Patinha dianteira levantada para trás

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Por Ivo Pugnaloni

Os portugueses tem um ditado: “quanto mais se baixa, mais se lhe vê o rabo”.

Mas abaixar-se não é um problema igual para todas as pessoas. Ou em todas as profissões. Os médicos esportivos, por exemplo, é da profissão deles se abaixar no campo, ao lado dos jogadores machucados.

O mesmo fazem os borracheiros, quando ajoelham-se na frente de um pneu furado. Há até os que precisam rastejar para cumprir uma função tipicamente ofensiva, quando os soldados precisam esconder-se dos seus inimigos para ataca-los

O governo federal, hoje, por exemplo tem uma tática política muito simples.

De tão simples e repetitiva, ela chega a ser monótona.

Essa tática, seja ela boa ou má, (isso não está em jogo aqui) , segue uma lógica impressionante. E essa tática é: “Fazer concessões em absolutamente tudo que puder ser negociado. Até naquilo que não estiver em jogo. Para mostrar-se simpático, inofensivo e até proativo, quando  se tratar de agradar aos inimigos do governo.”

Para que essa tática seja vitoriosa, no entanto, é fundamental que o governo não tenha nenhuma iniciativa.

Absolutamente nenhuma.

É necessário fingir-se de morto.

Fingir que não existe.

Fazer de conta que foi embora.

E assim, tentar convencer aos inimigos que sua retirada do poder já é perfeitamente dispensável.

Afinal, se o governo praticamente já não representa qualquer ameaça, para quê serviria o impeachment? Mas será que o governo não estaria exagerando nessa tática?

Agora, o governo só se move, – e o faz bem rápido -, para remover, resoluta e eficientemente, quaisquer possíveis ameaças e os menores riscos que surjam no caminho de seus maiores inimigos ( como esse pequeno risco, que apenas regulamentava o direito de resposta dando à própria o direito de ir ela em pessoa à TV ou ao jornal, exercer esse direito).

Talvez queira passar uma mensagem com mais força ainda e dizer algo do tipo:  “Para quê serviria retirar o governo de onde está, se ele ainda pode ser muito útil, protegendo seus inimigos de qualquer, risco por menor que seja?”

Parece bastante lógico.

Mas só tem um problema nessa tática de fingir de morto: a política, por envolver pessoas, não segue a lógica fria dos números.

Ninguém muda de ideia apenas pela lógica, em política. Mas pelo impulso.

Como acontece com os cães quando estão em bando que, diante de  outro cão ferido, eles o atacam furiosamente, exatamente por ele estar ferido, apenas por um instinto animal de excluir o mais fraco, para que cada um mostre sua força e crueldade uns aos outros. E assim, mostrar quem manda mais no pedaço.

Assim, o resultado prático dessa tática, com que alguns tentam aparentar ser prudentes, moderados e muito espertos como forma de sobreviver à mídia tem sido apenas:

O governo faz tudo o que pode fazer para agradar a quem não gosta do governo.

E, o mesmo tempo, faz tudo para desagradar ( e desagregar ) a quem ainda gosta do governo. Pois isso também seria ponto a favor!

É a tática do “apoio zero”, na qual busca provar que é inofensivo, inodoro, insosso e incolor.

Eis a tática do governo federal hoje: buscar a unanimidade da reprovação.

A fraqueza máxima.

Alcançar o Índice Zero por Cento de aprovação.

A esperança dos alquimistas que conceberam essa tática lógica parece ser que ao contrário de se fortalecer, o governo parecesse cada vez mais fraco.

Mas tão fraco, tão fraco e mais, -tão subserviente-, que ninguém mais precise fazer nada de efetivo para removê-lo do poder.

Afinal, isso seria absolutamente desnecessário, ilógico.

Além de ser traumático e pouco elegante, ruim para a imagem do Brasil lá fora.

Sem querer ofender ninguém, nem antas, nem cachorros, nem papagaios, nem pessoas, nem gênios da política, mas apenas para exemplificar, vai a foto .

Quem tem ou já teve um cão em casa sabe o que significa essa postura na linguagem corporal dos animais caninos.

Aos que não sabem, lá vai: a postura da patinha dianteira para cima que a foto abaixo retrata, o quê significa?

Resposta: “Submissão. Algo do tipo: sou inofensivo, respeito sua força e seu domínio sobre o bando e principalmente sobre mim. Não me ataque, pois posso ser útil a você.”

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