Arquivo mensais:setembro 2015

Universal deve pagar R$ 300 mil por induzir fiel a largar tratamento de Aids

Via Conjur

A Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) foi condenada a pagar R$ 300 mil de indenização por danos morais a um homem com Aids. A 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul avaliou como fundamental a influência da igreja na opção do então fiel de abandonar o tratamento médico em nome da cura pela fé. Não é difícil encontrar vídeos da igreja mostrando pessoas que supostamente foram curadas (veja ao final da notícia).

Conforme os autos do processo, o homem ainda teria sido levado a fazer sexo sem preservativo com sua mulher, como prova de fé, acabando por transmitir-lhe o vírus, além de ceder bens materiais para a igreja.

“O Direito contemporâneo admite a responsabilização de alguém por abusar da confiança alheia, dando-lhe conselhos ou recomendações, sabendo ou devendo saber que, no seu estado de fragilidade, essa pessoa tenderá a seguir tal orientação”, diz a ementa da decisão.

A Igreja Universal já havia sido condenada em primeira instância pela juíza Rosane Wanner da Silva Bordasch, que fixou a reparação em R$ 35 mil. No entanto, considerando o estado crítico de saúde do homem, que chegou a ficar internado 77 dias, sendo 40 em coma induzido, após largar o tratamento, o colegiado do TJ-RS aumentou o valor em mais de 700%.

O caso chegou ao Tribunal de Justiça após ambas as partes recorrerem da sentença — o homem pedindo o aumento da indenização, e a Universal buscando a nulidade da sentença, sugerindo que houve ausência de imparcialidade por convicções religiosas por parte da juíza.

Ao rejeitar o pedido de nulidade, o relator, desembargador Eugênio Facchini Neto, alegou que não há nada nos autos que indique eventual crença da juíza. Para ele, o que houve foi o inconformismo da Universal com a decisão. “Se a apreciação da juíza sobre os fatos foi a mais adequada, ou a mais correta, é questão de mérito e não de nulidade processual.”

Ao analisar o mérito, o relator explicou que, apesar de inexistir prova explícita acerca da orientação recebida pelo homem para abandonar sua medicação e confiar apenas na intervenção divina, o conjunto de provas foi suficiente para convencê-lo.

As provas citadas incluíam: declaração em redes sociais sobre falsas curas da Aids, documento da própria Universal recomendando sacrifício “perfeito” e não “em parte” para os que creem em Deus, gravação de reportagem de jornal de âmbito nacional com investigação sobre coação moral praticada durante os cultos e testemunho de ex-bispo que admite ter doado “tudo o que tinha” para obter a cura da filha.

Em seu voto, o relator afirmou que, no caso, a responsabilidade da Universal ”reside no fato de ter se aproveitado da extrema fragilidade e vulnerabilidade em que se encontrava o autor, para não só obter dele vantagens materiais, mas também abusar da confiança que ele, em tal estado, depositava nos ‘mensageiros’ da ré”.

Além do mais, continuou o desembargador Facchini, a “pessoa ou instituição que tem conhecimento de sua influência na vida de pessoas que a tem em alta consideração deve sopesar com extrema cautela as orientações que passa àqueles que provavelmente as seguirão”.

Grande negócio

Ao seguir a decisão do relator, o desembargador Carlos Eduardo Richinitti acrescentou severas críticas àqueles que, “em nome de Deus, ameaçando com a ira satânica”, constroem um lucrativo negócio financiado, muitas vezes, pelo medo.

“Não se trata de discutir a pertinência ou não da religião, ou questionar a crença de cada um”, salientou. “Sem meias palavras, a religião virou, no Brasil, um grande negócio, planejado e que se espraia por vários segmentos da nação. Não foi para materializar essas distorções que a Constituição assegurou a liberdade religiosa”asseverou o desembargador Richinitti.

Em seu voto, ele diz que está na hora de impor uma restrição na liberdade religiosa e que esta deve, se não for feita pelos legisladores, ser feita pelo Judiciário. “Nutro esperança que o Judiciário, seja através da atuação em processos individuais ou, quem sabe futuramente, em uma abordagem se não regulamentadora, ao menos limitadora, por parte da Suprema Corte, estabeleça essa necessária restrição. Como referi anteriormente, o caso dos autos é emblemático e por si só mostra a necessidade de uma intervenção que evite a exploração dos mais vulneráveis”, diz.

Recurso a caminho

A Igreja Universal afirma que recorrerá da decisão, uma vez que o próprio relator do caso no tribunal “reconhece que não há prova da suposta orientação recebida pelo autor, no sentido de abandonar sua medicação”. Em nota enviada à ConJur, a instituição diz que “é mentira que a Universal tenha praticado tal ato”.

O comunicado da Iurd diz que, em relação à alegação de que a igreja teria estimulado o autor da ação a não usar camisinha nas relações sexuais com a própria mulher, “vale lembrar que, dentre as instituições religiosas, a Universal é pioneira na distribuição de camisinhas na África, exatamente como método de combate à propagação da AIDS naquele continente”.

Ainda no documento, a igreja diz que laudos e depoimentos presentes no processo atestam que, quando entrou para a Iurd, o autor do processo não se submetia aos tratamentos terapêuticos na forma indicada pelos médicos. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RS.

Parlamentares pedem afastamento de Cunha ao procurador-geral da República

Por Simone Iglesias | Via O Globo

Parlamentares pedem à PGR afastamento de Cunha da presidência da Câmara – André Coelho / Agência O Globo

Ação entregue nesta quinta-feira está condicionada ao recebimento da denúncia da Lava-Jato contra o peemedebista no STF.

Um grupo de senadores e deputados de quatro partidos entregou nesta quinta-feira ao procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, um pedido de afastamento cautelar de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara. Uma semana depois da formalização da denúncia contra o deputado, 35 parlamentares de nove partidos fizeram um manifesto pedindo a saída de Cunha do cargo.

A ação, assinada pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Lasier Martins (PDT-RS), e pelos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Jean Wyllis (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Edmílson Rodrigues (PSOL-PA), Alessandro Molon (PT-RJ) e Glauber Braga (PSB-RJ), está condicionada ao recebimento da denúncia contra Cunha pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Se o STF tornar o presidente da Câmara réu pelos crimes de corrupção no âmbito da Operação Lava-Jato, Janot opinará sobre o afastamento ou não de Cunha a partir da ação dos parlamentares. Se o procurador concordar com o pedido, ainda caberá ao Supremo a palavra final. Definindo pelo afastamento, segundo o senador Randolfe, ele deverá ocorrer imediatamente, sem a necessidade de passar pela aprovação do plenário da Câmara.

A ação tem como base os artigos 86 da Constituição Federal e o 319 do Código de Processo Penal. Primeiro, argumenta que Cunha usou de forma abusiva sua prerrogativa de presidente de uma instituição para “obstaculizar” as investigações e acionou a Advocacia-Geral da União para uma defesa pessoal e não como representante de um poder.

“Não sendo a Câmara ré ou interessada no processo contra Eduardo Cunha, o uso de seus quadros se deu em prejuízo ao interesse público e tão somente em favor de seu desejo pessoal”, diz um trecho da ação, que aponta que isto configura improbidade e crime de concussão, por obter vantagem indevida em razão do cargo ocupado.

Em seguida, os parlamentares pedem o afastamento por 180 dias e que o eventual julgamento do processo contra Cunha ocorra dentro deste prazo, como estabelece o artigo 86 da Constituição. Este dispositivo trata de situações aplicáveis a presidentes da República, estabelecendo que se for réu em uma ação penal, deverá se afastar para ser julgado. Na opinião do grupo de parlamentares, a norma pode e deve ser aplicada ao terceiro na linha sucessória, caso do presidente da Câmara.

Nestes 180 dias, explicou o deputado Alessandro Molon, deverá ser realizada uma nova eleição para a presidência da Câmara, já que, em caso de afastamento, o vice não poderia assumir interinamente.

Ao chegar na Câmara, Cunha desdenhou do pedido dos colegas:

— Esquece. Eu não estou preocupado com isso — disse o peemedebista.

Fiori: Sincronia e transformação

Por José Luís Fiori | Via Valor

José Serra: ”Partamos nesse instante para uma ofensiva e não fiquemos na defensiva porque a defensiva será a vitória de fato dessas forças reacionárias que hoje investem contra o povo brasileiro”.  Pronunciamento ao vivo na Rádio Nacional do R.J., feito na madrugada do dia 1º de abril de 1964,
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Apesar de sua aparente instabilidade, a história política da América do Sul apresenta uma surpreendente regularidade, ou “sincronia pendular”. Alguns atribuem ao acaso, outros, à conspiração política, e a grande maioria, aos ciclos e às crises econômicas. Mas na prática, tudo sempre começa em algum ponto do continente e depois se alastra com a velocidade de um rastilho de pólvora, provocando rupturas e mudanças similares nos seus principais países. Esta convergência já começou na hora da independência e das guerras de unificação dos estados sul-americanos, mas assumiu uma forma cada vez mais nítida e “pendular”, durante o século XX. Foi assim que na década de 30, se repetiram e multiplicaram por todo o continente, as crises e as rupturas de viés autoritário; da mesma forma que na década de 40, quase todo o continente optou simultaneamente pelo sistema democrático que durou até os anos 60 e 70, quando uma sequencia de crises e golpes militares instalou os regimes ditatoriais que duraram até os anos 80, quando a América do Sul voltou a se redemocratizar. Mas agora de novo, na segunda década do século, multiplicam-se os sintomas de uma nova ruptura ou inflexão antidemocrática – a exemplo do Paraguai – com o afastamento parlamentar e/ou judicial do presidente eleito democraticamente. Neste momento, até o mais desatento observador já percebeu esta repetição, em vários países do continente, dos mesmos atores, da mesma retórica e das mesmas táticas e procedimentos. Sendo que no caso brasileiro, estes mesmos sinais se somam a um processo de decomposição acelerada do sistema politico, com a desintegração dos seus partidos e seus ideários, que vão sendo substituídos por verdadeiros “bandos” raivosos e vingativos, liderados por personagens quase todos extremamente medíocres, ignorantes e corruptos que se mantêm unidos pelo único objetivo comum de destroçar ou derrubar um governo frágil e acovardado.

Mas a história não precisa se repetir. Mais do que isto, é possível e necessário resistir e lutar para reverter esta situação, começando por entender que esta crise imediata existe de fato, mas ao mesmo tempo ela está escondendo um impasse estratégico de maior proporção e gravidade, que o país está enfrentando, e que não aparece na retórica da oposição, nem tampouco na do governo. Neste exato momento, o mundo está atravessando uma transformação geopolítica e geoeconômica gigantesca, e seus desdobramentos determinarão os caminhos e as oportunidades do século XXI.  E ao mesmo tempo a sociedade brasileira está sentindo e vivendo o esgotamento completo dos seus dois grandes projetos tradicionais: o liberal e o desenvolvimentista. Por isto mesmo, soam tão velhas, vazias e inócuas as declarações propositivas do governo,  tanto quanto as da oposição mais ilustrada.  O mundo bipolar da Guerra Fria acabou há muito tempo, mas também já acabou o projeto multipolar que se desenhara como possibilidade, no início do século XXI.  Esta mudança já vem ocorrendo há algum tempo, mas ficou plenamente caracterizada na reunião realizada na cidade de UFA, na Rússia, no mês de julho de 2015, do grupo BRICS, e logo em seguida, da Organização de Cooperação de Shangai (que já conta com a adesão – como observadores –  da Índia, do Irã, e  Mongólia) configurando uma nova bipolaridade global entre regiões e civilizações, e não entre países de uma mesma cultura europeia e ocidental. É neste contexto que se deve situar e entender a crescente colaboração militar entre a Rússia e a China,  a nova “guerra fria” da Ucrânia, a reaproximação dos EUA com Cuba e Irã e vários outros movimentos em pleno curso neste momento, ao redor do mundo. Da mesma forma que se deve entender a extensão do impacto mundial da crise da Bolsa de Shangai,  e sua sinalização de que está em curso uma mudança da estratégia nacional e internacional da China, envolvendo também sua decisão de entrar na disputa – de longo prazo – pela supremacia monetário-financeira global. A mesma pretensão e disputa que já derrubou vários outros candidatos, nestes últimos três séculos.  Mas seja qual for o resultado desta disputa, a verdade é que o mundo está transitando para um patamar inteiramente novo e desconhecido, e o Brasil precisa se repensar no caminho deste futuro. Neste contexto, atribuir apenas ao Fisco, a causa ou a solução do impasse brasileiro, é quase ridículo, e tão absurdo quanto restringir a discussão sobre o futuro do Brasil a um debate macroeconômico, ou sobre uma agenda remendada às pressas contento velhas reivindicações libero-empresariais, dispersas e desconectadas. O Brasil está vivendo um momento e uma oportunidade única de se “reinventar”, redefinindo e repactuando seus grandes objetivos e a própria estratégia de construção do seu futuro e de sua inserção internacional,  com os olhos postos no século XXI.  Mesmo assim, nesta hora de extrema violência e irracionalidade, se o Brasil conseguir vencer e superar  democraticamente a crise imediata,  já terá dado um grande passo à frente, rumo a um futuro que seja pelo menos democrático.  Mas atenção, porque este passo não será dado se o governo e suas forças de sustentação não passarem à ofensiva, começando pela explicitação dos seus novos objetivos, e de sua nova estratégia, uma vez que seu programa de campanha caducou. Hoje, como no passado, a simples defensiva “será a vitória de fato das forças reacionárias que hoje investem contra o povo brasileiro”.

Real e rublo foram alvo de manipulações ilegais

Via Sputnik Brasil

Os promotores dos Estados Unidos encarregados da apuração das denúncias de manipulação de câmbio com diversas moedas nacionais (inclusive o real) anunciaram que as investigações vão se aprofundar e que outra moeda, o rublo, também tem sido alvo dos manipuladores interessados em obter vultosos ganhos financeiros.

A divulgação das manipulações com a moeda brasileira levaram o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a anunciar que 15 bancos sediados em outros países e 30 pessoas físicas estão sob investigação por suposto cartel de manipulação de taxas de câmbio envolvendo o real e outras moedas. Os mesmos processos investigatórios foram instaurados em países como Estados Unidos, Reino Unido e Suíça.

No Brasil, respondem a processo administrativo perante o CADE as seguintes instituições financeiras: Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan, Bank of America, Merrill Lynch, Morgan Stanley, UBS, Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland e Standard Chartered.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec-Rio e da Fundação Dom Cabral, explica o que são estas manipulações com as taxas de câmbio e quem se beneficia dessas práticas, e afirma que essas iniciativas não têm caráter político, mas sim uma grande aposta no mercado de câmbio para ganhos financeiros estratosféricos.

Sputnik: A quem interessa manipular o câmbio?

Gilberto Braga: A manipulação é uma consequência da especulação financeira. Especular faz parte do mercado financeiro no sentido de ter expectativas e fazer apostas. No caso da manipulação, ela vai além de se apostar que algo vai acontecer. Não é mais uma aposta no sentido de crer que vai acontecer, e sim tentar fazer acontecer. A diferença entre a especulação típica do mercado financeiro e a manipulação é que nesta existe uma ação fora das normas, e portanto ilegal, para atingir determinados resultados e assim fazer com que supostas apostas, que seriam legítimas mas na verdade não eram, pudessem sair vencedoras e portanto lucrativas deste processo.

S: E o fato de ter havido a constatação, pelos procuradores norte-americanos, de que a moeda russa, o rublo, também está sendo manipulada. A quem interessa manipular, desvalorizar o rublo?

GB: Eu não vejo, na manipulação de mercado, nenhum tipo de alvo de natureza política ou de comércio exterior propriamente dito. A manipulação é sempre o alvo daquilo que os especuladores financeiros identificam como algo manipulável. Os mercados formadores dos BRICS são as moedas que têm o maior potencial de manipulação, porque, de uma forma muito fácil, são as economias que estão sempre na gangorra. São aquelas que em momentos específicos crescem muito e oscilam em função de conjunturas, em função de sofrerem embargos, como no caso da economia russa, de poderem se envolver em questões de natureza diplomática.

Sobre pesos, medidas, delações e escândalos

Por Trajano Ribeiro

Como disse o Dr. Janot, pau que dá em Chico dá em Francisco. Se o Sr Youssef serve para incriminar os maiores empresários da construção no Brasil, mais alguns políticos ligados ao PT (aliás foi com ele que começou a lavagem a jato que está em curso) também tem que servir para incriminar tucanos.

Você viu e ouviu mal, perdão! Ele não disse que ouviu alguém que ouviu alguém que ouviu alguém… a pergunta foi direta: o senhor afirma que o Sr. Aécio Neves recebeu um milhão do esquema de Furnas? Afirmo!  A pergunta foi repetida e a resposta afirmativa também.

Quanto ao caso Collor, Brizola assumiu uma atitude de homem e não de rato. Quem derrubou Collor não foi o povo nas ruas. Quem derrubou Collor foi o Dr. Roberto Marinho que aliás em entrevista ao New York Times disse “eu o coloquei lá e eu o tirei”. E foi isto mesmo.

Você sabe muito bem que Globo armou para colocar o Lula no 2º turno das eleições, para que Collor não tivesse que enfrentar Brizola na televisão. Você sabe muito bem que Lula ganhou as eleições nos grotões de Minas, onde uma “pane” interrompeu as apurações por horas e horas. Voce sabe que uma caminhonetezinha Elba não derruba nem prefeito do interior, muito menos um presidente da República.

Roberto Marinho chamou Collor em Angra dos Reis e pediu a ele que interrompesse a construção das escolas federais de tempo integral, alegando que eram muito caras para o Brasil, que o País não suportaria um investimento desta monta. Diante da negativa de Collor de suspender o programa dos CIACS Dr. Roberto sentenciou: “é pena Presidente que o Senhor não possa interromper esse programa, realmente é uma pena”… Collor voltou para o helicóptero que o levara e disse para o ajudante de ordens (um Coronel da Aeronáutica que me contou o episódio): “- Ele vai me derrubar”.

Quem foi para a rua foram os “caras pintadas”. Eu, a propósito disse ao hoje Senador Linbergh Faria: Lindbergh, fazer passeata com proteção da polícia e cobertura da Globo é mole. Brabo é fazer passeata com a imprensa te chamando de baderneiro e a polícia baixando o cacete, como as que eu participei, nos anos 60/70.

Brizola agiu como um homem porque viu que as forças que passaram a atacar o governo Collor eram as mesmas que atacaram Getúlio, Jango e a ele próprio (lembrem-se da proconsult e da participação da midiona). Não se esqueça meu caro (você seguiu o conselho do FHC e esqueceu não apenas o que ele escreveu,mas também tudo que você defendeu, até os anos 80): os argumentos são sempre os mesmos: O golpe de 64 foi desferido em nome da moralidade, contra a subversão e contra a corrupção. A tentativa de golpe em Getúlio tinha como argumento o famoso “mar de lama”. Jango tinha trazido uma proposta de construção de uma usina hidrelétrica com a mesma capacidade ou maior que Itaipu, só que dez vezes mais barata, e mais, com a preservação de 7 Quedas e sem a ingerência paraguaia e ainda sem afrontar a Argentina. Depois foi o que se viu.

Eu não disse que o caso Lubrax foi a maior traição aos interesses nacionais. A maior traição foram os fatos narrados no livro a Privataria Tucana que você convenientemente finge que não leu. Ou se não leu, finge que não existe e não quer ler. E a pasta rosa? E o escândalo do Banestado que revelou para o mundo o grande Youssef? Foi lá que o Dr. Moro o conheceu, dizem. Só um ingênuo ou mal intencionado pode ignorar que houve uma roubalheira gigante na Petrobras e que os ladrões devem ser julgados e punidos, rigorosamente dentro da lei, mas só os ingênuos ou mal intencionados acreditam que essa roubalheira começou nos governos petistas. Isto vem de longe.

O ódio contra os governos populares, dos quais meu partido faz parte, não decorre desses fatos lamentáveis, cuja apuração tem sido feita sem qualquer cerceamento por parte do governo Dilma, o ódio decorre das posturas populares de distribuição de renda, das posições nacionalistas, de defesa da autodeterminação dos povos, da postura pró sulamericana de concertação dos interesses dos países tradicionalmente explorados ao extremo pelas multinacionais, de eliminação da miséria, de inserção no mercado de consumo de mais de 40.000.000 de pessoas antes marginalizadas do processo econômico, da defesa do pré-sal como patrimônio do povo brasileiro diante da evidente cobiça de certa vizinhança que até providenciou uma frota especial para patrulhar o Atlântico sul, como quem diz “cuidado, estamos de olho…” é só muito ingênuos ou mal-intencionados…

Não sou de abandonar o barco na hora do perigo. Ainda mais vindo esse perigo da banda podre de onde vem. Não vou abandonar o barco enquanto os mesmos mecanismos desestabilizadores sejam usados em todos os países do cone sul e outros vizinhos, denunciando uma ação coordenada que sabemos bem quem controla. Só os ingênuos ou mal intencionados podem entrar na onda das paneleiras de unhas cuidadas e gordas contas em paraísos fiscais.

Senado aprova o fim do financiamento de campanha por empresas: 36 votos a favor e 31 contra

Por Larissa Bortoni | Via Senado Notícias

Jefferson Rudy/Agência Senado

O Senado aprovou nesta quarta-feira (2), com 36 votos favoráveis e 31 contrários, a proibição das doações de empresas às campanhas políticas. Ficou autorizado, por outro lado, o repasse de dinheiro de pessoas físicas aos partidos e candidatos. A doação, no entanto, está limitada ao total de rendimentos tributáveis do ano anterior à transferência dos recursos. Essas normas fazem parte da reforma política reunida no PLC 75/2015.

O placar apertado refletiu a polêmica durante a discussão do modelo de financiamento de campanha. O senador Jorge Viana (PT-AC) defendeu o fim das doações de empresas, prática que ele considera inconstitucional.

— Nós temos uma bela oportunidade de pôr fim a essa presença ilegal, inconstitucional e imoral, que é o envolvimento de empresários no financiamento de campanha. Empresa visa lucro e a política não pode ser uma atividade do lucro — avalia Viana

Na mesma linha está o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Lembrou que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal julgou como inconstitucional a doação de empresas. Segundo Randolfe, essa prática faz mal à democracia.

— Não há eleição em igualdade de disputa quando não se tem um equilíbrio entre as partes concorrentes. É tapar o sol com a peneira não compreender que os escândalos de corrupção ocorridos de 1988 até hoje tiveram relação direta com financiamento de campanha — disse Randolfe.

O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), lembrou que o financiamento de pessoa jurídica surgiu a partir da CPI do Orçamento, porque até então, segundo Cássio, todas as eleições eram financiadas pelo caixa dois.

— Não há problema nenhum que pessoa jurídica possa doar. Eu já recebi doações de pessoas jurídicas. Estão na minha prestação de contas e não por isso meu mandato é meio mandato, vinculado ou tolhido — afirmou Cássio.

O líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO) também defendeu as doações de empresas. Para ele, as contribuições feitas às campanhas eleitorais mantém, principalmente, as condições de a oposição enfrentar a máquina do governo.

— Quantos empresários me apoiam porque não querem ver amanhã o Brasil caminhar para o bolivarianismo? Quantos me apoiam porque não querem que o exercito brasileiro seja o exercito do Stedile — questionou Caiado.

PLC 75/2015 aprovado nesta quarta-feira, mas que ainda terá que ter a redação final votada antes de ser remetido à Câmara dos Deputados, modifica três leis. Uma delas é o Código Eleitoral (Lei 4.737/1965). O relator da Comissão da Reforma Política, Romero Jucá (PMDB-RR) garantiu que a proposta traz mais transparência, diminuição de gasto de campanha, diminuição de tempo de televisão e melhor visibilidade das prestações de conta.

O descompasso tarifário das concessões brasileiras

Por João Paulo da Silveira Ribeiro e João Pedro Accioly Teixeira | Via ANTP

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O elevado custo das tarifas dos serviços públicos concedidos tornou-se tema recorrente no Brasil. Contudo, pouco se discute sobre como tais tarifas são definidas e como a forma de definí-las pode influir na eficiência dos serviços prestados.

Um ponto nevrálgico desta discussão gravita ao redor da Taxa Interna de Retorno (TIR). No setor da infraestrutura, a TIR funciona como importante referência para a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro das concessões e, também, como instrumento para que os serviços a serem concedidos sejam potencialmente rentáveis e, por isso, atrativos a possíveis investidores.

Todavia, em diversos casos, os concessionários têm os seus índices de rentabilidade – através da TIR – atrelados às condições macroeconômicas existentes à época da licitação dos serviços concedidos, independentemente das variações ocorridas no país durante a execução dos contratos de concessão, que, não raro, estendem-se por mais de duas décadas.

Confunde-se, neste ponto, a regra da inalterabilidade da equação econômico-financeira do contrato com uma falaciosa impossibilidade de alteração da TIR – o que, paradoxalmente, acaba por desequilibrar a aludida equação.

Seria o mesmo se, atualmente, os bancos garantissem, aos investimentos feitos na década de 90, quando a Selic chegou a superar os 45%, rentabilidades atreladas às taxas de juros que eram praticadas à época.

A raiz do problema é um equívoco conceitual, consistente na indevida transmutação da TIR em garantia absoluta de rentabilidade ao investidor, pois se o contrato não gera a rentabilidade prevista inicialmente, acaba revisto, normalmente com o aumento das tarifas cobradas dos usuários.

Este imbróglio gera duas distorções imediatas. A primeira é o incentivo à ineficiência, pois através da TIR, a administração estabiliza a rentabilidade do concessionário, sem considerar a sua eficiência na prestação dos serviços. Assim, diminuem-se os incentivos para a redução dos custos, pois a despeito de quais sejam estes o Poder Público, além de cobrir-lhes, ainda garante uma margem mínima de lucro ao concessionário.

A segunda consequência é óbvia e já foi apontada pela Secretaria de Fiscalização de Desestatização e Regulação do Tribunal de Contas da União. Em contratos de longo prazo, como é o caso da generalidade dos contratos de concessão, a existência de uma TIR fixa pode onerar desproporcionalmente o usuário, gerando lucros extraordinários para o concessionário ou vice-versa.

Esta hipótese, infelizmente, se materializou no último decênio, porquanto a lucratividade dos concessionários – atrelada à TIR inicial – permaneceu intocada, gerando lucros muito maiores do que qualquer investimento com riscos comparáveis disponível no mercado. Lucros estes que, além de custeados às expensas dos usuários, foram frutos não da eficiência do concessionário, mas da mera melhora do quadro econômico brasileiro.

A análise de casos concretos evidencia a magnitude do ônus indevido suportado pelos usuários de concessões licitadas durante a década de 90. Por exemplo, nas rodovias concedidas no Rio de Janeiro, ao fim do século passado, a TIR é de 17,58% na Dutra, 17,99% na Rio-Teresópolis e 19,85% na Via Lagos. Em alguns outros contratos do mesmo período tal taxa chegou a ser fixada em 24%. Por outro lado, a TIR máxima aprovada pelo TCU referente às concessões rodoviárias realizadas em 2013 – todas com diversos investidores interessados – foi de 7,2%.

Um exemplo concreto bem ilustra o ponto. Em junho de 2015, com a celebração de novo contrato de concessão, o pedágio da Ponte Rio-Niterói passou de R$ 5,20 para R$ 3,70 – uma redução de cerca de 30%. Tal diferença pode ser atribuída, dentre outros fatores, à equivocada petrificação da TIR então vigente (16,62%), instituída em 1995, quando da última licitação, e até então jamais alterada.

Por outro lado, uma TIR estática pode também, a depender da dinâmica econômica, gerar graves prejuízos aos investidores privados. Por exemplo, as concessões licitadas até 2013, que adotaram taxas de retorno de cerca de 7%, se não corrigidas em breve, mostrar-se-ão igualmente descompassadas com a cena econômica hoje delineada, desta vez, em prejuízo dos concessionários.

Prova disto é que, devido as consideráveis oscilações econômicas em curso, o Ministério da Fazenda elevou, no mês passado, para 8,5% e 9,2% as Taxas Internas de Retorno referente às novas concessões de aeroportos e rodovias federais, respectivamente.

A distorção, portanto, em todos os casos, não está na TIR estabelecida no momento da licitação, mas na sua incólume manutenção durante todo o período de execução do contrato de concessão.

O atual modelo tem feições lotéricas, trata-se de um jogo de azar que ora pode conduzir o concessionário a lucros excessivos e desarrazoados, ora pode implicar prejuízos incalculáveis e injustos. Na perspectiva do usuário, igualmente, o modelo atual tanto pode, como ocorreu nos últimos anos, acarretar superlativos ônus indevidos, como pode levar a tarifas que, de tão baixas, inviabilizem a boa prestação de serviços.

Uma engenharia tarifária livre de distorções, calcada numa Taxa Interna de Retorno flutuante – atualizada periodicamente em consonância com as variações macroeconômicas experimentadas pelo país – certamente é um aperfeiçoamento urgente a esse modelo, que tantos benefícios já gerou aos usuários e ao Brasil. Só assim será possível conciliar as necessidades de (i) atrair investimentos privados, (ii) promover amplo acesso aos serviços públicos concedidos e (iii) avançar em termos infraestruturais, sem se dilatar, ainda mais neste cenário de grave crise econômica e arrecadatória, os já astronômicos gastos públicos.

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João Paulo da Silveira Ribeiro é advogado e membro da Comissão de Direito Administrativo da OAB/RJ.

João Pedro Accioly Teixeira é acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.