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WikiLeaks: a ação política do rabino Sobel

Enviado por luisnassif, dom, 06/02/2011 – 13:23

Por Stanley Burburinho

“A comunidade judaica brasileira, também procurada pelos diplomatas americanos em busca de reforço aos seus argumentos, pintou um quadro ainda mais radical: o rabino Henry Sobel acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, literalmente, de ser antissemita, assim como a liderança sênior do Itamaraty.”

“Os esforços do governo brasileiro até hoje refletiram um enfoque altamente favorável aos árabes. Lula não é amigo de Israel ou dos judeus”, insistiu ele, acrescentando que por isso mesmo o Brasil não era um candidato essencial para um assento permanente na ONU. Segundo a embaixada americana, Abraham Goldstein, presidente da B’nai B’rith do Brasil, a maior entidade judaica de direitos humanos, endossou as opiniões de Sobel, e disse que vinha notando um crescimento do antissemitismo no Brasil.”

“Outro estabelece de forma ainda mais bruta: “Temos de aproveitar a oportunidade de tentar desviar o Brasil de seu costumeiro papel de franco atirador secundário, e tentar recrutá-lo para um papel mais útil ou pelo menos verdadeiramente neutro.”

São Paulo gasta R$ 35 milhões por ano com ex-deputados

FERNANDO GALLO, da FOLHA
DE SÃO PAULO

O Estado de São Paulo gasta atualmente R$ 2,9 milhões por mês com pagamento de pensão a 283 ex-deputados estaduais ou dependentes. Em termos anuais, o valor chega a R$ 34,5 milhões.

A informação foi repassada pela secretaria da Fazenda, a pedido da Folha.

Entre os beneficiados estão 127 ex-deputados e 156 dependentes. A Fazenda não revelou quem são e disse “preservar o sigilo em relação à identificação”. Informou apenas que considera como dependentes “viúvas, filhos e companheiras”.

Os vencimentos variam de R$ 10.021 a R$ 20.042 no caso de ex-deputados, e de R$ 7.515 a R$ 20.042 no caso de dependentes.

A Fazenda não explicou a diferença entre os valores mínimos. O teto, em ambos os casos, é igual ao salário recebido pelos deputados.

O salário dos deputados paulistas subiu quase 62% em fevereiro, em efeito cascata provocado pelo aumento nos salários de deputados federais e senadores.

Com o aumento, o gasto total anualizado com as pensões subiu de R$ 21,3 milhões para R$ 34,5 milhões.

Segundo a Fazenda, o cálculo das pensões considera não só o salário mas também verbas como ajuda de custo e pagamento por comparecimento a sessões extras.

O benefício foi estabelecido em 1976, em lei que instituiu uma carteira de previdência exclusiva para os deputados da Assembleia. A lei foi extinta em 1991 e os beneficiários passaram a integrar o quadro de pensionistas do Estado, mas mantiveram os direitos assegurados.

De acordo com a lei, o deputado que contribuísse por oito anos já podia pleitear a pensão, e receberia metade do valor total. Com vinte anos, receberia o valor total.

Nenhuma pensão foi concedida depois de 1991.

‘IMORAL’

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, o pagamento das pensões é “imoral”, ainda que de acordo com a lei. “Agride o bom senso e o bolso do contribuinte”.

Segundo ele, as diversas legislações especiais de aposentadorias e pensões criadas em vários Estados do país a partir da década de 1970 eram “aberrações” e “sugadouros de dinheiro público”, porque não previam nem necessidade de contribuição para a Previdência.

“Infelizmente era a lógica de privilégios a ex-governadores e ex-parlamentares, fazendo do público uma extensão do privado.”

Ophir avalia que o sigilo em relação aos nomes dos ex-deputados e dependentes beneficiados é incompatível com os princípios de transparência da Constituição.

Carlos Lessa, Maílson da Nóbrega, e a proposta desenvolvimentista

Leandro Aguiar 

Economista e ex-Ministro da Fazenda do governo Sarney, Maílson de Nóbrega, contrariando os que o consideram ortodoxo, é um desenvolvimentista. Ou ao menos é o que ele escreveu em seu artigo quinzenal para a revista Veja, aonde ele questiona a validade do termo. Para o ex-ministro o rótulo não faz sentido algum, e recorrendo a uma espécie de estudo semântico da palavra, ele alega que todos, inclusive ele, seriam desenvolvimentistas, já que ninguém no mundo é contra o desenvolvimento.

E o ex-ministro prossegue. Ainda seguindo a lógica de “o-que-seria-o-contrário-de-desenvolvimentista”, ele pergunta retoricamente:

“Como denominar os que duvidam das suas propostas? Seriam contra o desenvolvimento? Já se viu alguém levantar a bandeira do atraso? Poderia ser chamado “atrasadista”, algo igualmente extravagante.”

Por isso, ele acusa de arrogantes os que assim se consideram. Mais a frente, talvez com um pouco de arrogância, ele desautoriza toda a teoria Marxista e Rousseauniana:

“Ao contrário do que pensavam filósofos como Marx e Rousseau, a propriedade não é a causa de todos os males. Ela é inerente ao ser humano.”

Para defender tal idéia, ele listou as primeiras palavras que os bebês aprendem a falar, e “meu” ocupou o terceiro lugar no ranking, no encalço de “papai” e “mamãe”. Sob esse forte embasamento, o economista segue teorizando sobre a sorte de o Brasil não ter elegido Lula em 89, quando venceu Fernando Collor, e a respeito dos “crimes” do MST, cometidos com o consentimento de um Estado que não respeita a propriedade, segundo ele.  

Intrigados com as colocações do economista, os colaboradores do Desenvolvimentistas.com fizeram sua leitura crítica do artigo.

O jornalista Rogério Lessa sugeriu que, para que se evitem mal-entendidos como esse, deve-se demarcar qual o tipo de desenvolvimento é interessante aos desenvolvimentistas, que certamente é bem diverso daquele que interessa ao ex-ministro, diz Rogério. Ele aponta o exemplo sul-coreano, que têm se desenvolvido rapidamente nos últimos anos fazendo exatamente o contrário do que diz Maílson de Nóbrega.

No dia em que Bruno Santos, economista, compartilhar de alguma opinião com Maílson, esse será um “neoliberal fã de Hayek”, conforme o próprio. Apesar de ter poupado palavras ao comentar o artigo, Bruno parece concordar que as idéias do ex-ministro passam longe das dos desenvolvimentistas.

Um dos pontos em que Maílson de Nóbrega se apóia para sua auto-classificação como desenvolvimentista foi a falta de um termo melhor, já que o oposto seria “atrasadista”. Uma das integrantes do grupo dos Desenvolvimentistas deu algumas idéias: anti-trabalhista, privatista, varejista… com bom humor, ela, que preferiu não se identificar, disse que até neologismos valem, contanto que ele não seja um desenvolvimentista. Para ela, “Desenvolvimentista mesmo, é aquele que busca o desenvolvimento do país para todos, visando uma melhoria das condições de vida em geral, visando o desenvolvimento de todas as regiões, a distribuição da renda”.

Buscando um contraponto à opinião do ex-ministro, entrevistei o professor Carlos Lessa. Economista e ex-reitor da UFRJ, que esteve à frente do BNDES em 2003, ele respondeu a questões referentes ao texto do Maílson. Acompanhe:

Quais as principais diferenças do novo desenvolvimentismo em relação à ortodoxia convencional?

As diferenças conceituais são enormes, nascem já no significado de Economia. O conceito de desenvolvimento é a história como projeto, enquanto a economia convencional faz a abstração do tempo e do espaço, a chamada “análise econômica”. Então, entre a visão de um economista, utilizando-se da análise econômica, e a visão de um economista, ou de qualquer outra pessoa preocupada com o desenvolvimento das forças produtivas, há um corte epistemológico profundo.

Aquele que está preocupado com o desenvolvimento lança mão de uma visão de economia totalmente diferente daquela convencional. Na verdade ele imagina a economia como o desenvolvimento das forças produtivas. Ou seja, desenvolvimento é um processo pelo qual você logra alterar a forma de produzir e a forma de repartir as coisas entre as pessoas. A expressão (desenvolvimentista), portanto, divide duas vertentes de economistas.

Como o senhor interpreta a atual articulação entre a Fazenda e o Banco Central? Ela existe de fato, da maneira como é comentada pelo governo?

Eu tenho ouvido comentários sobre essa suposta articulação entre a Fazenda e o Banco Central… Na verdade, por definição, nas condições brasileiras, o Ministério da Fazenda não comanda nem câmbio, nem juros, e, por conseguinte, o Ministério da Fazenda não comanda instrumentos centrais da política econômica. Na verdade a política macroeconômica é formulada pelo Banco central. E é executada pelo Banco Central.  A Fazenda tem um papel subordinado, secundário. Agora, o que significa estar em articulação? Eu confesso que não entendo. Na organização brasileira, o Ministério da Fazenda não tem comando da política econômica.    

Qual a avaliação o senhor faz dos primeiros dias de Tombini à frente do Banco Central? Concordou com as medidas de contenção cambial, acredita que elas serão efetivas? 

Olha, vou ser absolutamente sincero. As medidas que o Banco Central assumiu, até agora, não mostram inovação relevante. Pura e simplesmente ele adotou um procedimento, que estão chamando agora de “atitudes prudenciais”, que dificulta o crédito a prazo para os consumidores, que estavam se endividando muito. É uma medida certamente restritiva, e é extremamente relevante para o desempenho geral da economia. E a outra coisa que ele fez foi um Swap (troca feita entre moedas diferentes e efetuada entre bancos), uma medida mais ou menos clássica para segurar a cotação do câmbio, segurar o dólar. Na verdade, não vi nenhuma grande novidade na atuação (de Tombini).   

O ex-ministro Maílson da Nóbrega escreveu, em seu artigo quinzenal à Veja, que  “para muitos (partidários do desenvolvimentismo), a redução dos juros depende apenas de coragem do Banco Central ou de uma ordem do presidente da República”. No atual momento da economia brasileira, do que depende uma redução dos juros?

O Maílson da Nóbrega, que obviamente tem culpa no cartório, porque como Ministro da Fazendo ele foi quem inaugurou a moda de juros estupidamente elevados no Brasil. Na verdade os bancos devem ao Maílson da Nóbrega esse serviço, não é? Ele é o brasileiro que lançou mão de juros elevados como forma de… tocar a economia, digamos assim. Então ele vai dizer que provavelmente juros altos se fazem necessários, e vai dizer também uma bobagem do tipo “é muito baixa a poupança brasileira”.

Reforma política entra na pauta do Congresso

Josie Jerônimo

Publicação: 04/02/2011 06:25 Atualização:

O governo decidiu incluir a reforma política como pauta do Executivo no primeiro ano da nova legislatura. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), informou que além de criar consenso em relação ao aumento do salário mínimo e acertar o índice de reajuste da tabela do Imposto de Renda, os representantes do governo nas Casas terão a missão de chegar a entendimento sobre um texto para fazer uma “reforma possível” ainda este ano.

Frente parlamentar mista em prol da reforma política está sendo criada nas Casas. As bancadas do PSB na Câmara e no Senado articulam a montagem da frente, que também contará com a participação de representantes de movimentos sociais. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirma que tem conversado com a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) sobre a necessidade de colher assinaturas para oficializar a frente que, futuramente, poderá se tornar uma comissão especial. “Do ponto de vista formal, a frente começa do zero, do ponto de vista do conteúdo, já tem muita coisa. Será uma frente mista, que além do debate parlamentar, vai convocar entidades sociais”, explica Rollemberg.

Além dos itens eleitorais, como o financiamento público de campanha, a alteração de regras de eleições proporcionais, lista de candidatos e coligações, a reforma política deve contemplar propostas para ampliar a participação popular no Legislativo e na elaboração de orçamentos. A proposta de reduzir o número de assinaturas para que a população possa encaminhar projetos para a Câmara, a exemplo do que ocorreu com a Lei Ficha Limpa, é uma das poucas unanimidades entre os parlamentares. Alguns itens da plataforma mais social do que política da reforma não são bem aceitos, como o chamado “voto destituinte”, que daria ao eleitor o poder de tomar um mandato parlamentar e a desburocratização da convocação de plebiscitos e referendos. A participação popular na elaboração dos orçamentos dos planos plurianuais, no entanto, tem chance de passar, pois é bem vista pelo governo. “Se não tiver participação popular não conseguimos”, resume o senador do PSB.

Humberto Costa conta que aliados que estiveram com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois que o petista deixou a Presidência afirmam que ele está motivado a articular a esquerda em torno da reforma política. O governo aposta em Lula como uma espécie de “garoto-propaganda” para convocar a sociedade para o debate. O ex-presidente ressente-se de ter deixado o governo sem aprovar as reformas. Pontos como o voto em lista e o fim do cálculo proporcional para escolher vereadores, deputados distritais, estaduais e federais provocam um racha no Congresso. O líder do PT defende voto proporcional em lista – quando a sigla estabelece os candidatos que serão beneficiários dos votos totais da legenda – e o líder do PP do Senado, Francisco Dornelles (RJ), por exemplo, afirma que o mecanismo de lista é a “oligarquia do partido”. Projeto de Dornelles em tramitação no Senado cria o “distritão”, transformando a eleição proporcional em majoritária. “Fazer o distritão acaba com a necessidade das coligações e a tradição de catar candidatos com 3 mil votos para fazer legenda.”

Janela Reforçar mecanismos da fidelidade partidária está na lista de necessidades da reforma política. Mas antes de qualquer alteração – para punir parlamentares eleitos por voto proporcional que abandonem a sigla de origem – mandatários calculam a necessidade de abrir uma “janela” para que os insatisfeitos mudem de partido. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirma que o ideal seria fazer a reforma sem abrir o período de acomodações, mas a realidade política não permitiria a aplicação rígida. “Como seria uma nova regra, poderíamos abrir exceções.”

O líder pontua que as Casas precisarão montar uma pauta da “reforma necessária” para chegar a uma “reforma possível”. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), defendeu modificações “fatiadas” das regras, pois teme que a elaboração de um texto global, possa fracassar. O líder do PP no Senado, Francisco Dornelles (RJ), também é defensor da aprovação pontual das propostas.

A participação popular durante a discussão da reforma é considerada primordial, para que as propostas tramitem como “reforma proposta pela sociedade”. O executivo espera que o Congresso chegue a um texto mínimo, com apoio popular, para que o governo possa encampar o projeto.

Conheça as propostas em discussão no Congresso que integrarão a pauta da reforma política:

Acabar com o voto proporcional na eleição para deputados, criando a modalidade “distritão” – voto distrital por estado

Fim das coligações em voto proporcional

Instituição da lista fechada para vereadores, deputado distrital, estadual e federal

Redução do número de assinaturas para projetos de iniciativa popular

Criar mecanismo para facilitar a convocação de plebiscitos e referendos

Criar o voto destituinte

Implantar mecanismos para limitar o custo das campanhas

Aprovar o financiamento público de campanha

Criar mecanismos de fortalecimento da fidelidade partidária

Criar mecanismos de participação da sociedade na elaboração dos Planos Plurianuais (PPAs)

Ampliar exigências da cláusula de barreira para limitar o número de partidos

O brasileiro que descobriu a relação entre escolaridade e emotividade

por Luiz Carlos Azenha

Talvez vá merecer a capa da revista Science, especialmente porque a descoberta não foi feita por um cientista, mas por um sociólogo.

O sociólogo Alberto Carlos Almeida, autor dos livros “A Cabeça do Brasileiro” e “O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo” e, aparentemente, militante do PIG, publicou sua descoberta no jornal da elite econômica brasileira, o Valor.

Isso mesmo: um sociólogo descobriu a relação entre escolaridade e emotividade! Só no Brasil…

Vou reproduzir apenas o trecho em que o sociólogo anunciou sua “descoberta”:

Dilma: um mês de reais mudanças

Valor Econômico – 28/01/2011

Faltam poucos dias para que o governo Dilma complete seu primeiro mês e já se notam mudanças reais em face do governo que lhe antecedeu e a elegeu. As principais diferenças entre Dilma e Lula poderão ser explicadas por um só fator: Lula teve quatro anos de escolarização formal, Dilma teve 16 anos. Lula não completou o primeiro grau, Dilma fez curso universitário. A consequência disso é simples: Lula se tornou um líder sindical e foi socializado nesse meio. Dilma não. Imaginemos o dia a dia de Lula nas disputas sindicais, com quem ele se relacionava, os métodos de disputa política, o divertimento dos bares e biroscas. Dilma, porque tem diploma universitário, nunca fez parte desse mundo.

Depois de deixar o cargo de presidente, Lula usou o avião oficial da Presidência da República, os filhos obtiveram a renovação de passaportes diplomáticos e Lula e sua família foram descansar nas instalações militares no Guarujá (SP). Trata-se de um comportamento típico de alguém que teve uma formação escolar débil: confunde-se o público com o privado. Isso só não é mais frequente porque existe controle social: mídia, opinião pública, Ministério Público e outras instituições que criticam e impedem que tal prática seja ainda mais disseminada.

O comportamento de Lula em tais episódios em nada difere das centenas de prefeitos também pouco escolarizados que utilizam a máquina da prefeitura como se fosse deles. Veja-se agora o ministro dos Portos do governo Dilma, Leônidas Cristino (PSB), que gastou R$ 5 milhões quando prefeito de Sobral (CE) para construir uma vila olímpica que leva o nome do ministro Ciro Gomes.

Uma grande parte da afetação emocional de Lula, revelada para o público nas inúmeras vezes em que chorou compulsivamente em eventos oficiais, pode ser compreendida em parte por sua baixa formação escolar. Quanto mais escolarizada a pessoa é, menores as chances de que ela tenha uma relação mágica com o mundo. Quem completa o grau superior tende a ter explicações racionais para os acontecimentos. Isso faz que essa pessoa seja mais fria, para o bem e para o mal. Lula chorou sem parar na cerimônia de diplomação nos idos de 2002. Quando Dilma foi diplomada, em dezembro de 2009, não rolou uma lágrima sequer em sua face. Isso merece louvor. Dilma encarou a diplomação com muito mais frieza do que fez Lula. Dilma tem uma visão do trato da coisa pública muito diferente da que tem Lula.

Deixar para trás um presidente sem formação escolar, substituindo-o por alguém que tem grau universitário é uma revolução e isso ficará mais claro no decorrer do governo Dilma. Lula era um fanfarrão, Dilma não é. Lula se considerava o salvador da pátria, como ele mesmo disse, ele se considerava a opinião pública. Tudo indica que esse tipo de pensamento não passe pela cabeça de Dilma. Lula falava o tempo inteiro, utilizava sem cerimônia linguagem de baixo calão. A julgar pela primeira aparição pública de Dilma na tragédia das chuvas do Rio, teremos uma presidente com boa capacidade de comunicação, mas sempre lançando mão de estilo e conteúdo comedidos. Com Dilma e sem Lula, a racionalidade voltou ao Palácio do Planalto.

Há algumas medidas reais que o governo ou vem tomando ou pretende executar que mostram claramente a grande mudança que significa trocar Lula por Dilma. Tem circulado que um dos motes, não o lema, do governo Dilma é “fazer mais com menos”. Essa foi a expressão utilizada por Miriam Belchior na entrevista coletiva que ela, Guido Mantega e Alexandre Tombini deram quando foi anunciada a equipe econômica. Essa expressão continua pairando sobre o governo. Junto com ela está em andamento a negociação para cortes no orçamento. Há quem diga que o governo vai propor R$ 40 bilhões de cortes. Além disso, Dilma tem deixado clara sua disposição de nomear mais técnicos do que políticos para o segundo e o terceiro escalões. Outra medida em consonância com tudo isso é a proposta de redução de impostos sobre a folha de pagamento.

Fazer mais com menos, cortes no orçamento, nomeação de técnicos e redução de impostos constituem um conjunto de medidas e sinalizações de que Dilma pretende iniciar o que pode ser um longo e penoso processo, que, no entanto, dará muitos frutos, de modernização do Estado brasileiro. Nunca antes na história deste país um governante reduziu impostos. O governo vai propor a redução gradativa da contribuição das empresas para o INSS, atualmente de 20%. Uma redução escalonada teria como alvo, depois de uns três anos, uma alíquota de 14%. Se isso realmente for feito, haverá grande aumento na oferta de empregos com carteira assinada, uma demanda antiga de nossa população.

A proposta recém-anunciada de redução de impostos já pôs as centrais sindicais na posição mais do que inusitada de defender uma compensação para que não aumente o rombo da Previdência. Acho que nunca antes na história deste país as centrais sindicais se preocuparam com o rombo da Previdência. Essa proposta também vai pôr o derrotado José Serra, caso ele não seja oportunista, em uma situação inusitada: ele terá que se opor à redução de impostos, pois foi isso que ele defendeu no último debate na TV Globo antes do segundo turno.

O que Dilma começou a sinalizar é que teremos uma grande inflexão em face de Lula: o governo irá para centro, tanto no conteúdo quanto na forma. Dilma será uma presidente de classe média que voltará a agradar à classe média. Lula foi um presidente de classe baixa que agradou ao povão.

Para ler todo o artigo, clique aqui.

PS do Viomundo: Notaram como o articulista se sente feliz ao ver o governo se “afastar” (na visão dele) do povão irracional e chorão!?!

O Egipto à beira do sangue

por Thierry Meyssan

De há uma semana a esta parte os meios de comunicação ocidentais fazem-se eco das manifestações e da repressão que agitam as grandes cidades egípcias. Traçam um paralelo com as que levaram ao derrube de Zine el-Abidine Ben Ali na Tunísia e evocam um vendaval de revolta no mundo árabe. Segundo eles, este movimento podia estender-se à Líbia e à Síria. Devia favorecer os democratas laicos e não os islamitas, prosseguem eles, porque a influência dos religiosos foi sobrestimada pela administração Bush e o “regime dos molllah” no Irão é um dissuasor. Assim se concretizariam os votos de Barack Obama na Universidade do Cairo:   a democracia reinará no Próximo Oriente.

Esta análise é falsa segundo todas as perspectivas.

  • Primeiro, as manifestações começaram no Egipto já há alguns meses. Os meios de comunicação ocidentais não lhes prestaram atenção porque pensavam que elas não levariam a nada. Os egípcios não foram contaminados pelos tunisinos, mas foram os tunisinos que abriram os olhos dos ocidentais sobre o que se passa naquela região.
  • Em segundo lugar, os tunisinos revoltaram-se contra um governo e uma administração corruptos que foram espoliando gradualmente toda a sociedade, privando de qualquer esperança classes sociais cada vez mais numerosas. A revolta egípcia não é dirigida contra esse modo de exploração, mas contra um governo e uma administração que estão tão ocupados em servir os interesses estrangeiros que já não têm energia para satisfazer as necessidades básicas da sua população. No decurso dos últimos anos, o Egipto assistiu a inúmeros motins, quer contra a colaboração com o sionismo, quer provocados pela fome. Estes dois assuntos estão intimamente ligados. Os manifestantes evocam indistintamente os acordos de Camp David, o bloqueio a Gaza, os direitos do Egipto às águas do Nilo, a partilha do Sudão, a crise de habitação, o desemprego, a injustiça e a pobreza.

 

  • Além disso, a Tunísia era administrada por um regime policial, enquanto que o Egipto é-o por um regime militar. Digo aqui ‘administrado’ – e não ‘governado’ – porque em ambos os casos, trata-se de Estados sob uma tutela pós-colonialista, privados de política estrangeira e de defesa independente.

    Segue-se que na Tunísia, o exército pôde interpor-se entre o Povo e a polícia do ditador, enquanto que no Egipto, o problema será resolvido pelo fuzil automático entre militares.

  • Em terceiro lugar, se o que se passa na Tunísia e no Egipto serve de encorajamento para todos os povos oprimidos, estes últimos não são os que os meios de comunicação ocidentais imaginam. Para os jornalistas, os maus são os governos que contestam – ou fingem contestar – a política ocidental. Enquanto que para os povos, os tiranos são os que os exploram e humilham. É por isso que penso que não iremos assistir às mesmas revoltas em Damasco. O governo de Bachar el-Assad é o orgulho dos sírios: alinhou do lado da Resistência e soube preservar os seus interesses nacionais sem nunca ceder às pressões. Acima de tudo, soube proteger o país do destino que Washington lhe reservava: ou o caos à moda iraquiana, ou o despotismo religioso à moda saudita. Claro que é muito contestado em muitos aspectos da sua gestão, mas desenvolve uma burguesia e os procedimentos democráticos que a acompanham. Pelo contrário, estados como a Jordânia e o Iémen são instáveis no que se refere ao mundo árabe, e o contágio também pode atingir a África negra, por exemplo o Senegal.
  • Em quarto lugar, os meios de comunicação ocidentais descobrem tarde demais que o perigo islamista é um espantalho. No entanto é preciso reconhecer que foi activado pelos Estados Unidos de Clinton e pela França de Miterrand nos anos 90 na Argélia, e depois foi exagerado pela administração Bush na sequência dos atentados de 11 de Setembro, e alimentado pelos governos neo-conservadores europeus de Blair, Merkel e Sarkozy.

    Também é preciso reconhecer que não há nada em comum entre o wahhabismo à saudita e a Revolução islâmica de Rouhollah Khomeiny. Qualificá-los a ambos de ‘islamitas’ não só é absurdo como é impedir que se compreenda o que se está a passar.

    Os Seoud financiaram, de acordo com os Estados Unidos, grupos muçulmanos sectários que defendem o regresso à imagem que têm da sociedade do século VII, no tempo do profeta Maomé. Já não têm mais impacto no mundo árabe do que têm os amish nos Estados Unidos, com as suas carroças puxadas a cavalos.

    A Revolução de Khomeiny não pretende instaurar uma sociedade religiosa perfeita, mas derrubar o sistema de dominação mundial. Afirma que a acção política é um meio para o homem se sacrificar e se transcender e, por conseguinte, que é possível encontrar no Islão a energia necessária à mudança.

    Os povos do Próximo Oriente não querem substituir as ditaduras policiais ou militares que os esmagam por ditaduras religiosas. Não há perigo islamita. Simultaneamente, o ideal revolucionário islâmico que já produziu o Hezbollah na comunidade xiita libanesa, influencia agora o Hamas na comunidade sunita palestina. Pode de facto desempenhar um papel nos movimentos em curso, e já o desempenha no Egipto.

  • Em quinto lugar, por muito que desagrade a certos observadores, apesar de assistirmos a um regresso da questão social, este movimento não pode ser reduzido a uma simples luta de classes. É verdade que as classes dominantes receiam as revoluções populares, mas as coisas são mais complicadas. Assim, sem surpresas, o rei Abdallah da Arábia Saudita telefonou ao presidente Obama para lhe pedir que faça parar a desordem no Egipto e proteja os governos existentes na região, prioritariamente o seu. Mas este mesmo rei Abdallah acaba de favorecer uma mudança de regime no Líbano pela via democrática. Abandonou o multimilionário líbano-saudita Saad Hariri e apoiou a coligação de 8-Março, Hezbollah incluído, para o substituir como primeiro-ministro por um outro multimilionário líbano-saudita Najib Mikati. Hariri tinha sido eleito por parlamentares que representavam 45% do eleitorado, enquanto que Mikati acaba de ser eleito por parlamentares representando 70% do eleitorado. Hariri estava enfeudado a Paris e a Washingtom, Mikati anuncia uma política de apoio à Resistência nacional. A questão da luta contra o projecto sionista é actualmente superdeterminante em relação aos interesses de classe. Além disso, mais do que a distribuição da riqueza, os manifestantes põem em causa o sistema capitalista pseudoliberal imposto pelos sionistas.
  • Em sexto lugar, para voltar ao caso egípcio, os meios de comunicação ocidentais lançaram-se em volta de Mohamed ElBaradei que designaram por líder da oposição. É ridículo. M. ElBaradei é uma personalidade com uma reputação simpática na Europa, porque resistiu algum tempo à administração Bush, sem se lhe opor totalmente. Personifica pois a boa consciência europeia face ao Iraque, que se opunha à guerra e acabou por apoiar a ocupação. No entanto, objectivamente, M. ElBaradei é a água morna que recebeu o Prémio Nobel da Paz para que Hans Blix não o recebesse. É sobretudo uma personalidade sem qualquer eco no seu próprio país. Não existe politicamente a não ser porque a Irmandade Muçulmana o escolheu para seu porta-voz nos meios de comunicação ocidental.

    Os Estados Unidos fabricaram adversários mais representativos, como Ayman Nour, que não tarda muito vai ser tirado do chapéu, apesar de as suas posições a favor do pseudo-liberalismo económico o desqualificarem perante a crise social que o país atravessa.

    Como quer que seja, na realidade, só existem duas organizações de massas, implantadas na população, que há muito se opõem à política actual: a Irmandade Muçulmana, por um lado, e a Igreja cristã copta, por outro lado, (apesar de S.B. Chenoudda III distinguir a política sionista de Mubarak que ele combate, do rais [1] com que se entende). Este ponto escapou aos meios de comunicação ocidentais porque fizeram crer há pouco tempo ao público que os coptas estavam a ser perseguidos pelos muçulmanos quando estavam a ser perseguidos pela ditadura de Mubarak.

  • Aqui torna-se útil um parêntesis: Hosni Mubarak acaba de nomear Omar Suleiman para vice-presidente. É um gesto claro que pretende tornar mais difícil a sua eventual eliminação física pelos Estados Unidos. Mubarak chegou a presidente porque tinha sido designado vice-presidente e os Estados Unidos mandaram assassinar o presidente Anuar el-Sadate pelo grupo de Ayman al-Zawahri. Portanto, sempre se recusou até agora a arranjar um vice-presidente com medo de ser assassinado por sua vez. Ao designar o general Suleiman, escolheu um dos seus cúmplices com quem manchou as mãos no sangue de Sadate. A partir de agora, para conquistar o poder, não bastará matar apenas o presidente, será preciso executar também o seu vice-presidente. Ora, Omar Suuleiman é o principal artífice da colaboração com Israel. Washington e Londres vão pois protegê-lo como às meninas dos seus olhos.

    Além do mais, Suleiman pode apoiar-se em Tsahal [2] contra a Casa Branca. Já começou por chamar atiradores de elite e material israelwnses que estão prontos para matar os cabecilhas da multidão.

    O general-presidente Hosni Mubarak e o seu general-vice-presidente Omar Suleiman apareceram na televisão com os seus generais conselheiros para dar a entender que o exército tem o poder e vai mantê-lo.

  • Em sétimo lugar, a situação actual revela as contradições da administração americana. Barack Obama estendeu a mão aos muçulmanos e apelou à democracia aquando do seu discurso na universidade do Cairo. No entanto, agora, vai utilizar todo o seu empenho para impedir eleições democráticas no Egipto. Se pode aceitar um governo legítimo na Tunísia, não pode fazê-lo no Egipto. As eleições beneficiariam a Irmandade Muçulmana e os coptas. Escolheriam um governo que abriria a fronteira de Gaza e libertaria o milhão de pessoas que lá estão encerradas. Os palestinos, apoiados pelos seus vizinhos, o Líbano, a Síria e o Egipto, derrubariam o jugo sionista.

    É preciso assinalar aqui que, no decurso dos dois últimos anos, estrategas israelenses conceberam um golpe retorcido. Considerando que o Egipto é uma bomba social, que a revolução é inevitável e está iminente, conceberam favorecer um golpe de estado militar em benefício de um oficial ambicioso e incompetente. Este lançaria uma guerra contra Israel e seria vencido. Tel-Aviv poderia assim reencontrar o seu prestígio militar e recuperar o monte Sinai e as suas riquezas naturais. Sabe-se que Washington se opôs decididamente a este cenário demasiado difícil de controlar.

    O que é certo é que o Império anglo-saxão se mantém agarrado aos princípios que fixou em 1945: é favorável às democracias que fazem uma ‘boa escolha’ (a do servilismo), e opõe-se aos povos que fazem a ‘má escolha’ (a da independência).

    Por conseguinte, se acharem necessário, Washington e Londres apoiarão sem reservas um banho de sangue no Egipto, desde que o militar que levar a melhor se comprometa a perpetuar o statu quo internacional.

  • 31/Janeiro/2011

    NT
    [1] Rais: título usado pelos dirigentes de estados muçulmanos na Índia, no Médio Oriente e na Ásia do Sul.
    [2] Tsahal: nome dado às forças armadas de Israel.

  • Imagens do Egipto em http://totallycoolpix.com/2011/01/the-egypt-protests/
  • [*] Analista político francês, presidente-fundador do Réseau Voltaire da conferência Axis for Peace . Publica toda semana crónicas de política estrangeira na imprensa árabe e russa. Última obra publicada: L’Effroyable imposture 2 , éd. JP Bertand (2007).

    O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/article168311.html . . Tradução de Margarida Ferreira.

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

China dispara na corrida pela energia nuclear limpa

Por Richard Martin

Tradução: Marcos O. Costa

A China anunciou oficialmente que vai lançar um programa para desenvolver um reator nuclear de sal fundido a base de tório, dando um passo decisivo para transformar a energia nuclear em uma fonte primária limpa.

O projeto foi apresentado na reunião anual da Academia Chinesa de Ciências em Xangai na semana passada, e relatada no jornal Wen Hui Bao (Google Inglês tradução aqui ).

Se o reator funcionar como o planejado, a China poderá realizar um sonho longamente adiado de produzir-se energia nuclear limpa. Os Estados Unidos poderiam se tornar dependentes da tecnologia chinesa, ficando drasticamente para trás na corrida pelo desenvolvimento de energias verdes.

“O presidente Obama falou sobre uma reação americana,  semelhante à ocorrida após o lançamento da Sputnik “, escreveu Charles Barton, criador do blog Nuclear Green Revolution.

Enquanto quase todos os atuais reatores nucleares funcionam com urânio, o elemento radioativo tório é conhecido como um combustível alternativo mais seguro, mais limpo e abundante. O tório é particularmente adequado para uso em reatores de sal fundido, ou MSRs. As reações nucleares ocorrem dentro de um núcleo líquido ao invés de barras de combustível sólido, e não há risco de colapso.

Além de sua segurança, os MSRs podem consumir vários tipos de combustível nuclear, incluindo as reservas existentes de resíduos nucleares. Seus derivados não são adequados para a fabricação de armas de qualquer tipo. Eles também podem atuar como breeders, produzindo mais combustível do que consomem.

Na década de 1960 e 70, os Estados Unidos fizeram uma extensa pesquisa sobre tório e MSRs no Oak Ridge National Laboratory. Este trabalho foi abandonado, em parte porque os reatores com base em urânio geram, como subproduto, plutônio para bombas. Hoje, com menos demanda por armas nucleares e diante do crepúsculo do petróleo barato, vários países – incluindo Portugal, França e Noruega – estão perseguindo os ciclos à base de tório  como combustível nuclear. (O movimento popular para promover um reator americano alimentado por tório foi abordado na revista Wired de Dezembro de 2009 ).

O novo programa chinês é a maior iniciativa nacional de tório-MSR até hoje. A República Popular da China já havia anunciado planos para construir dezenas de novos reatores nucleares nos próximos 20 anos, aumentando a sua oferta de energia nuclear em 20 vezes , e se desprendendo do carvão, do qual ela é uma das maiores consumidoras do mundo.  Projetar um reator de sal fundido à base de tório pode colocar a China na vanguarda da corrida para construir reatores ambientalmente seguros, eficazes e politicamente palatáveis.

“Precisamos de um forno capaz de queimar mais combustível”, diz Xu Hongjie, investigador principal do Instituto de Física Aplicada de Xangai, segundo o Wen Hui Bao.

O programa especial da China é liderado por Jiang Mianheng, filho do ex-presidente chinês Jiang Zemin. Vice-presidente da Academia Chinesa de Ciências, o jovem Jiang é Ph.D. em Engenharia Elétrica pela Drexel University. Uma delegação chinesa liderada por Jiang revelou os planos com o tório para os cientistas de Oak Ridge, durante uma visita ao laboratório nacional no ano passado.

O anúncio oficial acontece no momento em que o governo Obama comprometeu-se a financiar fundos de pesquisa para a próxima geração de tecnologia nuclear. O presidente mencionou especificamente Oak Ridge National Laboratory, no seu discurso de 25 de janeiro, mas o fato é que, atualmente, não há nenhum programa financiado pelo governo para o desenvolvimento do tório como combustível alternativo nuclear.

Uma fonte de energia nuclear chinesa à base de tório é vista por muitos analistas como uma ameaça à competitividade econômica dos EUA. Durante uma apresentação em Oak Ridge em 31 de janeiro, Jim Kennedy, CEO da St. Louis Wings Enterprises (que está tentando ganhar a aprovação para iniciar uma mina de terras raras e tório em Pea Ridge, Missouri) retratou o desenvolvimento de tório chinês como potencialmente devastador.

“Se perdermos o barco sobre isso, como poderemos competir na economia mundial?” Kennedy perguntou. “O que mais teremos para exportar?”

De acordo com especialistas, os Estados Unidos poderiam ser obrigados, daqui a 20 anos, a importar uma tecnologia  que foi, originalmente, desenvolvida em um de seus principais institutos de pesquisa. A versão alarmista da estratégia chinesa sobre a próxima geração de energia nuclear pode ser assim resumida: Se você gosta de dependência do petróleo estrangeiro, você vai amar a dependência externa nuclear.

“Quando ouvi isso, pensei: já  aconteceu”, disse Kirk Sorensen, tecnólogo nuclear-chefe do Teledyne Brown Engineering e criador do blog Energy From Thorium. “Talvez isso possa chamar atenção das pessoas em Washington”.

Embora a iniciativa internacional “Geração IV” inclui um grupo de trabalho sobre MSRs  de tório, a China deixou claro sua intenção de ir sozinha. O anúncio da Academia Chinesa de Ciências afirma, explicitamente, que a  China pretende desenvolver e controlar a propriedade intelectual em torno de tório para seu próprio benefício.

“Isso permitirá à China deter, em suas mãos, o controle firme da produção de energia”, afirmou a reportagem  do Wen Hui Bao.

 Imagem: Usina Nuclear torres de resfriamento em Byron, Illinois ( Doug Bowman / Flickr)

http://www.wired.com/wiredscience/2011/02/china-thorium-power/?utm_sourc…

obs: a tradução carece de uma revisão  feita  por especialista em energia nuclear. Faço apenas um comentário: a China possui metade das reservas mundiais de Tório