Por Adriano Benayon
Este artigo de Paitnak é uma síntese muito boa das teorias referentes aos modelos de administração da economia.
De fato, pode-se conceber essa administração a cargo da oligarquia capitalista, i.e., sem participação do Estado nessa administração (nesse caso, não é economia liberal, pois é administrada), e também sob a direção e com a participação do Estado, por meio da política econômica.
Tudo certo, portanto, menos falar de capitalismo liberal. Isso é uma contradição de termos.
A suposta economia liberal, i.e., sem intervenção estatal, política, nunca passou de uma abstração referente a, no máximo, alguns segmentos da economia, em poucos países, em que houve nesses segmentos, predomínio da economia de mercado, em alguns momentos históricos, quase excepcionais.
Ou seja, a economia funcionando conforme regras de mercado, devido a certo grau de equilíbrio de forças entre os atores nesse mercado (grau elevado de concorrência, com alguma semelhança, embora nem sempre muita, ao modelo, abstraído desse mercado, o modelo da concorrência perfeita.
Na medida em que o Estado nem algum ator privado dominante não interferisse nesses mercados, seria válido falar em liberalismo.
Ora, após os períodos, em média de 30 anos, nos países ditos desenvolvidos, da escalada para o desenvolvimento, durante os quais a concentração ainda não era muito grande, mas se tornou dominante ao fim desses períodos, tornou-se ainda mais absurdo falar em economia, capitalismo ou sistema liberal.
Pois já era absurdo classificar como liberais economias que foram todas, sem exceção, levadas ao desenvolvimento mediante a direção do Estado e significativos investimentos deste.
Pela centésima vez, reitero: capitalismo é uma coisa; economia de mercado é outra.
