A Comperj e sua relevância estratégica

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Por Paulo Moreno

O Comperj não é uma empresa privada e nem construtora, trata-se do “Complexo petroquímico do Rio de Janeiro”, obra de gigantesca magnitude e de máximo grau de complexidade de uma unidade petroquímica que pertence à Petrobras. Portanto, o Comperj é uma complexa planta petroquímica muito parecida com as petroquímicas gigantescas que foram construídas pelos governos militares na década de 1970 pelo Grupo Petrobras e 20 anos depois privatizadas a preços irrisórios por FHC (COPENE, COPESUL, FAFEN, PETROQUISA, PQU).

A grande diferença das obras atuais é que os “graus de complexidade” das refinarias e plantas petroquímicas atuais seguem novas regras ambientais e requisitos normativos muito mais exigentes sobre a qualidade e margem de lucratividade dos produtos, além de terem capacidade muito maior que as refinarias construídas nas décadas de 1950 a 1980 possuem graus de complexidade elevados. A RNEST, por exemplo, que já está operando há poucos meses no Pernambuco, tem grau de complexidade 14 (!), bem maior que as refinarias da décadas de 1960/70 que têm grau de complexidade 6 e foram “revampeadas” e modernizadas recentemente (2003-2013) com a instalação de novas unidades HDTs de Diesel S-10, chegando então a graus de complexidade em torno de 10. Convém também notar que a capacidade de produção dessas novas unidades (RNEST e Comperj) são amplamente maiores que as refinarias construídas no governo militar, à exceção da REPLAN, que foi uma unidade gigantesca construída pelo governo militar em Paulínia na década de 1960 e entrou em operação em 1971, com capacidade fora do padrão mundial daquela época, ela processa 450 mil barris por dia. A razão para esse projeto da Replan na região de Campinas foi devido ao aumento explosivo do consumo de derivados com o início do “milagre brasileiro” e crescimento do parque industrial no estado de São Paulo nos anos 1960, quando cerca de 250 indústrias saíram do estado do Rio de Janeiro e instalaram suas fábricas em São Paulo que tinha maior disponibilidade de energia e insumos.

A última obra de construção de refinaria no governo militar na Petrobras foi a REVAP, que iniciou a produção em junho de 1980.

Depois da REVAP o Brasil “triplicou” o patamar de consumo de derivados e ficamos com as refinarias “sobrecarregadas” operando perigosamente em “fator operacional de 98%” desde o início da febre privatista de Collor e FHC, que impediram novas obras no refino e iniciaram os desmontes do parque industrial  do petróleo e petroquímico brasileiro e sua total entrega ao capital estrangeiro. FHC inclusive entregou as petroquímicas da Petrobras a preços irrisórios ao capital privado e impediu a construção da RNEST (Abreu e Lima) por oito anos seguidos (lembro-me das reuniões da Petrobras com o ministro Raimundo Brito e o José Serra do Planejamento quando se tocava no assunto da RNEST eles tinham um ataque de fúria.

Em 1982, quando o governo militar terminou a obra da Revap o Brasil consumia 870 mil barris por dia de derivados e importava 400 mil barris por dia petróleo, com a Revap passou a produzir 470 mil barris por dia e processar nas refinarias os 870 mil barris por dia. O setor passou a operar de forma muito perigosa quando o consumo interno “triplicou” e as refinarias eram as mesmas de 1982. O fator operacional médio nas refinarias brasileiras que era de 80% em 1982 passou a ser perigosamente operado a 98% e 99% até o final do ano passado. Quando entrou em operação a RNEST em novembro de 2014, a Dilma não quis nem fazer inauguração da UDA – Unidade de Destilação Atmosférica por causa do “clima de guerra” criado pelos políticos lesa-pátrias entreguistas e dos interesses estrangeiros (George Soros) contra a Petrobras.

O processo na Operação Lava Jato, portanto, é contra o “cartel das construtoras” e contra o sr PRC que maliciosamente atuou junto ao cartel desde 1996, e não contra o COMPERJ e nem contra a Petrobras.

O processo é contra os donos das construtoras e os ex-diretores nomeados por FHC (Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Cerveró e Pedro Barusco que foram beneficiados no governo tucano com o “rasgamento dos acordos coletivos de trabalho e o plano de carreira” e venderam suas almas ao diabo FHC e tiveram carreiras meteóricas em troca de favorecimento político e do apoio aos desmontes de FHC nas estatais para justificar “privatarias”. Costa foi nomeado Diretoria do GÁS (Gaspetro) aos 42 anos de idade e ao completar 18 anos de empresa, Pedro Barusco foi nomeados mais jovem ainda e o poder lhe subiu à cabeça quando ele foi nomeado para Gerencia de E&P para “conduzir os contratos de afretamentos” (aluguel de plataformas estrangeiras junto a afretadoras). Esses absurdos só se tornaram possíveis em 1995, com o “rasgamento” do Plano de Carreira, a morte do Diretor de RH, Francisco Clotário que morreu infartado em 31/05/1995, numa reunião na Sede da Petrobras, aos brados com FHC, o ministro Raimundo Brito, Joel Rennó e o puxa-saco-mór de FHC, o senhor Paulo Roberto Costa, que naquela época ocupava o mais alto cargo na área de produção, o de Superintendente Geral da Bacia de Campos. Paulo Roberto Costa era um feroz aliado dos desmontes de FHC, desde 1995 passou a perseguir trabalhadores petroleiros, causou a morte de uma centena de petroleiros com a redução drástica do nível de manutenção (junto como braço direito terceirizador, o sr Alan Kardec Pinto, o AKP) eles iniciaram em 1997 um absurdo programa de terceirização de setores estratégicos da Petrobras (manutenção, segurança, operação) que culminaram com uma centena de acidentes e 302 petroleiros mortos (entre 1995-2002) até o afundamento da plataforma P-36 em 15 de março de 2001 com perdas de quatro bilhões de reais (1,3 bilhões US$) . Portanto, Costa era odiado pelos petroleiros que agora comemoram a sua prisão pelos malfeitos, pois ele atuava de forma maquiavélica desde 1995, quando o poder e as nomeações políticas precoces lhe subiram à cabeça. Os petroleiros só lamentam que o Costa tenham sido beneficiado pelos togados que o deixaram solto, sequer sem as tornozeleiras.

GRAUS DE COMPLEXIDADE DE REFINARIAS: POLÍTICOS E TOGADOS DESCONHECEM

Já mencionei sobre os graus de complexidades de “refinarias e petroquímicas” e até já enviei artigos internacionais sobre essa matéria a tão ignorada pelos leigos.

O problema maior no Brasil nesses imbróglios é o desconhecimento dos magistrados e dos políticos nessa matéria e a maioria dessa casta nunca pisou sequer numa refinaria, plataforma ou planta petroquímica, comparam plantas complexas com “eletrodomésticos” e “fábricas de baixa complexidade” e depois esses togados, donos de mídia e políticos saem por aí publicando inverdades, informações sem a mínima base técnica, e ainda ficam fazendo “juízos de valor na condição de leigos” sem sequer conhecerem os diferentes graus de complexidade das refinarias e das petroquímicas, se é que eles já leram algum artigo sobre esse assunto.

2 ideias sobre “A Comperj e sua relevância estratégica

  1. tania jamardo faillace

    pede-se contato ou notícias sobre Paulo Moreno, participante do grupo Desenvolvimentistas.

    Tania Jamardo Faillace – jornalista do RS

    Responder

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