Via Brasil de Fato

O aumento de 86 pontos percentuais é o maior da série histórica. No cartão de crédito, juro bate recorde e chega a 430%.
2015 terminou com a maior alta anual de juros cobrados pelo cheque especial dos últimos 20 anos. Se as operações com essa linha de crédito, em 2014, tinham uma taxa média de juros de 201%, no mesmo período de 2015, estavam em em torno de 287%. Isso significa que quem pegar, hoje, um empréstimo de R$ 1.000 vai desembolsar por ele R$ 3.870, no caso de o pagamento ser realizado um ano depois.
O aumento de 86 pontos percentuais dos juros cobrados pelos bancos em operações com cheque especial é o maior crescimento desde o início da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1995.
Cartão de crédito
Se a taxa de juros é elevada para o cheque especial, ela é ainda mairo no caso do cartão de crédito rotativo. O aumento dos juros nesta linha de crédito, no ano passado, foi de quase 100 pontos percentuais. Segundo os números do BC, os juros médios cobrados pelos bancos nestas operações – modalidade mais cara do mercado – somaram 431,4% ao ano no fim de 2015, batendo recorde da série histórica, que tem início em 2011.
Juros básicos da economia
Ainda que o aumento dos juros bancários, no ano passado, tenham acompanhado a alta da taxa básica fixadas pelo BC, os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira bem mais intensa do que a Selic, por exemplo. Em 2015, a taxa avançou de 11,75% para 14,25% ao ano, ou seja, um aumento de 2,5 pontos percentuais.
Uma reportagem publicada pelo jornal norte-americano The New York Times diz que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os dos cartões de crédito.
De acordo com o levantamento feito pela consultoria Economatica para a BBC Brasil, apesar da crise econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 – mais do que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%).
