Rumo ao século XIX?

5 Flares Twitter 0 Facebook 5 Filament.io 5 Flares ×
Por Geniberto Paiva Campos | Brasília, junho de 2015

A poucos dias do encerramento do primeiro semestre do ano, temos a inquietante impressão que o Brasil estaria em marcha batida em direção ao século 19.

Menos Estado; menos direitos sociais; precarização do Trabalho; extinção do décimo terceiro salário dos trabalhadores; redução da maioridade penal, intolerância com a diversidade; extinção do Estado laico; a provável adoção da estranha lei da “cristofobia”; carga semanal de trabalho de 60 horas.

Mais alguns avanços em direção ao passado e o Congresso Nacional tentará extinguir a Lei Áurea.

O que seria impensável há pouco tempo, vai se tornando uma possibilidade real.

O que estaria acontecendo com o Brasil, com o seu povo outrora cordial e pacífico?

Desde outubro de 2014, com mais uma derrota da Oposição na disputa presidencial, o país vive momentos de turbulência política. Com reflexos na economia, na produção, nos indicadores e nas relações sociais, tornando difícil, senão impossível, a convivência civilizada entre os cidadãos.

Cidadãos pacatos, apartidários, que saem às ruas com camisas vermelhas – a cor do Partido dos Trabalhadores, ou vá lá, dos “bolivarianos” – correm sérios riscos de agressão ao serem confundidos com perigosos militantes.

Emigrantes negros, vindos de um país devastado por terremotos e pelo atraso crônico – fruto do autoritarismo e da incompetência – são humilhados e ofendidos por valentões travestidos de militares. Em sua humildade, confundidos, propositadamente, com perigosos guerrilheiros.

O que se passa, enfim, com o nosso país? Um povo que amava o Futebol e via na “seleção canarinho” a pátria de chuteiras? Agora, capaz de torcer contra a sua seleção de futebol, e estranhamente, comemorar uma estranha derrota, por estranho placar, 7 x 1, para não assim tão poderosa equipe alemã?

Existiriam forças estranhas cuidando de separar irremediavelmente os brasileiros, criando uma situação de intolerância político-ideológica irreversível, “dividindo para reinar”, como diziam os antigos colonizadores? A quem interessa que o país cumpra essa esdrúxula, anacrônica agenda da Guerra Fria em pleno século 21?

São perguntas pertinentes, considerando a importância geopolítica de um país do porte e do potencial econômico do Brasil.

Em um antigo relatório, por volta do início da década de 1970, acessível nos arquivos americanos, da autoria do general Vernon Walters, endereçado ao secretário de estado Henry Kissinger, profetizava o general: a queda do Brasil em mãos comunistas não significaria um nova Cuba no nosso hemisfério, mas uma NOVA CHINA”.

Decorrido cerca de meio século dessa profecia, o Brasil não “caiu em mãos comunistas”, mas a China veio a se tornar uma das maiores potências mundiais, preservando resquícios do autoritarismo marxista, mas adotando formas inegáveis de produção capitalista.

Seria o Brasil, um dos maiores países da América Latina, potencialmente capaz de cumprir a profecia do general Walters?

E, finalmente, uma pergunta a necessitar de respostas: – estariam os brasileiros desatentos ou descrentes do futuro do seu país? Vindo a se tornar, enfim, uma nação forte e pujante, cumprindo o seu destino inescapável de “país do futuro”?

Mais uma vez, com a palavra os brasileiros sérios, atentos e responsáveis.

Ao analisar a atual situação do Brasil, é imprescindível, portanto, levar em conta, nessa análise, o contexto internacional. Com todas as suas variáveis e as suas complexidades.

Este, o desafio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>