Via Agência Efe
Agência Fitch rebaixou a nota de crédito soberana do Brasil de “BBB” para “BBB-”. EPA/Justin Lane
A agência de classificação de risco Fitch rebaixou nesta quinta-feira a nota de crédito soberana do Brasil, mas manteve o grau de investimento no país embora com perspectiva “negativa”, abrindo a possibilidade para novos rebaixamentos no futuro.
A nota passou de “BBB” para “BBB-”, último patamar dentro do nível de grau de investimento. E um novo rebaixamento levará o país a uma qualificação de crédito de investimento “especulativo”.
No último dia 9 de setembro, outra agência internacional de risco, a Standard & Poor’s, rebaixou a nota de crédito do país para o chamado “bônus lixo”.
“O ambiente político está piorando o progresso da agenda legislativa do governo e criando um ciclo negativo para a economia”, indicou o relatório da Fitch, que justificou a “perspectiva negativa ao mau desempenho econômico e tributário que deve persistir”.
A agência apontou que a “incerteza política pode continuar pesando sobre a confiança, postergando uma recuperação do investimento e do crescimento, além de aumentar os riscos para a consolidação a médio prazo necessária para a estabilização da dívida”.
No entanto, a Fitch indicou que o país conseguiu, segundo seus critérios de avaliação, manter o grau de investimento devido à solidez das instituições civis, a uma mudança flutuante e às reservas internacionais da ordem de US$ 360 milhões.
Além disso, a agência reconheceu que o governo “mostrou alguma capacidade de corrigir o curso das condições econômicas difíceis”, embora previu que o déficit fiscal das contas públicas no final de 2015 será de 9% do Produto Interno Bruto (PIB).
“O impacto da recessão maior do previsto sobre as receitas do governo, a dificuldade na implantação de medidas e um cenário de fundo político complicado esgotarão a estratégia de consolidação fiscal do governo”, avaliou o relatório.
As projeções de contração econômica da agência são de 3% para 2015 e de 1% para 2016. Já a inflação, segundo a Fitch, deve ficar em torno de 10% neste ano, acima do dobro da meta oficial de 4,5% e superando o teto máximo de 6,5% estabelecido pelo governo.
