Termômetro da conjuntura política #8

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Por Rennan Martins | Vila Velha, 26/10/2015

Polarização continental. Na Argentina tivemos ontem o primeiro turno da eleição presidencial, quando ficou definida a disputa do segundo turno entre o candidato governista Daniel Scioli, governador da província de Buenos Aires, e o oposicionista e prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri. É a primeira vez na história do país que uma disputa presidencial vai para o segundo turno. O mais interessante, no entanto, é o fato da corrida eleitoral refletir a mesma polarização assistida no Brasil no final do ano passado. De um lado temos o centrista Scioli com uma agenda de desenvolvimento e a defesa de certa intervenção estatal na economia, e de outro o direitista Macri, defensor do retorno ao neoliberalismo puro da era Menem, o qual, diga-se de passagem, arrebentou com o país. São os movimentos pendulares da América Latina, bem notados pelo professor Fiori.

Vendine. O presidente da Petrobras permanece obstinado na missão de dilapidar o patrimônio da estatal. Na semana passada o Conselho de Administração aprovou a venda de 49% da subsidiária Gaspetro ao grupo Mistui por R$ 1,9 bilhão. Ficou decidido ainda a extensão do prazo de recebimento de ofertas por parte da BR Distribuidora. As duas empresas são de rentabilidade alta e prioridade estratégica tanto econômica quando geopoliticamente, mas Bendine administra a Petrobras como se fosse um banco.

Deboche. O decadente Eduardo Cunha zomba, debocha do contribuinte que banca suas mordomias. Ao mesmo tempo que negava possuir contas no exterior pleiteou na justiça suíça pelo não envio de seu processo para o Brasil. Não satisfeito e ainda negando possuir valores não declarados, tentou fazer com que seu processo corresse em sigilo, o que lhe foi negado pelo ministro Teori Zavascki. Cunha é forte candidato a desbancar o Maluf em termos de cara-de-pau.

Anacronismo. Em ótima entrevista publicada neste fim de semana, o economista Paulo Nogueira Batista, que integrou o FMI e agora é vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do BRICS, disse que as instituições criadas pelos EUA para a promoção do desenvolvimento global (Banco Mundial e FMI) já não mais correspondem a realidade contemporânea, insistindo numa ordem de poder unipolar proveniente de Washington. Nogueira Batista destacou que no Banco do BRICS o desafio é criar algo do zero que atenda as expectativas de investimento e desenvolvimento ainda tão necessários em várias partes do mundo.

Comunismo ou macarthismo? Causa espécie ler inúmeros comentários que taxam a violência contra a mulher, tema da redação do ENEM 2015, como uma escolha ideológica proveniente de um Ministério da Educação comunista. Ora, os números evidenciam a verdadeira tragédia e guerra não declarada contra a mulher no Brasil, o que demanda medidas urgentes. Fazer os candidatos pensarem nesta importante questão é, na verdade, promover a cidadania e inclusão da sociedade civil nos grandes temas das políticas públicas.

Ressalva. Se por um lado o ENEM teve a louvável iniciativa de escolher este tão importante tópico para a redação, por outro observa-se que a prova tem desviado de sua proposta inicial de cobrar conteúdo contextualizado, que exige inteligência e não enciclopedismo. Várias questões de química e matemática cobravam somente decoreba de fórmulas e métodos. Seria a volta do vestibular? Esperamos que não.

Terrorismo? Esta semana o senado tentará votar o PL que tipifica o terrorismo, objeto de polêmica durante as sessões. Seu relator sustenta que se deve suprimir do texto a parte que veda o enquadramento de manifestações políticas de movimentos sociais, enquanto senadores petistas falam do perigo que é aprovar uma redação que abra espaço para enquadrar militantes como terroristas. O Blog dos Desenvolvimentistas considera temerária o projeto de lei em si, visto que é genérico e que já há tipificação para crimes de depredação e vandalismo. Nenhum dos países que aumentou a repressão conseguiu combater o terrorismo de fato, mas somente violar direitos civis em massa.

O príncipe. A imunidade do ex-presidente FHC deixa os mais atentos de queixo caído. Em suas memórias o tucano admitiu que quando presidente sabia de possíveis esquemas na Petrobras, mas que achou mais conveniente se calar, ou seja, prevaricar, para ver seu objetivo de quebrar o monopólio estatal do petróleo ser cumprido. Um pequeno exercício intelectual diante desta situação escancara a benevolência da imprensa com o sociólogo. Imaginem se fosse o outro ex-presidente, Lula?

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