Arquivo mensais:fevereiro 2016

Lenio Streck: pacote retroage mais de mil anos

Por Lênio Streck | Via Zero Hora

O pacote contra a corrupção que o Ministério Público Federal apresenta dá o que pensar. Por que deixaram de fora a legalização da tortura? Afinal, ela é eficiente. Os procuradores se empolgaram. Teologia juspunitiva. O “pacote” é tão cheio de inconstitucionalidades, que, muitas delas, o porteiro do Supremo Tribunal invalida. Até quando acertam propondo medidas contra o caixa 2, multa para bancos e recuperação de ativos produtos de crimes, acabam colocando parágrafos que violam direitos.

Mas meu papel, aqui, é de jurista e não de torcedor. Ninguém é a favor da corrupção, a não ser o corrupto, é claro. Um país não progride com impunidade. Mas também não progride com supressão de garantias. Ah, nos EUA é assim. Comparação falsa. Sistemas diferentes. Lá erros dão filme. Atire a primeira pedra quem, em Pindorama, não tenha sido vítima (ou não saiba) de algum erro judiciário. E na Alemanha? Não, não é assim.

O pacote propõe uma “eugenia cívica”. O agente público deve se submeter a testes que apontem se é propenso a cometer crimes. Como? Já existe tal ciência? Mais: e se o “teste” for positivo, será meio idôneo de prova, ainda que o acusado a tenha produzido contra si mesmo? E será aplicado nos concursos de juiz e procurador? E na indicação de ministros? Não são agentes públicos?

O pacote retroage mais de mil anos ao restringir a possibilidade de pedido liminar em habeas corpus. Mais: o pensamento mágico — corrupção terá pena maior que homicídio. Código Penal reduzido a pó. O pacote também cria o “informante confidencial”, que só vale para corrupção. E em homicídio, não?

Faltam páginas para elencar os erros. A maioria das medidas é inconstitucional. Assalto não é crime hediondo, mas a gorjeta para o guarda poderá ser. Se o pai paga dívida de filho servidor público endividado, pode ser processado porque é um terceiro enriquecendo ilicitamente o rebento. O que mais dizer? E olha que coloquei só 10% das ilicitudes propostas pelo MPF. E nem falei das provas ilícitas.

Petrobras: capitalização já, e em dinheiro!

Por Jorge Simino | Via Valor

Em 15 de agosto de 2013, foi publicado o artigo “Delenda Petrobras? Cui Prodest”. No segundo parágrafo esclarecia que o ‘delenda’ do título tinha sentido hiperbólico, ou seja, tratava-se de uma figura de linguagem na qual o exagero tem a função de ênfase e no caso específico conferia um toque de dramaticidade ao texto, ainda que, como mostrariam os números adiante, a situação da empresa fosse dramática ‘de facto’.

Bem, 18 meses se passaram e a conclusão me parece óbvia: eu estava errado! O ”delenda” não era uma simples hipérbole.

Relembrando a origem do problema. O fator determinante da atual situação econômico-financeira foi a combinação de um nível de investimentos incompatível com a geração de caixa operacional da empresa, sendo que a evolução desta última variável foi prejudicada pelo não reajuste dos preços de diesel e da gasolina (aproximadamente 65% das receitas da empresa) quando os preços internacionais estavam subindo, em linha com a alta dos preços do óleo cru (entre 2011 e meados de 2014, o Brent ficou acima de US$ 90 por barril).

Traduzindo em margens. No biênio 2007/2008, a margem bruta era 36,5% da receita e a margem líquida era 13,9%. No biênio 2009/2010, a margem bruta era 38,3% da receita e a margem líquida, 16,3%. E então o amálgama amargo acima citado começou. No biênio 2011/2012, a margem bruta caiu para 28,4% da receita e a margem líquida caiu para 10,6%. E com estocada do câmbio, a margem bruta do biênio 2013/2014 veio para 23,6% da receita e a margem líquida, para 0,7%!

No período de 2010 a 2014, em números assumidamente grosseiros, a diferença entre o montante de investimentos e a geração de caixa (após pagamento de juros e dividendos) resultou num acréscimo de endividamento da ordem de R$ 235 bilhões e, dado o porte da empresa, grande parte desse incremento de dívida foi feito em moeda estrangeira, num patamar de taxa de câmbio ao redor de R$ 2,12 por dólar.

E aí vem o complemento: em 2015, a situação dos preços foi relativamente mitigada com aumentos dos combustíveis (ainda que insuficientes), mas, pelo conjunto da obra macroeconômica interna e externa, a taxa de câmbio saltou de R$ 2,66 por dólar para R$ 3,97 por dólar (setembro/2015), quase 50% de desvalorização para uma empresa que tem 84% da dívida bruta em moeda estrangeira. Grosso modo, este movimento deve ter provocado uma variação monetária passiva da ordem de R$ 150 bilhões.

E assim chegamos à situação atual. Usando os números das demonstrações financeiras de setembro de 2015, temos que a dívida bruta da empresa alcança R$ 506,4 bilhões (R$ 53,4 bilhões no curto prazo e R$ 453,2 bilhões no longo prazo), sendo R$ 426 bilhões em moeda estrangeira (84% do total da dívida bruta). O montante de caixa estava em R$ 104 bilhões, logo o endividamento líquido estava em R$ 402 bilhões. E o indicador dívida líquida sobre Ebtida dos últimos 12 meses ajustado era 5,24 vezes.

Para exacerbar uma situação já muito difícil, o preço do petróleo despencou nos últimos seis meses para a faixa dos US$ 30 por barril. Diante deste quadro, a abordagem para reequilibrar as finanças da empresa que tem sido divulgada é uma combinação de redução dos investimentos, redução das despesas administrativas, venda de ativos e movimentos de correção na governança corporativa.

Todas as medidas citadas são corretas e necessárias, mas dado o estágio que o ”paciente” atingiu elas correm o risco de ser insuficientes. A empresa precisa receber uma injeção de capital já, além de manter as medidas mencionadas. O montante da capitalização? No mínimo cem bilhões de reais. Atenção: a capitalização deve ser em dinheiro (nada de barris de petróleo ou qualquer outro tipo de ativo). Claro que existem argumentos a favor e contra essa medida.

Os argumentos a favor são óbvios: tira a empresa de uma situação absolutamente sufocante; reduz a percepção de risco da empresa (o CDS de dez anos da Petrobrás é negociado a quase 1.100 pontosbase); deve reduzir também a percepção de risco país, dado que o Tesouro Nacional tem (direta ou indiretamente) 60% do capital votante da empresa; permite que a empresa não pressione os seus fornecedores além do limite do razoável e assim o “cluster” de petróleo e gás também ganharia fôlego; e reduz a percepção de risco dos bancos públicos e dos bancos privados com exposição de crédito à empresa.

Os argumentos contra são óbvios também, mas carecem de consequências positivas (em minha opinião, é claro). O primeiro deles é que a capitalização aumentaria a dívida bruta do governo. Algebricamente o argumento está correto, ocorre que essa é a dívida parafiscal mais transparente que existe; sendo assim, todo analista já deveria considerar nos seus cálculos de evolução da dívida bruta do governo esse número. Em outras palavras, ainda que não exista um “registro contábil”, seus efeitos já devem estar nos preços do risco Brasil com certeza.

Pensando por absurdo: se a empresa for levada ao limite extremo de reestruturação de sua dívida, certamente haverá algum investidor que fará a seguinte ilação: se o Tesouro Nacional permite que sua maior empresa faça isso então um dia ele mesmo poderá fazê-lo. Ilação injusta talvez, mas inevitável e aí o risco Brasil certamente subirá.

O segundo argumento é a diluição dos minoritários dado o tamanho da capitalização. Incontestável em termos qualitativos, mas em termos de materialidade acho que devemos lembrar que o valor de marcado da empresa já atingiu R$ 400 bilhões (janeiro/2011) e hoje gira em torno de R$ 82 bilhões, ou seja, a maior perda já ocorreu. Isto sem considerar que, se o “tratamento” atual vier a falhar, o ”procedimento invasivo” será feito quando a empresa apresentar um valor de mercado ainda menor.

Se errado estava eu em 2013, me resta somente torcer para que esteja errado novamente agora.

A votação do PL do Serra sobre o Pré-Sal

Por Paulo Metri

Escrevo este texto no dia seguinte ao da aprovação do PL 131 do senador José Serra sobre o Pré-Sal, que ocorreu em 24/02/16. Assisti a todo o debate no plenário do Senado. A primeira dúvida, que os jornais não elucidam, é sobre a modificação introduzida de última hora pelo senador Romero Jucá, conforme menção do presidente do Senado, senador Renan Calheiros, que permitiu a conciliação entre os oposicionistas e a presidente Dilma. Isto porque o texto aprovado, pelo que foi depreendido dos debates, foi o original do Serra com a modificação colocada pelo relator do projeto, senador Ricardo Ferraço. Aliás, por onde andava este senador, que não votou?

Na minha compreensão, Romero Jucá foi ao Planalto, ainda antes da votação, para dizer à presidente que, pela experiência dele e do Renan, o projeto ia ser aprovado pela oposição com os sublevados da base (ele e Renan eram dois deles). Assim, eles estavam preocupados em dar uma “saída honrosa” para a presidente. Acontece que o senador Lindberg Farias discordava desta vitória da oposição líquida e certa do PL 131. O interessante é que eles não ofereceram nada em troca pelo apoio da presidente, porque o que foi colocado em votação depois foi exatamente o que estava para ser julgado antes.

Assim sendo, a presidente ficou com a seguinte dúvida. Ou apoia a rejeição do projeto e corre o risco de, no dia seguinte, as manchetes dos jornalões serem “Governo perde o embate no Senado do projeto do Serra sobre o Pré-Sal”, ou dá apoio ao projeto e deixa insatisfeita sua base aliada. Decidiu pela opção errada, a meu ver, porque a oposição e os traidores da base aliada vão continuar fazendo chantagens, além dela não apoiar quem sempre a apoia. Dizem, as más línguas, que ela se definiu por esta posição desde a sua ida a Washington.

Muitos dos pronunciamentos dos senadores, retirando algumas exceções, foram deprimentes. Um senador não tem obrigação de entender de todos os assuntos que passam pelo Senado para deliberação. No entanto, eles têm que estudar, pelo menos, os temas mais relevantes e atuais, e se cercarem de assessores que possam lhes explicar as questões em debate. Têm senadores que fazem discursos emocionais e, às vezes, bonitos, pensando que estão cumprindo o dever legislativo, quando deveriam expor aos pares explicações necessárias, análises inéditas e aconselhamentos. Contribuíram muito para o aprofundamento da questão, sem ser exaustivo na citação e sem representar importância a ordem mostrada, os senadores Roberto Requião, José Serra, Gleisi Hoffmann, Lindberg Farias, Cristovam Buarque, Edson Lobão e Vanessa Grazziotin. Têm senadores que se expressam bem, mas só tangenciam o tema. Outros, muito inteligentes, buscam formas de dizer o secundário para defender o principal omitido, por ser inconfessável.

Não vi senador algum citar uma lista mais completa de razões porque a Petrobrás deve ser a operadora única do Pré-Sal. Com a Petrobrás sendo a operadora, (1) as compras locais de bens e serviços aumentam, inclusive a encomenda de desenvolvimentos tecnológicos no país; (2) a geração de empregos no Brasil é maior; (3) passa a ser viável a adoção de uma política industrial, devido à grandeza das contratações da Petrobrás; (4) a produção predatória é evitada; (5) o controle do Estado sobre o ritmo de produção de petróleo passa a existir; (6) a segurança operacional e a ambiental são aumentadas; (7) a participação do país em ações geopolíticas passa a poder ocorrer; e (8) as fraudes na medição do petróleo produzido e nos custos ocorridos são evitadas. Alguns senadores da base mencionaram um ou outro destes itens.

Senadores da oposição mencionaram à exaustão que a Petrobrás está falida e, como tal, eles estão retirando dela o ônus de ter que entrar em todo consórcio que se formar no Pré-Sal e dando o bônus da faculdade de entrar, se julgar conveniente. Quem melhor respondeu a este argumento foi a senadora Grazziotin, que disse algo como: “se existir o leilão de um bloco amanhã e se for descoberto petróleo nele, demorará oito anos para o campo entrar em operação; neste tempo, a Petrobrás, certamente, com a sua geração de caixa, que não é pequena, irá se recuperar”. Além disso, os senadores de oposição quererem retirar ônus e dar bônus para a Petrobrás é somente um jogo de palavras sem significado, pois graças a esta proposta, como bem disse o senador Requião, a Petrobrás poderá até vir a falir. Eles deveriam estar preocupados em satisfazer a sociedade brasileira, o que é normalmente esquecido.

A pressa para se aprovar este projeto de lei só se justifica se for compreendido que as petrolíferas estrangeiras estão contando com o Brasil oferecer muitos blocos do Pré-Sal em leilões já, enquanto todos os preços relacionados com o negócio do petróleo estão baratos, para elas ganharem os blocos em condições excepcionais e, assim, ficarem com um excelente portfólio de áreas. O senador Lindberg lembrou algo no seguinte teor: “não faz sentido ter pressa para aprovar essa lei, a menos que se conte com a mudança para se realizar leilões imediatamente, em uma época em que o barril está a 30 dólares; isso será uma doação!

O senador Requião foi o único que lembrou o aspecto geopolítico do petróleo, que é extremamente relevante. Guerras ocorreram pela sua posse, assim como outras foram perdidas pela falta dele. Também, no início dos anos 90 do século passado, a ação geopolítica de derrubada do preço do barril, realizada pelos Estados Unidos, a Arábia Saudita e outros países do Golfo, levou a União Soviética a se desintegrar, uma vez que a grande receita deste bloco era a da exportação de petróleo. Nos dias atuais, se houver necessidade, a garantia de abastecimento futuro de petróleo pode servir como fator de convencimento de países para apoiarem teses brasileiras em fóruns multilaterais. Lembrar que, quando uma empresa estrangeira extrai, por força de contrato, o petróleo brasileiro, este deixa de ser nacional, sendo impossível usá-lo em ações geopolíticas.

Gostei da honestidade do senador Cristovam que, sentindo-se incapaz de decidir por ver aspectos lógicos nas duas argumentações e graças à pressa injustificável, que tolheu as discussões nas comissões, ia abster-se de votar. Gostei também da análise do senador Humberto Costa ao lembrar que esta lei deveria ser uma lei para o Estado brasileiro e, não, uma lei para o governo atual. Em uma situação hipotética, pode vir um novo governo que providenciará vários leilões e dará ordem à nova diretoria da Petrobrás, nomeada por ele, para recusar a participação nos consórcios dos blocos do Pré-Sal, onde seria a operadora. Apesar da análise correta, o senador Costa, por dever de lealdade, se absteve. Onde estava o senador Walter Pinheiro, que não votou?

Achei curiosa a emenda do senador Antônio Carlos Valadares, que propôs a Petrobrás poder participar dos consórcios com um percentual menor que 30%, algo como uns 5%, segundo ele, e ainda poder ser cooperadora no bloco. Pareceu-me uma proposta de interesse das petrolíferas estrangeiras, porque elas reconhecem que, consorciadas com a Petrobrás, fica mais fácil descobrir petróleo no Pré-Sal. A emenda não foi aprovada, inclusive por não existir no mundo, que eu saiba, a duplicidade de operadoras em um campo. Enfim, o futuro é nebuloso, mas é sombrio.

O rio Doce azedou

Por Frei Betto | Via FSP

Há 377 mil nascentes na bacia do rio Doce. O rio tem 850 km de extensão e dele dependem 3,5 milhões de pessoas. Agora, com o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, resta um imenso curso de lama que destrói quase toda forma de vida que encontra pela frente.

As barragens de Minas Gerais são verdadeiras bombas-relógios, prestes a detonar a qualquer momento.

O maior desastre ambiental da história do Brasil causou 19 mortes. As casas de 254 famílias foram soterradas por 55 milhões de metros cúbicos de lama (o equivalente a 20 mil piscinas olímpicas cheias de lama).

No capitalismo, empresa existe para dar lucros. Mais lucros e menos segurança. Proteção ambiental, investimento em pesquisas e qualidade de vida da população são questões secundárias.

As empresas sofrem pressão dos acionistas para aumentar a produção e vender mais e mais. Foi o que aconteceu com a Samarco. Já era tempo de aplicar tecnologias de extração de minério a seco, sem utilizar água. Ou reutilizar a água da lavagem, como fazem inúmeras empresas não mineradoras.

Em 2014, a Samarco, controlada pela Vale e BHP Billiton, obteve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões.

O governo brasileiro não tem visão estratégica. Tentou, mas fracassou nesse intento. Em 2007, criou a Secretaria de Assuntos Estratégicos, com status de ministério. Fechou-a em outubro de 2015, sem choro, nem vela, nem fita amarela.

Ainda que a tragédia de Mariana não houvesse ocorrido, a sentença de pena de morte da bacia do Rio Doce já havia sido decretada pelos municípios que despejam o esgoto em suas águas. Outro grave problema é o desmatamento da mata atlântica. Hoje, no vale do rio Doce, a cobertura é de menos de 0,5% de floresta.

Para os governos (municipal, estadual e federal) e a maioria das empresas, preservação ambiental é um mero jogo de palavras em discursos demagógicos. Falam maravilhas sobre sustentabilidade e compromisso social! Ora, basta conferir quanto, de fato, gasta-se nessas áreas.

Em Minas, o Sisema (Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) recebe apenas 0,5% do orçamento público. Depois da Secretaria da Fazenda, quem mais arrecada é a do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Mas todo o dinheiro, recolhido pela Secretaria do Planejamento, vai para outros gastos do Estado. Resta, no final, uma ninharia para a Semad.

A fiscalização nas empresas mineradoras ou é feita com olhos de cego, devido à pressão das empresas e à corrupção dos políticos, ou não é feita por conta da falta de pessoal qualificado, equipamentos, viaturas e pagamento de diárias.

Embora o financiamento empresarial de campanhas políticas esteja proibido, por baixo do pano os políticos esperam “uma ajudazinha” das empresas e, por isso, temem ser rigorosos na imposição das leis e na apuração de responsabilidades.

Isso explica por que o Sisema, em apenas um ano, analisou e regulamentou mais de 6.000 processos de licenciamentos ambientais.

Enquanto economia e política não forem “ecologizadas”, outras tragédias semelhantes poderão ocorrer. A menos que a lei obrigue os diretores de mineradoras a erguer seus luxuosos condomínios à sombra das barragens.

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CARLOS ALBERTO LIBANIO CHRISTO, 71, Frei Betto, é assessor de movimentos sociais e escritor. É autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros

Dilma usa tática de Thatcher para privatizações na Petrobras

Por Paulo César Ribeiro Lima

A Petrobras, por meio da Transportadora Associada de Gás S.A. – TAG, sua subsidiária integral, é proprietária e gestora de importante parcela dos gasodutos de transporte do Brasil, distribuídos entre as regiões Norte, Nordeste e Sudeste.

Em julho de 2015, conforme esclarecimento à Comissão de Valores Mobiliários – CVM, a Petrobras se comprometeu a reestruturar a TAG e suas subsidiárias integrais: Nova Transportadora do Sudeste – NTS e Nova Transportadora do Nordeste – NTN, de forma a criar uma carregadora de gás natural no norte e nordeste e outra no sudeste do Brasil.

Ao final desse processo, apenas as empresas TAG e NTS seriam mantidas, ambas como subsidiárias integrais da Petrobras, sendo a TAG responsável pelos gasodutos do Norte e Nordeste e a NTS pelos gasodutos do Sudeste.

Hoje, dia 26 de fevereiro de 2016, a Petrobras informou que iniciou negociações para a alienação da Nova Transportadora do Sudeste – NTS. De acordo com informações da Bloomberg[1], a Brookfield Asset Management Inc. (TSX:BAM.A) pode adquirir a NTS. A transação estaria avaliada entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. Esse alto valor decorre do fato de a NTS ser um dos melhores ativos da Petrobras.

Importa registrar que essa é apenas uma das alienação previstas no plano de desinvestimentos da Petrobras, que pode incluir ativos das áreas de distribuição, petroquímica, biocombustíveis, energia etc.

Nos anos de 1980, a então Primeira-Ministra do Reino Unido, Sra. Margaret Thatcher, utilizou uma estratégia semelhante. Para garantir o sucesso do seu programa de privatizações, as vendas começaram pelos melhores ativos.

Lula pode ser candidato em 2018? Quem será o “seu” herdeiro?

Por Ivo Pugnaloni

Responda rápido, caro leitor: “Quanto tempo demora no Brasil, normalmente, um processo judicial?”  “Três anos no mínimo”, dirão alguns. “Cinco ou até mesmo dez anos”, dirão outros.                                                                                   

E o processo contra Lula, quanto tempo vai durar? Não precisa pensar muito: o processo deve durar mais do que os dois anos, com toda a certeza. Aliás, vai durar quanto tempo seus adversários quiserem, necessário para impedir seu retorno à presidencia da República em 2018.

Afinal, o juiz, os promotores e os policiais envolvidos no caso não aparentam ter a menor pressa em condenar ou inocentar o Lula. Quanto mais tempo durar o processo, melhor. Pois se condenarem Lula muito rápido poderia ser pior, acenderia os ânimos, revoltaria os trabalhadores, que não entender como tantos ligados aos PSDB estão soltos e Lula, preso. Logo o Lula que deu aos filhos deles a chance de cursar uma universidade, não poderá concorrer a um novo mandato.

Muito melhor será Lula continuar sendo julgado e condenado por mais 1000 dias e noites  pelo casal de apresentadores-juízes do Tribunal da Mídia, órgão moderno e ágil, que conforme o juiz Moro e os promotores do caso afirmam, cumpre importante papel, colaborando com o Judiciário, e funcionando no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Sem despesas para o erário público.

Sobre a possível condenação de Lula quanto à propriedade do sítio chinfrim de Atibaia e do tríplex-muquifo do Guarujá, é importante notar que no Brasil não existe uma certidão de “não-propriedade”.  Será impossível ao Lula provar que os imóveis não são dele. E a certidão de cartorio que diz isso, não é aceita como prova da não-propriedade pelo juiz Moro, em decisão ratificada pelo Tribunal da Mídia há poucos dias.

Considerando que, também por decisão memorável do juiz Moro, o ônus da prova agora passou do acusador para o acusado, não é preciso ser muito esperto para concluir que Lula já está fora da disputa eleitoral em 2018. Não importa se já estará condenado ou não, com provas ou não.

Lembremos a respeito, que para condenar Lula basta agora uma delação premiada. E esta pode ser obtida por meio de prisão preventiva indefinida, um novo conceito penal, criado pelo próprio juiz Moro, já consentida pelo Superior Tribunal Federal.

Lembremos que a autorização para que a suprema corte do país altere a Constituição Federal de 1988, foi conferida há pouco por decreto legislativo do Congresso Nacional da Mídia, que é o verdadeiro parlamento brasileiro. Muito mais econômico do que seu homônimo e subordinado, que funciona em Brasília, o Congresso Nacional da Mídia proporciona grande economia ao país. Basta comparar o numero de seus componentes, pois enquanto o Congresso Nacional da Mídia que funciona no Jardim Botânico, tem apenas três deputados, ( os quais para maior economia concordaram em ocupar também os cargos de senadores) o Congresso Nacional eleito pelo povo, que funciona em Brasília sustenta 513 deputados federais e 81 senadores. Um verdadeiro absurdo, um desperdício total.

Voltando ao caso Lula, mesmo se não houver provas, mesmo se o Lula conseguir trazer ao processo um Atestado emitido pelo próprio Senhor Deus, provando que não é dono do sitio e do tríplex, o juiz do caso, usando o poder já conferido pelo STF ao saudoso, mas muito vivo, Joaquim Barbosa, poderá usar a já testada “teoria do domínio do fato”.  Para isso, basta usar jurisprudência firmada no voto da Ministra Rosa Weber, que no caso José Dirceu, dispensou provas, dizendo que a “literatura a ensinou que assim poderia fazer para condenar o réu”.

Ora, sejamos francos: quantos são na Câmara dos Deputados, no Senado ou no STF aqueles com coragem para opor-se às novas regras criadas pela Casa de Leis do Jardim Botânico? Muito poucos.

E se Lula, por falta de provas, ainda não estiver condenado em 2018, bastará ao juiz Moro, cuja esposa, – vejam só que coincidência -, trabalha não apenas para políticos do PSDB, mas para a Shell, concorrente da Petrobrás, investigada pelo marido-, autorizar a prisão preventiva indefinida do ex-presidente e candidato em qualquer dia antes do dia da eleição. Ou mesmo depois da eleição.

Afinal, o importante para os adversários de Lula não é a condenação pelo STF. O importante é obter fotografias e imagens de vídeo do “japonês da Federal”,              ( um funcionário público condenado à prisão por corrupção, mas que espera recurso há doze anos ), conduzindo para uma cela o maior líder vivo das classes trabalhadoras de todo o mundo hoje.

Tudo conforme estabelece acordo de colaboração entre as empresas jornalísticas e a vara que preside o Dr Moro para vazamento de informações e ampliação da audiência de algumas emissoras e o funcionamento da nova PPFA, Polícia Política Federal Anti-PT.

Se o PT não mudar seu candidato, podemos ter Lula preso, sem julgamento, concorrendo à eleição para presidente da república, em prisão preventiva indefinida, acompanhado de dona Marisa, algum de seus filhos e quem sabe, uma das noras. Cenas inesquecíveis para aumentar a audiência das novelas e dos noticiários. Infelizmente, os netos de Lula não poderão ser presos, ainda estarão livres das garras da lei, mas não do opróbio eterno nas escolas e universidades que cursarem.

Os que simpatizam com a história de vida de Lula precisamos internalizar isso: Lula já está fora das eleições de 2018, pois nada, nos processos de investigação ao menos aparenta ser isento. Não se procura nestes processos evitar a corrupção mas apenas cassar Lula antes que seja candidato. Sua absolvição final, se vier a ocorrer ainda com Lula vivo, deverá levar mais de dez anos, com toda a certeza. E isso pode o amigo leitor perguntar isso a qualquer advogado de sua preferencia ou conhecimento.

Essa a verdade, que deve ser reconhecida o quanto antes, pelos que ainda não concordaram em entregar o poder em 2018 para os adversários das politicas de desenvolvimento com inclusão social e diminuição de desigualdades regionais e sociais,

Graças ao poder do Tribunal da Mídia, – cujo poder aliás jamais foi contestado seja por Lula ou seja por Dilma, estamos como queria Carlos Lacerda, patrono dos golpistas brasileiros, mais famoso agente de governos estrangeiros no país, quesonhava em ser presidente da República, mas para isso não admitia que o mineiro Juscelino Kubitschek (1902-1976) pudesse ser candidato pois se fosse, ganharia de novo:

“Juscelino não será candidato. Se for candidato não pode se eleger. Se se eleger, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”, dizia Lacerda em 1963, sobre as eleições marcadas para 1965. Eleições que jamais foram realizadas, em razão do golpe cívico-militar articulado por ele Lacerda e pelo embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, em conjunto com o Governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto que era o dono do Banco Nacional e com o Governador de São Paulo Ademar de Barros, famoso pelo slogan “Aquele que rouba mas faz”.

E infelizmente, com a colaboração de dezenas de oficiais generais das Forças Armadas, entre eles Amauri Kruel.

Então vem a pergunta: quem vão ser os candidatos se Lula estiver ver fora da disputa, atrás das grades da Polícia Federal, em Curitiba, mas transferindo ao substituto vários milhões de votos, oriundos da revolta do povo simples, que produzirá efeito muito maior pelas redes sociais do que o motim de três dias incontrolável, quando no Rio de Janeiro, com a morte de Getúlio, os golpistas de 1954 conseguiram enfim fazer com que o presidente dos trabalhadores saísse morto do Palácio do Catete?

E quem seria o candidato da presidenta Dilma, apto a beneficiar-se dessa enxurrada de votos?

- Jaques Wagner? José Eduardo Cardozo? Ciro Gomes? Ou Eduardo Braga?

E o candidato do PSDB e da oposição toda?

- José Serra? Aécio Neves?

E quem seria o candidato do PT, se o partido ousasse desobedecer à presidenta atual?

- Fernando Haddad? Fernando Pimentel?

Ou será que, como diziam em 1962 os estudantes mais revoltados com a ingerência norte- americana na política brasileira, nas ruas se gritará:

- “Chega de Intermediários! Para presidenta, a embaixadora dos EUA, Liliana Ayalde. Ou algum dos filhos do Irineu Marinho!”

Quem viver verá, mas quem pensar e agir agora, com certeza, interferirá.

Ficar só lendo, teclando e postando comentários não adianta. É preciso agir.

No mundo real. O mundo virtual é apenas virtual e não necessariamente, virtuoso.

BrPop sai em sua sexta edição, à frente contra o Zica

Via Café na Política

Na sua sexta edição, o jornal impresso Brasil Popular, ganha hoje (sexta, 26/02/16) novamente às ruas, insistindo no tema do mosquito da dengue: “Zica nunca mais”, diz a manchete, que é seguida desses temas na primeira página
– O Brasil nas mãos do povo
– Mais alunos da rede pública na UnB
– Candidato de esquerda quer a Casa Branca
– Violência contra a mulher
No editorial o BrPop observa “estar em análise no Congresso Nacional a aprovação da CPMF, cuja proposta de cobrança não alcançará as movimentações financeiras de pequeno valor. Com a epidemia de zica, mais do que nunca é preciso considerar a CPMF para financiar a volta dos antigos mata-mosquitos, demitidos por José Serra quando ele era ministro da Saúde. Ainda sobre a zica, o Jornal Brasil Popular fez uma entrevista exclusiva com o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde, Eduardo de Azeredo Costa. Ele garante que a prioridade do Ministério é combater o Aedes Aegypti e descobrir a vacina contra o vírus zica. Confira a entrevista”.

Distriuição – Seus editores, jornalistas e simpatizantes estarão hoje na Estação Rodoviária Central de Brasília, no entroncamento dos Eixos Monumental e Rodoviário, para distribuir o jornal, que é gratuito.

“Hoje, a partir das 16:15H, distribuição de nova edição do Jornal Brasil Popular, em mais Cara a Cara com o povo, obrigando-nos, ao coletivo e a cada um individualmente, a um esforço de argumentação, explicação, exposição, diálogo, capacidade de enfrentar situações políticas difíceis – e a situação política é difícil e complexa para as forças progressistas. Por isso, convocamos a todos a enfrentar as inúmeras dificuldades, a não nos protegermos diante do computador`, diz Beto Alemida.

“O governo tem baixa popularidade, segue cometendo erros, mas, creio não haver dúvida que o desalojar deste governo fora de uma sucessão democrática, com a participação popular via voto, poderá levar a uma situação de instabilidade que colocaria em risco, além da própria legalidade democrática, todas as conquistas alcançadas nos últimos anos, bem como outras, de décadas atrás, como a CLT e a Petrobrás, da Era Vargas”. continua.

O Jornal Brasil Popular é uma legítima e singela iniciativa para ENCORAJAR as forças progressistas a terem sua própria mídia, uma argumentação feita a partir da pedagogia do exemplo. Queremos também encorajar a própria militância, que se queixa tanto da ausência de uma mídia popular, a assumir uma ação concreta para consolidar o Brasil Popular, amplia-lo, por meio do apoio pessoal na distribuição, como já o fazem o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, os companheiros de Curitiba, e vários sindicatos cutistas de Brasília-DF. Convocamos, uma vez mais, aos compas do Núcleo de Base Celso Daniel, a seguirem atuando e ampliando a distribuição do jornal também para círculos do próprio governo, o chamado segundo escalão, onde, há também muitas dúvidas e abatimento, em razão das dificuldades que o governo vem enfrentando para expandir conquistas, e mesmo para defender as alcançadas. Convidamos também aos integrantes do Coletivo PT de Lutas, tal como já feito na plenária passada, a uma atuação criativa nesta distribuição do Jornal Brasil Popular.