Arquivo mensais:outubro 2015

Surgem os áudios da cela do Youssef: são mais de 100 horas

Por Marcelo Auler | Via marceloauler.com

O aparelho instalado na cela de Alberto Youssef gravou mais de 100 horas de conversas – Reprodução

A notícia ainda vem sendo guardada a sete chaves pela direção geral do Departamento de Polícia Federal, mas vazamentos já ocorreram confirmando que a perícia técnica do DPF recuperou mais de cem horas de áudios que foram feitos, ilegalmente, dentro da cela do doleiro Alberto Youssef, entre março de 2014, data em que ele foi preso e abril do mesmo ano, quando localizou o grampo no forro do teto. Tudo na carceragem da Superintendência do Departamento de Polícia Federal do Paraná (SR/DPF/PR).

A recuperação destes áudios – cujo som não tem boa qualidade, mas os peritos estão tentando melhorar através de modernos equipamentos -, já chegou, extraoficialmente, ao conhecimento do deputado Aluísio Mendes Guimarães (PSDC-MA), um dos parlamentares mais ativos na CPI da Petrobrás, desde a terça-feira (06/10).

Ao confirmar a informação para o blog, o deputado não quis avaliar o que esta descoberta pode trazer para a Operação Lava Jato:

“Não farei juízo de valores sobre esta descoberta e as suas consequências. Só acho que quem não agiu corretamente no início desta Operação – que é importante no combate à corrupção – deve responder legalmente por isso. O efeito que isto terá em toda a Operação, cabe ao Judiciário avaliar. Não tenho elementos para fazê-lo”, comentou.

Segundo ele, a perícia resgatou a integralidade dos áudios nos computadores que o agente Dalmey Fernando Werlang identificou como sendo onde as gravações estavam guardadas. Conforme o próprio Dalmey admitiu na CPI da Petrobras, em julho passado – quando assumiu que colocou o grampo na cela – ele localizou no servidor do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) da SR/DPF/PR copia dos áudios que ele captou na cela do doleiro.

Receoso de que estes áudios fossem apagados, ele e o delegado Mario Fanton – lotado em Bauru que estava em Curitiba fazendo investigações sobre um possível dossiê contrário à Operação – comunicaram o fato a Coordenadoria de Assuntos Internos (Coain) da Corregedoria de Polícia em Brasília que tratou de confiscar os aparelhos para a realização da perícia técnica.

Independentemente da forma como esta descoberta afetará todo o trabalho realizado de combate ao maior esquema de corrupção que já se teve notícia – o que provoca aplausos nacionais -, os delegados que ocupam cargos de chefia na Superintendência devem sérias explicações.

Esses delegados, a começar pelo superintendente, Rosalvo Ferreira Franco, insistiam que não existia grampo para ouvir o doleiro. O aparelho descoberto no final de março – que só foi entregue em abril –, segundo eles, estava na carceragem desde 2008, desativado, por conta de uma investigação em tono do traficante Fernandinho Beira-Mar.

Para o deputado, qualquer trecho do grampo que vier a ser divulgado, jogará por terra abaixo as argumentações dos delegados da Operação Lava Jato que o aparelho estava desativado e era da época do Beira-Mar. “É mais um elemento a derrubar a tese das chefias das superintendência”. Segundo a Diretoria de Inteligência Policial (DIP) em Brasília, o equipamento encontrado só foi encaminhado à Curitiba meses depois de Beira-Mar ter deixado aquela custódia.

Como este blog anunciou no dia 20 de agosto, a Corregedoria do Departamento da Polícia Federal já havia comunicado oficialmente à CPI da Petrobras que o segundo grampo encontrado dentro da superintendência – na escadaria do prédio, local que os servidores usam como fumódromo – também funcionava e não tinha autorização judicial.

 

Delegados Rosalvo (alto, esq.- foto: MPRS), )Igor (alto, centro – reprodução),. Daniele (alto, dir. – reprodução), Moscardi (baixo, esq. Foto Altino Machado), Marcio Anselmo (baixo, centro – reprodução) e José Washington (foto -policiapenaldealagoas.blogspot.com.br)

Segundo Dalmey , o grampo da cela de Youssef foi colocado atendendo a determinação de três delegados – o superintendente Rosalvo, o chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCor), delegado Igor Romário de Paula, e o principal delegado da Lava Jato, Marcio Anselmo Adriano. Já o aparelho do fumódromo foi instalado por determinação da delegada Daniele Gossenheimer Rodrigues, que era a sua chefe no Núcleo de Inteligência Policial (NIP). A ordem de Daniele foi respaldada, à época, pelo delegado José Washington Luiz Santos, Diretor Executivo, que substituía Rosalvo nas férias deste. Igor e Daniele são casados.

Outro delegado que não ficará bem é Maurício Moscardi Grillo (chefe do Grupo de Investigações Sensíveis – GISE) que foi quem presidiu a sindicância 04/2014 instaurada para apurar se o grampo encontrado na cela estava funcionando. Seu trabalho, segundo críticas do próprio Dalmey, do delegado Fanton e de outros policiais foi todo dirigido para concluir que o aparelho estava desativado e não tinha condições de funcionar. Ele nem mesmo providenciou uma perícia técnica no equipamento.

Também o Ministério Público Federal do Paraná não sairá bem na fita. Afinal, uma de suas funções prioritárias é zelar pelo cumprimento das leis e, neste caso, ele, assim como o próprio juiz Sérgio Moro, aceitaram a tese do grampo desativado, sem contestação.

Outro que terá que se pronunciar, saindo do seu silêncio obsequioso, será o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que até agora parece se manter afastado de tudo quanto é denuncia que surge contra os federais.

Dilma deve ir à TV para denunciar o golpe

Via Brasil 247

Ministros defendem uma postura mais agressiva da presidente Dilma Rousseff contra as manobras do chefe da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB); dizem que não há outra alternativa a não ser dizer, publicamente, que “quem tenta tirá-la do cargo é um político acusado de cometer atos ilícitos” no esquema da Petrobras; com a pressão do movimento golpista da oposição, Dilma faria um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, segundo a colunista Natuza Nery.

Com as manobras de Eduardo Cunha na Câmara pelo impeachment, a presidente Dilma Rousseff pode denunciar na TV o movimento golpista da oposição. É o que afirma a colunista Natuza Nery. Leia:

Tudo… Ministros defendem que a presidente adote o discurso do “nunca roubei” e vá para cima do chefe da Câmara, Eduardo Cunha.

…ou nada Para o grupo, não há outra alternativa a não ser dizer, publicamente, que “quem tenta tirá-la do cargo é um político acusado de cometer atos ilícitos” no esquema da Petrobras.

No ar Nas conversas travadas nesta segunda no Palácio da Alvorada, auxiliares reconheceram as chances reais de o impeachment ser deflagrado. Caso isso ocorra, Dilma faria um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV.

Marcelo Tas e a embaixada ianque

Por Altamiro Borges | Via Blog do Miro

Sem qualquer pudor nacionalista, a Folha colonizada publicou uma curiosa notinha nesta sexta-feira (2): “O apresentador Marcelo Tas virou assunto de e-mails trocados por assessores de Hillary Clinton com a então secretária de Estado em 2011. O motivo? Tas repassou, em sua conta no Twitter, uma mensagem do então assessor de Hillary para Inovação, Alec Ross. Ross narrou o feito em e-mail de agosto de 2011 a Thomas Shannon, então embaixador dos EUA. ‘Você já me ouviu falar sobre como devemos cultivar ‘influenciadores de mídias sociais’ com o objetivo de validar e amplificar a nossa mensagem’, disse Ross”.

“Influenciadores de mídias sociais” poderiam ser encarados como porta-vozes de luxo das políticas do império. Mas a Folha não faz qualquer reparo e ainda acrescenta: “O assessor [Ross] conta então que Marcelo Tas foi convidado para um ‘café’ por iniciativa da embaixada meses antes durante uma visita ao Brasil. ‘Nesta manhã, publiquei algo sobre Síria no meu Twitter. Tas pegou, reescreveu em português e então o disseminou para os seus quase 2 milhões de seguidores no Twitter’, disse. ‘O mais importante é que eles não pensam que isso seja algo que o governo dos EUA está colocando, mas sim o Marcelo Tas’, completou. A troca de e-mails chegou a Hillary, que celebrou: ‘É um bom exemplo’”.

De fato, um baita “influenciador de mídias sociais” e, tudo indica, sem remuneração. Ainda segundo a Folha, Marcelo Tas tem hoje 8 milhões de seguidores no Twitter. Ele garante que “Alec Ross não lhe pediu para publicar nada. ‘A gente conversou sobre mídias sociais, assunto em que ele é especialista’. A celebração de seu tuíte por assessores é ‘normal’, diz o apresentador. ‘A novidade é o Estado americano me achar relevante’, afirma”. Além de influenciador de mídias sociais, o rapaz é modesto! No seu tempo de chefão do CQC, na Band, ele também era bastante comedido nas suas críticas ao chamado “lulopetismo”, que tanto desagrada o império ianque nas suas relações internacionais.

A “Pax Americana” desmascarada

Por Alejandro Acosta | Via Diário Liberdade

O ex-agente Bradley Manning, que revelou documentos secretos da política externa dos EUA. Foi condenado a 35 anos de prisão. Foto: Domínio Público

 

Há cinco anos, o governo norte-americano foi surpreendido pela publicação na Internet, no site Wikileaks, de 91 mil documentos secretos do Exército sobre a invasão do Afeganistão, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009. As atrocidades e o número de mortos ficaram claros e classificados.

Em 2007, o mesmo site tinha publicado um vídeo que mostrava um helicóptero do Exército massacrando 12 pessoas, civis iraquianos e dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

Posteriormente, o ex-agente da CIA, Bradley Manning, revelaria dezenas de milhares de documentos secretos do Departamento de Estado que despiram a macabra política exterior dos Estados Unidos.

Manning acabou sendo preso e condenado a 35 anos de prisão. No julgamento, ele declarou: “Pensei que o vídeo pudesse levar a sociedade norte-americana a reconsiderar a necessidade de envolver-se em operações de antiterrorismo, sem nada saber sobre a situação humana das pessoas contra as quais disparamos todos os dias.” “Fiquei muito perturbado, quando não vi qualquer reação diante de crianças feridas, nem por parte dos soldados que as assassinaram , nem pela chefia militar; parece que não dão valor algum à vida humana e referem-se [aos mortos] como filhos da puta mortos.”

As ações de Bradley Manning fazem lembrar o que fez Daniel Ellsberg, que divulgou os “Papéis do Pentágono”, no qual se expunham as mentiras do governo Richard Nixon, nos anos de 1970, e que apressaram o fim da Guerra do Vietnã. O escândalo de Watergate, que expôs a espionagem do Partido Democrata pelo Partido Republicano, foi provocado pelas revelações do então número dois do FBI, Mark Felt.

Os vazamentos têm crescido e aumentado de criticidade conforme o imperialismo tem ido se enfraquecendo e a crise capitalista se aprofundando. As recentes revelações de Edward Snowden foram ainda mais escandalosas que as revelações de Manning sobre o caráter fascista do estado norte-americano. Ao mesmo tempo que aumentam as barbaridades cometidas pelos imperialistas com o objetivo de conter a revolução a qualquer custo, crescem os desafetos, mesmo apesar dos relativamente altos salários pagos pelo governo e as várias agências de inteligência.

Movimentos populares latino-americanos lembram dez anos da derrota da Alca

Por Bruno Pavan | Via Brasil de Fato

Em ato inaugural da Jornada Continental de Luta Anti-imperialista, organizações lembraram que imperialismo se mantém ativo na região.

Aconteceu nesta quarta-feira (7) o ato de lançamento da Jornada Continental de Luta Anti-imperialista. A jornada marcará os 10 anos da Cúpula dos Povos, na cidade da Mar Del Plata, que colocou fim à proposta da Área de Livre Comércio Entre as Américas (Alca).

Os diversos movimentos lembraram do plebiscito popular realizado no Brasil e que coletou mais 10 milhões de votos contrários ao bloco e a base militar de Alcântara, no Maranhão, em 2002.

Presente no encontro, a cônsul-geral da Cuba em São Paulo, Nelida Hernandez, alertou que os Estados Unidos continua sempre alerta a situação geopolítica da América latina e lembrou da luta do povo cubano contra o embargo.

“O império se mantém sempre alerta e procura outras formas de se manter com a bota sob nossas cabeças, temos que manter essa luta unida. Nós não temos nada contra o povo norte-americano, mas temos contra os sucessivos governos que afogavam todos os nossos planos, mas nós sempre ficamos com o nariz para fora e sobrevivendo”, explica.

Bandeira dos EUA é queimada durante o protesto contra a Alca em maio de 1997.

O dirigente da CUT Julio Turra lembrou que, uma década depois do enterro da ALCA, os acordos bilaterais estadunidenses se multiplicaram pelo continente a alertou para a criação do Tratado do TransPacífico, que reunirá Estados Unidos e Japão e já conta com a adesão de Chile, Colômbia e México. “Podemos enterrar uma ALCA que o imperialismo virá com outra coisa”.

O cenário da política latino-americana à época a criação da Alca foi lembrado pelo coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile. Ondas neoliberais e de recuos nas lutas populares abriram espaço para uma maior presença estadunidense no continente.

“A Alca era um instrumento jurídico que permitiria às empresas estadunidenses o controle do que quisessem no restante do continente. Estava previsto, inclusive, a adoção do dólar em todos os países do continente”, lembrou.

Dez anos depois ele analisa que a ascenção de governos populares em todo o continente freou a sanha imperialista, e que hoje há vitórias significativas como a criação da Comunidade dos Estados Latino Americanos e do Caribe (Celac) e da Unasul.

Durante todo o mês de novembro, diversas atividades ocorrerão por todo o Brasil para analisar os desafios atuais da luta anti-imperialista no continente. No dia 5, atos de rua estão marcados para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Histórico

O projeto do então presidente norte-americano Bill Clinton de uma área de livre comércio, em 1994, sofreu duras críticas de movimentos populares e anti-imperialistas em vários países americanos. Nos anos 2000, a “Campanha Continental Contra a Alca” contou com a adesão de milhares de pessoas e realizou um plebiscito, em 2002, que obteve 10 milhões de votos contra a iniciativa. Em 2005, a Alca foi arquivada pela Cúpula da Organização dos Estados Americanos (OEA).

República de bandidos e ditadura “benigna”

Por J. Carlos de Assis

A quadrilha de dirigentes da Petrobrás, nomeada pelo Governo, que assaltou a empresa mediante a recepção de propinas de mais de cem milhões de reais em favor de si mesma e de esquemas partidários, reais ou supostos, mostra a podridão do sistema de nomeação de administradores de empresas públicas no Brasil pelo Executivo. Os altos cargos são negociados em troca de apoio parlamentar, e os contemplados com esses cargos se acham donos de uma sesmaria contemporânea de onde retiram imensos recursos para si e para os partidos que representam. Isso se tornou normalidade no Brasil. Veja a última reforma.

Entretanto, não é apenas no Executivo que temos uma república de bandidos. Pela primeira vez na história da República presidentes das duas casas do Congresso, e notadamente da Câmara, se eximem de prestar contas à Nação a despeito de indícios veementes, confirmados por registros bancários autenticados, sobre contas pessoais secretas e movimentações financeiras suspeitas no exterior. Com a cara de um palhaço de circo, o capo da Câmara afirma a jornalistas que não há a mais remota possibilidade de ele sair do cargo. E não há reação a isso por parte dos demais parlamentares.

E temos o Judiciário. Um ministro que foi acusado por colega de se valer da segurança de capangas decide, por conta própria e por razões partidárias que ferem a imparcialidade que se exige de magistrados, tentar arrastar o resto do Supremo numa aventura irresponsável de impeachment, a despeito do valor praticamente nulo, do ponto de vista jurídico, de suas alegações. Em tempos normais, isso seria ignorado pelo resto do Supremo e sobretudo pela sociedade. Entretanto, não estamos em tempos normais. A combinação de um Supremo pusilânime com um presidente da Câmara bandido é simplesmente explosiva.

O que nos resta, a nós cidadãos que pagamos os impostos que financiam todos esses bandidos, diante de uma situação em que os poderes da República se anulam por ataques recíprocos? Haverá acaso, em nossa Constituição, um meio que nos livre dos bandidos e nos aponte uma rota de saída da crise econômica, social e política? Ou seremos reféns permanentes do banditismo institucionalizado, incapazes de formular uma saída que nos proteja a nós e a nossos filhos, a nossos parentes, nossos amigos, a sociedade inteira dos excessos do banditismo institucionalizado?

Temos que buscar essa rota. Desesperadamente. Na minha concepção, quando todos os poderes institucionais de uma República derretem no plano político e moral, o poder acaba caindo nas mãos da plebe num processo pré-revolucionário. Isso terá uma entre duas resultantes: ou o setor produtivo, ancorando-se nos interesses objetivos de classe de trabalhadores e empresários, entra na rota de um pacto social para estabelecer um programa comum de regeneração da República, ou se vai para uma convulsão social generalizada, cujo desfecho provável seria uma ditadura militar, a instância organizada que resta.

Entretanto, às voltas com seus próprios traumas, as Forças Armadas dificilmente iriam intervir no início, exceto na emergência de uma guerra civil. Num contexto geral de desordem social e política não faltarão os que, inclusive de boa fé, apelariam para sua intervenção. Sabemos, porém, que não há ditadura militar “benigna”. Ela sempre acaba em perseguições, fim das liberdades, tortura e morte de inocentes. Portanto, gostaria de encarar seriamente a possibilidade de uma intervenção militar “benigna”, no limite da crise econômica, social e política, e dentro da institucionalidade.

O artigo 142 da Constituição, que define o papel das Forças Armadas na República, afirma que elas “destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Ora, dos poderes da República, o único que sabidamente não está corrompido é o da Presidenta individualmente. A própria oposição reconhece que ela nada tem a ver com corrupção. Entretanto, para que ela convoque as Forças Armadas para por ordem na casa seria necessário que, antes, fizesse uma devassa no próprio Executivo, notadamente Petrobrás, a fim de eliminar a corrupção que ainda reina ali.

Feita essa devassa, no próprio ato em que convocasse os militares para uma intervenção saneadora, cuja justificativa constitucional seria a manutenção “da lei e da ordem” ela estabeleceria os limites dos poderes a eles conferidos, e as condições da volta à normalidade. Para isso, convocaria uma Constituinte exclusiva, no prazo máximo de três meses, tendo em vista a ruptura das instituições, com regras democráticas bem definidas, inclusive o impedimento de financiamento empresarial de campanhas eleitorais. Seguir-se-ia, um mês depois, a eleição presidencial e do novo Congresso.

Antes que digam que estou defendendo uma nova ditadura militar – a mim, que sofri pessoalmente a perseguição de uma e que tenho horror de ditadura -, devo esclarecer que, no meu modo de ver, uma ditadura virá de qualquer forma – e não será uma ditadura “benigna”, institucionalizada, como proponho – se não caminharmos celeremente para um pacto social a partir da sociedade civil. Os que tem olhos para ver, que vejam. Na verdade, meu intento não é propriamente o de mostrar o caminho de uma curta ditadura “benigna”, mas a necessidade de evitá-la, assim como ditaduras como outras quaisquer.

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José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor, entre outros livros de economia política, de “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo, SP.

Aviões russos realizam 67 voos e destroem 60 posições do Estado Islâmico na Síria

Via Sputnik Brasil

Aeronaves militares russas Su-34M, Su-25SM realizaram 67 voos a partir da base aérea de Khmeimim na Síria, tendo destruído 60 posições do Estado Islâmico durante o último dia e noite, informa o Estado-Maior da Rússia.

Aviões do grupo aéreo russo instalado na Síria realizaram 67 ataques contra o Estado Islâmico nas últimas 24 horas, disse aos jornalistas o chefe da Força Aérea russa, comandante adjunto do Estado-Maior da Rússia, general Igor Makushev.

Os ataques aéreos russos contra o Estado Islâmico se intensificaram nas últimas 24 horas, causando sérios danos aos terroristas.

“Nas últimas 24 horas, aviões de combate russos realizaram 67 missões. Aeronaves Su-34 e Su-24SM destruíram 60 alvos dos terroristas”, disse Makushev aos jornalistas em Moscou.

Os ataques aéreos russos destruíram uma base terrorista e armazém de munições que se encontravam no edifício da antiga prisão nos arredores de Aleppo, causando a morte de cerca de 200 militantes.

Bombas dirigidas de alta precisão KAB-500S destruíram o posto de comando do grupo terrorista Liwa al-Haqq.

“As interceptações de rádio confirmaram que este ataque aéreo causou a morte de dois comandantes rebeldes de alto nível do Estado Islâmico e de cerca de 200 terroristas”, disse o general.

Desde 30 de setembro último, a pedido do presidente sírio Bashar Assad, a Rússia iniciou ataques localizados contra as posições do Estado Islâmico na Síria, usando aviões Su-25, bombardeiros Su-24M, Su-34, protegidos por caças Su-30SM.

Segundo os dados mais recentes, as Forças Aeroespaciais russas realizaram, desde o início da operação, cerca de 140 missões contra as posições dos terroristas, nomeadamente postos de comando, campos de treinamento e arsenais. Além disso, os navios da Frota do Mar Cáspio lançaram 26 mísseis de cruzeiro contra os territórios controlados pelos jihadistas. A precisão de ataque é de cerca de 5 metros.

Os alvos dos ataques são estabelecidos com base nos dados de reconhecimento russo, sírio, iraquiano e iraniano. O embaixador sírio na Rússia, Riad Haddad, confirmou que as missões aéreas são realizadas contra organizações terroristas armadas, e não contra grupos da oposição política ou civis. Além disso, segundo ele, em resultado da operação da Força Aérea russa, já foi destruída cerca de 40% da infraestrutura do Estado Islâmico.