Por Weber Figueiredo

BBC
Com a tragédia nas Minas Gerais, veio à tona o que se esconde entre centenas de montanhas: a mineração intensiva que sustenta o modelo econômico brasileiro, dependente, forte exportador de commodities que faz a alegria da politicalha de visão canhestra.
A regra do modelo econômico é exaurir o ambiente natural brasileiro o tanto quanto for possível, até a última gota, para exportar e gerar os dólares que pagam a dívida eterna, seus juros, serviços, corrupção, lucros e a compra de produtos industrializados no mundo globalizado.
Esse é um Brasil que nunca irá pra frente enquanto mantivermos esse modelo extrativista, servil, dependente, gerador de dívida, desemprego e pobreza.
A forte exportação de minério de ferro, soja e outras “commodities” mantêm o Brasil funcionando às custas das multinacionais e da exploração da natureza a qual se torna a grande moeda de trocas internacionais.
Um exemplo simples: o Brasil precisa extrair na natureza e exportar 13 (treze) toneladas de minério de ferro (US$ 50/ton) para comprar um único celular tipo iPhone (US$ 650). Se comparado em peso, esse celular pesa 150g e, portanto, as 13 toneladas de minério de ferro equivalem ao peso de 86 mil celulares.
Quando você vir 1 (um) celular na vitrine, saiba que ele é trocado por 13 mil quilos (!!!) de minério de ferro exportado. Não se sinta culpado, porque essa tem sido a confortável regra do jogo, há décadas.
Quando você olhar para um vagão de trem abarrotado com minério de ferro para exportação pense que tudo aquilo serve para trocar por apenas 7 (sete) aparelhos celulares. Um vagão transporta cerca de 90 toneladas.
Agora, pense que toda a eletrônica, toda as telecomunicações, todos os remédios e quase tudo o mais que tem tecnologia agregada é importado e pago com os nossos recursos naturais ou trabalho de baixa remuneração.
E o pior: quase todos os produtos que importamos (em troca da natureza) ficam rapidamente obsoletos e viram lixo! E, aí, voltamos a importar mais, realimentando o ciclo da burrice e da dependência.
Se algum dia o mundo industrializado resolver não mais comprar matérias primas do Brasil, paralisamos a economia, pois não teremos dólares nem para importar os remédios nossos de cada dia.
A ruptura da barragem em Minas é uma amostra indireta de um modelo subdesenvolvido que não investe na capacitação científica e tecnológica do País e que precisa exaurir a natureza para se manter em pé.
A dependência é a lama primária da crise brasileira que se arrasta há décadas. O desastre ambiental é apenas uma das cenas trágicas do modelo colonial.
***
Weber Figueiredo é engenheiro, professor do CEFET-RJ e professor aposentado da UERJ.

Os acidentes mais comuns no caso de Barragens de Rejeito advêm, sobretudo da falta de compromisso da alta administração das empresas com a implantação de procedimentos de gestão adequados, uma vez que não existe gestão eficiente de segurança sem suporte de recursos físicos e financeiros por parte da administração, PARA AS DIVERSAS FASES do empreendimento.
Como os rejeitos se constituem da parcela recusada do recurso mineral explorado e como não existe retorno financeiro direto das ações ligadas a sua disposição, não é incomum serem negligenciados pela alta Administração das Empresas cujo objetivo imediato é sempre o lucro. Há uma tendência SEMPRE dos Administradores em reduzir os respectivos custos a um mínimo, reduzindo equipes, cortando pesquisas, não investindo em monitoramento da segurança dos sistemas de rejeitos.
Os programas de qualidade total das Empresas são geralmente priorizados para o produto, mas não para os rejeitos. Entretanto, no caso de um acidente GRAVE, os custos de indenizações, perda de prestigio junto à sociedade e perda de valor de mercado da empresa, são indubitavelmente maiores que a economia feita, quando a boa técnica é negligenciada.
O compromisso da alta administração é, portanto, essencial para o entendimento da necessidade de um status de qualidade para a gestão de segurança dos sistemas de rejeitos.
Por outro lado cabe aos Órgão Ambientais licenciadores exercerem seu papel de polícia e atuar tecnicamente e administrativamente na FASE DE LICENCIAMENTO e durante toda a operação do Empreendimento e mesmo após o encerramento do mesmo. Todavia, devem estar aparelhados tanto através de recursos humanos como materiais, o que geralmente não ocorre.
Após o acidente NÃO ADIANTA APENAS MULTAR E PUNIR.
SDS. FLUVIAIS;
PROF. JORGE RIOS – Conselheiro do CONEMA e do Clube de Enga.
Diretor da ABES – RIO
EX- Superintendente de Rec. Hidricos do Est. do Rio de Janeiro
Prof. do CEFET – RJ e ex – Prof. da UERJ e da UCP
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Os acidentes mais comuns no caso de Barragens de Rejeito advêm, sobretudo da falta de compromisso da alta administração das empresas com a implantação de procedimentos de gestão adequados, uma vez que não existe gestão eficiente de segurança sem suporte de recursos físicos e financeiros por parte da administração, PARA AS DIVERSAS FASES do empreendimento.
Como os rejeitos se constituem da parcela recusada do recurso mineral explorado e como não existe retorno financeiro direto das ações ligadas a sua disposição, não é incomum serem negligenciados pela alta Administração das Empresas cujo objetivo imediato é sempre o lucro. Há uma tendência SEMPRE dos Administradores em reduzir os respectivos custos a um mínimo, reduzindo equipes, cortando pesquisas, não investindo em monitoramento da segurança dos sistemas de rejeitos.
Os programas de qualidade total das Empresas são geralmente priorizados para o produto, mas não para os rejeitos. Entretanto, no caso de um acidente GRAVE, os custos de indenizações, perda de prestigio junto à sociedade e perda de valor de mercado da empresa, são indubitavelmente maiores que a economia feita, quando a boa técnica é negligenciada.
O compromisso da alta administração é, portanto, essencial para o entendimento da necessidade de um status de qualidade para a gestão de segurança dos sistemas de rejeitos.
Por outro lado cabe aos Órgão Ambientais licenciadores exercerem seu papel de polícia e atuar tecnicamente e administrativamente na FASE DE LICENCIAMENTO e durante toda a operação do Empreendimento e mesmo após o encerramento do mesmo. Todavia, devem estar aparelhados tanto através de recursos humanos como materiais, o que geralmente não ocorre.
Após o acidente NÃO ADIANTA APENAS MULTAR E PUNIR.
SDS. FLUVIAIS;
PROF. JORGE RIOS – Conselheiro do CONEMA e do Clube de Enga.
Diretor da ABES – RIO
EX- Superintendente de Rec. Hidricos do Est. do Rio de Janeiro
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