costa do Marfim

Viomundo12 de abril de 2011 às 9:37h

Por Luiz Carlos Azenha

Por motivos óbvios, a melhor fonte para entender as sacanagens geopolíticas dos franceses são os diários ingleses.

Esta é do jornal britânico Guardian:

Sarkozy’s micro-managed intervention in Ivory Coast could win votes [Intervenção micro-gerenciada de Sarkozy na Costa do Marfim pode ganhar votos]

O presidente francês evitou acusações de neocolonialismo em suas cuidadosas campanhas de caubói na África

por Kim Willsher, em Paris, no guardian.co.uk, Monday 11 April 2011 21.13 BST

Momentos depois da captura de Laurent Gbagbo, o presidente Nicolas Sarkozy telefonou ao rival de Gbagbo, Alassane Ouattara, o internacionalmente reconhecido vencedor das eleições do ano passado.

Notícias iniciais sugeriam que tropas francesas tinham capturado Gbagbo, mas foram prontamente negadas por Paris: as tropas francesas não tinham prendido Gbagbo, ele tinha sido entregue a elas pela própria guarda presidencial.

Então, novas notícias: as forças de Ouattara tinham prendido Gbagbo. E finalmente: as forças francesas ajudaram os rebeldes, mas nenhum soldado francês tinha colocado nem mesmo uma bota no jardim da casa de Gbagbo.

Na versão contada por Paris, os forças da França e das Nações Unidas tinham cercado a residência de Gbagbo e reduzido parte do prédio a escombros com mísseis disparados por tanques e helicópteros para destruir “armamento pesado”.

Então elas pararam e esperaram que as forças de Ouattara entrassem na residência. Este cenário, se verdadeiro, é o melhor pelo qual Sarkozy pode esperar: os franceses ganharam o dia, mas não deram o golpe final, o que poderia causar acusações de neocolonialismo.

Em semanas recentes, Sarkozy milagrosamente se recuperou de desastres diplomáticos franceses no Norte da África. A política externa dele tinha sido declarada “sem coragem” depois que Paris inicialmente se ofereceu para esmagar a revolta da Tunísia.

Com uma eleição presidencial dentro de um ano — e os índices de popularidade em baixa recorde — Sarkozy precisava fazer alguma coisa. Primeiro ele liderou o ataque à Líbia, empurrando nas Nações Unidas uma resolução que deixaria livres os caças franceses e faria todos os outros — com exceção de David Cameron — parecerem indecisos.

Entusiasmada, a França obteve uma resolução similar da ONU autorizando as forças da Operação Licorne na Costa do Marfim a agirem “em defesa dos civis”, o que na prática significava apoio a Ouattara.

A Licorne foi reforçada para ter 1.400 soldados, que imediatamente assumiram controle do aeroporto de Abidjan e começaram a patrulhar a cidade enquanto “operadores de inteligência” franceses, segundo rumores, atuavam no país.

Sarkozy, se diz, estava em contato regular com Ouattara — o presidente francês oficiou o casamento de Ouattara quando era prefeito de Neuilly — e alegadamente gerenciou o conflito na Costa do Marfim nos mínimos detalhes. Foi Sarkozy quem aconselhou Ouattara a evitar um ataque a Gbagbo para que ele não se tornasse um mártir, e foi Sarkozy quem se negou a permitir que as forças francesas assumissem o controle das pontes de Abidjan, ainda que isso facilitasse o resgate de civis. Fotos da bandeira francesa hasteada sobre a ponte Charles de Gaulle, no coração da ex-capital colonial, ele decidiu, não mandariam a mensagem certa para o resto da África.

A cada passo, Paris insistiu que a ação militar fosse precedida por um pedido formal das Nações Unidas para que as forças francesas agissem, e tanto a França quanto a ONU insistiram que seu objetivo não era derrubar Gbagbo. Mas na noite passada a grande questão sobre a prisão de Gbagbo continuava, como o Le Monde perguntou: “Quando é que as forças francesas agiram?”.

O embaixador francês em Abidjan, Jean-Marc Simon, insistiu que “em nenhum momento” qualquer tropa francesa entrou “nos jardins da residência presidencial”. O jornal citou uma fonte do ministério da Defesa dizendo que forças da França e da ONU tinham “apoiado a operação” para prender o presidente Gbagbo, de 65 anos de idade.

A questão sobre quem prendeu Gbagbo pode parecer pedante, mas Sarkozy tem se equilibrado sobre uma linha fina, correndo o risco de ser acusado de intervenção — de neocolonialismo e de uma tentativa de melhorar sua popularidade em casa com sucessos no campo de batalha — ou acusado de relaxar e não fazer nada. Falta de ação não é a posição-padrão de Sarkozy — particularmente na Costa do Marfim, onde moram 15 mil cidadãos franceses.

O [jornal] Le Figaro sugeriu que as aventuras militares de Sarkozy poderiam de fato ser garantidoras de votos: “O presidente da República pensa que os franceses sentem um certo orgulho de ver que seu país joga um papel importante no cenário mundial e que este papel é reconhecido fora de nossas fronteiras. É bom para a moral”, o jornal disse.

PS do Viomundo: A França tem fortes interesses econômicos na Costa do Marfim. Imaginar que o poder predador europeu, que cometeu diversos e variados crimes na África, vá agir no continente por algo que não seja a defesa de seus próprios interesses, é o mesmo que imaginar que Abdul, o amigo imaginário do atirador Wellington Menezes de Oliveira, pertence à célula do bin Laden.

 

Ministério da Justiça antecipa campanha do desarmamento

Agência Brasil12 de abril de 2011 às 9:50h

Por Daniella Jinkings

A tragédia na escola de Realengo, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 12 crianças e do atirador, fez o Ministério da Justiça adiantar a campanha nacional do desarmamento para o dia 6 de maio. De acordo com o ministro José Eduardo Cardozo, um conselho, formado por representantes do governo federal e da sociedade civil, vai coordenar a implementação da campanha no país.

A reunião do conselho está marcada para a próxima segunda-feira (18). Além de organizações da sociedade civil, entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional de Segurança Pública e o Conselho Nacional do Ministério Público deverão integrar o conselho.

Hoje (11), Cardozo reuniu-se com representes do Instituto Sou da Paz e da organização não governamental Viva Rio, em Brasília. Segundo o ministro, a campanha não tem data para terminar. O objetivo do Ministério da Justiça é fazer a campanha anualmente. O ministro também disse que formas de acelerar o pagamento das indenizações estão sendo discutidas pelo governo. Segundo ele, o pagamento demorava cerca de três meses. “A demora do pagamento traz um desistímulo a população, que demora ou até desiste de entregar as armas”, afirmou.

O ministério e o Banco do Brasil estão avaliando formas de pagamento de indenizações aos proprietários de armas que as entregarem as armas. Na última campanha, os valores variavam entre R$ 100 e R$ 300 por arma. Este ano, as pessoas que entregarem munições também serão ressarcidas. Os valores ainda não estão definidos mas cada munição deve valer centavos.

Na última campanha do desarmamento, feita entre dezembro de 2008 e dezembro de 2009, foram recolhidas mais de 40 mil armas no país. De acordo com a ONG Viva Rio, há 14,5 milhões de armas em circulação no país.

O desarmamento também está sendo discutido no Senado Federal. Amanhã (12), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai apresentar proposta de um novo referendo sobre o desarmamento. O objetivo é debater com os líderes a votação de um projeto de lei que estabeleça nova consulta à população sobre a proibição da venda de armas de fogo no país.