Um governo à beira do abismo

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Geniberto Paiva Campos | Brasília, agosto de 2015

As forças subterrâneas, que Vargas denunciou em sua carta-testamento, mais uma vez prevalecerão?

“essa joça pode ir pro  brejo” – ( George W. Bush, setembro, 2008, em conversa com auxiliares)

1. Essa frase profética do ex-presidente Bush foi anunciada aos seus assessores, a propósito da crise do Capitalismo que então se iniciava e a qual se desdobra até o presente. Certamente poderia ser aplicada a outras circunstâncias históricas.

A dúvida que se coloca nos dias que correm, substrato do embate político atual, é sobre quem vai pagar a conta de mais uma crise cíclica, previsível, do Sistema Capitalista. Afinal, nenhum país deseja passar pela amarga experiência da Grécia neste início de século.

Por motivos a serem ainda analisados da forma mais isenta e correta possível, o Brasil, sob o comando de governos assumidamente progressistas, vinha conseguindo atravessar, aparentemente incólume, a crise. Uma “marolinha” e não o tsunami previsto, como falou o ex-presidente Lula (2003/2010), de forma provocativa e desafiadora. Talvez confiando nas políticas de distribuição de renda e consequente criação de um novo e surpreendente mercado consumidor interno. Entre outras medidas chamadas anticíclicas colocadas em prática com êxito, maior ou menor, pelos economistas do Governo. Por exemplo a redução dos juros bancários. Que deixou a elite brasileira furibunda. Inconsolável.

É fato que alguns imaginavam: “ – governos de Esquerda não têm competência econômica e política para enfrentar crise de tal magnitude”. Não foi, entretanto, o que aconteceu. A eleição da presidente Dilma Roussef em 2010, apoiada pelo ex-presidente Lula, e sua reeleição subsequente em 2014, mostrou que os eleitores brasileiros estavam satisfeitos e queriam a continuidade dos “governos de esquerda”. O qual vinha conseguindo conter, com êxito, e muita tranquilidade, o tsunami da crise do Capitalismo.

2. Após a quarta derrota eleitoral consecutiva nas eleições presidenciais, a Oposição mudou as estratégias políticas até então adotadas. Em contrapartida, nas eleições legislativas, as forças oposicionistas conseguiram eleger um Congresso Nacional bastante descaracterizado politicamente. E o mais grave, obedecendo a um comando único, visceralmente anti-governista, votando em bloco. Disposto a tumultuar o jogo político. Com o indisfarçado objetivo de criar sérias dificuldades para o Governo condução dos seus projetos.

E a responsabilidade quanto ao pagamento da conta da crise capitalista, provocada pela sede insaciável de lucro e acumulação do  Sistema, está sendo gradativamente transferida para os pobres, ou seja, ao andar de baixo do estrato socioeconômico.

Enfim, a Oposição percebeu que, para ganhar eleições, não era suficiente demonizar e criminalizar o Partido dos Trabalhadores. Colocar as suas lideranças na prisão. Condenar sem provas: pelo “domínio do fato”. E, na falta de evidências claras, incontestes, condenar baseada na “literatura jurídica”.  Tudo isso em um processo criminal. O julgamento popular, expresso periodicamente nas urnas foi sendo substituído pela formação de uma opinião pública movida pelo ódio e pelo preconceito habilmente semeados por um “jornalismo” totalmente desprovido de escrúpulos. Uma classe média apoiadora da Elite, que bate panelas  e vai às ruas exibir, sem nenhum pudor, palavras de ordem outrora apenas  um sussurro, ou um pensamento fugaz,  nos seus jantares elegantes. Uma Imprensa que entende como legítimo – repetindo os padrões éticos de segmentos do Judiciário – acusar sem provas, forjar delações e  fraudar provas materiais, desde que direcionadas a um determinado grupo político. Tudo isso é aceito, naturalizado, sem que haja quase nenhum protesto. E mais recentemente, o país chegou à fase das prisões políticas. Também aceitas com naturalidade e com o silêncio (cúmplice?) de instituições, que por dever de ofício, deveriam zelar pelas normas legais e constitucionais, quando não, pelos Direitos Humanos e pela Justiça.

3. Tornou-se, então, uma obsolescência, um exercício de inutilidade, falar no golpe que vai acontecer. O Golpe está acontecendo em toda sua liturgia. Em todas as etapas previsíveis de um Golpe de Estado. Agora no novo modelo recomendado para a América Latina.

Há uma lógica perversa nesse incurável viés autoritário, antidemocrático, que está no DNA latino-americano.

O atual governo, legitimamente eleito pelo voto popular, foi desidratado, emparedado e, finalmente, colocado à beira do abismo. Resta saber como será o ato final:

- se vai usar o elevador da renúncia, para uma descida, até certo ponto, tranquila;

- se desce ao abismo pela escada íngreme da diminuição de poderes, numa espécie de parlamentarismo de fato, ou o “impeachment” suave;

- ou será empurrado para o fundo do precipício, bem mais ao gosto e ao estilo sul americano.

O JOGO ESTÁ FEITO. FAÇAM SUAS APOSTAS.

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