Por Rennan Martins | Vila Velha, 10/08/2015
A partir de hoje o Blog dos Desenvolvimentistas publicará, toda segunda, uma análise da conjuntura política, com fatos e interpretações do cenário político nacional e/ou internacional, traçando uma perspectiva da semana que inicia.

1- Prossegue a guerra de Eduardo Cunha contra o Planalto, verdadeira cortina de fumaça que cria instabilidade para, de alguma maneira obscura, forçar a PGR a recuar da denúncia da Lava Jato. Dilma confirmou a recondução de Janot, enquanto a AGU entrou com estranha representação pela anulação das provas conseguidas com o recolhimento dos registros de requerimentos do Congresso, procedimento autorizado pelo STF. O presidente da Câmara considerou atrasada e estranha a iniciativa, acrescentando, via Twitter, que não precisa da União para fazer sua defesa.
2- A pauta da Câmara promete: Serão votados a redução da maioridade penal, o financiamento de campanhas políticas por empresas, as novas regras de correção dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e os destaques à proposta que trata da remuneração dos advogados públicos, além da instalação da CPI dos Fundos de Pensão.
3- A correlação de forças deu uma acentuada mudança depois que a FIESP, FIRJAN, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e a Globo, cerraram fileiras pela governabilidade. Pragmaticamente, constataram que Dilma está aplicada no ajuste fiscal, o qual é prontamente sabotado no Congresso. Outro motivo de preocupação para os Marinho é o fato de Cunha ser umbilicalmente ligado aos grupos de mídia evangélicos, o que certamente se traduziria em perdas de receitas publicitárias estatais após a derrubada da presidente.
4- Os ministros próximos a Dilma e o ex-presidente Lula aventam a possibilidade de uma reforma ministerial que traria figuras de maior peso político, capazes de trazer a unidade nas votações. Ministros como Kassab, Manoel Dias e Armando Monteiro estão na mira por não conseguir, nem mesmo tentar, fazer com que seus correligionários sejam fiéis ao governo. Dilma resiste a ideia.
5- PLS 131. A última sessão que discute o projeto de Serra que revoga a condição de operadora única da Petrobras no pré-sal terminou num impasse pois os senadores discordavam que o senador entreguista e capixaba, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), fosse o relator. Senadores peemedebistas reclamam de ter que aderir a defesa da partilha enquanto o líder do governo Delcídio Amaral (PT-MS) trabalha pela aprovação do projeto. Este fato reforça a suspeita de que o Planalto trabalha pela mudança do regime, o que pode ter sido acertado com Obama na viagem aos EUA e eventualmente auxiliar o governo a cumprir superavit.
6- Vendine. O conselho de administração da Petrobras aprovou o projeto de abertura do capital da BR Distribuidora, subsidiária altamente lucrativa da estatal, os petroleiros prometem resistir e se veem obrigados a batalhar em duas frentes, tanto contra Serra quanto contra o presidente da companhia. O resultado operacional da Petrobras foi extraordinário, como informou o companheiro Paulo César Ribeiro Lima, mas alijado por conta de adiantamentos de tributos para auxiliar o governo na meta fiscal. Interpreto esse abatimento nos resultados como necessário também para reforçar a impressão de que a companhia precisa dos desinvestimentos e do plano de negócios recentemente aprovado, que orienta a estatal para uma posição mercadista e de mera exportadora de óleo.
