Arquivo mensais:março 2015

Swissleaks: fundo de investimento de Armínio Fraga é investigado nos EUA

Por Amaury Ribeiro | Via R7

Fundo de ex-presidente do Banco Central teria transferido US$ 4,4 mi das Cayman para Suíça.

O fundo intitulado Armínio Fraga Neto Fundação Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, é investigado nos Estados Unidos por ter transferido US$ 4,4 milhões de uma conta nas ilhas Cayman para outra conta do HSBC na Suíça. A informação é de uma fonte do FBI, polícia federal norte-americana.

Documentos apontam ainda que, para supostamente evitar a tributação de impostos, Fraga teria declarado à Receita Federal que o fundo era filantrópico, ou seja, isento de tributos.

Ao R7, Fraga disse que a investigação nos EUA é “100% ficção”, mas admite que o fundo existiu.

— Investi nesse fundo há sete ou oito anos, mas tudo dentro da legalidade. Todas as minhas contas, de minha família e da Gávea Investimentos são declaradas perante as autoridades competentes, brasileiras e americanas. Não houve esta transferência mencionada, houve sim um investimento regular e documentado. Não temos notícia de qualquer investigação sobre o tema.

Fraga foi presidente do Banco Central de 1999 a 2003, no governo Fernando Henrique Cardoso, participou da elaboração do plano de governo de Aécio Neves e era cotado para ser ministro da Fazenda do tucano. Ele tem cidadania dupla, brasileira e norte-americana.

As autoridades americanas chegaram ao fundo após investigar a lista dos clientes de todo mundo que mantinham contas no do HSBC da Suíça. A lista foi vazada a jornalistas por um ex-funcionário do banco, no caso que ficou conhecido como “Swissleaks”.

A apuração aponta que a conta beneficiada era de compensação. Conhecida como “conta-ônibus”, que só serve para transportar dinheiro — não é possível, por exemplo, fazer investimentos por ela.

Os documentos levantados pelas autoridades norte-americanas mostram ainda que antes de ser depositado no HSBC, o dinheiro foi transferido para outra conta, no Credit Bank da Suíça, supostamente para fugir do rastreamento.

As investigações apontam que, após ser enviado à Suíça, o dinheiro teria voltado para uma conta no America Bank de Nova York.

Os investigadores pediram a quebra de sigilo do fundo.

Swissleaks tem mais de 8.000 brasileiros

O vazamento de detalhes de contas de mais de 100 mil clientes do banco HSBC na Suíça, em fevereiro, foi batizado de “Swissleaks”. Os dados distribuídos em cerca de 60 mil documentos mostram movimentações nas contas entre 1988 e 2007, totalizando mais US$ 100 bilhões. Na lista, estão os nomes de 8.667 brasileiros que depositaram US$ 7 bilhões apenas entre 2006 e 2007.

As informações foram cedidas ao jornal francês Le Monde pelo ex-funcionário do HSBC em Genebra, Herve Falciani. O periódico francês compartilhou os dados com mais de 140 jornalistas de 54 países do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) que comanda desde então a análise e divulgação do Swissleaks.

O ministro José Eduardo Cardozo determinou que a Polícia Federal apure possíveis crimes relacionados às movimentações nas contas dos brasileiros. A Receita Federal já conduz uma investigação em busca de indícios de evasão de divisas, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro. Apenas a posse da conta e a movimentação de valores no exterior não configura crime.

Naomi Klein: O sistema capitalista é responsável pelas mudanças climáticas

Podemos deter o aquecimento global?  Só se alterarmos de modo radical nosso sistema capitalista, sustenta a ensaísta Naomi Klein. Numa entrevista ao semanário alemão Der Spiegel, explica porque chegou o momento de abandonar os pequenos passos em favor de um enfoque radicalmente novo.

Isso é detalhado em seu livro recentemente traduzido ao espanhol, Isso muda tudo, o capitalismo contra o clima.

Por que não conseguimos deter a alteração climática?

Má sorte. Mau momento. Muitas coincidências lamentáveis.

A catástrofe equivocada no momento equivocado?

O pior momento possível. A conexão entre gases estufa e aquecimento global vem sendo uma questão política central para a Humanidade desde 1988. Foi precisamente na época em que caiu o Muro de Berlim, e Francis Fukuyama atestou “o fim da História”, a vitória do capitalismo ocidental. Canadá e os EUA assinaram o primeiro acordo de livre comércio, que serviu de protótipo para o resto do mundo.

Assim, você diz, começou uma nova era de consumo e energia precisamente no momento em que a sustentabilidade e a contenção teriam sido mais adequadas?

Exatamente. E foi precisamente nesse momento em que nos disseram que já não havia nada parecido à responsabilidade social e á ação coletiva, e que deveríamos deixar tudo com o mercado. Privatizamos nossas ferrovias e a rede energética, a OMC e o FMI se comprometeram com um capitalismo desregulado (selvagem?) Infelizmente, isso levou a uma explosão das emissões.

Você é ativista e culpa o capitalismo por tudo ao longo dos anos. Atribui-lhe a culpa também da mudança climática?

Não há razão para ironias. Os números contam qual é a história completa. Durtante os anos 90, as emissões elevaram-se na taxa de 1% anual. Desde el año 2000, foram subindo em média 3.4 %. Exportou-se globalmente o modelo americano e se expandiram rapidamente bens de consumo, que imaginávamos essenciais para satisfazer nossas necessidades. Começamos a nos ver essencialmente como consumidores. Quanto a comprar como forma de vida se exporta a todos os rincões do globo, isso exige energia. Muita energia.

Voltemos à primeira pergunta: porque não pudemos deter essa mudança?

Descartamos sistematicamente as ferramentas. Hoje se zomba de todas as normas e regulamentações de toda a espécie. Os gov ernos já não aplicam normas severas que ponham limites às companhias petrolíferas e demais empresas. Essas crises nos caem em cima no pior momento possível. Não temos mais tempo. Estamos num momento de agora ou nunca. Se não agirmos como espécie, nosso futuro está em perigo. Temos que reduzir as emissões de modo radical.

Voltemos a outra pergunta: Você não usa indevidamente a mudança climática para criticar o capitalismo? [1]

Não. O sistema econômico que criamos criou também a mudança climática. Isso eu não inventei. O sistema é prejudicial, a desigualdade econômica é excessiva e a falta de contenção por parte das companhias energéticas é desastrosa.

Seu filho Tomás tem dois anos e meio. Em que espécie de mundo ele viverá em 2030, quando sair da escola?

É isso o que se está decidindo agora mesmo. Vejo sinais de que podería haver um mundo radicalmente diferente do que temos hoje e de que a mudança poderia ser positiva ou extremamente negativa. Já está claro que, pelo menos em parte, será um mundo pior. Vamos sofrer a mudança climática e muitos mais desastres naturais, isso é certo. Mas temos tempo ainda de impedir um aquecimento verdadeiramente catastrófico. Temos tempo de mudar nosso sistema econômica para que não se torne mais brutal e impiedoso ao enfrentar a mudança climática.

Que se pode fazer para melhorar a situação?

Temos que tomar hoje algumas decisões sobre quais valores são importantes para nós, e como queremos realmente viver. E, certamente, há uma diferença entre a temperatura que sobe apenas 2 graus, ou 4 ou cinco a mais. Ainda nos é possível tomar as decisões corretas.

Passaram-se 26 anos desde que se fundou o IPCC (Intergovernamental sobre mudança Climática) em 1988. Sabemos, pelo menos, desde então, que as mudanças de CO2 causadas pela queima de petróleo e carvão são responsáveis pela mudança climática. Mas pouco se fez para encarar o problema. Já não teremos fracassado?

Eu vejo a situação de modo diferente, dado o enorme preço que teremos que pagar. Enquanto tenhamos a menor oportunidade de êxito ou de minimizar o dano, temos que continuar lutando.

Faz vários anos, a comunidade internacional estabelelceu um objetivo parea limitar o aquecimento global a dois graus centígrados. Ainda o considera alcançável?

Bem, ainda é uma possibilidade física. Teríamos que reduzir imediatamente as emissões globais em 6% ao ano. Os países mais ricos teríam que carregar um peso maior, o que significa que os EUA e Europa teríam que cortar emissões entre 8% e 10% ao ano. Imediatamente. Não é impossível, só que é politicamente irreal com nosso atual sistema.

Diz você que nossas sociedades não são capazes disso?

Sim. Necessitamos uma mudança espetacular, tanto na política como na ideologia, porque há uma diferença fundamental entre o que os cientistas nos dizem que temos que fazer e nossa atual realidade política. Não podemos mudar a realidade física, assim temos que mudar a realidade política.

Pode uma sociedade que se centra no crescimento combater de fato com êxito a mudança climática? [2]

Não. Um modelo econômico baseado num crescimento indiscriminado, leva inevitavelmente a um maior consumo e a maiores emissões de CO2. Pode e deve haver crerscimento no futuro em muitos setores de baixas emissões na economia, em tecnologias verdes, em transporte público, em todas as atividades que propiciam serviços, artes e, sem dúvida, na educação. Agora mesmo, o núcleo de nosso produto interior bruto compreende só o consumo, as importações e exportações. Aí deve haver cortes. Qualquer outra proposta seria enganar-se a si mesmo.

O FMI diz o contrário. Diz que o crescimento econômico e a proteção do clima não se excluem mutuamente.

Não analisam os mesmos números que eu. O primeiro problema é que em todas essas conferências sobre o clima, todo o mundo age como se fôssemos chagar a nossa meta por meio de um compromisso próprio e de obrigações voluntariamente aceitas. Ninguém diz às empresas petrolíferas que devem ceder. O segundo problema é que essas empresas lutarão como feras para proteger o que não querem perder.

Seriamente, quer eliminar o livre mercado para salvar o clima?

Não falo de eliminar mercados, mas nos faz falta muito mais estratégia, direção e planejamento, e um equilíbrio muito diferente. O sistema em que vivemos está abertamente obcecado pelo crescimento, considera bom todo o crescimento. Mas há fomas de crescimento que não são boas. Tenho clareza de que minha posição entra em conflito direto com o neoliberalismo. É verdade que, na Alemanha, ainda que vocês tenham acelerado a mudança para a energia renovável, o consumo de carvão está, na verdade , aumentando?

Isso era certo entre 2009 e 2013.

Para mim, isso é a expressão da renúncia a tomar decisões sobre o que é preciso fazer. Alemanha tampouco vai cumprir seu objetivo de reduzir emissões nos próximos anos.

A presidência de Obama foi o que de pior poderia ter acontecido ao clima?

De certo modo. Não que Obama seja pior que um republicano, o que não é, e sim, porque nesses oito anos foram a maior oportunidade desperdiçada de nossas vidas. Havia os fatores certos para uma convergência realmente histórica: consciência, pressa, ânimo, sua maioria política, o fracasso dos Três Grndes Fabricantes de automóveis norteamericanos e até a possibilidade de encarar de vez a mudança climática e o falido mundo financeiro desregulado. Mas quando assumiu o cargo, não teve coragem de agir. Não venceremos essa batalha a menos que estejamos dispostos a dizer porque Obama considerou que o fato de ter controle sobre bancos e companhias de automóveis era mais uma corvéia que uma oportunidade. Estava prisioneiro do sistema. Não quis mudá-lo.

Os EUA e China chegaram finalmente a um acordo inicial sobre o clima em 2014.

O que, certamente, é algo bom. Mas tudo o que pode ser penoso no acordo não entrará em vigor até que Obama termine seu mandato. O que mudou foi que Obama disse: “Nossos cidadãos estão manifestando, não podemos ignorá-los”. Os movimentos de massa são importantes, têm repercussões. Mas, para empurrar nossos líderes até onde têm que chegar, os movimentos devem fazer-se mais fortes.

Qual deveria ser sua meta?

Nos últimos 20 anos, a extrema direita, a absoluta liberdade das empresas petrolíferas e a liberdade do 1% dos super-ricos da sociedade se converteram em norma política. Temos que deslocar de novo o centro político norte-americano da franja direitista a seu lugar natural, o verdadeiro centro.

Senhora, isso não tem sentido, porque é uma ilusão. Pensa você em avançar demais. Se você quer eliminar o capitalismo antes de elaborar um plano para salvar o clima, sabe você que isso não vai acontecer.

Olhe, se você quer deprimir-se, tem muitas razões pra isso. Mas continuará equivocado, porque o fato é que centrar-se em mudanças graduais supostamente viáveis, como o comércio de emissões e a troca de lâmpadas, fracassou miseravelmente. Em parte isso se deve ao fato de na maioria dos países o movimento ambiental permaneceu elitista, tecnocrático e supostamente neutro politicamente durante duas décadas e meia. Já vemos hoje quais são os resultados a que nos levaram o caminho equivocado. As emissões estão aumentando e aqui temos a mudança climática. Em segundo lugar, nos EUA, todas as transformações importantes legais e sociais dos últimos 150 anos foram resultado de movimentos sociais massivos, seja em favor das mulheres, contra a escravidão, ou em prol dos direitos civis. Necessitamos de novo esta fortaleza, e rapidamente, porque a causa da mudança climática é o sistema político e econômico vigentes. Seu enfoque é muito tecnocrático e estreito.

Se tenta você solucionar um problema específico revirando toda a ordem social, não vai resolvê-lo. É uma fantasia utópica.

Se a ordem social é a raiz do problema, é diferente. Olhando de outra perspectiva, nadamos literalmente em exemplos de pequenas soluções: há tecnologias verdes, leis locais, tratados bilaterais e impostos ao CO2. Por que não temos tudo isso em escala global?

Diz você que todos esses pequenos passos – tecnologia verde e impostos ao Co2 e um comportamento ecológico individual – não têm sentido?

Não. Todos deveríamos fazer o que pudéssemos, de certo. Mas não podemos nos engtanar com que isso seja suficiente. O que digo é que esses pequenos passos são muito pequenos, se não se convertem num movimento de massas. Necessitgamos uma transformação econômica e política, que se gaseia em comunidades mais fortes, empregos sustentáveis, maior regulamentação e um afastamento dessa obsessão de crescimento. Essas são as boas notícias. Temos, realmente, a oportunidade de resolver muitos problemas imediatamente.

Não parece contar com a razão coletiva de políticos e empresários.

Porque o sistema não pode pensar. O sistema recompensa a ganância a curto prazo, o que significa dizer, lucros rápidos. Observe Michael Bloomberg, por exemplo…

 …empresario e antigo prefeito de Nova Iorque…

…que entende la gravidade da crise do clima como político. Como empresário, prefere investir num que se especializa em ativos de petróleo e gás. Se uma pessoa como Bloomberg não pode resistir à tentação, se pode concluir, por esse caso, que não é grande a capacidade de auto-conservação do sistema.

Um capítulo especialmente de seu livro é o de Richard Branson, presidente do Grupo Virgin.

Sim, estava esperando.

Branson apresentou-se como um homem que quer salvar o clima. Tudo começou com um encontro com Al Gore.

E em 2006 se comprometeu num ato que acolhia a a Clinton Global Initiative onde investiria 3 bilhões de dólares para pesquisar tecnologias verdes. Naquela época, eu pensava que seria um aporte realmente fantástico. O que não me ocorreu pensar foi “que sujeito tão cínico você é”.

Branson só estava simulando e só investiu uma parte desse dinheiro.

Talvez fosse sincero na ocasião, se investiu uma parte desse dinheiro.

Desde 2006, Branson acrescentou 160 novos aviões em suas numerosas linhas aéreas, e incrementou suas emissões em 40%.

Sim.

Qual a lição dessa história?

Que temos que pôr sob suspeita o simbolismo e os gestos que fazem as estrelas de Hollywood e os super-ricos. Não podemos confundi-los com um plano cientificamente sério para reduzir emissões.

Na América do Norte e Austrália, se gasta muito dinheiro tentando negar a mudança climática. Por que?

É diferente da Europa. Se trata de uma indignação semelhante à de quem se opõe ao aborto e ao controle das armas. Não se trata de que se esteja protegendo um modo que não querem mudar. É que entenderam que a mudança climática põe em cheque o núcleo de seu sistema de crenças contrário ao governo e em prol do livre mercado. De modo que tem que negá-lo para proteger sua própria identidade. Por isso existe essa diferença de intensidade: os iberais querem agir um pouquinho na proteção do clima. Mas ao mesmo tempo, esses liberais têm uma série deoutras questões que figuram de modo mais destacado em sua agenda. Mas temos que entender que os mais duros que negam a mudança climática entre os conservadores, farão tudo o que for possível para impedir que se aja.

Com estudos pseudocientíficos e desinformação?

Com tudo isso, certamente.

Isso explica porque relaciona toas essas questões – meio ambiente, igualdade, saúde pública e trabalho – que são populares entre a esquerda? Por razões puramente estratégicas?

Essas questões têm relação e nos falta mesmo conecta-las no debate. Só há um modo de vencer uma batalha contra um pequeno grupo de pessoas que te enfrentam porque têm muito a perder: há que se iniciar um movimento massivo que abarque a toda aquela gente que tem muito o que ganhar. Só se pode derrotar a quem te nega tudo, se te mostras igualment apaixonado mas também quando es superior em número. Porque na verdade, os que mandam são muito poucos.

Por que não acredita que a tecnologia possa salvar-nos?

Há um grande progresso na armazenagem de energias renováveis, por exemplo, e na eficiência solar. Mas… e na mudança climática? Eu não tenho fé suficiente para dizer: “Como acabaremos inventando alguma coisa na hora, deixemos de lado todos os outros esforços. Isso seria uma insnsatez.

Gente como Bill Gates vê as coisas de modo diferente.

E eu acho ingênuo seu fetichismo tecnológico. Em anos recentes testemunhamos certos fracassos espetaculares, em que alguns tipos mais espertos meteram a mão até o fundo numa escala grandiosa, sem falar dos derivados que desencadearam a crise ou a catástrofe petrolífera da costa de Nova Orleans. Na maioria das vezes, nós destruímos as cosias e não sabemos como consertá-las. Agora mesmo, o que estamos destruíndo é nosso planeta.

Ouvindo-a, se poderia ter a impressão de que a crise do clima é uma questão de gênero.

Por que você diz isso?

Bill Gates diz que temos que avançar e idear novas invenções para controlar o problema, e em última instãncia, esta Terra nossa tão complicada. Por outro lado, diz você: paremos, temos que adaptar-nos ao planeta e nos tornarmos mais leves. As companhias petrolíferas norte-americanas estão dirigidas por homens. E você, uma mulher crítica, a descrevem como uma histérica. Não lhe parece absurdo?

Não. A industrialização em seu conjunto estava ligada com o poder, para ver se seria o homem ou a natureza que dominaria a Terra. A alguns homens parece difícil reconhecer que não temos tudo sob controle, que acumulamos todo esse CO2 ao longo dos séculos, e hoje a T nos diz: olhe, não passas de um convidado em minha casa.

Convidado da Mãe Terra?

Isso não soa lá muito bem. De certo modo, você tem razão. A indústria petrolífera é um mundo dominado pelos homens, muito semelhante ao da altas finanças. É algo do domínio dos machos. A idéia norte-americana eaustsraliana de “descobrir um país infinito do qual se possam extrair inesgotáveis recursos, tem uma história de dominação, que representa tradicionalmente a natureza como uma mulher fraca e torpe1. E a idéia de estar em relação de interdependência com o resto do mundo natural se consider uma debilidade. Por isso é duplamente difícil aos machos-Alfa reconhecer que se equivocaram.

Há em seu livro uma questão de que parece querer desviar-se. Ainda que você critique às empresas, não diz você a seus leitores, que são clientes dessas empresas, que também são culpados. Tampouco diz você alguma coisa do preço que terá de pagar cada um de seus leitores pela proteção do clima.

Oh, eu creio que a maioria das pessoas ficaria encantada de pagar por isso. Sabem que proteção do clima exige um comportament razoável: dirigir menos, voar menos e consumir menos. Ficariam encantados de usar energias renováveis se lhes fossem oferecidas.

Porém a idéia não é o bastante grande, não é?

(riso) Exatamente. O movimento verde levou décadas instruindo as pessoas para que usassem seu lixo como abono, para que reciclasse e andasse de bicicleta. Mas observe o que sucedeu com o clima durante essas décadas.

E sua maneira de viver é benéfica ao clima?

Não o bastante. Ando de bicileta, uso transporte público, converso por Skype, divido um carro híbrido e reduzi meus voos a um décimo do que eream antes de começar esse projeto. Meu pecado está em usar táxis e, desde que saiu o livro, em voar muito. Mas não creio que seja possível ser perfeitamente verde e viver sem emitir CO2, o único fator concernente a essa questão. Se assim fosse, então ninguém poderia dizer uma única palavra [4].

***

Naomi Klein é autora, entre outros livros, de A doutrina do Choque e No Logo.

Tradução: Tania Jamardo Faillace

Notas da tradutora:

[1] Essa intervenção do entrevistador é muito tola. Nossos produtos e nossos dejetos e efluentes são consequência de nosso modelo de vida em sociedade, e esta depende do modelo econômico, social e político que adotamos, sendo o modelo econômico o primeiro condicionante, porque determina os demais.

[2] Essa intervenção do entrevistador é muito tola. Nossos produtos e nossos dejetos e efluentes são consequência de nosso modelo de vida em sociedade, e esta depende do modelo econômico, social e político que adotamos, sendo o modelo econômico o primeiro condicionante, porque determina os demais.

[3] E voltamos a Freud, e a encarar o grande nó existencial e psicológico do indivíduo humano e suas relações parentais: o complexo de Édipo. A desqualificação da mulher, simbolicamente, continua a ser a sujeição da mãe à vontade do filho. A tragédia está equivocada: Édipo não matou o pai, deve, isso sim, ter morto a mãe, mesmo simbolicamente, como ainda hoje faz todos os dias.

[4] Para quem não sacou o gracejo: Naomi se refere, que, ao falar emitimos C02 pela boca. Ao respirar, também.

Alemanha: Duros protestos em resposta a inauguração da nova sede do BCE

Via DW

Viaturas policiais são queimadas, barricadas fecham ruas e polícia entra em choque com manifestantes em Frankfurt, poucas horas antes de o Banco Central Europeu inaugurar sua bilionária nova sede.

Milhares de manifestantes contrários às políticas de austeridade europeias entraram em confronto com a polícia nesta quarta-feira (18/03) em Frankfurt, nas proximidades da nova sede do Banco Central Europeu (BCE). Cerca de 350 ativistas foram presos, e cerca de 90 policiais e dezenas de ativistas ficaram feridos.

Os distúrbios aconteceram em diversos pontos da cidade, poucas horas antes da cerimônia de inauguração da nova sede do BCE, que custou cerca de 1,3 bilhão de euros. Diversas viaturas policiais foram incendiadas e ruas foram bloqueadas por barricadas improvisadas com pneus e latões de lixo em chamas. Os policiais utilizaram canhões de água e gás lacrimogêneo para tentar dispersar os manifestantes.

A porta-voz da polícia de Frankfurt, Claudia Rogalski, descreveu o clima entre os manifestantes como agressivo. “Pedras foram atiradas, latões de lixo foram queimados e viaturas policiais foram danificadas, muitas delas incendiadas”, afirmou. Segundo a polícia, ao menos sete viaturas foram queimadas e outras sete, danificadas. Diversas ruas do Frankfurt estão bloquedas, e parte do transporte público não está funcionando, incluindo uma linha de metrô e bondes de superfície.

Segundo a polícia, a maioria dos manifestantes do movimento Blockupy protestava pacificamente. O próprio Blockupy disse condenar a violência, que partiu de uma minoria de manifestantes, parte deles vestida de preto e com o rosto coberto.

O Blockupy – uma referência ao movimento Occupy Wall Street que tomou parte do centro financeiro de Nova York em 2011 – esperam que cerca de 10 mil pessoas participem dos protestos ao longo do dia. Milhares de manifestantes vieram de outras partes da Europa para tomar parte nos protestos. Há várias manifestações previstas ao longo do dia em Frankfurt.

“Nosso protesto é contra o BCE como membro da troica, que, apesar de não ser democraticamente eleita, prejudica o trabalho do governo da Grécia. Queremos o fim das políticas de austeridade”, afirmou Ulrich Wilken, um dos organizadores da manifestação. “Queremos um protesto ruidoso, mas pacifico.”

A “troica”, recentemente rebatizada de “instituições”, é composta pelo BCE, pela Comissão Europria e pelo Fundo Monetário Internacional e tem a tarefa de monitorar o cumprimento das condições impostas nos acordos de resgate financeiros de países europeus que enfrentam dificuldades econômicas, como a Grécia.

Cid Gomes, o homem que matou o facínora

Por Luis Nassif | Via Jornal GGN

O jogo político brasileiro chegou ao estágio da soma zero. O embate entre governo e oposição não terá vencedor. Apenas conseguirá paralisar por completo a política e a economia, um verdadeiro abraço de afogados que revela, em um canto, um governo imobilizado, sem nenhuma capacidade de reação; no outro, uma oposição vociferante, sem nenhuma estratégia e, portanto, sem nenhuma capacidade de avançar.

Na vida de um país, esses momentos de impasse são rompidos por guerras, golpes militares ou pelo bonapartismo – a figura política que paira sobre os partidos e conquista espaço e rompe a inércia a golpes de discurso.

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Dito isso, vamos analisar o papel de Cid Gomes, ontem na Câmara Federal.

O até então Ministro da Educação Cid Gomes é estouvado, como todos os Gomes. Não tem um pingo de verniz político, de jogo de cintura, da hipocrisia que é matéria prima essencial no jogo político.

Ou seja, é o perfil dos sonhos de grande parte da opinião pública atual.

Ontem, enfrentou o símbolo máximo da hipocrisia política nacional, o presidente da Câmara Eduardo Cunha. Foi chamado de mal educado, chamou-o de achacador. Ambos estão certos, mas o adjetivo pespegado em Cunha deprecia, em Gomes, eleva, ainda mais em um momento em que a crise política faz de políticos a manifestantes de rua abrirem mão dos rapapés.

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Cid disse o óbvio. A Câmara elegeu o pior exemplo dos vícios parlamentares para sua presidência. O moralismo exacerbado da mídia mostrou uma seletividade ao nível da desfaçatez, ao esconder a biografia de Cunha de seus leitores. Cunha não é qualquer um, não é um mero deputado picareta, como muitos que pululam no baixo clero. Ele é O deputado suspeito, sem limites.

Estimulado pelo irmão Ciro Gomes, Cid fez o que grande parte dos eleitores gostariam de ter feito. Desnudou o rei no próprio palanque do Congresso,

Não é para qualquer um abrir mão de um cargo de Ministro pelo prazer de enfrentar o homem mau.

A maneira como enfrentou Cunha lembra um James Stewart desafiando Lee Marvin (e sendo conduzido pelas mãos de John Wayne) no clássico “O homem que matou o facínora”. Aliás, era uma realidade táo diversa que mesmo com uma interpretação clássica, Marvin não mereceu aparecer nos destaques dos cartazes. Porque era bandido.

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Cid perdeu o cargo de Ministro e não haveria outro modo, para um governo que enfraqueceu-se tanto que se tornou refém não de um PMDB qualquer, mas do PMDB de Eduardo Cunha. Mas não perdeu o jogo.

Sua desfaçatez é como chuva no deserto, abrindo uma avenida para a candidatura de seu irmão Ciro Gomes.

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Não se trata apenas de um político brandindo o discurso antipolítico.

Há um enorme vácuo do centro-esquerda à esquerda, com o esgotamento do ciclo petista e a incapacidade do partido em definir um discurso minimamente efetivo ou um candidato competitivo. E Ciro atende à essa demanda, além de ser amigo de Lula.

Mais que isso, há um enorme vácuo de autoridade – como tal, do personagem que corre fora da raia institucional, dos rapapés políticos, que não tem medo de correr riscos para falar o que pensa, não se curva nem a pressões de partidos nem da mídia.. E seu nome não sofre a resistência que se abriria contra qualquer nome que surja do PT.

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A política é como as nuvens no céu, já explicava o sábio Magalhães Pinto. Pode ser que daqui a algum tempo o desenho seja outro. Mas, nesse momento, há uma enorme possibilidade das nuvens se formarem em cima de Sobral.

Não se está entrando em juízo de valor sobre esse tipo de candidatura.

Pode-se apontar um sem-número de inconvenientes em um candidato com esse perfil. O próprio exemplo do voluntarismo de Fernando Collor é didático.

Mas o momento, mais que nunca, é para candidatos com esse perfil. E, no horizonte político atual, Ciro é candidato único a interpetar esse personagem.

A comunicação do governo quer sabotar a presidenta?

Por Rennan Martins | Vila Velha, 18/03/2015

Hoje (18) a blogosfera e portais de notícias repercutem um documento de cinco páginas redigido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Trata-se de um mea culpa que sintetiza e reconhece diversos problemas já diagnosticados pela imprensa alternativa como se fossem novos, adicionando ainda o demérito de não propor sequer uma medida efetiva de combate a narrativa tendenciosa da mídia hegemônica.

O autor inicia o texto dizendo ser lugar-comum acusar a política de comunicação primeiramente sempre que se instala uma crise política, talvez a fim de disfarçar a total ineficácia da gestão. Depois da ressalva, admite falhas e omissões, mas fazendo questão de dividir o ônus com o restante do governo, o que fica claro no trecho:

“A comunicação é o mordomo das crises. Em qualquer caos político, há sempre um que aponte “a culpa é da comunicação. Desta vez, não há dúvidas de que a comunicação foi errada e errática. Mas a crise é maior que isso.”

Após o autodesagravo inicia-se uma longa e dispensável exposição do histórico das redes sociais e seu envolvimento com a disputa política, apontando que as forças da oposição possuem mais orçamento e que esse fator é fundamental em termos de alcance da população, que acaba mais suscetível ao discurso oposicionista pois além disso ainda temos o bombardeio habitual da grande mídia.

O curioso dessa constatação é que a Secretaria de Comunicação é a responsável pela condução da política de publicidade estatal e mesmo assinalando que os veículos de oposição possuem mais envergadura financeira e concentram majoritariamente os anúncios, ainda assim a mudança óbvia não é sugerida. A distribuição estratégica dos recursos de forma a estimular as iniciativas de linha editorial progressista, estas que foram cruciais na reeleição e permanecem sem seu devido reconhecimento, passa longe do documento.

Em seguida a presidenta é informada que a nomeação do banqueiro Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda desmobilizou drasticamente os movimentos que defendiam o governo, dizendo que estes não “compreenderam” a importância do ajuste fiscal. Ora, é justamente por compreender o que significa o senhor Levy na Fazenda que o desânimo tomou conta da militância. Não adianta tapar o sol com a peneira, a promessa eram “Mais Mudanças” e o que veio foi o ajuste fiscal empunhado pela oposição, que oportunista como sempre, ainda se aproveitou pra falar de estelionato eleitoral.

A campanha das denúncias de corrupção também é citada, porém, é crucial lembrar que os ataques lacerdistas dos barões da mídia sonegadora sempre estiveram aí e que nenhuma medida foi tomada da parte do governo para fazer frente a esse jornalismo de esgoto. Muito pelo contrário, a verba publicitária está lá financiando a maior parte deles, a despeito da queda vertiginosa que a internet lhes trouxe em termos de mercado e audiência.

Por fim, mesmo com o óbvio desastre comunicacional do governo, a Secom candidamente defende que se deve fazer mais do mesmo, fortalecendo a Voz do Brasil, o twitter, o facebook, e pasmem, sustentando até mesmo que investir na TV aberta, a mesma que lidera o golpe, é o caminho para “virar o jogo”. A possibilidade de desconcentrar minimamente o orçamento publicitário investindo na imprensa progressista passa longe das “soluções”.

Essa autocrítica pífia, que nada traz de novo e nem ao menos ousa dar uma solução real, é fruto de alguém que não sabe o que está fazendo ou que deseja deixar a crise se perpetuar. Nos dois casos, passou da hora de uma mudança brusca. Como diria Einstein: “Fazer, todos os dias, as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é a maior prova de insanidade.”

Metri: Tratado sobre roubos

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania

Roubam muito. Há anos. Trata-se de uma roubalheira generalizada. Empreiteiros roubam o Estado ao formarem cartel para participar de concorrências e ao corromperem burocratas para ter aditivos assinados. Políticos fazem indicações de seus apaniguados para cargos públicos para receberem benefícios posteriores, como a assinatura de contratos superfaturados. Surpreendo-me por que muitas pessoas estão descobrindo, só agora, o assalto dos órgãos públicos pelas empresas privadas. Durante a vida, já ouvi, mais de uma vez, sobre alguns diretores de órgãos públicos: “ele é da cota da empresa tal”. É muito comum órgãos reguladores serem dirigidos por representantes dos agentes econômicos que seriam regulados. Este controle de órgãos para efetivação de roubos é, de forma sutil, chamado de cooptação do órgão.

Políticos aprovam leis em que o roubo passa a ser legalizado. Trata-se das leis injustas, como é o caso da lei das concessões do petróleo. A empresa estrangeira fica com todo o petróleo produzido e deixa aqui royalties e, às vezes, a participação especial, que são uma parcela pequena do lucro. A sociedade vai reclamar para quem? Pois a empresa estrangeira está roubando nossa riqueza dentro da lei. Por isso, deduzo que os congressistas do mandato de 1995 a 1998 devem ter recebido grandes compensações para derrubarem o monopólio estatal do petróleo, que funcionava tão bem no país há mais de 42 anos. Foram os congressistas deste mandato que venderam seus votos para a reeleição, segundo a confissão de um deles. Por que eles não teriam vendido também seus votos em outros temas?

O roubo institucionalizado tem outra grande vantagem, pois a população pensa que não está sendo roubada. Os bancos são também agentes do roubo legal na sociedade. Será que alguém é inocente a ponto de pensar que os extraordinários lucros conseguidos por eles são devido a desenvolvimentos tecnológicos, a exportações ou à abertura para novos mercados? São conseguidos, usando uma palavra forte, na falta de outra melhor, graças à extorsão da população. Os bancos não competem com a taxa de juros, pois ela é alta em qualquer um deles. Podem competir nas propagandas e no atendimento, mas com relação à taxa formam um cartel, o que é proibido, mas difícil de ser comprovado. A população instigada a consumir pelas propagandas e carente de recursos, na sua maioria, cai na arapuca dos bancos. O que mais existe na economia é a formação de cartéis, que proporcionam lucros maiores do que se as empresas competissem.

Aliás, o Brasil é pródigo nos escândalos de roubos. Alguns deles do passado foram: anões do orçamento, Banestado, BNH, propinoduto, Jorgina de Freitas, máfia do sangue, Sivan, grupo Delfin, Marka e Fonte Cindam, e inúmeros outros. Na privatização mal explicada da Vale do Rio Doce não teria ocorrido um roubo de US$ 100 bilhões? Este é só um dos possíveis danos ao Estado das privatizações do governo FHC, se bem que o mais marcante. Infelizmente, o Brasil não era eficiente nas fases de investigação e denúncia à Justiça, e dos julgamentos.

O embaixador José Jobim foi morto, em 1979, porque contou que iria denunciar roubos na construção de Itaipu através de um livro que estava escrevendo. 35 anos depois, o Ministério Público Federal declarou que pretende abrir inquérito. No passado, a área de planejamento da Eletrobras fazia a estimativa do custo de cada obra cuja construção era recomendada pelo modelo de planejamento do setor elétrico. Este custo se mostrou, invariavelmente, menor que o valor de contratação da obra obtido através de concorrência. Por que seria?

Gostaria de ter uma informação fidedigna, após apuração que não seja da própria mídia, sobre a eventual sonegação de impostos da Rede Globo, pois até um processo da Receita Federal sumiu dentro do órgão. A apuração de desvios de dinheiro não seria para todos? Ainda sobre a mídia, tão crítica de políticos de esquerda, seria interessante saber se as quantias fabulosas pertencentes aos seus donos e apresentadores, que apareceram no “Swissleaks”, são derivadas de atividades lícitas, declaradas à Receita e remetidas para o exterior dentro da lei.

No entanto, se nos ativermos a roubos comprovados da mídia convencional, ela causa enorme prejuízo à sociedade ao roubar informação do povo, como parte de uma planejada ação de manipulação deste, tendo como maiores usufrutuários os capitais nacional e internacional. Pode-se dizer que a mídia convencional participa do conluio para explorar o povo. Este, se bem informado, decidiria melhor sobre as opções políticas, o que explica a razão porque buscam mantê-lo na inocência.

Muitos empresários roubam a mais-valia dos seus trabalhadores, acumulando riqueza e renda para si e pobreza e penúria para seus empregados. O capitalismo é o indutor da maioria dos roubos, à medida que privilegia a “esperteza”, baseia-se na ganância, no individualismo, na competição exacerbada e na falta de solidariedade. Ele prega o acúmulo de riqueza, que também é a motivação dos ladrões. Supor que a ação do capital pode ser realizada dentro da ética é algo passível de questionamentos, porque, quando se gera déficit de recursos de sobrevivência junto a trabalhadores, não se pode estar falando de uma atividade ética. Entretanto, não proponho outro sistema porque, no presente, o ser humano tem se mostrado despreparado para viver em um mundo socialista. Assim, sou obrigado a me contentar com a mitigação dos efeitos do capitalismo.

O capital, também, na sua perseguição pelo maior lucro, não “roubaria” a integridade da natureza? Lançando gases e partículas na atmosfera, rejeitos em rios, no mar e em qualquer terreno, enfim poluindo e criando déficit ambiental. O tratamento dos seus poluentes significaria custos e redução do lucro.

No sistema mundial, o capital instalado em um país desenvolvido busca roubar riquezas de países subdesenvolvidos, através da ação de suas empresas, respaldadas por seus governos, acordos internacionais e com a ajuda de traidores do povo existentes em cada país dominado. Assim, o capital internacional, estando sorrateiramente por trás dos países desenvolvidos, além de comandá-los, os remete para a dominação dos mais fracos, os subdesenvolvidos, para que transferências imensas de riquezas ocorram. Estas são, certamente, os maiores roubos do planeta.

Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, Nestor Cerveró, Renato Duque, Pedro Barusco, donos de empreiteiras e políticos roubaram a Petrobras. Recomendo, neste caso específico, que se descubra tudo, todo o esquema, todos envolvidos, não importando a época. Recomendo, também, o término do financiamento privado de campanhas políticas, que será um excelente começo.

 

Anúncio nas redes sociais promete pagar pela morte de líder do MST

Via Adital

Circula pelas redes sociais da Internet um anúncio que diz “Stédile vivo ou morto”. Apresentando João Pedro Stédile como líder do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] e “inimigo da Pátria”, o autor oferece uma recompensa de R$ 10 mil para quem atender ao seu pedido. “Em outras palavras, incentiva e promete pagar para matar uma pessoa, no caso Stédile, da coordenação nacional do MST”, afirma o Movimento em nota.

Haveria indícios de que a ação criminosa partiu da conta pessoal no Facebook de Paulo Mendonça, guarda municipal de Macaé (Rio de Janeiro). E foi, imediatamente, reproduzida pela maioria das redes sociais que, diariamente, destilam ódio contra os movimentos populares, migrantes, petistas e, agora, especialmente, contra a presidenta Dilma Rousseff [Partido dos Trabalhadores – PT]. São as mesmas redes sociais, em sua maioria, que estão chamando a população para os atos do próximo dia 15 de março, para exigir a saída de Dilma do cargo de Presidenta da República, eleita legítima e democraticamente em 2014.

O MST informa que já foram tomadas as providências, junto às autoridades, para que o autor do cartaz e todos os que estão fazendo sua divulgação, com o mesmo propósito, sejam investigados e responsabilizados criminalmente, uma vez que são autores de crime de incitação à pratica de homicídio.

Para o Movimento, o panfleto é apenas um reflexo dos setores da elite brasileira, que estão dispostos a promoverem uma onda de violência e ódio, com o intuito de desestabilizar o governo e retomar o poder, de onde foram afastados com a vitória petista nas urnas, em 2002.

“Para estes setores não há limites, nem sequer bom senso. Recusam-se a aceitar a vontade da população, manifestada no processo democrático de eleger seus governantes. Deixam-se levar por instintos golpistas, embalados pelo apoio e a conivência da mídia conservadora e antidemocrática. Usam a retórica do combate a corrupção e da necessidade de afastar os que consideram estarem destruindo o país, para flertar com a ruptura democrática. Posam de democráticos esquecendo que os governos da ditadura militar também diziam ser”, assinala a nota.

Leia a íntegra da nota do MST.