
No mais que pertinente comentário que publicamos abaixo o colaborador Ivo Pugnaloni sonda as razões do imobilismo de Lula, Dilma e o governo propriamente. Busca entender porque o governo apanha diuturnamente sem esboçar resposta, desmentir ou tomar qualquer iniciativa. A tática se resume a uma frase que o marqueteiro Duda Mendonça usava com frequência: “quem bate perde”. Ou seja, o governo prefere se esconder, tratando o mandato como campanha. Ocorre que a dinâmica não é a mesma e a sociedade e o país como um todo pagam um alto preço pela omissão do Planalto no debate público.
Por Ivo Pugnaloni
Chico ensina, mas Lula não aprende. E quem perde é a sociedade Brasileira. Não eles. Eles até ganham os louros da vitimização (“tadinha da Dilma…”). É isso que o Lula e a Dilma não enxergam.
Quando eles, por quererem “posar” de bonzinhos e magnânimos ouvindo marqueteiros, deixam seus passados e seus cargos serem enxovalhados, não são eles que perdem, (podem até ganhar) mas a sociedade brasileira é quem perde, é invadida e poluída pelo fascismo, pela intolerância.
“Se eu posso ofender a presidente da república e não me acontece nada, que será que eu não posso fazer nesse mundo de meu Deus?”, pensa o coxinha aloprado…
No mínimo processar os que a ofendem, caluniam, mentem não é só um direito da presidenta, mas é sua obrigação, exigida para com o elevado cargo a que o povo brasileiro a elegeu. E cujo mandato, jurou defender da melhor forma possível, não como os marqueteiros de plantão exigem…
Marqueteiros são bons para a eleição. Não para se ter ao lado dia e noite, durante a execução do mandato. Senão, o eleito nunca faria nada. Não apareceria à luz do dia. Afinal, marqueteiro só trabalha em estúdio, com tudo sob controle, até a temperatura ambiente, o nível de ruído zero…
Pela cabeça de um marqueteiro, a realidade é incômoda, os imprevistos atrapalham. O povo então, esse incomoda demais! A oposição é a razão de ser do marqueteiro. Por isso mesmo, quanto mais forte for a oposição, mais o eleito precisará dos seus serviços…
“Oposição fraca, marqueteiro na rua”
Por isso, o melhor frente aos imprevistos, frente aos ataques da oposição, do ponto de vista do marqueteiro é sempre “fingir que não viu”, ou que não deu importância. “Por que é algo que veio de baixo”.
Que me desculpem os que trabalham nessa linda profissão, mas marqueteiro fora da eleição, durante o mandato, só atrapalha. E deveria dar “exercício ilegal de profissão” pois marqueteiro não faz nada. Apenas devia contar o que o eleito faz. Mas, devia contar, não esconder.
Em geral o marqueteiro só quer que o eleito não se exponha, não entre em nenhuma bola dividida, que se resguarde até do vento sul. Para o marqueteiro o melhor é o povo pensar que o eleito nem existe, “melhor ignorado do que mal falado” é a máxima dos marqueteiros que conheço.
Maquiavel falou muito sobre isso no “Príncipe” quando trata dos exércitos mercenários, chamados “senhores da guerra”. Ensina-nos assim o sábio florentino que além de poeta, político, historiador, foi também musico:
“Direi, portanto, que as forças com as quais um príncipe conserva o seu Estado são próprias ou mercenárias, auxiliares ou mistas. As mercenárias e auxiliares são inúteis e perigosas. Tendo alguém o seu Estado firmado em tal espécie de forças jamais estará seguro; elas não são ligadas ao príncipe, são ambiciosas, faltas de disciplina, infiéis, insolentes para com os amigos, mas acovardam-se diante dos inimigos, não têm temor de Deus, nem fazem fé nos homens, e o príncipe apenas retarda a própria ruína na medida em que retarda o ataque. Deste modo, o Estado é espoliado por elas na paz, e durante a guerra pelos inimigos”.
“O motivo dessa atitude é que elas não conhecem outro amor nem outra força que as tenham em campo, a não ser um pequeno pagamento, o que não é bastante para excitá-las a morrer por ti. Desejam ardentemente ser teus soldados enquanto não te moves à guerra, mas em vindo esta, fogem ou se despedem. Não me será difícil explicá-lo, visto que a atual desgraça da Itália não foi causada por outro motivo senão pelo fato de que durante tantos anos esteve sustentada por armas mercenárias. Estas conseguiram fazer qualquer coisa em favor de alguém e aparentavam valor quando entre si se combatiam, mas, vindo o estrangeiro, logo mostraram o que eram. Muito fácil foi, portanto, a Carlos, rei de França, conquistar a giz toda a Itália; falava a verdade quem afirmava que a culpa era toda nossa, não porém a que pensava e sim a de que foram causa os erros que acima expusemos. E por serem os príncipes culpados, sofreram eles o castigo.”
Vale a pena conferir o que diz a Convenção de Genebra em sua versão mais atual sobre os mercenários. O Iº Protocolo adicional (de 8 de junho de 1977) da 4ª Convenção de Genebra de 12 de agosto de 1949, no Artigo 47, não reconhece ao mercenário os direitos dos prisioneiros de guerra.
Mercenários:
1. Um mercenário não possui direito ao estatuto de combatente ou de prisioneiro de guerra.
2. Pelo termo “mercenário” se entende qualquer pessoa:
a) que seja propositalmente recrutada, localmente ou no estrangeiro, para combater em conflito armado;
b) que de fato tome parte direta nas hostilidades;
c) que tome parte nas hostilidades motivado pelo desejo de adquirir lucro pessoal, e para o qual recebeu promessa, por uma das partes em conflito ou em seu nome, de remuneração material claramente superior àquela prometida ou correspondente em grau e funções similares nas forças armadas desta mesma parte;
d) que não seja cidadão de uma parte em conflito, nem residente de um território controlado por uma parte em conflito;
e) que não seja membro das forças armadas de uma parte em conflito; e
f)que não tenha sido enviado por um Estado não-parte em conflito, em missão oficial como membro das forças armadas deste mesmo Estado.
Ao contrário dos soldados regulares, que ficam ao abrigo do estatuto de prisioneiro de guerra, os mercenários são considerados presos de delito comum.


O BrPop – A edição especial do Brasil Popular sobre a 15ª Edição do FSM, que ainda traz uma análise da situação política e social da América Latina, inclusive da reincidência do neoliberalismo na Argentina e sua ameaça na Venezuela, ainda explica, em artigo do jornalista Beto Almeida, seu fundador, a função deste novo órgão da imprensa alternativa, que nasceu em dezembro de 2015, “com a missão de circular informação importante para defender a legalidade democrática do governo eleito pelo voto popular e mostrar as conquistas dos últimos 13 anos, sonegadas, distorcidas, manipuladas e até negadas pela mídia capitalista, porta-voz do golpismo que pretende entregar o petróleo do pré-sal”.



