Temendo recuperação das Malvinas pela Argentina, Reino Unido reforça presença militar nas ilhas

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Por Marcela Belchior | Via Adital

Reino Unido mantém colônia nas Ilhas Malvinas sob forte aparato militar. Foto: Reprodução.

O Ministério de Defesa do Reino Unido deverá enviar mais tropas às Ilhas Malvinas, cuja soberania está em disputa com a Argentina desde 1833, quando os ingleses invadiram o arquipélago, situado a 250 léguas marítimas da costa argentina. Enquanto os europeus apostam numa “ameaça” argentina para recuperar o território, o país latino-americano afirma que o avanço bélico dos britânicos e a crescente militarização das ilhas são “injustificáveis”.

A pretensão dos britânicos é realizar uma revisão total em matéria de defesa na área e se armar contra uma investida argentina pela recuperação de seu território, com apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. As relações do Estado russo com alguns países ocidentais, entre eles o Reino Unido, se desgastaram ainda mais após a incorporação da península de Crimea, localizada na costa do Mar Negro, ao sul do território ucraniano, à Federação Russa no ano passado. O território estava em disputa política com a Ucrânia desde a dissolução da União Soviética, em 1991.

Atualmente, estão instalados na ilha 1,2 mil efetivos britânicos, além da vigilância marítima e aérea com aeronaves de combate. A Argentina, por outro lado, propôs em diversas ocasiões estabelecer uma mesa de negociações com o governo britânico para solucionar a disputa de soberania. Os ingleses, entretanto, nunca manifestaram interesse na discussão.

A coroa britânica também ignora chamados internacionais, que pedem a resolução do caso. Um deles partiu da Organização das Nações Unidas (ONU), que, em 1965, determinou que o Reino Unido deveria descolonizar o território malvino e aprovou resolução que instava ao diálogo entre as duas partes. As autoridades britânicas, no entanto, buscam justificativa de sua omissão em referendo realizado em 2013, não reconhecido em nível internacional, cujo resultado aponta que a maioria dos malvinenses prefere continuar sendo cidadãos britânicos.

Diante do anúncio de reforço militar britânico, o ministro de Defesa da Argentina, Agustín Rossi, desmentiu que o país sul-americano represente qualquer tipo de ameaça bélica ao Reino Unido, reiterando que o Estado argentino seguirá buscando interlocução com os europeus pelas vias diplomáticas. Em entrevista à imprensa, Rossi ponderou, entretanto, que não há nenhuma comunicação oficial por parte dos britânicos sobre a medida e que, menos ainda, há uma política argentina que contemple essa possibilidade. Da mesma maneira, Rossi enfatizou que o Estado argentino tem muito clara a ideia de que suas reivindicações diante uma situação de “inadmissível” colonialismo deverão prosseguir.

Presidente argentina Cristina Kirchner (à dir.) nega qualquer acordo com presidente russo Vladimir Putin (à esq.) para disputar ilhas por meios militares. Foto: Reprodução.

A presidente da Argentina foi taxativa quando negou qualquer intenção do país sul-americano de se utilizar das forças bélicas para retomar o território das Ilhas Malvinas. “Além de inverossímil, é absolutamente injustificável que se mexa no fantasma de uma pretensa ‘ameaça argentina’ para aumentar o efetivo militar britânico e consolidar a crescente militarização das ilhas”, afirmou a mandatária em comunicado oficial.

Para a chefe do Estado argentino, o Reino Unido deveria dedicar tão dispendiosos recursos financeiros a setores que beneficiem o povo britânico, como no combate ao desemprego, a melhorar na qualidade da educação e saúde, além de aprofundar a inclusão social naquela nação. “Não se pode continuar enganando os cidadãos e contribuintes do Reino Unido, mexendo em fantasmas do passado”, acrescentou Cristina.

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Marcela Belchior é jornalista da Adital. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), estuda as relações culturais na América Latina.
E-mail: marcela@adital.com.br ; belchior.marcela@gmail.com .

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