Via El País
É a primeira vez que um senador em exercício é preso sem ser em flagrante. A prisão, feita a pedido do Ministério Público Federal, foi autorizada pelo STF.

O senador Delcídio do Amaral, em imagem de setembro. / WILSON DIAS (AGÊNCIA BRASIL)
A Polícia Federal prendeu preventivamente, no início da manhã desta quarta-feira, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), 60 anos, por suspeita de tentar obstruir as investigações da operação Lava Jato, que investiga o esquema de desvios bilionários na Petrobras. O senador foi preso em Brasília após um pedido do Ministério Público Federal, e foi levado à Superintendência da Polícia Federal, onde permanece detido. A prisão de Amaral é mais um duro golpe contra o Partido dos Trabalhadores, já que ele é líder do Governo Dilma Rousseff no Senado.
Além do senador, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, também foi detido temporariamente na operação, por suspeita de envolvimento com irregularidades. Ainda não há detalhes, porém, sobre as acusações que recaem sobre o empresário.
Em seu pedido, o Ministério Público Federal argumentou que Amaral agiu para atrapalhar as investigações da Lava Jato, algo que é considerado crime permanente. Dessa forma, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que autorizasse a prisão sua preventiva. Trata-se da primeira vez que um senador federal é preso durante o exercício do seu cargo.
O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró acusou Delcídio de participar de um esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, de acordo com informações publicadas pelos jornais na manhã desta quarta-feira. O senador teria tentado convencer Cerveró de não realizar a delação premiada –e assim não revelar à Justiça os detalhes das irregularidades– e lhe ofereceu possibilidade de fugir. A conversa foi gravada pelo filho de Cerveró e entregue à Justiça.
O Supremo também autorizou a prisão do chefe de gabinete do petista e de um advogado.
