Renan confronta Dilma e Levy no ajuste fiscal, isola Cunha e vai com Lula contra terceirização

12 Flares Twitter 0 Facebook 12 Filament.io 12 Flares ×
Por Cesar Fonseca | Via Independência Sul Americana

A terceirização das relações do trabalho e o ajuste fiscal estão aproximando o ex-presidente Lula e o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros(PMDB-AL), fortalecendo a movimentação de massa, que, nesse momento, articula a Central Única dos Trabalhadores(CUT). A Central tenta reverter aprovação parcial na Câmara do projeto de lei 4330, que terceiriza relações trabalhistas, sob patrocínio do deputado Eduardo Cunha(PMDB-RJ), apoiado pelos capitalistas industriais de São Paulo. Renan, nessa terça feira, recebeu o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que pediu pressa para o ajuste fiscal que abala as forças produtivas e defendeu partes do projeto 4330, que eleva arrecadação e terceiriza contratações nas empresas estatais. O titular do Congresso jogou água fria em Levy: “Esse ajuste é trabalhista”. Somente os trabalhadores participam do sacrifício. E os tubarões das finanças e dos grandes grupos econômicos, nacionais e internacionais? Vai se configurando quadro de tensões políticas, especialmente, quando o senador da oposição, José Serra(PSDB-SP), inicia ataque ao Banco Central contra os juros altos, considerando a estratégia do BC maior promotora do deficit fiscal, na medida em que aumenta a dívida, sobrevaloriza a moeda e acelera desindustrialização. Renan, no posto de poderoso comandante do Legislativo, vai capitalizando posições favoráveis aos assalariados, sinalizando confronto com Cunha, dentro do PMDB, na tentativa de levar o partido, ideologicamente, na linha oposta à do capital. Luta de classes em cena. Tenta o senador das Alagoas obter o apoio dos sindicatos, nos quais a palavra de Lula é determinante.

Os primeiros passos da sucessão presidencial de 2018 estão sendo dados de forma cada vez mais nítida pelos atores políticos de peso.

Lula, indisfarçadamente, mostra-se, nas academias de ginástica, que está bem de saúde, pressão em cima, pronto para mais um embate.

A bandeira que levanta, no momento, é a da CUT.

Ou seja, contra a terceirização das relações de trabalho, que enterra conquistas históricas dos trabalhadores, expressas na Consolidação das Leis do Trabalho, a famosa CLT de Getúlio Vargas.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha(PMDB-RJ), ao que tudo indica, agiu açodadamente, para atender demandas dos capitalistas industriais de São Paulo.

Colocou-se ao lado do capital, para cumprir promessa de campanha eleitoral.

Recebeu muito apoio do meio empresarial.

Não teve como fugir das cobranças do presidente da poderosa Federação das Indústrias de SP(FIESP).

Preço a pagar pela corrupta legislação eleitoral.

Negou-se, radicalmente, a uma conciliação com o Planalto na apreciação da matéria, na tentativa palaciana de acomodar disputas entre capital e trabalho.

Fez clara opção de classe.

Foi longe.

Não tem volta.

Ainda, por cima, citado na Lavajato, Cunha debate-se com informação de que teria feito requerimento para investigar empresa que estava resistindo a pagar propina em negociações com os intermediários corruptos da Petrobras.

Está enrolado.

Envolvido nesse contratempo, que levanta especulações na grande mídia, em prejuízo claro a sua imagem política, desgastando-a, o titular da Cãmara passou a enfrentar três frentes de batalha:

1 – nas ruas; onde sai é vaiado pelas suas posições consideradas homofóbicas;

2 – na Câmara, onde nasce corrente anti-Cunha, insatisfeita com o modo dele de trabalhar, na base do rolo compressor, impaciente com as controvérsias que seu estilo trator levanta, e

3 – a oposição a ele expressa na posição do senador Renan Calheiros(PMDB-AL), que, sensível às demandas de classe dos trabalhadores, em oposição às dos empresários, destacou que não promverá “pedaladas” contra os assalariados.

Dessa forma, Calheiros aliou-se, estrategicamente, com o ex-presidente Lula, que já discursa abertamente a favor da CUT e conclama a presidenta Dilma Rousseff a vetar o projeto caso seja aprovado no Congresso.

Ao mesmo tempo em que se bate contra Cunha na terceirização, o titular do Senado e do Congresso Nacional considera que o ajuste fiscal articulado pelo ministro da Fazenda, com apoio da titular do Planalto, representa “ajuste trabalhista”.

Trata-se, na avaliação dele, de impor sacrifícios, tão somente, aos trabalhadores, aos assalariados, deixando imexíveis gastos com a máquina governamental.

Renan ainda não detalha o que considera gastos com essa máquina, porque a maior fonte das despesas governamentais não é a do custeio da máquina administrativa em si, mas o financiamento da dívida pública, que representa 45% do Orçamento Geral da União(OGU), estimado em R$ 2,83 trilhões em 2015.

O assunto tende a ganhar dimensão politica extraordinária, atraindo ao debate a oposição.
O senador José Serra(PSDB-SP) tocou na ferida: disse ao Valor Econômico, nessa terça feira, que o Banco Central se transformou em fonte de déficit público, por meio das denominadas ”operações compromissadas”.

O que é isso?

São os chamados swaps, compras de dólares, para enxugar o seu excesso, em decorrência dos juros altos atrativos aos especuladores internacionais sob eutanásia do rentista em seus países onde, atualmente, pratica-se juros zero ou negativo.

O parlamentar paulista diz que fez as contas e concluiu que o BC já desembolsou esse ano R$ 87 bilhões com essas operações, quantia superior ao total de gastos que o ministro Joaquim Levy pretende cortar do orçamento para alcançar superavit primário de 1,2% o PIB esse ano.

Por que o governo não contabiliza essa pedalada financeira do BC?

Segundo a economista Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora nacional do movimento AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA, organizado em 12 estados da Federação, o presidente do BC, Alexandre Tombini, está ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF) ao emitir títulos da dívida para pagar juros, o que representa o resultado prático dos swaps condenados pelo senador José Serra.

Aos poucos, vão surgindo pressões visíveis, no Congresso, contra a fonte principal do deficit público, que é a dívida pública impulsionada pelo endividamento governamental bombado pelos juros escorchantes determinados pelo BC.

Ganha força, portanto, o argumento do senador Renan Calheiros de que o ajuste fiscal é um “ajuste trabalhista”, ataca os assalariados, enquanto beneficia o setor financeiro, quem fatura com a máquina inchada que requer financiamento da banca a juro alto.

A politização desse debate no Congresso está apenas começando e o seu direcionamento cria ambiente que inviabiliza o ajuste do ministro Levy em sua conformação favorável à elite financeira e prejudicial aos trabalhadores.

Renan, de olho na sucessão presidencial de 2108, está escolhendo o seu lado, para ganhar musculatura eleitoral.

Elegeu Lula seu principal companheiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>