Arquivo mensais:junho 2015

Reduzir a maioridade penal pra quem?

Por Fernando Marroni | Via Viomundo

Depois da vergonhosa Reforma Política, a Câmara dos Deputados aprovou, na Comissão Especial, mais uma matéria catastrófica: a redução da maioridade penal. Um debate que é pautado pelo sensacionalismo, pelo ódio e pela demagogia.

Não há ninguém em sã consciência que não defenda o combate à violência e à criminalidade. Todos aqui querem que nossas cidades sejam mais seguras; e que os cidadãos andem com tranquilidade pelas ruas. Mas, não é reduzindo a maioridade penal para 16 anos que isso irá ocorrer. Definitivamente, não. Reduzir a maioridade é trabalhar com um número mágico: passamos de 18 para 16.

Depois, pra 15, 14, 13… Nenhum país do mundo, que reduziu a sua maioridade, teve reduzida a violência. Nenhum! Alemanha, Espanha, Venezuela e Colômbia, por exemplo, reduziram a maioridade para 16 anos e voltaram atrás, passando novamente para 18.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) traçou um perfil, através de pesquisa, dos jovens que cometem delitos no Brasil. Eles são: 95% do sexo masculino; 66% vivem em famílias extremamente pobres; 60% negros; 60% têm de 16 a 18 anos; 51% não frequentavam escola na época do delito. Ou seja, a redução da maioridade penal vale pra quem? Para os jovens negros e pobres? Como disse o deputado Alessandro Molon (PT-RJ): “Se for negro ou pobre na barriga de uma grávida, será preso!”.

Um jovem de 16 anos, que entra para o mundo do crime, tem o seu futuro imensamente comprometido. Um jovem de 16 anos, que entra para o mundo do crime – e é preso junto com adultos, tem o seu futuro totalmente perdido. Que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) seja reformulado e suas penas sejam endurecidas. Reduzir a maioridade penal e amontoar os jovens nas cadeias superlotadas – do falido sistema prisional brasileiro – junto com adultos, não solucionará, em absolutamente nada, o problema da violência.

Impunidade, obviamente, não resolve. Mas quem disse que a praxe em crimes cometidos por adolescentes é a impunidade? Em primeiro lugar, menores de idade são responsáveis por uma quantidade muito, muito pequena dos crimes graves (estupros, latrocínios, homicídios). Pautar a discussão da violência e impunidade no país a partir da ótica de que são “marmanjos” que estão tocando o terror é uma forma de fechar os olhos para a realidade e adotar um discurso de panaceia. “Ora, vamos prender essa gurizada e deu pra bola!” Respeito todas as opiniões, mas não posso concordar com isso quando todos os estudos e dados mostram exatamente o contrário.

Em segundo lugar, menores pegos praticando crimes são penalizados, sim. O senso comum costuma difundir a ideia de que “com a gurizada não dá nada”. Pelo contrário, são punidos e costumam cumprir a pena com mais rigor que adultos. A progressão de regime é muito mais rara entre adolescentes do que entre adultos (um em cada dez jovens progride de regime, enquanto três adultos têm o mesmo benefício).

E por último, é fundamental prender os criminosos, sim. No entanto, a prisão não é eterna. Um dia a punição imposta acaba e esse indivíduo voltará a conviver em sociedade. E o que queremos: que enquanto encarcerado seja tratado como animal em uma escola do crime ou que viva em um ambiente que permita, pelo menos, alguma chance de recuperação e reinserção? É preciso perceber que o descaso com os apenados em algum momento se volta contra o cidadão que está do lado de fora dos muros. É um debate extremamente importante, porém precisa ser feito longe de preconceitos e visões de soluções imediatistas.

Reduzir a maioridade penal? Reduzir pra quem?

***

Fernando Marroni é deputado federal pelo PT/RS.

Varoufakis ameaça processar UE caso a Grécia deixe a zona do euro

Via Deutsche Welle

“Os tratados da UE não estabelecem requisitos para uma exclusão da zona do euro, e nós nos recusamos a aceitar”, afirmou o ministro grego das Finanças. Agências de classificação de risco rebaixam nota do país.

O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, afirmou nesta segunda-feira (30/06) que a Grécia irá tomar medidas judiciais contra as instituições europeias, caso o país seja excluído da zona do euro. O jornal britânico The Daily Telegraph citou uma afirmação do ministro dizendo que “o governo grego irá lançar mão de todos os direitos legais”.

“Os tratados da UE não estabelecem requisitos para uma exclusão da zona do euro, e nós nos recusamos a aceitar”, afirmou, reiterando que a adesão do país à união monetária não é negociável. Desde a criação da moeda comum europeia, nenhum país foi excluído do tratado. Varoukafis afirmou que, se necessário, o país irá “seguramente considerar” a hipótese de entrar com um processo no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).

O impasse nas negociações entre Atenas e seus credores, aumentam os temores quanto a uma possível saída do país da zona do euro. O ministro das finanças do país, Giorgos Stathakis, confirmou ao jornal britânico Financial Times que o país não pagará 1,6 bilhão de euros devidos ao FMI, cujo prazo para pagamento encerra nesta terça-feira.

Em entrevista concedida nesta segunda-feira à televisão estatal grega, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, havia afirmado que Atenas irá pagar a dívida com o FMI, caso os credores internacionais ofereçam um acordo.

Agências rebaixam nota da Grécia

Na noite desta segunda-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a avaliação de crédito da Grécia de CCC para CCC-, que corresponde ao estágio que antecede a falência estatal. Segundo a agência, a probabilidade de uma saída da Grécia da zona do euro é de 50%.

Após o fechamento temporário dos bancos no país, a agência Fitch rebaixou a nota da Grécia de CCC para RD, acrônimo em inglês para “calote restrito”, e ressaltou que imposição de controles financeiros por parte do governo de Atenas evitou a falência das quatro maiores instituições bancárias da Grécia.

Homicídios são quase metade das mortes de jovens

Por Marcelo Brandão | Via Agência Brasil

Dados do Mapa da Violência, divulgados hoje (29), mostram que os homicídios representam quase metade das causas de morte entre jovens de 16 e 17 anos. O estudo do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz revela que 46% dos jovens mortos nessa faixa de idade foram assassinados. Em 2013, foram 3.749, de um total de 8.153. A projeção é que 3.816 jovens sejam mortos neste ano.

O Mapa da Violência mostra que 93% das vítimas são homens. Outros perfis que se destacam são de escolaridade e cor. Homens negros morrem três vezes mais que homens brancos, e as vítimas com baixa escolaridade também são maioria. Além disso, a arma de fogo foi usada em 81,9% dos homicídios de adolescentes de 16 anos e em 84,1% dos homicídios na faixa de 17 anos.

De acordo com o estudo, a Região Nordeste apresentou os maiores índices de violência. São 73,3 jovens mortos a cada 100 mil. A média do Centro-Oeste também é alta, de 65,3, comparada à média nacional, de 54,1, em 2013. Há ligeira mudança de perfil quando se fala nos estados mais violentos para jovens de 16 e 17 anos.

“Alagoas, Espírito Santo e Ceará lideram o ranking de mortalidade de pessoas de 16 e 17 anos. Em contrapartida, as menores taxas são encontradas no Tocantins, em Santa Catarina e São Paulo. Ainda assim, são consideradas elevadas, pois ultrapassam o patamar epidêmico de 10 homicídios por 100 mil”, descreve o Mapa da Violência.

O estudo de Waiselfisz mostra ainda que em um universo de 85 países, o Brasil ocupa a terceira posição em relação à taxa de homicídios de jovens entre 15 e 19 anos. São 54,9 mortes a cada 100 mil. O segundo colocado, El Salvador, apresenta taxa ligeiramente maior, com 55,8. Já o México, primeiro colocado, tem taxa de 95,6 mortes por 100 mil.

“A taxa brasileira é 275 vezes maior do que a de países como Áustria, Japão, Reino Unido ou Bélgica, que apresentam índices de 0,2 homicídios por 100 mil. Ou 183 vezes maior que as taxas da Coreia do Sul, da Alemanha ou do Egito”, aponta a pesquisa, que pode ser acessada neste link.

O fascismo não é nacionalista, mas racista

Por Adriano Benayon

Algumas vezes fiz comentários sobre o fato de a associação que se costuma fazer de nacionalismo com fascismo é fruto, na maior parte, da lavagem cerebral que impingem aos povos os meios de comunicação social controlados pelo império mundial.

Na realidade, não só são linhas diferentes de pensamento e posicionamento político, mas até opostas.

Isso porque o nacionalismo é posição de resistência ao império globalizante, que faz de todos os povos, até mesmo o das metrópoles imperiais, um mero objeto, enquanto que o fascismo tem sido historicamente um movimento a serviço desse império.

De fato, não é de ignorar que supostas democracias como os EUA e o Reino Unido encobrem realidade fascista, pois se trata de Estados que usam e abusam de manipulações financeiras, comerciais etc. apoiadas por formidáveis forças militares, para explorar as nações, à base de intervenções e/ou chantagem militar, além da permanente intervenção por outros meios, dirigidas por seus serviços secretos e n outras entidades.

Querem coisa mais fascista que os Estados criados pelo império britânico no Oriente Médio, como a Arábia Saudita e os diversos reinos petroleiros, que esmagam os povos árabes da região. Ou que os degoladores do ISIS, Al Qaeda e n outros grupos suscitados e alimentados pelas potências angloamericanas?

Tenho mencionado, em relação à história do fascismo na Europa dos anos 20, 30 e 40 do século XX, a espantosa ignorância, fomentada pelas universidades famosas e por outras menos badaladas, de como Hitler chegou ao poder, através da chantagem exercida pela oligarquia financeira junto ao presidente Marechal Hindenburg, para nomear Hitler, já em declínio eleitoral, em janeiro de 1933, para a Chancelaria (primeiro-ministro) da República de Weimar.

Isso, inclusive, com o claro objetivo de promover a 2ª Guerra Mundial, conforme a intenção, nunca escondida, de Hitler.

Esse sempre foi racista, inclusive admirador fanático, do império britânico. A Alemanha não era o importante para ele, mas sim a raça nórdica, os germânicos, de que fazem parte os ingleses, originários dos anglos (da região entre a Dinamarca e norte da Alemanha) e dos saxões (da Saxônia, região do centro –norte, onde está Hannover). Além disso, os britânicos descendem dos normandos, povo originário do Norte (principalmente Noruega), que trouxeram o francês, para misturar com o anglo-saxão, pois ficaram falando francês antes de conquistarem as Ilhas Britânicas, no ano 1066.

A admiração pelos ingleses certamente decorria de o Império britânico exercer a supremacia da raça, espezinhando os povos considerados inferiores, com toda a crueldade e arrogância que se pudesse imaginar.

Bem, há provas do amor de Hitler pelos britânicos, maior do que pela Alemanha.

Entre outros:

a) Deu ordem de alto (Halt), por 36 horas, ao Exército alemão (evidentemente contra a opinião dos generais), quando a Wehrmacht, já na Bélgica, a caminho da invasão da França, no verão europeu de 1940, havia cercado a força expedicionária da Inglaterra, permitindo-lhe fugir na famosa retirada de Dunquerque (Dunkirk), salvando-a assim de ser destroçada e aprisionados seus combatentes;

b) Mandou seu braço-direito, Rudolf Hess saltar de pára-quedas na Inglaterra em missão de paz; seu objetivo era concentrar-se totalmente na invasão da União Soviética, iniciada no verão de 1941, o que praticamente ocorreu pois nesse ataque (Operação Barbarossa), foram engajados 90% das divisões alemãs, sendo 100% das de elite.

Stiglitz: O ataque da Europa à democracia grega

Por Joseph Stiglitz | Via Esquerda.net

Prémio Nobel da Economia Joseph Stigliz na Universidade de Columbia. Foto de Abhisit_Vejjajiva/Flickr

Devemos ser claros: quase nenhum do enorme manancial de dinheiro emprestado à Grécia foi verdadeiramente para lá. Foi canalizado para pagar aos credores do setor privado – incluindo bancos alemães e franceses. O que a Grécia obteve foi uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários desses países.

O crescimento exponencial de disputa e conflitualidade no seio da Europa pode parecer a quem está de fora como sendo o resultado inevitável do amargo fim do jogo entre a Grécia e os seus credores. Na verdade, os líderes europeus estão finalmente a revelar a verdadeira natureza da disputa da dívida em curso, e a resposta não é agradável: é sobre poder e democracia muito mais do que dinheiro e economia.

Claro, a política económica por detrás do programa que a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) tem impingido à Grécia há cinco anos tem sido abismal, resultando num declínio de 25% do PIB do país. Não consigo pensar em nenhuma depressão que alguma vez tenha sido tão deliberada e que tenha tido tais consequências catastróficas: a taxa de desemprego entre os jovens da Grécia, por exemplo, já ultrapassa os 60%.

É surpreendente que a troika se tenha recusado a aceitar a responsabilidade por alguma coisa destas ou admitir o quão maus tenham sido as suas previsões e modelos. Mas, o que é ainda mais surpreendente é que os líderes europeus não tenham sequer aprendido. A troika ainda exige que a Grécia alcance um excedente orçamental primário (excluindo o pagamento de juros) de 3,5% do PIB em 2018.

Economistas de todo o mundo condenaram essa meta como punitiva, porque exigi-la resultará inevitavelmente numa recessão mais profunda. Na verdade, mesmo que a dívida da Grécia seja reestruturada para além de qualquer coisa imaginável, o país permanecerá em depressão se os eleitores se comprometerem com a meta da troika no referendo, a ser realizado sob pressão este fim de semana.

No que respeita a transformar um grande défice primário num excedente, poucos países fizeram algo parecido com o que os gregos alcançaram nos últimos cinco anos. E, embora o custo em termos de sofrimento humano tenha sido extremamente elevado, as propostas recentes do governo grego fizeram um longo caminho para serem atendidas as exigências dos seus credores.

Devemos ser claros: quase nenhum do enorme manancial de dinheiro emprestado à Grécia foi verdadeiramente para lá. Foi canalizado para pagar aos credores do setor privado – incluindo bancos alemães e franceses. O que a Grécia obteve foi uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários desses países. O FMI e os outros credores “oficiais” não precisam do dinheiro que está a ser exigido. Num cenário business-as-usual, o dinheiro recebido, provavelmente, serviria para ser novamente emprestado à Grécia.

Mas, novamente, o que interessa não é o dinheiro. É sobre usar “prazos” para forçar a Grécia a ceder e aceitar o inaceitável – não apenas medidas de austeridade, mas outras políticas regressivas e punitivas.

Mas por que é que a Europa está a fazer isto? Por que é que os líderes da União Europeia estão a resistir ao referendo e a recusar-se a estender, por alguns dias, o prazo de 30 de junho para o próximo pagamento da Grécia ao FMI? Não foi a Europa toda formada em cima da ideia da democracia?

Em janeiro, os cidadãos da Grécia votaram por um governo comprometido em acabar com a austeridade. Se o governo estivesse simplesmente a cumprir as suas promessas eleitorais, já teria rejeitado a proposta. Mas queria dar aos gregos uma hipótese para refletirem sobre esta questão, tão determinante para o bem-estar futuro do seu país.

Esta preocupação com a legitimidade popular é incompatível com a política da zona euro, que nunca foi um projeto muito democrático. A maioria dos seus governos não procurou aprovação do seu povo quando entregou a soberania monetária ao BCE. Quando a Suécia o fez, os suecos disseram não. Entenderam que o desemprego subiria se a política monetária do país fosse estabelecia por um banco central que incidisse única e exclusivamente sobre a inflação (e também que houvesse uma atenção insuficiente para com a estabilidade financeira). A economia sofreria, porque o modelo subjacente à zona euro se baseou em relações de poder desfavoráveis aos trabalhadores.

E, com certeza, o que estamos a ver agora, 16 anos após a zona euro ter institucionalizado essas relações, é a antítese da democracia: muitos líderes europeus querem ver o fim do governo de esquerda do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Afinal de contas, é extremamente inconveniente ter na Grécia um governo que é tão contrário aos tipos de política que tanto fizeram para aumentar a desigualdade em muitos países avançados, e que é tão empenhado em reduzir o poder desenfreado da riqueza. Parecem acreditar que podem, eventualmente, derrubar o governo grego forçando-o a aceitar um acordo que viola o seu mandato.

É difícil aconselhar os gregos a como votar a 5 de julho. Nenhuma alternativa – aceitação ou rejeição dos termos da troika – vai ser fácil, e ambos carregam enormes riscos. Um voto sim significa depressão quase sem fim. Talvez um país empobrecido – que já vendeu todos os seus ativos e cujo povo jovem brilhante emigrou – poderá finalmente conseguir um perdão da dívida; talvez, depois de se ter transformado numa economia de rendimento médio, a Grécia poderá finalmente receber apoio do Banco Mundial. Tudo isto pode acontecer na próxima década, ou talvez na década seguinte.

Por contraste, um voto não abre, pelo menos, a possibilidade de a Grécia, com a sua forte tradição democrática, pegar no destino pelas suas próprias mãos. Os gregos poderão ganhar a oportunidade de moldar um futuro que, embora não tão próspero quanto o passado, é muito mais esperançoso que a inconcebível tortura do presente.

Eu sei como votaria.

Petrobras: Desinvestimento e desmobilização

Por Deyvid Bacelar | Via deyvidbacelar.com.br

Aldemir Bendine, atual presidente da Petrobras e responsável pela orientação mercadológica imprimida nas políticas da estatal.

O resultado disso deve ser a redução de emprego, renda e a desarticulação de vários setores da indústria nacional.

O término da última reunião do Conselho de Administração da Petrobrás determina um marco na trajetória da empresa e toda a categoria petroleira nas últimas décadas. Desde as grandes dificuldades vivenciadas no período governo tucano, como as tentativas recorrentes de privatização, a estatal vive provavelmente a maior ameaça de desintegração dos últimos 15 anos.

Após a fracassada estratégia do governo FHC de pulverização, fatiamento e abandono da Petrobrás, cuja finalidade era a sua privatização, o governo Lula formulou uma nova estratégia, reconstruindo-a. A empresa expandiu exponencialmente sua taxa de investimentos, descobriu as enormes reservas de petróleo e gás na camada do pré-sal brasileiro, reassumiu o papel de integração da cadeia de energia, ampliou sua atuação em novos setores de energia sustentável, assumiu uma posição de grande player internacional por meio da realização de investimentos em vários mercados internacionais e se tornou, nos últimos anos, o maior símbolo global de sucesso tecnológico e inovador, chegando a produzir 800 mil barris por dia em apenas 8 anos de descoberta do pré-sal. Na crise internacional de 2008, ao lado dos bancos públicos, realizou um papel central na política anti-cíclica elaborada pelo Governo Federal que impediu uma recessão ainda mais grave da economia brasileira naquele momento.

No entanto, apenas seis anos depois, a nova gestão retoma a fadada estratégia do governo tucano. O projeto de recuperação proposta pela nova gestão é nada mais, nada menos, que o retorno, talvez mais intenso, do projeto tucano de fatiamento, diminuição e pulverização da Petrobrás. A resposta para crise da Lava-Jato e do mal resultado observado em 2014 atende uma antiga demanda dos mercados de capitais, representados pelos acionistas minoritários da empresa e pelos segmentos conservadores da sociedade brasileira. A opção é desinvestir brutalmente, abrir mão de setores não lucrativos e reduzir fortemente a atuação em segmentos que não estejam envolvidos com a área de exploração e produção. A expectativa é que, com essa nova estratégia, a empresa retome a confiança dos mercados e recupere sua trajetória de lucro. Neste sentido, as primeiras linhas da divulgação do novo Plano de Negócios, a empresa apresenta como objetivos fundamentais “a desalavancagem da Companhia e a geração de valor para os acionistas”.

Por outro lado, ao tomar essas iniciativas de redução dos investimentos, a Petrobrás esta ignorando todos os impactos sociais em várias regiões do país e seu papel fundamental de impulsionadora de vários outros segmentos da indústria, na geração de emprego e renda para a sociedade brasileira. A escolha foi a retomada da credibilidade com o mercado, em contrapartida, estamos perdendo a Petrobrás que, quando atua, materializa um Estado Nacional forte e envolvido com as demandas sociais do Brasil.

Para que não pareça exagero, veja os montantes que a nossa Petrobrás pretende desmobilizar nos próximos anos: redução de cerca de 37% dos investimentos da empresa para os próximos cinco anos, o que significa US$76,2 bilhões; a projeção da produção de petróleo se reduziu de 4,2 milhões de barris/dia para 2,8 milhões em 2020. Além disso, a estatal apresentou um plano de desinvestimentos, ou seja, VENDA de ativos que envolve US$15,1 bilhões durante 2015/2016 e US$42,6 bilhões em 2017/2018.

Como se não bastasse a estratégia de investimento, o embate político-ideológico se tornou totalmente convergente aos interesse únicos e exclusivos do mercado. Todas as alternativas colocadas pela FUP para financiamento da empresa – desoneração tributária, tomada de recursos com pagamento de óleo – foram prontamente refutadas e ignoradas pela Diretoria da empresa. Além disso, a posição da Diretoria em relação à alteração da lei do pré-sal – proposta pela oposição tucana – é que seja inserida na lei o direito de recusa da Petrobrás em adquirir os 30% da exploração do campo do pré-sal, ou seja, a empresa também concorda que possa abrir da sua exploração em certas situações.

Em suma, o resultado da reunião do Conselho, foi que a estratégia de pulverização de áreas e descontinuidade de várias atividades, como petroquímica, distribuição e logística; a priorização de áreas altamente rentáveis impulsionando inclusive a venda de alguns negócios do E&P, inclusive no pré-sal. E, por fim, um forte afastamento do papel social da Petrobrás, tendo em vista a postura demonstrada pelos conselheiros sobre os interesses públicos e o papel social da Petrobrás, inclusive em confronto com os interesses do próprio petroleiro.

Para os trabalhadores, talvez seja o momento mais crítico observado desde a greve de 1995. É uma terrível coincidência que vinte anos após aquele momento, a categoria se depare, com uma nova tentativa de destruição da Petrobrás. Além das ameaças de uma redução ainda mais intensa dos empregos terceirizados, várias cidades e regiões, sofrem uma perspectiva de desarticulação das suas cadeias produtivas e dos setores de serviços. Assim como a empresa remontou à vinte anos atrás, é o momento da categoria petroleira ter a unidade e a força para evitar mais um retrocesso contra a maior empresa desse país.

Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas é criado na China

Via Agência Lusa

Representantes de 50 países, entre os quais o Brasil, assinaram hoje (29) o acordo constitutivo do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), a primeira instituição financeira internacional proposta pela China. A assinatura, que demorou cerca de 40 minutos, aconteceu em um dos salões do Grande Palácio do Povo, no centro de Pequim.

Um a um, por ordem alfabética, os representantes de cada país assinaram o acordo constitutivo do novo banco: a Austrália foi o primeiro e o Vietnã o último. Cinquenta e sete países de cinco continentes estão aprovados como membros fundadores do BAII, mas sete aguardam ainda a autorização interna, disse a imprensa oficial chinesa. O Brasil estava representado pelo seu embaixador na China, Valdemar Carneiro Leão.

O acordo terá ainda de ser ratificado pelos parlamentos dos países fundadores, mas até ao final do ano, o banco estará formalmente instituído, anunciou o ministro chinês das Finanças, Lou Jiwei. Depois da cerimônia, os chefes das delegações encontraram-se com o presidente chinês, Xi Jinping.

Visto inicialmente em Washington como um concorrente ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, duas instituições sediadas nos Estados Unidos e habitualmente lideradas por norte-americanos e europeus, o BAII acabou por suscitar a adesão de mais de 20 países fora da Ásia, da Austrália  à Alemanha. Das grandes economias mundiais, apenas os Estados Unidos e o Japão ficaram de fora.

O  novo banco terá sede em Pequim e deverá funcionar ainda este ano com um capital de US$ 100 bilhões, cerca de 30% dos quais assegurados pela China.

Proposto em outubro de 2013 pela China, o projeto de criação do BAII foi formalmente apresentado há nove meses em Pequim com o apoio de 22 países asiáticos, entre os quais a Índia, que é o segundo maior investidor.

Num artigo publicado na semana passada no jornal  China Daily, o ministro chinês das Finanças garantiu que o novo banco “adotará as boas práticas internacionais” e irá “operar de forma profissional, eficiente, transparente e limpa”.

Segundo estimativas citadas na imprensa chinesa, as necessidades da Ásia-Pacífico no domínio das infraestruturas ao longo da próxima década serão de aproximadamente US$ 8 bilhões.