Por Patricia Faermann | Via Jornal GGN
Teori Zavascki decidirá se os processos permanecem em sigilo. Os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, do Senado, Renan Calheiros, o deputado Cândido Vaccarezza e o senador Fernando Collor devem integrar a lista.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregou a lista de políticos que serão investigados por envolvimento com a Operação Lava Jato. São 54 nomes, em 28 pedidos de abertura de inquérito. Teori Zavascki, o ministro relator do processo no Supremo Tribunal Federal, decidirá se os processos permanecerão em sigilo ou se os autos estarão disponíveis para a consulta.
A informação é que os nomes chegaram ao gabinete de Zavascki por volta das 20 horas desta terça-feira (03).
Ainda que em segredo de Justiça, alguns dos políticos já são esperados de serem alvos da investigação, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A suspeita é que a notícia tenha ocasionado a tensão de hoje no Congresso.
Irritado, Renan Calheiros recusou, no final do dia, a Medida Provisória da presidente Dilma Rousseff, que revia desonerações de folha de pagamento para vários setores da economia. O texto do Executivo foi anunciado na última semana pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para ajuste da economia, com vistas a atingir o superávit de 1,2% do PIB.
Nesta segunda-feira (02), o presidente do Senado não compareceu a um jantar marcado com Dilma. Havia alegado motivações “institucionais”. Além da suspeita de seu nome integrar a lista de Janot, Renan Calheiros mostrava-se insatisfeito com o pouco espaço no governo: seu indicado Sérgio Machado foi afastado do comando da Transpetro, sob suspeita de envolvimento nos desvios da Petrobras, e o deputado federal Henrique Alves (PMDB-RN) pode assumir o lugar de outro apadrinhado, Vinicius Lage, no Ministério do Turismo.
Com a possibilidade de ter os dois presidentes das Casas Legislativas na lista de envolvidos na Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, além de outros parlamentares, o Congresso mostrava tensão.
A oposição da Câmara e do Senado anunciaram a obstrução da sessão desta noite, marcada para apreciar os vetos presidenciais a projetos de lei. O motivo alegado seria uma forma de pressionar pela votação do veto ao reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).
“Vamos obstruir porque houve claramente manobra do governo para impedir a votação dessa proposta”, disse o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). A partir desta quarta-feira (04), o veto passará a trancar a pauta legislativa. Por conta disso, sequer o Orçamento Feral da União deste ano foi votado pelo Congresso.
Os 54 nomes, entre eles de políticos, que serão investigados ultrapassaram todas as estimativas feitas até hoje. Esperava-se a inclusão de somente nomes citados nas delações premiadas, sobretudo de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, mas excluindo indicações laterais e daqueles mencionados como “ouviram dizer”.
Como esperado, não foi enviada nenhuma denúncia direta para a Suprema Corte. Para todos suspeitos, pedidos de inquéritos serão submetidos. O motivo para adotar a investigação antes da denúncia, em todos os casos, foi evitar a implicação de tratamento desigual.
Outros dois nomes possivelmente incluídos na lista são o do senador Fernando Collor (PTB-AL) e do deputado federal Cândido Vaccarezza (PT). Comprovantes encontrados pelos policiais no escritório do doleiro registram que Alberto Youssef depositou R$ 50 mil a Collor, em 2014. As transações foram realizadas em dinheiro vivo em maio de 2013. Ainda assim, o senador negou manter relação com Youssef. Mas com as indicações, deve ser um dos nomes da lista de Janot.
Vaccarezza foi mencionado pelos ministros do STF quando o primeiro protocolo sobre a Lava Jato chegou à Corte, em maio de 2014, por meio da Ação Penal 871 e 878, em que os ministros discutiram o desmembramento das investigações e o caso acabou retornando à Justiça Federal do Paraná (ler decisões aqui e aqui). No período o deputado André Vargas, hoje cassado, foi um dos primeiros nomes levantados de envolvimento (acompanhe aqui a petição de André Vargas em Segredo de Justiça).
“No material selecionado pelo próprio Juízo reclamado [juiz Sergio Moro, que conduz as investigações na Justiça Federal do Paraná] para remessa a esta Corte, acha-se o “Relatório de monitoramento telemático nº 07/2014”, datado ainda de 17 de abril, em que são relacionadas inúmeras trocas de mensagens entre Alberto Youssef e André Vargas, ao longo de largo período de tempo. Outros congressistas são relacionados abertamente como suspeitos, a ponto de solicitar-se expressamente, ao Juízo ora reclamado, diligências complementares às já produzidas, tendo alvo outro Deputado Federal (Cândido Vaccarezza)”, mencionou Teori Zavaski.
A pressão para que os autos dos inquéritos sejam abertos para consulta parte de todos os lados. O próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já manifestou essa vontade. Da mesma forma, o juiz que conduz o caso na primeira instância, Sergio Moro, tem mantido essa postura de divulgação das informações que tramitam sobre a Lava Jato. Hoje (03), outro ministro do STF, Marco Aurélio Mello, também defendeu o fim do sigilo de inquéritos criminais.
A decisão, contudo, é de Teori Zavascki, que deve tomar uma decisão até o fim dessa semana.












