1997 – A mídia no papel da desconstrução de um povo

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O Blog dos Desenvolvimentistas reproduz trecho do livro de Bautista Vidal “A Reconquista do Brasil” 2º edição 1997 pgs 28 a 30, agradecendo ao jornalista Beto Almeida pela dica.

(…) Qualquer estratégia que vise ao desenvolvimento não pode, naturalmente, excluir o mundo físico. Sem ele o processo produtivo é impossível, pois não haveria a base concreta que o fundamenta. Isto estabelece como crucial a participação das matérias-primas e da energia nas políticas de produção e, de modo consequente, seu valor estratégico. Assim, nas circunstâncias mundiais, suas abundâncias relativas tem valor decisivo.

(…)

Contrapõe-se a esse universo concreto desqualificado em seu valor por uma falsa simbologia monetária, um mundo artificial de tergiversações esquizofrênicas que nada tem a ver com a realidade física, social, cultural, humana e política, controlada de fora do país por usurpadores globais, os quais nos submetem a seus caprichos de ilegítimas e desmedidas ambições. Para isso impingem-nos a perda da identidade nacional, da autoestima e do controle de nossos mais estratégicos e essenciais patrimônios.

Há que explicar, porém, a questão básica preliminar: a tirania das grande mídia, escrita, falada, que descumpre seus deveres constitucionais ao impedir a sociedade de tomar conhecimento da realidade do País. Deste modo desinformada e manipulada, a sociedade comporta-se como conjunto de insensatos que caminha para o desastre. Repete-se, nesse caso, aplicado à Nação, a estória de A Crônica da Morte Anunciada, de Gabriel Garcia Marques.

A “Reconquista do Brasil” e aqueles que o precederam surgiram assim de uma premente necessidade de tentar superar a brutal desinformação dos brasileiros sobre as principais questões de nosso tempo. Desinformação que atinge amplos setores e camadas da vida nacional, desde sofisticados intelectuais a oficiais superiores da Força Armada, de juízes de tribunais superiores a ministros de Estado e altos funcionários; embaixadores e industriais a produtores rurais; de professores universitários a lideres sindicais; de estudantes a trabalhadores organizados e, evidentemente, o que se costuma chamar de “povão”, em cujo meio está a terrível realidade dos excluídos.

(…)

O bloqueio monolítico da grande mídia sobre informações necessárias ao entendimento da realidade nacional e mundial, ou seu falseamento por conveniência de grupos hegemônicos, impondo à população versões deformadas, com viés ideológico de grupos dominantes, ademais de unilateral e antinacional, sem a presença do contraditório, forma um quadro que impede que a sociedade posa refletir e tomar conhecimento do que está ocorrendo com o país e com seu povo. Ele é fruto de ações promovidas pelo sistema de poder externo que na realidade nos governa, acima das instituições.

O poder que a mídia exerce sobre a opinião pública e sobre o subconsciente dos indivíduos deixa a todos sem condição de reflexão e análise e, como consequência, afasta a possibilidade de posicionamento da sociedade quanto ao presente, especialmente, quanto ao futuro individual e coletivo.

O esmagamento da soberania nacional como objetivo principal desse conjunto de ações, torna o exercício da cidadania uma veleidade inatingível…tendo em vista o papel crucial que a soberania exerce na geração das condições para o exercício da cidadania, a promessa desta SEM soberania é resultado de programada e desonesta mistificação (…).

(…)

O mais grave entre os objetivos desse controle é a tentativa de impedir que se configure uma VONTADE NACIONAL., único meio de contrapor-se ao projeto de destruição do Brasil. Isso está sendo conseguido principalmente por essa grande mídia, escrita e falada, que, paradoxalmente, de outro modo, deveria ser o instrumento da sociedade que, por via da chamada liberdade de imprensa, permitisse a formação de uma opinião pública consciente. Para isso, sua independência seria essencial, o que está muito longe de acontecer: ao contrário, é difícil encontrar qualquer outro setor fundamental a uma sociedade dita livre que esteja mais controlado pelo mercantil, pelo chamado poder econômico, de comando externo, do que os meios de comunicação no Brasil.

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