Via Jornal GGN

O Governo de São Paulo está descontando dos professores da rede estadual os salários dos dias em que eles estiveram em greve. Os holerites começaram a chegar e confirmaram o que os professores já sabiam: o governador Geraldo Alckmin não abonou as faltas motivadas pela luta por mais direitos trabalhistas.
Os descontos ainda são referentes ao mês de março, quando começou o movimento grevista. Em 1º de abril, a Justiça negou o pedido do Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) de tutela antecipada contra os cortes nos salários.
Um professor que se ausentou por 19 dias das salas de aula teve um desconto de R$ 1,4 mil. Outro que faltou dez vezes viu um corte de R$ 563.
Hoje, quinta-feira (7), o Tribunal de Justiça vai fazer uma audiência de conciliação e julgar o dissídio coletivo.
Ontem, o governador deu uma coletiva no Palácio dos Bandeirantes e disse que, se pagasse integralmente os salários, não estaria cumprindo com suas obrigações. “O governo não faz o que quer, não tem essa liberalidade, não tem sentido isso. Quer dizer, dá aula, tem frequência, não dá aula não tem frequência. Como é que vai dar frequência pra quem não deu aula? Isso é prevaricação”, afirmou.
Ele argumentou que o Estado paga 26% acima do piso salarial do País, e disse que a greve não tem sentido porque existe diálogo. “O governo, claro que podendo, quer dar o máximo”, disse. Na prática, por outro lado, o governo cortou tudo que foi possível, com respaldo da Justiça e passando por cima dos direitos trabalhistas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já proferiu decisões indicando que não é correto descontar salários de servidores, se as greves não forem consideradas ilegais pela Justiça.
Alckmin afirmou que a adesão à greve é de 2,1% para os professores do período da manhã e 1,9% para os do período da tarde. Ele disse que os alunos estão tendo aula porque os professores titulares estão sendo substituídos por eventuais.
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Com informações do G1.
