Arquivo mensais:agosto 2015

Comissão do Senado também apóia financiamento de campanha por empresas

Via Agência Senado

Marcos Oliveira/Agência Senado

A Comissão Temporária da Reforma Política aprovou nesta quarta-feira (19) o texto base do projeto vindo da Câmara e que trata do mesmo tema. Os destaques apresentados à matéria vão ser votados na próxima terça-feira (25). São dez sugestões de mudanças apresentadas pelos senadores que serão examinadas uma a uma, conforme explicou o presidente da comissão, Jorge Viana (PT-AC). Tão logo isso aconteça, a proposta seguirá ao Plenário do Senado em regime de urgência.

- Faz parte da proposta uma questão que é central na reforma política: o financiamento de campanha. Também estão no texto o fim das coligações proporcionais, e um conjunto de matérias que modificam o calendário eleitoral, custo de campanha e organização partidária – acrescentou Viana.

Ao PLC 75/2015 o relator Romero Jucá (PMDB-RR) incorporou propostas já aprovadas tanto na comissão como no Senado, além de sugestões do Tribunal Superior Eleitoral e de outros senadores.  O propósito das alterações, conforme esclareceu Jucá, foi o de agilizar a aprovação reforma no Congresso Nacional para que pelo menos parte das mudanças possa valer para as eleições municipais do ano que vem.

Romero Jucá disse que a reforma política votada na comissão é um avanço, pois dá mais transparência ao processo eleitoral, diminui os custos das campanhas, disciplina as doações e cria novas normas para as coligações em eleições proporcionais. Lembrou ainda que  no início dos trabalhos houve questionamentos sobre a possibilidade de uma revolução no sistema político.

- É impossível fazê-lo em momentos de democracia, porque, na verdade, as contribuições vem sendo agregadas e os ajustes feitos – afirmou Jucá.

Uma das polêmicas do projeto é sobre as coligações nas eleições proporcionais – deputados federais, estaduais e distritais além de vereadores. A proposta aprovada prevê que a distribuição de vagas neste tipo de eleição respeitará o quociente eleitoral por partido mesmo quando houver coligação. Os partidos que não alcançarem o quociente não poderão concorrer às sobras de vagas. A ideia é evitar que campeões de votos elejam candidatos com votação pífia. Por outro lado, cria a possibilidade da federação de partidos, que é a possibilidade de dois ou mais partidos se juntarem para atuar como se fossem uma única agremiação.

O projeto trata ainda do Fundo Partidário, que é o dinheiro público que vai para os partidos políticos. Determina que somente poderão participar do rateio desses recursos as legendas que que tiverem até 2018 diretórios permanentes em 10% dos municípios distribuídos em no mínimo 14 Estados. Até 2022 deverão ser 20% das cidades em 18 Estados.

O tempo da propaganda na televisão e rádio também pode ser mudado. Atualmente, os horários reservados para propaganda são distribuídos a todos os partidos e coligações com candidatos. Do total, dois terços são divididos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara. Do restante, um terço é distribuído igualmente e dois terços proporcionalmente ao número de representantes eleitos no pleito imediatamente anterior para a Câmara dos Deputados. O projeto prevê que 90% devem ser distribuídos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados e 10%, igualitariamente.

Financiamento de campanha

As regras para o financiamento das campanhas políticas estão no projeto aprovado na comissão. As pessoas físicas podem repassar até 10% dos rendimentos recebidos no ano anterior à eleição. Já as empresas ou pessoas jurídicas estão autorizadas a passar dinheiro apenas para os partidos até 2% da receita bruta do ano anterior à doação. Alguns senadores avaliam, porém, ser importante estabelecer um limite no valor das doações.

Uma das emendas a serem votadas na terça-feira foi apresentada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e prevê um teto de R$ 100 mil para as doações das pessoas físicas e de R$ 10 milhões para as empresas. Tasso disse que essa barreira moralizaria as campanhas.

- Existem fatos de uma empresa que elegeu 60 ou 70 deputados e tem boa parte deles sob a sua influência. Isso não pode continuar. Se nós não colocarmos um limite vamos ter situações em que empresas são intocáveis nos seus interesses em função do volume de recursos que colocou na campanha – afirmou Tasso Jereissati.

Renan Calheiros

O presidente do Senado, Renan Calheiros, acompanhou o início da reunião da Comissão da Reforma Política. Disse estar entusiasmado com os trabalhos e parabenizou os senadores pelos resultados até agora. Ainda segundo Renan, os projetos da reforma terão prioridade de votação no plenário da Casa.

Para entender como funciona o neoliberalismo – Essa força estranha

Geniberto Paiva Campos | Brasília, agosto de 2015

1.Junho de 2013 tornou-se uma data marcante, definitiva, no calendário político brasileiro.

As marchas de junho continuam a desafiar os estudiosos da nossa realidade. Se não eram os “vinte  centavos” que movia os manifestantes, do que se tratava, verdadeiramente? Vários textos, ensaios e livros foram publicados após esses estranhos eventos sem,  entretanto, lograr até hoje explicações plausíveis. Sequer aceitáveis.

Ousando um pouco, afinal são acontecimentos bem recentes, seria possível fazer as devidas ilações entre algumas manifestações aparentemente desconexas dos últimos 2 anos no Brasil, estabelecendo uma ordem cronológica e, talvez, uma sequência política entre as Marchas de Junho>>a Copa do Mundo de Futebol l>> as Eleições Gerais de 2014 >> e a atual Crise Política.

Qual a lógica que uniria esses eventos, aparentemente tão díspares em sua natureza?

É legítima a impressão, para quem observa mais atentamente esses acontecimentos, de que o Brasil tornou-se uma espécime (hamster?) na qual se aplicam experimentos de um Laboratório de Pesquisa Política, cuja sede está situada fora das suas fronteiras. E que essas experiências são patrocinadas pelo Capitalismo Neoliberal, tendo como objetivo conter – “na lei ou na marra” – a continuidade de uma proposta política, econômica e social, em curso livre no país desde 2003, liderada pelo Partido dos Trabalhadores/PT. O qual consegue manter uma improvável, porém duradoura coalizão política com partidos de diferentes estratos sociais. Promovendo mudanças perceptíveis na estratificação social do país, com mais inclusão e fortes avanços na área educacional. Conquistas sociais que desagradam profundamente o neoliberalismo.

2. Arrefecida a onda do “Mensalão”, um conúbio da Grande Imprensa com elementos do Judiciário, com o qual se imaginou destruir a força política e eleitoral do PT, pregando no partido o selo da Corrupção, criminalizando seus quadros dirigentes, alguns deles presos após serem julgados em processos criminais no mínimo discutíveis. Todo esse esforço sem grandes resultados eleitorais a comemorar. A partir desse ponto novos e mais agudos experimentos foram gerados nos laboratórios neoliberais.

Junho de 2013, segunda metade do governo da presidente Dilma Roussef, marca o início da implementação das novas estratégias de ataque originadas no Laboratório Neoliberal:

a)- em primeiro lugar, colocar “povo” nas ruas, desde o início dos tempos uma característica das organizações de esquerda. (Tradição somente quebrada nos idos de 1964¸com as “Marchas Da Família). Que a partir daquele momento não mais seria uma exclusividade das chamadas forças progressistas e da classe operária. À falta de uma bandeira/mensagem mobilizadora, organizou-se a marcha contra o aumento recém concedido de vinte  centavos nas passagens dos ônibus urbanos. Talvez um simples pretexto, não uma causa. Na ausência de outro chamamento, era o que havia disponível. E funcionou. Para espíritos crédulos, dispostos a marchar pelas ruas, qualquer tema tinha a sua relevância. Foi este, talvez, o movimento inicial em defesa das teses neoliberais.

Assumido inicialmente pelo Governo como movimento político reivindicatório, os líderes das “Marchas de Junho” foram convidados a dialogar, visando o atendimento dos itens expostos em sua pauta. Foi aí que ficou evidente: a real motivação do movimento: era alguma coisa difusa, que não ousava dizer a que vinha. Para que os eventos não arrefecessem o entusiasmo foi introduzida, então, de forma temerária, a violência gratuita e sem direcionamento, através dos chamados “black blocks”, contra prédios públicos e comerciais. Os sociólogos e teóricos de ocasião, acionados, atribuíram uma característica “anarquista” às manifestações. O que deve ter feito Bakunin e Proudhon se revirarem em seus túmulos. Sem conseguir adquirir um ritmo e uma bandeira política efetiva, sem palavras de ordem, sem uma motivação clara, as Marchas de Junho foram se esvaindo. Já nos seus estertores, por pressão junto a um amedrontado Congresso Nacional, o Movimento conseguiu a aprovação da “PEC 37”,  sobre a qual a maioria dos manifestantes não tinha a menor ideia do que tratava. O “Movimento Passe Livre” ficou pendurado, solto no ar. Sem discurso e sem rumo. Era necessário criar outros experimentos.

(Entretanto, o saldo político das atabalhoadas “Marchas de Junho” não foi desprezível: houve a queda da popularidade da presidente Dilma Roussef, um objetivo não declarado, mas importante para os pesquisadores do Laboratório Neoliberal;  ficou clara a percepção de que gente na rua, mesmo sem uma pauta definida, incomoda os políticos de todos os partidos;  a partir daquelas estranhas manifestações, as ruas passaram a ser compartilhadas por outros grupos de manifestantes tendo,  daí em diante, outros “donos”).

b) nos radares do “Laboratório”, surgiu uma nova e excelente oportunidade: a Copa do Mundo de Futebol, a ser realizada em 2014, no Brasil, o país do futebol, cinco vezes campeão mundial da modalidade. Problemas de mobilidade urbana, custos do transporte coletivo nas cidades foram convenientemente esquecidos. Cabia agora mostrar aos crédulos brasileiros, ingênuos defensores dos sagrados direitos de lucro da Elite, que os “gastos da Copa”, exorbitantes e superfaturados, estavam a desviar recursos da Saúde e da Educação. Já nas festas de final de ano de 2013, apareceram inesperadamente nas concentrações populares, pequenos grupos de rapazes, gritando: – “NÃO VAI TER COPA!”, para o legítimo espanto de cidadãos que ainda acreditavam, com orgulho, que havia sido uma boa ideia, uma conquista, a realização de um evento de tal magnitude no Brasil. Os cientistas do “Laboratório” acreditavam ser possível reverter, mesmo com riscos, esse e outros sentimentos de orgulho nacional.  Com engenho e arte poderia ser recriado o “complexo de vira-latas”.  Esta a aposta dos pesquisadores.

Teve início, então, um movimento contrário à realização do torneio de futebol. Usando de todos os meios de comunicação disponíveis, e de vastos recursos financeiros, foi dada a largada do “Não Vai Ter Copa”.  Mesmo com o risco de afetar profundamente o sentimento de orgulho dos brasileiros pela sua Pátria  e pelo Futebol, a decisão tomada pelos pesquisadores foi a de fazer sim, o movimento. Começou,  então,  pesado bombardeio midiático demonstrando todas as desvantagens da realização da Copa: a situação dos hospitais públicos; as obras dos estádios e da infraestrutura de apoio logístico não estariam concluídas a tempo; os aeroportos não suportariam a demanda de passageiros dos voos doméstico e internacionais; e por fim, a ameaça de invasão dos estádios pelos manifestantes contrários à realização da Copa. Sem dar tempo à população para uma avaliação mais sensata de tais argumentos, persistia o bombardeio, agora com vídeos profissionais nos quais moças e rapazes  brasileiros, falando um inglês perfeito, e com legendas em português, alertavam para as imensas desvantagens do torneio para o país. E alertavam: “- não discutam, não argumentem. Apenas repitam as mensagens. Eles vão acabar aprendendo.” Como sabemos, a organização da Copa foi perfeita.  A seleção brasileira, no entanto, deu vexame na semifinal, e foi goleada pela  Alemanha por  7×1. Um placar estranho em jogo estranhíssimo. Tudo porque os pesquisadores entenderam que, caso o Brasil conquistasse, em casa, o hexacampeonato mundial, a presidente Dilma seria reeleita no pleito de outubro próximo, já visível nos seus radares.

c) As forças  Neoliberais investiram pesadamente nas eleições de 2014. Tinham como certa a vitória oposicionista no pleito presidencial. Assim garantiam pesquisas confiáveis dos cientistas do “Laboratório”. O pleito foi para o 2º turno. Mas a vitória, mais uma vez, foi do campo progressista. A presidente Dilma Roussef ganhou por uma diferença de mais de 3 milhões de sufrágios. Resultado que gerou perplexidade, revolta e inconformismo nas hostes neoliberais.

d) A derrota, no entanto, não foi assimilada. Já que dentro da Lei ( ou do Voto) a vitória não se concretizou, ficou evidenciado o risco concreto de maiores avanços na área social no novo mandato. Criando condições para a consolidação do projeto progressista e a perda do controle político da Elite na política econômica, vital para os seus objetivos estratégicos. Tornou-se essencial acionar o “plano B”, isto é, tomar o poder na “marra”. Através de recursos fora da Legalidade e das Normas Constitucionais. Seriam, portanto, acionados os testes de campo com novos tipos de manipulação política. Elaborados a partir de algumas constatações “científicas” dos pesquisadores, imediatamente acionadas: – a elite brasileira reaprendeu a marchar pelas ruas e avenidas. Sempre aos domingos; – a elite brasileira também aprendeu a bater panelas: uma barulhenta maneira de impedir a fala do “inimigo”; – finalmente, a elite brasileira retomou o gosto pela “política”. Desde que isso signifique reassumir a hegemonia do discurso e do exercício do Poder, direito adquirido, há séculos, no Brasil ,por quem sempre teve condições: a Elite. Um pequeno problema no entanto havia sido colocado:  se não houvesse a imediata troca do comando político do Brasil, o que fazer com essa elite solta nas ruas (a “massa cheirosa” batizada pela jornalista da  Folha de SP), movida pelo ódio político ideológico, semeado ao longo de anos pelos meios de comunicação? A mais perigosa e imprevisível forma de ingrediente do jogo político, comprovada historicamente desde as primeiras décadas do século 20 na Europa e que resultou no Nazifascismo, na II Guerra Mundial e numa prolongada Guerra Fria? Parece que esse “pequeno problema” não ocupou a mente dos pesquisadores. Foi assumido como uma espécie da dano colateral do jogo. Ou da Guerra Santa contra o petismo. E a favor do Rentismo.

3. A quem cabe a palavra  de sensatez nesta segunda quinzena de agosto? Onde estão os líderes, vá lá os escassos estadistas, capazes de fazer o país retornar à racionalidade? Todos dormindo em berço esplêndido? Tal como a orquestra do Titanic, absorta na execução da partitura musical, enquanto o navio prosseguia sua rota em direção ao abismo? E os velhos políticos que lutaram contra o regime autoritário, vestem agora a camisa neoliberal e incitam o Golpe?

A força estranha do Neoliberalismo enfeitiça e imobiliza todos. Admitem-se várias coisas, exceto impedir a inexorável trajetória de lucro, acumulação e desigualdade do Capitalismo Rentista e do seu filho mais dileto, o Neoliberalismo. Cada vez mais possuído de um estranho sintoma: a impossibilidade de convívio com a Democracia. O horror ao Voto e aos programas sociais. Insistindo em transformar o Brasil em uma república de bananas. Liquidar a soberania do país, para fazer os lucros obscenos fluírem para as suas contas nos paraísos fiscais.

O que falta agora para se fechar o ciclo? A edição do Ato Institucional nº 1 – com a chancela do Congresso Nacional e da Rede Globo – decretando a vigência de um novo regime autoritário, nazifascista em seus fundamentos? (Exagero? Leiam com atenção as faixas e os cartazes das marchas da Elite. Lembrem-se do aviso recente dos banqueiros e dos donos da mídia: “- Parem com o Golpe!”).   BEM VINDOS À BARBÁRIE, SENHORAS E SENHORES.

Dilma e Merkel discutirão reforma do Conselho de Segurança

Via Deutsche Welle

Tema deverá estar na declaração conjunta que será divulgada após encontro das duas líderes em Brasília. Mudança no principal órgão decisório das Nações Unidas é defendida há anos por Brasil e Alemanha, mas sem avanços.

A reforma do Conselho de Segurança da ONU e a consequente ampliação do número de países com assentos permanentes será um dos temas a serem debatidos pela presidente Dilma Rousseff e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, durante encontro em Brasília a partir desta quarta-feira (19/08).

De acordo com uma fonte do Itamaraty, a reforma da ONU será mencionada na declaração conjunta. “Nos últimos meses estamos tendo uma intensa movimentação sobre o assunto no âmbito da Assembleia Geral, com reuniões e debates tendo em vista o 70º aniversário da ONU e o interesse em avançar para uma solução. Brasil e Alemanha, no contexto do G4, cooperam muito próximos nas discussões”, afirmou um diplomata à DW Brasil.

Brasil e Alemanha – que juntamente com Índia e Japão fazem parte do G4 – defendem a expansão do número de países com direito a assento permanente e não permanente no Conselho de Segurança. A aliança quer uma maior participação dos países em desenvolvimento no fórum para refletir a evolução da conjuntura internacional.

“Caso a representatividade regional e das potências não seja ajustada, a ONU corre o risco de continuar perdendo credibilidade como fórum de gestão e solução de crises”, afirma Vladimir Feijó, professor de relações internacionais do Ibmec-MG. “O que falta é consenso sobre a fórmula da reforma. Ultrapassado esse entrave, pode-se passar para a fase sobre quais seriam ou como seriam selecionados os novos membros.”

Maiores obstáculos

A estrutura do Conselho só foi alterada uma vez, em 1965, com o aumento de assentos não permanentes de seis para dez. Em 1945, havia 51 membros na ONU para um Conselho integrado por 11 países. Atualmente, são 193 para cinco membros permanentes e dez não permanentes, eleitos para mandatos de dois anos.

Para ser concretizada, a reforma do Conselho de Segurança é vinculada à aprovação dos cinco membros permanentes (chamados de P5) – Reino Unido , França, Estados Unidos, China e Rússia – e de uma maioria de dois terços da Assembleia Geral da ONU.

“O principal obstáculo é a inércia institucional”, afirma Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Muitos países, infelizmente, duvidam de que seja esse o principal problema hoje em dia e afirmam que existem questões mais importantes do que a reforma. É necessário uma campanha global e dedicar muito tempo, diplomacia e foco.”

Dos membros permanentes, Reino Unido e França são os mais favoráveis à reforma. Já Estados Unidos, China e Rússia se opõem. Moscou e Pequim são os mais críticos, sendo os únicos que não apoiam explicitamente a candidatura individual de qualquer outro membro do grupo dos Brics.

Berlim um passo à frente

Para especialistas ouvidos pela DW Brasil, a Alemanha avançou nos seus esforços para obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança ao participar, junto com os países do P5, do fechamento do acordo nuclear com o Irã neste ano.

“A Alemanha conseguiu uma credencial adicional ao Conselho de Segurança ao participar das discussões com o Irã”, afirma Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil na Alemanha (1995-2001) e membro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). “O Brasil, na gestão do ex-presidente Lula, fez um esforço para participar das negociações, mas a tentativa resultou ser contraproducente.”

Em 2010, o Irã chegou a assinar um acordo, mediado por Brasil e Turquia, para realizar o enriquecimento do urânio iraniano (a menos de 20%) em outro país. O pacto não foi reconhecido pela comunidade internacional e, menos de um mês depois, o Conselho de Segurança aprovou novas sanções a Teerã. A situação causou embaraços para a diplomacia brasileira.

“O Brasil precisa demonstrar que é um ator que pode contribuir de maneira visível para a paz no mundo. Um ator que não possa apenas debater, mas participar de soluções na área de segurança internacional”, afirma Stuenkel. “O melhor caminho seria aumentar a visibilidade das missões de paz, porque essa é uma das maneiras que o Brasil pode contribuir.”

O autoritarismo dos entreguistas e os reais interessados no PLS 131

Por Rennan Martins | Vila Velha, 16/08/2015

Renan Calheiros manobra fortemente para garantir maioria na comissão especial de análise do projeto, que terá trâmite atabalhoado. Quem são os principais interessados num debate raso sobre o pré-sal? Um relatório de inteligência nos responde.

Tabela entre Renan e Serra fortalece o entreguismo do pré-sal. Foto: Estadão

A oposição a Petrobras e ao direito do povo de dispôr de seus recursos de forma soberana foi e é oportunista e autoritária, por ter consciência do quanto os brasileiros valorizam nossa estatal e o projeto de desenvolvimento autônomo a ela vinculado. Desta vez, os partidários do PLS 131/2015 não traem sua tradição histórica e se valem de todo e qualquer expediente para garantir a entrega do pré-sal ao cartel das multinacionais estrangeiras.

Como já é sabido, o senador José Serra (PSDB-SP) apresentou o PLS 131/2015, que extingue a condição da Petrobras de operadora única do pré-sal, justo num momento em que a empresa se vê vítima de um cartel. A intenção é se aproveitar da crise para cumprir a promessa que fez a Chevron, apresentando como solução algo mais danoso que a própria corrupção descoberta.

Os últimos acontecimentos envolvendo a tramitação do projeto no Senado evidenciam a forte atuação do peessedebista coordenada com o presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), no sentido de garantir maioria favorável na Comissão Especial de análise, instalada depois que o regime de urgência na tramitação do PLS 131 foi extinto por requerimento de nada menos que 46 dos 81 senadores.

Designada a comissão de 27 senadores, construiu-se outra vez maioria pela manutenção do regime de partilha e a Petrobras como operadora única do pré-sal. Eis que, ao constatar que não conseguiria aprovar relatório favorável ao entreguismo com tal comissão, o presidente do Senado a dissolveu, reduziu o número de integrantes da nova comissão para 14 e nomeou todos os titulares e suplentes, numa manobra claramente autocrática e desrespeitosa a democracia e a proporcionalidade dos blocos. Dentre estes 14 e não por coincidência, a maioria tinha bons olhos para a iniciativa do senador Serra. Teria o presidente do Senado, do qual se espera uma condução neutra dos atos e o respeito ao posicionamento de seus pares, a legitimidade de atropelar a maioria em nome de sua visão?

Diante de tanta pressa e reiteradas manobras desrespeitosas a democracia do legislativo, fica o seguinte questionamento. A quem interessa que um projeto que modifica decisivamente a estrutura econômica e tecnológica nacional trâmite de forma tão irresponsável? Certamente não a quem pretende discutir com clareza e objetividade os efeitos dele provenientes. Tal truculência é condizente a de quem não quer conduzir os atos com transparência para com a população.

Relatório geopolítico intitulado Geopolitical Diary: ‘Blue Skying’ Brazil, escrito ainda em 2008 pela consultoria Stratfor, que presta serviços a grandes empresas internacionais e principalmente aos Estados Unidos, a ponto de ser conhecida como braço oculto da CIA, esclarece quem são os maiores interessados em explorar o pré-sal. Nele, os analistas iniciam dizendo que:

O Brasil é uma potência ascendente política, econômica e militarmente falando. Não é somente o maior país em termos de população e peso econômico, poderio militar e extensão geográfica, como está num processo de crescente expansão do poder geopolítico.

Para então comentar sobre o descobrimento do pré-sal e do enorme potencial destas reservas questionando “Como o mundo se tornaria caso surgisse na América Latina uma versão da Arábia Saudita? Que mudanças se dariam na cena global?”

E finalizar postulando o que muitos dizem e alguns desacreditam alegando que “Pela visão de Washington, conseguir petróleo de um país relativamente amigável, estável e de maior proximidade é extremamente preferível a lidar com o caos do distante Oriente Médio.” Considerando as reservas decrescentes das petroleiras angloamericanas, o lobby da Chevron articulado junto ao senador Serra e esta análise de inteligência norte-americana, os beneficiários do PLS 131/2015 não são, nem de longe, o povo brasileiro.

A ofensiva conservadora e as crises

Por Samuel Pinheiro Guimarães | Via Brasil de Fato

1. A sociedade brasileira está diante de uma ofensiva conservadora que se aproveita de entrelaçadas crises na economia, na política, nas instituições do Estado, na imprensa e nos meios sociais para fazer avançar seus objetivos;

2. A suposta crise econômica ofereceu pretexto para implantar um programa neoliberal de acordo com o Consenso de Washington: privatização, abertura comercial e financeira, ajuste orçamentário, flexibilização do mercado de trabalho, redução do Estado, tudo com a aprovação do sistema financeiro nacional, por um Governo eleito pela esquerda;

3. A crise da corrupção, cujo maior evento é a Operação Lava Jato, mas também a Operação Zelotes, esta inclusive de maior dimensão, está servindo para destruir a engenharia de construção, onde se encontra o capital nacional de forma importante, com atuação internacional, e para preparar a destruição de organismos do Estado tais como a Petrobras, o BNDES, a Caixa Econômica, a Eletrobrás etc. a pretexto de que os eventos de corrupção neles investigados seriam apenas o resultado de serem estas entidades estatais;

4. Sua privatização, que corresponderia a sua desestatização/desnacionalização, eliminaria, segundo eles, a possibilidade de corrupção;

5. A crise do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal se desenvolve em várias esferas;

6. O Supremo Tribunal Federal tolera que um de seus membros interrompa, há mais de um ano, sob o pretexto de vista, uma ação, cujo resultado já está definido por 6 votos a 1, sobre a ilegalidade do financiamento privado de campanhas, fenômeno que está na origem da corrupção do sistema eleitoral em todos os Partidos e veículo para o exercício da influência corruptora do poder econômico na política e na Administração;

7. O objetivo deste juiz é aguardar até que o Congresso aprove emenda constitucional, já em tramitação por obra do Presidente da Câmara, que torna legal o financiamento privado de campanhas;

8. A teoria do domínio do fato, uma aberração jurídica, acolhida pelo STF, reverte o ônus da prova e, mais, torna qualquer indivíduo responsável pelos atos de outrem sob suas ordens sem que o acusador ou o juiz tenha necessidade de provar que o acusado conhecia tais fatos;

9. O sistema do Ministério Público permite a qualquer Procurador individual desencadear processos com base até em notícias de jornal contra qualquer indivíduo, vazar de forma seletiva estas acusações para a imprensa, que as reproduz, sem nenhum respeito pelos direitos dos supostos culpados e sem nenhuma perspectiva de reparação do dano causado pelas denúncias do Procurador nem pela imprensa que as divulgou, caso se verifique a improcedência das acusações;

10. A Polícia Federal exerce suas funções com extrema parcialidade, de forma midiática, criando, na sociedade a presunção de alta periculosidade de indivíduos que prende para investigação e se arvorando em poder independente do Estado;

11. Segundo depoimento do Presidente das entidades da Polícia Federal na Câmara dos Deputados, a Polícia Federal recebe recursos regularmente da CIA, do FBI e da DEA, no montante de USD 10 milhões anuais, depositados diretamente em contas individuais de policiais federais;

12. A crise política decorre da decepção e do inconformismo do PSDB e de seus aliados com a derrota nas urnas em 2014 o que o leva a procurar, por todos os meios, erodir a credibilidade e a legitimidade do Governo Dilma Rousseff e, por via transversa, do Governo Lula e assim minar as possibilidades de vitória de uma eventual candidatura de Lula em 2018;

13. Contam os partidos e políticos conservadores com a campanha sistemática da televisão, jornais e revistas, com base em denúncias vazadas, com a campanha de intimidação na Internet, com as manifestações populares, com o desemprego crescente causado pela política de corte de investimentos e de elevação estratosférica de juros, os maiores do mundo, para fazer baixar os índices de aprovação do Governo e da Presidenta e poder argumentar com a legitimidade e a necessidade de depô-la pelo impeachment;

14. A crise na imprensa e nos meios de comunicação se desenvolve em um ambiente em que as televisões, rádios, jornais e revistas recebem paradoxalmente enormes recursos do Governo para a ele fazer oposição sistemática, erodir a confiança da população no sistema político e nos partidos, em especial nos partidos progressistas, de esquerda, poupando os partidos conservadores tais como o PSDB, que recebeu tantas doações para sua campanha de 2014 quanto o PT e das mesmas empresas ora acusadas pelo juiz Moro;

15. A crise social se desenvolve na Internet, onde circula todo tipo de ofensa racista, homofóbica, antifeminina, antiprogressista e fascista, contra os políticos e partidos de esquerda, gerando um clima de hostilidade e ódio e estimulando a agressão física;

16. No Congresso, os setores mais conservadores elegeram grande número de deputados e, tendo conquistado a Presidência da Câmara dos Deputados, fazem avançar, a toque de caixa, sem nenhuma atenção à necessidade de debate pelos parlamentares e pela sociedade, uma ampla pauta de projetos conservadores que inclui, entre os principais, a redução da maioridade penal, a ampliação do uso de armas, o financiamento privado das campanhas;

17. O objetivo máximo desta grande ofensiva política e econômica conservadora é a tomada do poder através do impeachment da Presidenta Dilma e/ou a desmoralização do PT que leve a sua derrota fragorosa nas eleições de 2016, a qual preparará sua derrota final e “desaparecimento” nas eleições de 2018;

18. O processo político do impeachment da Presidenta Dilma não avança por estarem o PSDB e PMDB divididos quanto a sua conveniência no atual momento do calendário político e econômico;

19. Os três possíveis candidatos do PSDB à Presidência da República, quais sejam, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra tem opiniões diferentes sobre sua conveniência;

20. A Aécio Neves interessa o impeachment de Dilma Rousseff e de Michel Temer por crime eleitoral, declarado pelo TSE, logo que possível pois isto levaria a uma eleição em 90 dias onde espera que, como presidente nacional do PSDB e candidato que teria perdido a eleição devido a “fraude”, agora se beneficiaria devido a sua campanha persistente pela ilegitimidade dos resultados eleitorais de 2014, o que o faria o candidato do PSDB com melhor perspectiva de vitória;

21. A Geraldo Alckmim interessa que o processo político, econômico e social desgaste longa e duradouramente o Governo Dilma e o PT até que as eleições municipais se realizem em 2016, com fragorosa derrota do PT e do PMDB e que tenha tempo de construir sua candidatura, com base no Governo de São Paulo, enquanto a candidatura de Aécio se enfraqueceria com o tempo como resultado de eventuais denúncias;

22. A José Serra interessa também que o impeachment não ocorra agora, que o Governo se desgaste para que tenha tempo de reconstruir sua imagem e eventualmente possa se candidatar pelo PSDB em 2018 ou até mesmo pelo PMDB, que insiste em ter candidato próprio mas sem nome hoje viável. Afinal, Serra foi fundador do PMDB e voltaria a sua casa, construindo sua candidatura junto à classe média nacional, através de sua atuação no Senado, com toda cobertura favorável da imprensa;

23. Para o PMDB, o impeachment da Presidenta representa o fim de um Governo onde ocupa a Vice-Presidência e ao qual dá apoio enquanto que um longo processo de desgaste da Presidenta, do Governo e do PT também o atingiria como partido aliado, enquanto a imprensa desgasta sua imagem na opinião pública como partido oportunista e corrupto;

24. Os interesses de Michel Temer, de Renan Calheiros e de Eduardo Cunha são divergentes. Cunha acredita poder ser o candidato do PMDB à Presidência, assumindo a liderança da ofensiva conservadora no Congresso e o papel de defensor do Congresso, mas enfrenta o desgaste das denúncias de corrupção. Michel Temer sabe que a condenação por crime eleitoral de Dilma Rousseff pelo TSE também o arrastaria enquanto que a condenação de Dilma pela rejeição das contas de 2014 pelo TCU e pelo Congresso o levariam à Presidência. Renan disputa com Temer influência no PMDB e imagina poder ser candidato em 2018 com o enfraquecimento dos demais;

25. No PT, a situação é talvez ainda mais grave;

26. O programa econômico conservador, ao cortar investimentos públicos e as despesas de custeio do Governo, aumenta o desemprego e afeta a demanda o que reduz as perspectivas de lucro, contrai os investimentos privados, estabelece a desconfiança nos “mercados” e reduz as receitas normais tributárias, aumentando o déficit público;

27. Ao aumentar a taxa de juros, o Governo (Banco Central) aumenta as despesas do Governo e a relação dívida/PIB, reduz a atividade econômica e as perspectivas de lucro e provoca a queda da arrecadação. Ao não conseguir o aumento de receitas normais pela dificuldade em elevar tributos, passa a apelar para a venda de ativos o que é uma forma disfarçada de privatização, com resultados apenas temporários;

28. Ao provocar o desemprego, ao apoiar medidas desfavoráveis aos trabalhadores como alterações no seguro desemprego, no abono salarial e outras, e ao provocar a redução do crescimento o Governo mina a sua base de apoio social e político e as bases sociais e políticas do PT;

29. A retração da demanda, o aumento das taxas de juros, a contração das atividades do BNDES, a redução das oportunidades de investimento, a perspectiva de aumento de tributos afetam os interesses dos empresários e aumenta o seu descontentamento com o Governo e sua política;

30. Não há liderança no PT além de Lula que, por seu lado, não vê como abandonar o programa econômico do Governo Dilma sem acelerar sua queda, mas reclama da incapacidade da Presidenta para o exercício da política;

31. As pesquisas de opinião podem vir a revelar níveis de rejeição muito superiores aos que ocorreram na véspera do impeachment de Collor. Caso os níveis de aprovação caiam abaixo de 5%, o desânimo e a desmobilização dos movimentos sociais e dos sindicatos, a perplexidade dos congressistas, a posição dos candidatos a prefeito em 2016, as contínuas denúncias do Ministério Público (na realidade de procuradores individuais) contra políticos vinculados ao PT e contra o próprio Lula, a agressividade social e intimidatória conservadora podem gerar situação de gravíssimo perigo político para sobrevivência da democracia;

32. O Governo, apático, atordoado e intimidado, parece acreditar em sua pureza que fará que, ao final, sobreviva, único puro, à tempestade de denúncias que atingem políticos e partidos sem compreender que o objetivo da ofensiva conservadora não é lutar contra a corrupção e moralizar o país mas sim derrubá-lo e recuperar a hegemonia completa na sociedade e no Estado;

33. O Governo se retrai, não age politicamente nem mobiliza os movimentos sociais e os setores que poderiam apoiá-lo no enfrentamento a esta ofensiva conservadora que fará o Brasil recuar anos em sua trajetória de luta contra as desigualdades e suas vulnerabilidades, e de construção de um país mais justo, menos desigual, mais democrático, mais próspero e mais soberano;

34. É urgente a mobilização de todas as forças sociais progressistas para combater o desemprego causado pelo programa de ajuste, que está, isto sim, gerando imensa crise econômica e social, para defender a democracia e seus representantes legítimos, para defender as conquistas dos trabalhadores, para defender a empresa nacional, para defender o desenvolvimento do país, para defender a soberania nacional e a capacidade de autodeterminação da sociedade brasileira;

35. Para defender o Brasil.

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Samuel Pinheiro Guimarães é diplomata brasileiro, foi secretário-geral das Relações Exteriores do Ministério das Relações Exteriores e ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Governo Lula.

STF irá julgar validade da delação de Youssef; Moro nega irregularidades

Via Conjur

Foto: Blog Marrapá

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli submeteu ao Plenário da corte o julgamento sobre a validade do acordo de delação premiada firmado pelo doleiro Alberto Youssef no âmbito da operação “lava jato” e homologado pelo ministro Teori Zavascki.

O pedido foi feito pelo advogado José Luis Oliveira Lima, representante de do executivo afastado da Galvão Engenharia Erton Medeiros da Fonseca. De início, Toffoli o negou, alegando que a jurisprudência do STF não admite Habeas Corpus contra ato de um dos ministros. No entanto, após recurso, ele decidiu nessa segunda-feira (17/8) levar a questão a julgamento por todos os membros da corte.

De acordo com os advogados de Fonseca, Youssef não teria credibilidade para colaborar com a Justiça, uma vez que trabalha como doleiro há mais de 20 anos e já descumpriu um acordo de delação premiada, firmado no caso Banestado, em 2004. Por esses motivos, a defesa do executivo argumenta que as provas surgidas de suas informações seriam “contaminadas”.

Como Youssef foi o primeiro a detalhar os esquemas de corrupção na Petrobras e seus depoimentos geraram provas que fundamentaram diversos inquéritos e denúncias, um eventual reconhecimento da nulidade de suas delações poderia colocar em risco toda a operação “lava jato”.

Delações válidas

Na visão do juiz federal Sergio Moro, o argumento da defesa do executivo da Galvão Engenharia não deve prosperar no STF.  Em sua sentença dessa segunda (17/8) que condenou o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e os lobistas Júlio Camargo e Fernando Soares, conhecido por Fernando Baiano, Moro ressaltou que a delação premiada de Youssef é legal e legítima.

Segundo Moro, “não podem ser confundidas questões de validade com questões de valoração da prova”. Dessa maneira, por mais que o doleiro tenha descumprido o acordo de delação premiada anterior, se as declarações dele na “lava jato” “soarem verazes e encontrarem corroboração em provas independentes”, elas serão válidas e terão valor probatório.

Cunha anuncia votação final da PEC da maioridade penal para esta quarta-feira

Por Luciano Nascimento | Via EBC

Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

A votação, em segundo turno, da proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos no caso de crimes hediondos, como estupro e latrocínio, e quando houver homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte, ocorrerá nesta quarta-feira (19), disse hoje (18) o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Para que a matéria pudesse ser discutida hoje, Cunha convocou uma sessão extraordinária, que está sendo realizada neste momento, de modo a esgotar o assunto, já que não houve acordo para reduzir o número de inscritos.  Assim, para amanhã,  a sessão será apenas destinada à votação da PEC.

A proposta, aprovada após votação polêmica no início de julho, é criticada por movimentos sociais e organizações da sociedade civil. O vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da Fundação Getulio Vargas, Renato Sérgio de Lima considera o texto “um erro”. “O problema da segurança pública é muito maior que a maioridade penal. Existe todo um desenho institucional que o Congresso não discute por interesses corporativos e institucionais. Estamos em um momento muito complexo em termos da produção da Câmara. Tenho percebido pressa em votar questões que não estão devidamente maduras. Não é porque demoraram a ser votadas que quer dizer que estão maduras”, disse ele.

O texto aprovado em primeiro turno foi uma emenda apresentada pelos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e André Moura (PSC-SE), que excluiu da proposta inicialmente rejeitada os crimes de tráfico de drogas, tortura, terrorismo, lesão corporal grave e roubo qualificado.

Pela proposta os jovens de 16 e 17 anos deverão cumprir a pena em estabelecimento separado dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e dos maiores de 18 anos.

Para a aprovação de uma PEC é exigido um quórum mínimo de 3/5 de votos favoráveis do total de membros da Casa, ou seja, o equivalente a 308 votos.