Movidos pelo artigo de autoria de André Araújo intitulado Interesse nacional e causa política nos EUA, em que se discorre sobre os efeitos da operação dirigida pelo juiz Sérgio Moro e a impossibilidade de algo correlato nos EUA, os associados discutiram suas concepções e interpretações dos eventos, a maioria deles crendo que seria possível punir corruptos sem arrasar com a relevante indústria de obras e tecnologia, como está acontecendo lamentavelmente dada a sanha de justiçamento das autoridades.
Tania Faillace – Pergunta-se quem é essa fina flor da ética que expõe sua admiração pela canalhice política dos Estados Unidos e seu cinismo?
Um artigo desses é um atentado contra a moral e os bons costumes, como se dizia antigamente.
A pregação do oportunismo levada a suas últimas consequências. Todo e qualquer crime é justificado se alguém alegar o “interesse nacional” dos grandes capitais e das grandes personalidades.
É essa a moral cínica que os coxinhas querem implantar de vez no Brasil? Rouba mas faz?
Que dizem os demais participantes desse grupo? Será uma cruzada com a qual queiram se envolver ou dar seu aval?
Rennan Martins – Está mais do que óbvio que a Lava Jato é uma operação projetada com o objetivo de afundar de vez qualquer resquício de progressismo e entregar de bandeja na mão da velha oligarquia escravocrata a máquina estatal e o poder político por completo.
Marx dizia que o Estado capitalista é usado pela burguesia para garantir seus interesses e se engana quem acha que esse judiciário que aí está serve a justiça. O sistema penal do regime capitalista somente gere os sobrantes, prende preto, pobre, puta e agora petista, punindo eventualmente algum crime pra não ter completamente corroída sua legitimidade.
A esquerda punitiva se enche de ilusão ao ver pela primeira vez executivos e altos funcionários sendo submetidos as mesmas violações e arbitrariedades como tortura, prisão antecipada e presunção de culpa, que os populares sofrem sistematicamente nesse sistema penal designado somente para gerir a pobreza e garantir privilégios.
É impressionante como alguns fecham os olhos pra tudo que ocorre e a escandalosa parcialidade do senhor Moro em nome de uma pretensa “vingança de classe”.
Osvaldo Maneschy – Já foi dito aqui e repito: o mundo não é preto e branco.
A diferença básica entre o PDT é que o PT nunca compreendeu – pelo contrário, sempre ridicularizou – o que Brizola chamava de perdas internacionais.
Weber Figueiredo – Uma das diferenças que havia entre PT e PDT:
1) O PT queria melhorar o Brasil aumentando os salários dos trabalhadores. Essa foi a eterna luta do sindicalista Lula.
2) O PDT queria melhorar o Brasil mudando o modelo econômico colonial, criando riquezas e estancando as perdas (nacionais e internacionais).
Gustavo Santos – Esta discussão está interessante. O que o André Araújo está dizendo é que:
1) a constituição de 88 tirou muito poder da presidência.
2) FHC conseguiu superar isso pelo apoio da mídia e do poder internacional. Aécio quando presidente da Câmara cortou o poder das medidas provisórias sem prazo de validade.
3) o PT além de não ter poder da mídia e internacional, abriu mão de poder na polícia federal, no ministério público e nos tribunais superiores e entre os militares. Em nome de quê? De ser elogiado na mídia pelas indicações?
Deu no que deu.
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Tania Faillace é jornalista e escritora.
Rennan Martins é jornalista.
Osvaldo Maneschy é jornalista.
Weber Figueiredo é engenheiro.
Gustavo Santos é economista.
