Por Ivo Pugnaloni

Pouco se fala no Brasil sobre a estranha maravilha do shale gas, ou gás do fracking cuja produção verdadeira e o real custo de produção parecem manipulados, segundo muitos especialistas que costumo ouvir.
Uma maravilha da natureza e da tecnologia que, fato estranho, até hoje só teria dado certo (não se sabe por que) nos Estados Unidos.
Fracasso total na França, na Inglaterra, em Portugal, na Itália, na Espanha, em Israel, na Austrália, Polônia, na Romênia, na Bulgária, na Rússia e na China.
Inúmeros autores altamente respeitados no setor de petróleo dizem que a produção real parece ser sempre manipulada para cima.
E o custo de produção, manipulado para baixo.
Como engenheiro não consigo acreditar que petróleo ou gás retirado de 3000 metros de profundidade em poços que duram um ano em média, com base em pressurização de 800 atmosferas, no processo fracking, poderiam ser mais baratos do que o petróleo extraído pela pressão natural da própria jazida, que acontece no processo convencional.
A manipulação de dados é uma coisa muito fácil de ocorrer quando com ela, se quiser ganhar trilhões de dólares no mercado de petróleo, a longo prazo.
Fácil dizer que o preço de produção é baixo, se, como acontece nos EUA, uma lei tiver isentado sua empresa de pagar qualquer custo ou dano ambiental se você usar o fracking (Exceptions Act, de 2005).
E ainda de cumprir qualquer lei ambiental sob a alegação de que “o shale gas vai nos tornar independentes na produção de petróleo”, sob o impacto emocional do ataque às torres gêmeas.
O dumping é outra maneira de “baixar o preço”.
Se você tem o domínio do mercado, (esse é o caso) você baixa seus preços artificialmente até quebrar seus adversários.
E depois sobe…quando as empresas desses países estiverem quebradas ou não tiverem mais investido em aumentar sua produção…
Ou então, baixa-os até que o mercado já tenha optado por usá-los de forma irreversível.
Como por exemplo, fez infelizmente o governo brasileiro desde Fernando Collor deixando de construir hidrelétricas alegando “pressões das O.N.Gs” (sustentadas pelos magnatas do petróleo) para poder fazer o país depender totalmente de térmicas movidas a combustíveis fósseis, para não ter que sofrer com um apagão…
Aí, quando seu petróleo “barato” tiver feito o mercado ter optado por ele, bom aí você sobe o preço de novo…
O dumping do preço do petróleo também é uma excelente arma política quando você quer provocar mudanças na economia de países cujos governos você quer mudar e cuja economia e finanças internas são muito dependentes da exportação de sua produção de petróleo e gás.
Baixando os preços do petróleo no mercado mundial, você reduz os ingressos daquelas economia, a arrecadação de impostos e assim, piora toda as condições de vida da população, que mais facilmente se revoltará contra o governo que você quiser derrubar ou mudar.
Aí você pode substituir esse governo por outro, que concorda em, por exemplo, transferir para seu controle, as jazidas de petróleo do país que você deseja ocupar ou prejudicar. Tudo sem guerra. Limpo.
Ou seja: o dumping dos preços do petróleo é só um investimento para ganhar mais território. Como o é o investimento em porta-aviões, bombas, mísseis, infantaria.
Você reduz o preço do seu petróleo por um tempo, perde um pouco, investe, ganha menos.
Mas em compensação pode ganhar com isso, quase de graça, as jazidas de países inteiros.
Como as do Pré-Sal por exemplo, que já produz mais de um milhão de barris/dia.
Ou ainda, desvalorizar essas jazidas com a desculpa amarela de que “agora, com a baixa do petróleo, sua exploração ficou inviável”…para comprá-las por merrecas…ou desqualificar os presidentes que você quiser enfraquecer, como a Dilma.
Quanto à produção real do shale gas, do fracking, é ainda mais fácil de explicar.
Isso porque nas moléculas do metano e do petróleo, não tem nenhum selo de fabricação, escrito “Metano produzido pelo método fracking” nem “Metano produzido pelo processo convencional”.
As mesmas empresas produzem um e outro. As redes de oleodutos e gasodutos são usadas tanto por hidrocarbonetos produzidos por um método ou por outro.
Quem tem tecnologia para hackear o e mail da Merkel, tem tecnologia para fraudar qualquer registro de produção de um e de outro metano.
Ainda mais se me interessar dizer que a “produção aumentou devido ao shale gas para justificar o dumping…
Ou será que esse setor de petróleo é dirigido por padres, freiras, irmãs Teresas de Calcutá?
E o que dizer do petróleo a US$ 10 dólares vendido na Turquia pela empresa de Bilal Erdogan, filho do presidente,roubado pelo Estado Islâmico, dos poços da Síria e do Iraque?
Provavelmente, ajudam a justificar o preço baixo do dumping também…
