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A nova repartição colonial do mundo (2)

do Conversa Afiada

por Mauro Santayana


Os norte-americanos sempre criam, estimulam e financiam movimentos oposicionistas em todos os paises nos quais é de seu interesse desestabilizar os governos e os sistemas políticos. Estamos, nestes dias, lembrando-nos de 1964. Poderíamos nos lembrar de todos os anos anteriores, sobretudo do período entre 1945 e 1954 quando Vargas, eleito presidente, criou os instrumentos econômicos necessários ao desenvolvimento independente, com as grandes empresas estatais. Depois de morto o grande presidente, Juscelino conseguiu equilibrar-se, graças à sábia opção política de mobilizar a nação para as tarefas do crescimento acelerado.


Assim, não é de surpreender que seus agentes e aliados, nos países muçulmanos, tenham estimulado o movimento que se iniciou, de maneira aparentemente acidental, na Tunísia. Os jovens dos países islâmicos se encontram insatisfeitos com a vida. Faltam-lhes oportunidades de realização profissional e pessoal. Sua liberdade é limitada, e seus sonhos se desfazem, diante de uma sociedade fechada em si mesma.


No último dia 21, o New York Times publicou artigo de um jovem de 24 anos, e bem sucedido colaborador do respeitável Council of Foreign Relations, de Nova Iorque. Mattew C. Klein analisa a situação dos jovens norte-americanos, mostrando que a sua situação de desemprego é semelhante à dos jovens dos países pobres, e que os seus sonhos são também limitados. Ele poderia ter discutido também o desencanto da parcela não alienada da juventude de seu país com o governo, com a corrupção parlamentar e com o indecente comportamento das grandes corporações que têm a sua cabeça em Wall Street, com o belicismo de seu país.  O fato de que haja liberdade de imprensa e eleições periódicas não reduz o absolutismo essencial do sistema norte-americano. O povo vota, de quatro em quatro anos, a imprensa é livre, o sistema judiciário funciona, embora nem sempre a Suprema Corte julgue com isenção. Mas, ainda assim, a liberdade, ali, como em outros lugares, é um bem de mercado. É preciso comprá-la.


Os direitos humanos, ainda que proclamados em declarações altissonantes, são também violados nos Estados Unidos e nos países que lhes fazem coro. Basta lembrar o que se passa em Guantanamo, o que foi documentado em Abu Ghraib, e as condições a que está submetido, em uma prisão naval, o soldado norte-americano Bradley Manning.


O discurso de que a intervenção na Líbia se faz em nome dos direitos humanos e da proteção aos civis é imoral. É considerada insensata até mesmo a parlamentares britânicos, como o deputado Rory Stewart, em artigo publicado no dia 18, pela London Review of Books. Stewart não é um homem de esquerda. Deputado por um dos tradicionais redutos conservadores do Noroeste da Inglaterra, o de Penrith and the Border, o parlamentar revela  conhecimento do tema. Ele participou das tropas britânicas no Iraque, e, depois disso, atravessou a pé o Afeganistão, como parte de uma viagem maior, da Turquia ao Nepal, por 6.000 quilômetros e que durou dois anos. Embora conservador, Stewart considera um erro a participação de seu país nas cruzadas anti-islâmicas. Justifica, em parte, a intervenção na Iugoslávia, em nome da proteção das populações civis, ali ameaçadas de genocídio – mas não concorda com as demais. Reproduzimos alguns textos de seu artigo, publicado com o titulo de “Here we go again”:


Parecia duplamente improvável que a Inglaterra algum dia interviria militarmente em país como a Líbia. Embora pobre em petróleo, o Afeganistão, na Ásia Central, foi visto por muitos muçulmanos como objeto de ocupação por cruzados infiéis, comandados por Israel, e com o objetivo  de implantar bases militares ou de arranjar petróleo barato. Qualquer movimento contra a Líbia – país árabe, muçulmano, obcecado numa luta sem tréguas contra o colonialismo e suando petróleo – dava a impressão de que seria visto como movimento extremamente hostil e sinistro, primeiro pelos seus próprios vizinhos árabes; mas também pelo mundo desenvolvido e até pelos próprios líbios.


A Líbia não atende, sequer, aos critérios do direito internacional, como alvo de intervenção militar. Kadáfi é o poder soberano, não os rebeldes; não praticava nem genocídio nem limpeza étnica. Na Bósnia, a situação era diferente: em algumas semanas, haviam morrido 100 mil pessoas. E a própria Bósnia – estado soberano não reconhecido pela ONU – pediu formalmente a intervenção. O caso do Kôssovo foi menos claro, mas a intervenção visou Milósevic e veio depois das guerras dos Bálcãs, iniciadas por ele, e do deslocamento forçado de 200 mil pessoas, com provas abundantes de atrocidades movidas por preconceitos étnicos. Esse tipo de concepção do que seja uma intervenção militar legal, e que em 1999 parecia ser a quintessência da governança e do consenso global, deixou de ser a concepção dominante no Ocidente.

Como deputado à Câmara dos Comuns, ocorreu-me que talvez seja hora de lembrar às pessoas  que, apesar da desgraça do Afeganistão, a Inglaterra ainda pode ter papel construtivo no mundo.


No fim de seu artigo, o parlamentar é pessimista e vai fundo na exposição dos pretextos dos colonialistas:


“Nada me tira da cabeça que o perigo maior não é o desespero, mas as decisões irrefreáveis, quase hiperativas: o senso de alguma obrigação moral, o medo de estados-bandidos, de estados fracassados, de perdermos nossa “credibilidade”. Isso, sim, me faz temer que estejamos no início de mais uma década de superintervenção militar”.


Rory Stewart (nascido em Hong Kong, de pais ingleses, educado na Inglaterra) confirma assim o objetivo de outro movimento colonialista,  de novo “manu militari” dos velhos dominadores. Acuados pela falta de petróleo barato, eles se agarram ao passado, em busca de sua segurança e de seu orgulho, como donos do mundo.


Uma derrota do povo


Ao decidir, pelo voto do novo ministro Luis Fux, pela não validade da Lei da Ficha Limpa no pleito passado, o STF contribui para o desalento do povo e sua descrença no processo político nacional. Espera-se que, diante da decisão, o STF dê prioridade aos processos já instaurados e acelere o julgamento dos ladrões do Erário, que agora se acobertam pela decisão do tribunal. Os cidadãos honrados (entre eles os políticos decentes) sentem-se pessoalmente ofendidos pela impunidade dos corruptos, corruptores e peculatários.


A nação pode sentir-se consolada pelo fato de que cinco dos ministros foram sensíveis ao seu clamor pela moralização da atividade política.


 

O discurso de Dilma, a Liga de Democracias e a submissão voluntária

do VioMundo

por Luiz Carlos Azenha

A presidenta Dilma Rousseff fez um excelente discurso de boas vindas ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Usando o tom diplomático que a ocasião exige, Dilma reclamou das barreiras comerciais impostas a produtos brasileiros, da enxurrada de dólares que o Tesouro americano imprime, da lentidão na reforma dos organismos multilaterais e, indiretamente, afirmou que a América do Sul é “nossa”, ao mencionar a Unasul.

Estadão, obviamente, destacou o “apreço” de Obama pela pretensão brasileira de fazer parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas, deixando em segundo plano o discurso de Dilma.

Continuo acreditando que a calibragem da política externa brasileira, em andamento no governo Dilma, tenta colocar o país no papel de parceiro privilegiado dos Estados Unidos — com as vantagens e desvantagens implícitas nisso.

Do ponto-de-vista dos Estados Unidos, o governo Obama parece ter adotado uma das propostas de campanha do republicano John McCain, que este herdou do governo Bush Jr.: o estabelecimento de uma Liga das Democracias.

O objetivo não declarado da Liga: dar a volta no “terceiro mundismo” da Assembleia Geral da ONU e turbinar a política externa dos Estados Unidos diante de Rússia e China.

Os Estados Unidos fariam concessões a estes parceiros (Brasil, Índia, Indonésia) em troca de apoio político internacional.

Não é por outro motivo que o Estadão deste domingo vibra com a diplomacia de Dilma Rousseff, com editorial elogioso e tudo.

“O estilo Lula foi um momento, e já passou”, diz o professor Riordan Roett, da Universidade Johns Hopkins, entrevistado pelo jornal.

“Ficará na história, como ponto importante, que Lula estabeleceu o Brasil como um dos Brics. O país apareceu na arena global, com mais exportações, com muitas viagens, encontros no G-20. Lula é uma pessoa especial, é carismático. Não é um grande administrador, mas entendeu esse momento e o usou a favor do Brasil. Mas foi um momento, e passou. Não vai deixar recall.”

“É difícil imaginar o Patriota como um homem de partido”, alfineta o professor ao falar do atual chanceler Antônio Patriota, obviamente numa referência ao ex-chanceler Celso Amorim, que ingressou no PT.

“Com Dilma, há sinais de um certo ajuste de rumo”, diz Fernando Henrique Cardoso na página seguinte.

O fato é que os Estados Unidos sempre se opuseram à entrada do Brasil no Conselho de Segurança, entre outros motivos por serem depositários do medo que os vizinhos do Brasil expressam, privadamente, a respeito de nossas supostas pretensões expansionistas. Qualquer brasileiro disposto a ouvir vai encontrar reticências a respeito da postura internacional do Brasil na Bolívia, no Paraguai, na Colômbia, na Venezuela…

O Itamaraty sabe disso e aparentemente trabalha em busca de um equilíbrio entre as relações com a vizinhança imediata e os Estados Unidos.

O risco, sempre, é o de trocar coisas concretas e importantes por “apreço”.

Talvez fosse o caso de não considerar assim tão importante a entrada do Brasil no Conselho de Segurança. Ou de pelo menos se perguntar: a que custo?

Aqui eu posso falar de cátedra, depois de ter vivido e acompanhado de perto, durante quase 20 anos, como funcionam os Estados Unidos: estejam republicanos ou democratas no poder, Washington sempre coloca seus interesses econômicos acima de tudo e joga duro na defesa deles.

A ponto de o Departamento de Estado criar centenas de listas, condenando este ou aquele país por uma infinidade de motivos. Qual é a função das listas? Negociar a retirada dos países em troca de concessões reais. É a tática de colocar o bode na sala alheia, para negociar a retirada.

E é aí que entra a tendência à “submissão voluntária”, como notou um comentarista deste site.

Não conheço documento tão eloquente sobre ela quanto o telegrama do WikiLeaks que flagrou tucanos e tucanófilos falando mal do governo Lula a diplomatas americanos. Seria impensável nos Estados Unidos: jamais republicanos ou democratas se aliaram a estrangeiros para adiantar seu lado. Americano defende, sempre e em primeiro lugar, o interesse dos Estados Unidos.

Se, de um lado, a presidenta Dilma Rousseff fez um discurso impecável, a “submissão voluntária” ficou explícita nesta breve visita de Barack Obama: nos dirigentes do PT que desautorizaram manifestações de militantes do partido, na permissão dada a agentes estrangeiros para revistar autoridades brasileiras em Brasília, na ideia maluca de permitir um comício de Obama na Cinelândia e na cobertura dos jornais, que hierarquizaram o Brasil como o “menos igual” na suposta parceria estratégica.

Para evitar nossa tendência à submissão voluntária, seria o caso de se perguntar, sempre: o que é que vamos ganhar com isso?

PS do Viomundo: Outra diferença gritante entre Brasil e Estados Unidos. Lá, os políticos e candidatos expõem publicamente seus pontos-de-vista sobre política externa. No Brasil, é tudo decidido entre quatro paredes e as posturas só ficam explícitas depois das eleições.

 

Com a palavra os são paulinos: Existe mesmo o boicote?

do R7

“Se é retaliação, não vem ao caso”, diz dirigente  do São Paulo sobre tabela do Brasileirão

Tricolor terá cinco jogos na TV aberta no 1º turno deste Brasileirão, contra oito em 2010

O diretor de marketing do São Paulo, Adalberto Batista, afirmou ao R7 que o clube não sai necessariamente prejudicado por ter menos jogos exibidos na TV aberta que os demais grandes clubes paulistas. Segundo a tabela divulgada na terça-feira (22) pela CBF, o Tricolor terá cinco jogos exibidos ao vivo durante o primeiro turno, contra oito no ano passado.

Além disso, o dirigente disse que não faz diferença se a medida foi uma represália da CBF e da Globo, que em interferência direta na elaboração da tabela, pelo fato de o clube se manter aliado ao Clube dos 13 e contra as negociações individuais dos direitos de TV das próximas edições do Brasileiro.

- Se é retaliação ou não, isso não vem ao caso. As pessoas que tomaram a decisão é que sabem, mas não acredito que isso vai causar prejuízo ao São Paulo.

A assessoria do Clube dos 13 afirmou que a questão deve ser respondida em uma coletiva de imprensa marcada para às 16h (de Brasília) desta quarta-feira (23), em São Paulo. Já o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) informou que não vai se pronunciar para não ficar inapto a julgar o assunto caso ele seja encaminhado ao conselho nos próximos dias.

O São Paulo terá televisionados no primeiro turno os jogos contra Flamengo e Coritiba, que serão transmitidos para a capital paulista, assim como os clássicos contra Palmeiras, no Morumbi, e Santos, na Vila Belmiro; e, em casa, diante do Vasco, com exibição para o Rio. A redução no número de partidas do clube paulista na TV aberta terá impacto para cerca de 17 milhões de torcedores, número do último levantamento do Ibope sobre as maiores torcidas do Brasil, que indicou os são-paulinos – vencedores de três Campeonatos Brasileiros consecutivos na última década (2006, 2007 e 2008) – como a terceira maior do país.

Batista admite que aparecer na TV aberta é importante para ampliar a visibilidade do clube e de seus patrocinadores, mas espera compensar isso no segundo turno, quando as equipes de melhor campanha passam a ter prioridade nas transmissões.

- Essas grades costumam ser completamente alteradas e privilegiam os clubes que estão melhor na tabela. Na média dos últimos cinco anos, o São Paulo sempre esteve entre os clubes de maior visibilidade na televisão.

O Corinthians terá, entre jogos em casa e fora, 14 partidas transmitidas em TV aberta durante o primeiro turno, contra 12 do Palmeiras e seis do Santos.

Em contato com o R7 por telefone, o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, disse que a mudança no número de jogos do São Paulo transmitidos pela TV aberta não é de responsabilidade da entidade máxima do futebol brasileiro. Ele também negou ter prejudicado o clube paulista e afirmou que a Rede Globo é quem estabeleceu os jogos que irão ao ar.

- Não tem nada a ver com a gente. Quem assina contrato com a televisão são as equipes por meio do Clube dos 13. Se o São Paulo assinou com a TV Globo é porque o São Paulo deve estar de acordo. A gente pega o horário estabelecido e define a tabela, só isso.

Procurada pela reportagem, a Rede Globo ainda não se manifestou.


Economia japonesa: maiores implicações do tsunami

The Economist

Os recentes desastres no arquipélago intensificam as dificuldades de uma nação em crise

O Japão ainda está se recuperando dos efeitos do poderoso terremoto e tsunami que devastaram o nordeste do país em 11 de março. Com 9 graus de magnitude, o terremoto, próximo da costa, foi um dos maiores já registrados. O tsunami arrasou cidades e vilas, resultando em uma destruição massiva de propriedades, deixando centenas de milhares de pessoas desabrigadas. Com milhares ainda não contabilizados, as taxas de mortalidade tendem a subir rapidamente. O desastre também prejudicou uma usina de energia nuclear, resultando em uma série de explosões e induzindo a evacuação da população ao redor. A The Economist Inteligence Unit resume, a seguir, as principais implicações do desastre. Sobretudo, mesmo que não tenha nenhuma catástrofe nuclear, o impacto do crescimento do PIB é modesto se comparado com a escala do trauma humanitário.

Crescimento Econômico

Nas notícias inicias sobre os danos do terremoto e do tsunami, nós reduzimos levemente as expectativas de crescimento econômico em 2011 de 1,6% para 1, 4%. Nas áreas mais afetadas, a atividade econômica virtualmente parou e o consumo e investimento privados permanecerão fracos até a segunda metade deste ano. De todo modo, a reconstrução deve fornecer um impulso para o próximo ano, de forma que elevamos nossas previsões para 2012 de 1,4% para 1,5%.

Nossas expectativas atuais assumem que o impacto nacional do desastre será limitado, tão logo os maiores centros econômicos como Toquio evitem a interrupção prolongada. Por exemplo, esperamos que suprimentos poderosos estejam restaurados completamente nas áreas econômicas-chaves em maio. A manutenção dessa suposição dependerá de quanto tempo durará a crise na usina nuclear de Fukushima Daiichi. O estado atual de risco elevado e a incerteza podem atrasar o crescimento conduzido pela reconstrução que nós esperamos atualmente que se inicie na segunda metade de 2011. Nesse caso, nossas expectativas de crescimento para 2011 serão reduzidas, mas nossas previsões para 2012 crescem.

Política

O primeiro ministro Naoto Kan e o Partido Democrático do Japão estão encarando seu maior teste. Uma deterioração dramática na posição do governo é anulada pelo fato de que este já estava sombriamente impopular antes do desastre. A insatisfação pública em relação à ajuda e esforços de reconstrução é um risco, mas, num balanço, a reação das autoridades foi rápida e competente. Diferente da letárgica resposta ao terremoto de Kobe em 1995, operações de auxílio em larga escala iniciaram imediatamente e assistência estrangeira foi recebida. Sr. Kan arriscou-se quando assumiu o comando pessoal da crise na usina de Fukushima – um passo que pode queimá-lo se a situação dos lugares afetados piorar. De qualquer forma, a ira pública tende a se focar na empresa que opera a Usina, a TEPCO, que é notória por ser econômica com a verdade em relação aos acontecimentos nucleares.

Acima de tudo, se a administração de Kan pode evitar compartilhar a culpa de outros percalços radioativos, e se as autoridades continuarem a orquestrar um resgate de crédito e esforços de reconstrução, os efeitos do desastre na estabilidade governamental parece ir do neutro ao positivo. Mais do que isso, a administração pode ser beneficiada nas frentes políticas. Um senso de emergência e solidariedade nacional pode mitigar a obstrução da oposição sobre a receita para o ano fiscal que chega – ou mesmo galvanizar suporte para as arrojadas reformas que o senhor Kan propôs para resolver os problemas econômicos do Japão.

Posição Fiscal

O desastre inevitavelmente atraiu comparações com o tremor de Kobe em 1995, mas a maior diferença é que a situação fiscal do Japão era muito mais saudável em meados de 1990. Em 1994, o débito público alcançou 79% do PIB, mas em 2010 essa conta subiu para 198% do PIB. Em teoria, o governo é agora não somente menos capaz de atender a emergência e a reconstrução, como também mais vulnerável para uma perda de confiança em seus empréstimos.
Isso significa que o terremoto e o tsunami se provarão desastrosos para as finanças públicas? A resposta não é clara, mas o mais provável é que o país continue – como antes – num curioso limbo do risco. As finanças públicas do Japão já estavam em um caminho de deterioração para além do que seria sustentável na maioria dos outros países. O governo evitou com facilidade grandes empréstimos na crise, e pode financiar ele mesmo com taxas muito baixas de interesse. Isso reflete em parte a composição do débito público, mantido em 95% domesticamente, e o fato de que taxas baixas de interesse e uma economia lenta ao longo dos anos tenham limitado opções de investimento alternativas. Nossas expectativas apontam que o desastre machuque a posição fiscal do Japão. Como o déficit financeiro do Japão já era quase 8% do PIB em 2010 devido os efeitos tardios da crise financeira global, é um momento ruim para uma política fiscal expansiva.

Negócios

Os negócios no nordeste do Japão sofreram uma série de prejuízos, principalmente nos setores automotivo, eletrônico, entre outros manufaturados. Corporações japonesas poderosas como Canon, Sony e Toshiba fecharam muitas fábricas nas regiões afetadas. Uma série de marcas de carro, incluindo a Toyota, a maior do mundo, suspendeu toda produção no Japão. No outro final da escala, incontáveis pequenos negócios foram fechados.
Os efeitos indiretos nos negócios como resultado de danos em infraestrutura foram muitos. Racionamento de energia e cortes na água forçaram fábricas a recalcular a produção e escritórios por todo país permanecem fechados em estado de emergência e com medo de outros choques. Serviços de trem foram cortados, aeroportos fechados e estradas maiores fechadas para o tráfico do público. Em um curto período, esses fatores refletem nas indústrias japonesas, muitas delas usando o método de produção Just-in-time que se apóiam nessas lógicas. Isso, em contrapartida, está tendo um efeito dominó nos estoques globais, uma vez que as firmas japonesas fornecem componentes cruciais para equipamentos de alta tecnologia, de semi-condutores a iPhones. De todo modo, o impacto na produção global não parece ser tão severa ao menos que a produção japonesa de componentes vitais seja significantemente prejudicada por semanas, meses ou dias. Em muitos casos, inventários dos produtos afetados são amplos e um certo número de fábricas reabrirá em 17 de março.

Mercado Financeiro

O terremoto produziu efeitos colaterais significantes no Mercado de ações japonês, nos títulos públicos e capital. Entre 11 e 15 de março, a Nikkei 225 caiu 11,3% e o índice Topix desceu 10,7%, ainda que os dois índices tiveram algum ganho em 16 de março. O governo tentou limitar o dano financeiro injetando uma liquidez recorde. Entre outras coisas, o banco do Japão (BOJ) injetou trilhões de yens em mercados monetários e dobrou seu programa de poder de compra. Lucros de títulos de 10 anos do governo japonês caíram, somando-se ao fato de que o desastre exacerba o já conturbado panorama fiscal do governo. Enquanto isso, o yen teve uma valorização inclinada, subindo de ¥82,9:US$1 em 10 de março para ¥78.1:US$1 em 16 de março, com expectativas de que fundos serão doados ao Japão para pagar a reconstrução. Um yen mais forte vai piorar as exportações que já estão se debatendo com a infraestrutura danificada e as reservas quebradas. O governo talvez tente intervir para parar o crescimento do yen, mas tais medidas são raramente efetivas. Muitas semanas voláteis virão nas trocas cambiais estrangeiras, títulos e lucros.
Sem surpresas, o setor de segurança também está programada para a desordem. Cálculos preliminares das perdas de seguros como resultado do terremoto começam a aparecer. AIR Worldwide, uma firma de modelagem de desastre, colocou a perda potencial de seguros entre US$14.5bn e US$34.6bn. Seguros domésticos contabilizam mais de 90% do mercado de seguro e vida no Japão, então eles serão atingidos com força. De toda forma, a maioria passou seu risco para seguradoras globais, então o desastre será sentido em todo planeta. Ocorrendo logo depois das enchentes e ciclone na Austrália e dos terremotos na Nova Zelândia, o terremoto e o tsunami japonês falaram prontamente que os preços de seguros globais, que caíram por anos, começarão a subir outra vez.

Mercado de Commodities
O Mercado internacional de commodities ainda está digerindo uma variedade de possíveis implicações conflituosas do desastre japonês. Em commodities leves, por exemplo, um frágil crescimento econômico pode reduzir a demanda de importação em um período curto, mas participantes de mercados podem antecipar um crescimento de demanda enquanto os estoques são reconstruídos. De forma similar, o mercado de metal tende a beneficiar quando a reconstrução começar, mas sofrerá a curto prazo por causa do fechamento de fábricas e da baixa atividade econômica. No mercado de combustível, a interrupção nas redes de transporte sugere menos consumo, mas pode haver uma troca para atender necessidades imediatas do poder. O mercado de combustível inicialmente focou em menos consumo no terceiro maior consumidor, com o preço do Brent bruto caindo de US$110 por barril em 15 de março. De qualquer forma, os preços tiveram subidas leves subsequentes no Oriente Médio instável. O Japão tem poucos recursos naturais e é muito dependente de importações, logo a reconstrução gera um aumento na demanda de commodities no mercado internacional.

Energia
O terremoto e o tsunami interromperam drasticamente o fornecimento de energia nuclear, que representa perto de 30% do total da produção de energia do país. As informações continuam incertas e contraditórias, mas ao menos 10 reatores se desligaram automaticamente em função do terremoto, o que significa que o Japão encara uma potencial perda de 15 a 20% do total de sua capacidade nuclear. Também houve relatos que várias usinas térmicas desligaram. A TEPCO disse que metade da capacidade térmica desligada nos eventos da última sexta-feira 11, voltarão em uma semana, mas a perspectiva para o equipamento afetado na usina de Fukushima é menos confiante. Água do mar foi jogada em reatores para controlar a temperatura, fazendo da sua recuperação impossível.
Como o Japão se recuperará do corte no abastecimento de energia? Precedentes históricos sugerem que o crescimento na dependência em gás natural tende a ser a última saída. Em 2007, na recuperação do terremoto que desligou a usina de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, a demanda japonesa por gás cresceu. De qualquer forma, a natureza fragmentada da indústria de gás japonesa e a infraestrutura de gás subdesenvolvida irá dificultar a mudança. Grandes navios de petróleo bruto, óleo diesel e carvão são também plausíveis.

*Matéria publicada originalmente no The Economist Intelligence Unit

 

Brasil vota a favor do envio de relator especial da ONU ao Irã

do Estado de São Paulo

GENEBRA – O Brasil mudou sua posição em relação ao Irã e votou na manhã desta quinta-feira, 24, a favor de uma resolução no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, proposta pelos Estados Unidos para investigar as violações do governo persa.  O órgão aprovou o envio de um relator especial ao país.

Veja também:
link Nova posição em relação a Teerã estaria vinculada à vaga no CS

A criação de uma relatoria especial para analisar abusos de direitos humanos no Irã não é uma condenação em si, mas chega perto disso. Até hoje oito países passaram por medida semelhante, entre eles Sudão, Coreia do Norte e Camboja. A avaliação brasileira é que o CDH é o local adequado para essa discussão e a criação de um relator especial, uma medida eficaz.

Nos últimos 10 anos, o Brasil se absteve em votações que condenavam o Irã ou era contrário a resoluções, como no caso das últimas sanções aprovadas no Conselho de Segurança da ONU, em junho.

Nas abstenções anteriores, na Assembleia-geral das Nações Unidas, a alegação brasileira era a de que esse não era o fórum adequado para a discussão. Em 2010, o Brasil aplicou as sanções aprovadas para tentar interromper o avanço do programa nuclear iraniano, mas foi contrário na votação com a justificativa de que as medidas “não eram um instrumento eficaz”.

Cinco anos após ‘dança da pizza’, Angela Guadagnin luta para levar Samu a São José dos Santos

do Estadão

Quando percebeu que a Câmara dos Deputados livraria o deputado João Magno (PT-MG), acusado de ter recebido dinheiro do mensalão, a deputada federal Angela Moraes Guadagnin (PT-SP) deixou sua natural discrição de lado, saiu do lugar onde estava, sentada nas primeiras fileiras à esquerda do plenário, e dançou, para manifestar sua alegria pela absolvição do amigo.

A “dança da pizza”, como ficou conhecido o episódio ocorrido na madrugada do dia 23 de março de 2006, há exatos cinco anos, foi gravada, apareceu nas TV, circulou pela internet e foi capa de jornais (inclusive do Estadão). 29 segundos que eternizaram o nome de Angela Guadagnin

À época dos acontecimentos, chegou a pedir desculpas aos eleitores pelo seu comportamento. Justificou-se dizendo ter extravasado sua alegria pela absolvição de um amigo em cuja inocência acreditava – Angela também era integrante do Conselho de Ética da Câmara.

Atualmente, Angela é vereadora na Câmara de São José dos Campos. Tem sua atuação voltada para a saúde e a família. A marca de sua atuação na Câmara é a luta para levar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para São José dos Campos. Procurada pelo Estadão.com.br para falar sobre o episódio e também para falar sobre sua atuação como vereadora, ela preferiu não conceder entrevista. Seu chefe de gabinete, José Oliveira, justificou por telefone e por e-mail (leia aqui), a recusa de Angela em conceder entrevista.

Segundo ele, o escândalo do mensalão “foi uma farsa articulada pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB) em conjunto com os dois principais partidos de oposição ao governo Lula (PFL e PSDB) com o apoio da mídia tradicional”. De acordo com ele, Angela, que não estava envolvida nas denúncias do mensalão, foi eleita por esse movimento como “ícone nacional da corrupção”. Seu único crime, afirma ainda Oliveira, foi ter agido com isenção no Conselho de Ética da Câmara.

 

 

 

Luiz Fux vota contra validade da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010

G1

Voto do ministro do STF pode definir posição do STF sobre o tema. Supremo julga recurso de candidato a deputado estadual barrado.

Débora Santos Do G1, em Brasília

O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, votou nesta quarta-feira (23) contra a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições do ano passado. A norma, que barra a candidatura de políticos condenados por decisões de colegiados, entrou em vigor em junho de 2010.

O voto do ministro pode decidir a posição do Supremo sobre a lei. Caso os outros integrantes do STF mantenham os votos dos julgamentos anteriores, que terminaram empatados em 5 a 5, a lei só poderá ser aplicada nas eleições de 2012.

Em seu voto, que durou pouco menos de uma hora, o ministro elogiou a iniciativa popular da lei e os objetivos da ficha limpa, mas afirmou que as regras constitucionais precisam ser respeitadas. Para Fux, apesar da intenção de moralizar a política, a ficha limpa interferiu no processo eleitoral e gerou insegurança jurídica.

O ministro defendeu em seu voto a aplicação do artigo 16 da Constituição. Segundo essa norma, uma lei que modifica o processo eleitoral só pode valer no ano seguinte de sua entrada em vigor.