Arquivo mensais:maio 2015

Líderes partidários fecham acordo sobre ordem de votação da reforma política

Por Iolando Lourenço | Via EBC

Protesto contra a reforma política dos deputados que visa manter o financiamento de campanha por empresas.

Os Líderes partidários e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fecharam acordo, esta noite, sobre a ordem de votação dos temas da reforma política. Pelo acordo, a votação será iniciada amanhã (26), em sessão extraordinária, com a matéria que trata do sistema eleitoral. As votações obedecerão a seguinte ordem: vota-se o sistema de lista. Depois, o sistema distrital misto. Em seguida, o distritão e, por último, o distritão misto.

Concluída a votação do sistema eleitoral, será iniciada a votação do tema financiamento de campanha, começando pelo sistema público e privado – extensivo à pessoa jurídica. Depois, o público e privado – restrito à pessoa física, e finaliza com o sistema público de financiamento. Concluída essa votação, passa-se para a apreciação do item que trata do fim ou não da reeleição para cargos executivos. Em seguida, os deputados passam a analisar a matéria sobre o tempo de mandato e, depois, a questão da coincidência ou não de eleição (dois anos para o próximo ano, seis anos para o próximo ano e dois anos para 2020).

Terminadas as apreciações dessas matérias, os parlamentares iniciarão a discussão e votação da cota para as mulheres no Parlamento. Depois, dependendo do resultado da votação do sistema eleitoral, terão inicio as votações do fim das coligações e da cláusula de desempenho (barreira). Finalmente, os deputados deverão votar os temas independentes que incluem o voto obrigatório e a data de posse do presidente da República, que atualmente ocorre em 1º de janeiro.

A decisão do presidente da Câmara é que esta semana seja dedicada exclusivamente às votações da reforma política. Cunha disse, porém, que se o Senado alterar alguma das medidas provisórias do ajuste fiscal, ele suspenderá temporariamente as votações da reforma política para apreciar as modificações feitas pelos senadores nas medidas provisórias (MP) do ajuste fiscal.  “Se o Senado alterar alguma das MPs, como elas perdem a validade na segunda-feira (1º), eu interromperei momentaneamente para votar as alterações da MP, porque eu não vou deixar perder a validade de uma MP em função de uma pauta”.

Na reunião da noite de hoje foi oficializado que o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que presidiu a comissão especial que analisou a matéria da reforma, será o relator da proposta de reforma política que será apresentada amanhã (26) ao plenário da Câmara. Maia se comprometeu a apresentar o relatório até as 9 horas. A reunião de líderes da semana passada começou a construir esse acordo. “Vamos construir um texto que possa ser votado artigo por artigo. Depois os destaques de outras propostas em cima dos mesmos temas”, disse.

Financiamento eleitoral: a Câmara quer fazer uma piada virar lei?

Por Otaviano Helene | Via Correio da Cidadania

A democracia depende, evidentemente, dos fatores que pesam na escolha dos e das ocupantes dos cargos políticos e, entre eles, certamente, os mecanismos de financiamento das despesas com as campanhas políticas. Infelizmente, no caso brasileiro, este fator acabou por ter peso enorme e definitivo, fruto de legislação de meados da década de 1990 (Leis 8713, de 1993, e 9504, de 1997), que permite que pessoas físicas financiem candidaturas com até 10% de seu rendimento anual bruto e pessoas jurídicas, excluindo as que, por lei, não podem contribuir, com até 2% do faturamento anual. Como resultado, os custos das campanhas políticas aumentaram enormemente e a dependência de financiamentos praticamente neutralizou o efeito dos demais fatores que poderiam contribuir para os resultados eleitorais. Ou seja, as campanhas políticas passaram a ser totalmente dependentes das possibilidades financeiras dos partidos e de seus candidatos.
O poder de financiamento por pessoas físicas, aqueles 10% da renda anual do doador, nos remete à Constituição de 1824, na qual o poder político dependia, como depende hoje, da riqueza das pessoas: naquela época, quem não tivesse cem mil réis de renda anual não poderia votar nem mesmo em eleições paroquiais; para votar em deputados e senadores havia a exigência de uma renda mínima de 200 mil réis; finalmente, só poderiam ser deputados aqueles que tivessem renda de pelo menos 400 mil réis por ano. Na prática, não há qualquer diferença entre o que previa a Constituição de 1824 e a legislação atual.

Pessoas jurídicas (lojas, fábricas, empreiteiras, farmácias e laboratórios farmacêuticos, agências de publicidade, fazendas, construtoras etc.) não deveriam ser entes políticos: não podem ter ideologia, vontade ou preferência política, não podem se filiar a partidos, nem se candidatar a nada e, óbvio, não podem votar. Evidentemente, não deveriam poder interferir nos resultados eleitorais, nos partidos ou nas candidaturas e, portanto, não poderiam financiar campanhas eleitorais.

A doação oriunda de empresa é feita pela pessoa jurídica, não por seus donos, acionistas, ou por sua alta direção com dinheiro pessoal, e é necessariamente incluída na planilha de custos da empresa. Portanto, quem arcará com as despesas de financiamento eleitoral são os consumidores de seus produtos e serviços. Os seus trabalhadores também são prejudicados, pois as despesas com financiamento eleitoral entram na planilha de custos no mesmo nível que os salários, os insumos, os impostos etc. Em resumo, quem decide os candidatos ou partidos a serem beneficiados são os controladores das empresas, mas quem paga a conta são os seus clientes ou fregueses e seus trabalhadores.

E, ao que se saiba, nenhuma empresa jamais consultou seus clientes, fregueses ou trabalhadores para saber que partidos ou candidatos financiar. Em resumo: consumidores, clientes e trabalhadores dessas empresas entram com o dinheiro e seus donos, seus grandes acionistas e altos dirigentes entram com a preferência política e ideológica; nós financiamos os candidatos e partidos que interessam às elites.

A lei atual tem um disfarce de moralidade, pois limita o financiamento por empresas a 2% do faturamento anual. Mas que limite é esse? O faturamento das empresas de um país é medida na mesma escala que o PIB, trilhões de reais no caso brasileiro, e 2% de alguns trilhões de reais são muitas dezenas de bilhões de reais. Ainda que muitas empresas sejam proibidas de doar, o dinheiro disponível por esse meio para campanhas é muito mais do que suficiente para financiar milhares de candidaturas a peso de ouro e, por sinal, muito mais do que é efetivamente gasto. Ou seja, há muita reserva à disposição das empresas e, se não a usam, não é porque não podem, mas porque não precisam: para elas, ou melhor, para seus controladores, está mais do que bom assim.

Financiamento por empresas é inconstitucional, como já reconheceu a maioria dos juízes do STF em votação sobre a questão. Mas esse reconhecimento de ilegalidade está “no forno”, uma vez que um dos membros do STF pediu vistas ao processo em abril de 2014. O que vai acontecer?

Ora, frente a tão grande ilegalidade e imoralidade – afinal, repetindo, pessoas jurídicas não podem ter vontade política pela Constituição do país -, uma comissão especial da Câmara dos Deputados está tomando as providências para corrigir a situação, enquanto aquele membro do STF segura o processo. Mas, qual providência? Legalizar o financiamento eleitoral por empresas!

Para o grande público, a proposta em elaboração será apresentada como sendo moralizante, pois as doações só podem ser feitas aos partidos, jamais aos candidatos. Ora, isso nada muda em relação à atual situação. Além disso, como são “os partidos [que] deverão definir critérios para a distribuição interna dos recursos”, a doação poderá se consumar só se a distribuição interna estiver de acordo com a vontade do doador. (A Proposta de Emenda Constitucional, PEC, 182 de 2007 pode ser facilmente encontrada no sítio da Câmara dos Deputados.) Para reforçar a embalagem pretensa e falsamente moralizante da proposta, ela prevê a existência de tetos a serem definidos em lei, tetos em “valores absolutos e em percentuais”, como diz a PEC. (Por sinal, senhores deputados proponentes, porcentual do quê?) Ora, hoje há tetos: 2% do faturamento no caso de pessoas jurídicas e 10% da renda no caso de pessoas físicas, e os novos limites serão estabelecidos por aqueles que foram eleitos por financiamentos de empresas e de pessoas abastadas.

Mark Twain tem muitas frases jocosas e uma delas é “Nós temos o melhor governo que o dinheiro pode comprar”. Como Mark Twain não está vivo, alguém precisa explicar aos proponentes da PEC que essa frase era apenas uma piada, não um projeto de lei.

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Otaviano Helene é professor no Instituto de Física da USP, ex-presidente da Adusp e do Inep, autor do livro “Um diagnóstico da Educação Brasileira e de seu financiamento”: mantém o blog www.blogolitica.blogspot.com .

Ciro Gomes: “Congresso de ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido”

Por Marcelo Pellegrini e Wanderley Preite Sobrinho | Via Carta Capital*

Foto: Greg Salibian/CartaCapital

Agora na iniciativa privada, como chefe da ferrovia Transnordestina, o ex-ministro da Integração Nacional e ex-governador do Ceará Ciro Gomes não poupou o Congresso Nacional e as coligações partidárias durante sua participação na 3ª edição do Fórum Brasil promovido por Carta Capital, cujo tema neste ano é “Crescer ou crescer”. Para Ciro, o parlamento está dominado por ladrões.

Ciro participou de uma mesa de debate com o ex-ministro da Defesa e das Relações Internacionais Celso Amorim e o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), David Barioni Neto. Os três se reuniram na tarde desta sexta-feira 22 para falar sobre o tema “Exportações, o Caminho para Sair da Crise”. Segundo a falar, Ciro revelou seu pessimismo em relação à retomada do crescimento econômico: “O Brasil não tem projeto”, afirmou.

Ciro, candidato ao Planalto em 1998 e 2002, é difícil criticar os rumos da política industrial e de comércio exterior brasileira porque eles simplesmente não existem. “Temos de forçar a elite brasileira a ajuizar nossa agenda, que é inexistente. O Brasil não tem projeto. Qualquer bodega no Ceará tem projeto, mas o Brasil não.”

A culpa, afirmou Ciro Gomes, começa pelas alianças partidárias no Congresso, considerado o mais conservador desde a redemocratização do Brasil. “Brasília está dominada por uma coalizão de gatunos e incompetentes”, afirmou. “E isso é grave menos pela novela moralista e mais pelo cinismo de um Congresso de ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido”, disse.

Gomes poupou a presidente Dilma Rousseff das críticas, a quem considerou “uma exceção, porque é honrada e tem espírito público”.

O comentário de Ciro, ex-governador do Ceará, vai ao encontro do que afirmou seu irmão Cid, ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff. Em evento na Universidade Federal do Pará, Cid disse haver no Congresso “400 ou 300 achacadores” se aproveitando da fraqueza do governo para levar vantagens. A frase provocou indignação contra Cid no Congresso, e ele acabou deixando o governo.

A terceira edição do Fórum Brasil faz parte da série Diálogos Capitais, uma iniciativa da Editora Confiança que busca apresentar e discutir temas de grande relevância para o País.

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* Título modificado pelo Viomundo e aqui reproduzido.

O complexo processo de ajuste fiscal

Por Rodrigo Medeiros | Via Jornal GGN

A importante discussão vigente sobre o ajuste fiscal em curso no Brasil tem ocorrido publicamente de forma razoavelmente qualificada. Não se trata de um processo isento de controvérsias e contradições, pois ainda não superamos o subdesenvolvimento e as históricas desigualdades socioeconômicas (clique aqui). Portanto, as divergências intelectuais situam-se para além do tom do ajuste planejado. Vejamos brevemente alguns pontos do debate.

Grandes déficits fiscais e em conta corrente do balanço de pagamentos sinalizam a necessidade, em algum momento, de ajustes para um país. As variáveis desses ajustes podem se processar pelas vias do câmbio e/ou da retomada do crescimento econômico (investimentos). Há também quem defenda a redução de gastos públicos em um contexto de retração econômica, algo que Paul Krugman ironicamente chamou de “a fada da confiança” (clique aqui). Afinal, quem irá efetivamente investir em um contexto de retração ou recessão econômica?

A composição do ajuste é capaz de fazer uma grande diferença. Em um relatório intitulado “Por que menos desigualdade beneficia a todos”, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que “a diferença entre ricos e pobres nunca esteve tão alta”. A disparidade aumentou durante a crise em países como a Espanha, entre outras razões, pelos ajustes fiscais, pelo aumento dos impostos e pelos cortes de benefícios sociais (clique aqui). Para a OCDE, a desigualdade crescente inibe o crescimento e ela já retirou 4,7 pontos percentuais do PIB entre 1990 e 2010 nos países que compõem o grupo. Ademais, alguns estudos constatam a presença de um novo tipo de trabalhador: “o precariado” (clique aqui). O Brasil seria um campo fértil para a proliferação do precariado desde os anos 1980.

Hoje existem muitas políticas capazes de aumentar o crescimento e a equidade, como maior acesso à educação. A tributação progressiva e transparente, por exemplo, também se mostra útil. Com uma maior propensão marginal ao ato de poupar, essa virtude individual dos mais abastados pode se transformar em “tirania” nos tempos de recessão ou depressão econômica para uma coletividade. Como disse Minsky, “o maior defeito da economia capitalista é ser instável. Isso não se deve a choques externos ou à ignorância dos policymakers, mas sim a processos inerentes a ela (..) isso pode ser evitado ou pelo menos minimizado por meio de instituições e políticas apropriadas” (clique aqui).

A economia brasileira se desindustrializou prematuramente nos últimos anos, algo que já afeta o seu crescimento potencial, e a grande parte dos postos formais de trabalho foi gerada em setores de baixa produtividade. Segundo o estudo de Andre de Queiroz Brunelli: “Apesar de o crescimento populacional da classe média ser consideravelmente maior do que o da classe mais rica, o gasto total e sua fração em serviços da classe mais rica foi suficientemente grande de modo que esta classe responde mais do que a classe média pelo crescimento dos gasto total das famílias com serviços (…) as pressões de demanda serão derivadas especialmente de serviços pessoais e transportes uma vez que o consumo destes agrupamentos do IPCA concilia tanto uma alta fração do consumo total de serviços quanto alta sensibilidade a aumentos de renda das famílias brasileiras” (clique aqui).

Conforme aponta o estudo, a continuidade do processo de inclusão social entre nós tenderá a manter a inflação sob constante pressão, a menos que seja contrabalançada por ganhos de produtividade em setores comercializáveis capazes de reduzir outros preços na economia brasileira. Essas questões não se limitam ao campo do economicismo. Precisamos de estadistas, do bom debate de ideias, do aperfeiçoamento institucional e não gastar mais tanto tempo debatendo as mesquinharias de uma polarização político-partidária que não foi capaz de nos levar além da difícil situação que hoje nos encontramos.

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Rodrigo Medeiros é professor do Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo)

A esperança de retomada do crescimento brasileiro trazida pelo premiê da China

Por J. Carlos de Assis

A indigência e a má fé da grande mídia brasileira impediram que o Brasil tomasse conhecimento de uma das mais importantes sinalizações de mudança de paradigma nas relações internacionais pela qual o conceito tradicional de concorrência mortal entre os países cede lugar ao de cooperação. Esse recado foi dado pelo Primeiro Ministro chinês, Li Keqiang, durante sua visita ao Brasil, principalmente no discurso feito em Brasília. Nele a palavra “cooperação” aparece nada menos que 12 vezes.

Há uma avaliação vulgar, principalmente entre economistas, segundo a qual a aproximação com a China coloca o risco da substituição do colonialismo português, britânico e posteriormente americano pelo colonialismo chinês. Peço que leiam atentamente esse discurso, do qual só obtive a tradução em espanhol, para que avaliem diretamente a procedência dessa bobagem. Os chineses querem parceria e cooperação. Estão substituindo relação comercial por integração produtiva.

Pessoalmente, estou dedicado a indicar a empresários brasileiros a tremenda oportunidade de articulação produtiva com a China através do Projeto Transul, sobre o qual já falei. O Governo está lento nessa matéria, mas acredito que os ministros Armando Monteiro e Nelson Barbosa aproveitem o momento para deslanchar um programa de investimentos pós-ajuste, no montante possível de 300 bilhões de dólares, e evitando em parte os principais efeitos de um ajuste em excesso. Por favor, leiam o discurso que me foi cedido por Liu Tong, diretor da agência de notícias Xinhua em Brasília. A resposta da nossa Presidenta vai junto:

Li Keqiang Asiste Junto con Presidenta de Brasil Rousseff a Cumbre Empresarial China-Brasil y Pronuncia Discurso

Al mediodía del 19 de mayo, hora local, el Primer Ministro del Consejo de Estado Li Keqiang asistió junto con la Presidenta de Brasil Rousseff a la Cumbre Empresarial China-Brasil y pronunció un discurso.

Li Keqiang expresó su felicitación por la exitosa celebración de esta Cumbre Empresarial China-Brasil. Li Keqiang dijo que China y Brasil son los principales países emergentes, y las relaciones bilaterales se han ido más allá del ámbito bilateral y tienen una influencia global. En la actualidad, los países desarrollados están promoviendo la re-industrialización y los países en desarrollo quieren también promover la industrialización y la urbanización. China está dispuesta a trabajar junto con Brasil para promover la diversificación de la estructura económica y comercial, esforzarse por profundizar la cooperación en la capacidad de producción, promover activamente los intercambios y la cooperación en los campos de la ciencia, la tecnología y la educación, con el fin de hacer mayores contribuciones a la recuperación económica global.

Li Keqiang señaló que América Latina es una importante piedra angular para la paz y la estabilidad internacionales, es una fuerza emergente para la prosperidad y el crecimiento global y un excelente representante de la convivencia inclusiva de las civilizaciones humanas. China y América Latina tienen una profunda amistad tradicional y la cooperación cada vez más estrecha en diversos campos. Las relaciones entre China y América Latina se encuentran en un nuevo punto de partida histórico. Con la mirada puesta en la cooperación global, mi visita está destinada a consolidar la amistad tradicional entre China y América Latina, profundizar la cooperación pragmática, y promover la transformación y modernización de la cooperación China-América Latina con la cooperación de la capacidad de producción internacional como el punto de ruptura. Esto ayudará a la recuperación económica mundial, a la promoción de la reestructuración y la modernización de las economías de China y América Latina, a lograr el ganar-ganar para múltiples partes, y hacer que la masa popular puedan compartir los frutos del desarrollo.

Li Keqiang subrayó que China está dispuesta a trabajar junto con la parte de América Latina para explorar un nuevo modelo de “3 por 3″ para la cooperación de la capacidad de producción entre China y América Latina:

En primer lugar, debemos adaptarnos a las necesidades de los países de América Latina y construir conjuntamente los tres grandes canales como la logística, la electricidad y la información para lograr la conectividad en el continente sudamericano. Las empresas chinas están dispuestas a trabajar junto con las empresas de América Latina para construir de manera cooperativa un canal logística que atraviesa a todos los países de América del Sur y el caribe con el transporte ferroviario como su columna vertebral, un canal de electricidad que conecta a todos los países latinoamericanos por medio de la transmisión de electricidad de alta eficiencia y las redes eléctricas inteligentes y un canal de información que integra los grandes datos y la computación en nube apoyándose en las tecnologías de Internet y la nueva generación de tecnologías de comunicación móvil.

En Segundo lugar, hay que observar las reglas de la economía de mercado y lograr una modalidad de cooperación de interacción positiva entre la empresa, la sociedad y el gobierno. Tanto China como América Latina aplican la economía de mercado. La cooperación de la capacidad de producción debe seguir el camino orientado al mercado y llevar a cabo la cooperación de proyectos por métodos tales como inversión conjunta, ppp y concesiones a la luz de los principios de “orientación empresarial, manejo comercial, participación social y promoción gubernamental” para que los proyectos pertinentes puedan ser implementados lo antes posible.

En tercer lugar, alrededor de los proyectos de cooperación entre China y Latinoamérica, debemos ampliar los tres canales de financiamiento que son los fondos, los créditos y los seguros. China establecerá un fondo especial para la cooperación de la capacidad de producción entre China y América Latina y proporcionará una financiación de 30 mil millones de dólares para apoyar los proyectos de cooperación en los campos de la capacidad de producción y la fabricación de equipos. China está dispuesta a ampliar la cooperación en campos como el intercambio de divisas y la liquidación en moneda local con los países de América Latina para salvaguardar la estabilidad de los mercados financieros regionales y mundiales.

Dilma Rousseff expresó en su discurso que Brasil y China son socios estratégicos integrales. Bajo la actual situación de la desaceleración del crecimiento económico mundial, el fortalecimiento de cooperación entre los dos países es sumamente importante. Durante la visita del Primer Ministro Li Keqiang, las dos partes firmaron una serie de acuerdos de cooperación intergubernamentales y comerciales, e hicieron un plan para la cooperación bilateral en los próximos siete años. En particular, la propuesta de China de llevar a cabo la cooperación en el ámbito de la infraestructura y prestar el apoyo de financiación será otro hito en el desarrollo económico de Brasil y la cooperación entre Brasil y China, y ayudará a la conectividad y el desarrollo económico en toda la región latinoamericana. Brasil da la bienvenida a las empresas chinas a participar en la construcción de grandes proyectos de Brasil, como la electricidad y el ferrocarril, y espera ampliar aún más la escala del comercio bilateral, promover la diversificación de la estructura comercial, y ampliar la cooperación financiera, a fin de elevar conjuntamente la cooperación bilateral a una nueva altura, en beneficio de los dos países y pueblos y promover la recuperación y el crecimiento de la economía mundial.

Las personalidades de los círculos industriales y comerciales chinos y brasileños presentes en la Cumbre respondieron con prolongado y cálido aplauso a los discursos de los líderes de los dos países.

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José Carlos de Assis é jornalista e economista, doutor pela Coppe/UFRJ e professor de Economia Internacional da UEPB.

Contrarreforma política entra em pauta essa semana, na Câmara

Via Correio do Brasil

O Plenário da Câmara começará a votar a reforma política, nesta terça-feira

A partir desta terça, até quinta-feira, o Plenário da Câmara dos Deputados terá dedicado todas as sessões deliberativas para discussão e votação da reforma política (PECs 182/07, entre outras). Nesta segunda-feira, os líderes partidários definirão os procedimentos para a votação da matéria, que deverá ser analisada por partes. Presidente da Câmara, Eduardo Cunha explicou que os temas poderão seguir, pela ordem: sistema eleitoral; financiamento de campanhas; proibição ou não da reeleição; duração dos mandatos de cargos eletivos; coincidência de mandatos; cota de 30% para as mulheres; fim da coligação proporcional; e cláusula de barreira.

Caso prevaleça esta sequencia, o Plenário analisará em primeiro lugar o chamado “distritão”, modelo que acaba com o atual sistema proporcional para eleição de deputados e vereadores e determina a eleição dos mais votados pelo sistema majoritário. Caso o “distritão” conseguir o apoio de 308 votos, o Plenário passará para o próximo tema, o financiamento. Do contrário, o Plenário discutirá uma outra opção de sistema, o distrital misto, em que parte das vagas será preenchida pelo sistema proporcional e o restante pelo sistema majoritário. Se esse tema perder, será analisado então o sistema de listas partidárias. E se os três modelos forem rejeitados, mantém-se o atual.

O texto dependerá de emendas aglutinativas que poderão ser apresentadas ao longo da votação. Essas emendas surgem do aproveitamento de emendas apresentadas ao texto original e parte ou não do texto, resultando em nova redação que contenha relação com as emendas usadas como suporte.

A votação da PEC 182/07 na comissão especial está marcada para segunda-feira, às 14 horas. Se a votação não ocorrer com celeridade, até a manhã de terça-feira, existe ainda a possibilidade de o presidente da Câmara avocar a matéria para votação diretamente no Plenário.

Mandatos

De acordo com o parecer do relator da reforma política, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), todos os mandatos terão a duração de cinco anos, contra os quatro atuais. Pela proposta, os cinco anos valeriam ainda para os senadores a partir de 2027. O aumento do mandato está vinculado à ideia do fim da reeleição, exceto para os mandatos dos Legislativos municipais, estaduais, distrital e federal.

Para a transição do tempo de mandato coincidir com as eleições gerais unificadas em um único ano, os senadores eleitos em 2018 terão mandatos de nove anos. Atualmente, eles têm mandatos de oito anos.

Conforme o substitutivo do relator, o presidente da República, os governadores e os deputados eleitos em 2018 terão mandatos de quatro anos. Já os prefeitos e vereadores eleitos em 2016 terão mandatos de seis anos. Assim, pela proposta, a partir de 2022, todos os mandatos passarão a ser de cinco anos, com exceção dos senadores, para os quais a regra valerá a partir da eleição seguinte.

Desempenho

Quanto à cláusula de desempenho, o relator prevê uma transição nas duas próximas eleições – 2018 e 2022.

Pelo texto, somente a partir de 2027 valerá por inteiro a cláusula de desempenho partidário: só terão direito a recursos do Fundo Partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão os partidos com representação no Congresso Nacional que obtiverem no mínimo 2% dos votos apurados, distribuídos em pelo menos 1/3 dos estados, com, no mínimo, 1% do total em cada um deles.

Em 2018, terão acesso a recursos do Fundo Partidário e acesso gratuito ao rádio e à TV os partidos com representação no Congresso.

Em 2022, só terão direito a recursos do Fundo Partidário e acesso gratuito ao rádio e à TV os partidos com representação no Congresso que obtiverem, no mínimo, 1% dos votos apurados.

Grécia anuncia que não irá pagar dívida de 1,6 bilhão de euros com FMI

Via Opera Mundi

Governo grego se nega a cortar salários e pensões de trabalhadores para arrecadar dinheiro de pagamento de credores internacionais.

A Grécia anunciou neste domingo (24/05) que não irá pagar ao FMI (Fundo Monetário Internacional) uma dívida estimada em 1,6 bilhão de euros. Em nota oficial, o Ministério do Interior grego afirmou que não será possível cumprir o acordo feito em gestões anteriores com credores internacionais.

“Este dinheiro não será pago, porque não há. Isso é conhecido e discutido com base num otimismo cauteloso de que haverá acordo que permita ao país respirar”, disse o ministro do Interior, Nikos Vutsis.

Gregos foram às ruas em 2014 contra políticas de austeridade. Agência Efe

Uma das razões para a dificuldade em pagar a dívida é que o governo grego se nega a cortar salários e pensões, flexibilizar o mercado de trabalho e implantar a política de austeridade das instituições da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI).

No final de Fevereiro, os parceiros da zona do euro concordaram com a Grécia estender até Junho o empréstimo para chegar a acordo sobre as reformas que o país deve fazer para poder continuar a receber as verbas.

Em entrevista à emissora grega Mega, Nikos Vutsis afirmou que há divergências com o FMI sobre o cumprimento do acordo. Com uma dívida que chega a 175% do PIB e problemas de liquidez, a Grécia negocia há meses com credores a extensão do atual programa de resgate econômico.