Arquivo mensais:março 2015

Onda de atentados deixa pelo menos 20 mortos no Iraque

Via Agência Efe

Bagdá - Pelo menos 20 membros das forças de segurança morreram e mais de 40 ficaram feridos em sete atentados com carro-bomba cometidos na cidade de Ramadi, na província de Al Anbar, no oeste do Iraque, informou à Agência Efe uma fonte da polícia.

Os veículos explodiram de forma quase consecutiva em várias partes da cidade, onde também foram registrados intensos combates entre as forças de ordem e jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Outras 40 pessoas ficaram feridas. EFE/Alexander Ermochenko

As vítimas são membros das forças de segurança, milicianos xiitas e combatentes de tribos sunitas leais ao governo iraquiano, segundo a fonte.

As autoridades impuseram um toque de recolher em Ramadi para evitar a morte de civis em outros ataques.

Várias ambulâncias foram ao local das explosões para retirar os feridos e levá-los para hospitais da cidade.

Al-Anbar, uma província de maioria sunita na fronteira com a Síria, está parcialmente controlada pelos extremistas desde janeiro de 2014 e é cenário de contínuas operações militares.

Há quatro dias, as forças iraquianas recuperaram o controle da cidade de al-Baghdadi, em Al-Anbar, localizada próxima a uma base militar na qual há assessores americanos.

O Iraque vive desde junho do ano passado uma sangrenta luta contra o EI, que proclamou um califado em zonas sob seu controle no país e na vizinha Síria.

O exército iraquiano, apoiado por milicianos xiitas e combatentes tribais, lançou ontem uma ampla ofensiva para expulsar os jihadistas da cidade de Tikrit, capital da província de Saladino.

Depois de destruir Nacionalismo árabe, EUA preparam o bote na América do Sul

Por Rodrigo Vianna | Via Escrevinhador

Os EUA de Lincoln Gordon organizaram golpe de 64; e preparam novo bote na América do Sul

A lista é impressionante: Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria. Em menos de 15 anos, os quatro países se transformaram em Estados zumbis. É algo muito grave, a indicar a direção para onde aponta a política expansionista dos Estados Unidos no século XXI.

Com o fim da Guera Fria, deixaram de ter qualquer anteparo para sua estratégia de fazer tombar todos os governos que signifiquem ameaça ao controle do petróleo no Oriente Médio (ou em outras partes do planeta).

Saddam Hussein (Iraque) não era um santo. Todos sabemos. Muamar Gadafi (Líbia), tampouco. Os dois, ao lado da família Assad na Síria, faziam parte de um movimento (o nacionalismo árabe) a significar um grito de independência desses países – que, no passado, haviam estado sob domínio turco ou europeu.

Outra característica unia os três (e era a marca também do regime forte no Egito, comandado por Mubarak, que tombou na tal “primavera árabe”): conduziam estados laicos, com um discurso pautado mais pelo “orgulho nacional” do que pela religião. Eram países comandados por regimes fortes, organizados, com projetos de nações independentes. Apesar de longe, muito longe, de qualquer princípio democrático.

Em nome da democracia, os Estados Unidos varreram do mapa esses governantes. A Líbia foi retalhada, já não existe, debate-se em crise permanente com o confronto entre pelo menos 4 facções armadas. A Síria é um semi-estado, em que Assad resiste em Damasco, mas vê o Estado Islâmico (EI), de um lado, e os “rebeldes” armados pelos EUA/Europa, de outro, avançando sobre grandes porções do território. O Iraque é agora um protetorado ocidental, sem qualquer margem para se organizar de forma independente.

Vejo alguns analistas “liberais”, na imprensa brasileira, dizendo que Washington “fracassou” porque derrubou governos autoritários e, em vez de democracias, colheu o caos no Oriente Médio. Coitados. Tão ingênuos esses norte-americanos.

Ora, ora. Pode haver algo mais fácil de controlar do que populações desorganizadas, que se matam em guerras sem fim, sem a proteção de nada parecido com um Estado organizado?

O projeto dos EUA era – e é – o caos, a criação de uma grande franja que (do norte da África ao Tigre e Eufrates, chegando às montanhas do Afeganistão) debate-se no caos. É o que tenho chamado de “Estados zumbis”.

Mais recentemente, a intervenção de Washington avançou para a Ucrânia. De novo, vejo quem lamente que a intervenção não tenha levado a uma democracia ucraniana em estilo ocidental. Como se o objetivo fosse esse…

Está claro que, também na Ucrânia, o objetivo era criar um estado de caos e inoperância – que, de toda forma, é melhor do que uma Ucrânia forte, unificada, pró-Russia (essa era a ameaça antes da famosa rebelião fascista da Praça Maidan, insuflada pelos EUA, em Kiev).

A diferença é que na Ucrânia os norte-americanos encontraram resposta russa, que puxou para si a Criméia e as regiões do leste ucraniano (onde a cultura dominante e a língua são russas). “Ok, vocês podem criar o caos na sua Ucrânia; mas na nossa, não” – esse parece ter sido o recado de Putin a Obama.

Evidentemente, a derrubada dos governos em cada um desses países (do norte da África ao Afeganistão, da Ucrânia ao Tigre/Eufrates) seguiu motivações e roteiros próprios. Mas todas essas intervenções são parte de um mesmo movimento de afirmação da hegemonia dos Estados Unidos.

O poder imperial, em relativa crise econômica, se afirma pelas armas de forma impressionante, mundo afora – e isso em apenas 15 anos.

Vivemos o período das “operações especiais”, das guerras não-declaradas, das rebeliões movidas a whatsapp e vendidas como “gritos pela democracia”.

O mundo se ajoelha ao poder imperial. O nacionalismo árabe, que oferecia alguma resistência ao avanço dos EUA e seus parceiros da OTAN, foi destroçado.

Outro pólo de oposição é o que se desenha na Eurásia, com a parceria energética e logística entre russos e chineses. Por isso, Putin está sob cerco econômico, e ali – mais à frente – será jogada a partida decisiva no xadrez mundial.

Antes disso, no entanto, a política de intervenção de Washington se move para a América do Sul. Honduras e Paraguai foram ensaios, bem-sucedidos.

Venezuela, Argentina e Brasil: aqui, agora, vemos avançar o projeto de criar novos Estados zumbis. Depois do nacionalismo árabe, chegou a hora de destruir o nacionalismo latino-americano. Não é por outro motivo que “bolivarianismo” virou o anátema, o palavrão, o inimigo a ser derrotado – numa ofensiva que é política, econômica e sobretudo midiática.

Claro que todos esses país possuem problemas. Não quero dizer que todos os dilemas da América do Sul sejam responsabilidade do Império do Norte. Não. Simplesmente, Washington aproveita as contradições e fraquezas internas, em cada um desses países, para assoprar a faísca do caos.

Aqui, no Brasil, a intervenção não precisa ser diretamente militar. Basta atiçar setores sob hegemonia da cultura (e da grana) dos Estados Unidos.

Num encontro social (em São Paulo, claro), recentemente, ouvi a proposta pouco sutil: “bom mesmo é que o Obama invadisse isso aqui, e acabasse com essa bagunça”. Esse é o projeto dos paneleiros no Brasil. O fim da Nação, a anexação ao Império.

A próxima batalha – parece – será travada na Venezuela.

Maduro fustigou os Estados Unidos, mandando embora parte do pessoal da embaixada dos EUA em Caracas. Agora Washington reage e declara a Venezuela uma ameaça à segurança dos Estados Unidos (leia aqui).

A escalada verbal favorece os setores mais duros do chavismo. Ameaça de intervenção do Império pode dar a justificativa para um governo chavista mais forte, em que o poder já não estaria com Maduro, mas com os militares chavistas. A burguesia que hoje bate panelas em Caracas talvez tenha que seguir o caminho da elite cubana, em direção a Miami. Mas haveria guerra civil. O caos. Uma Líbia, ou um Iraque, às portas do Brasil.

Com um governo muito mais moderado, o Brasil também vive em estado de pré-convulsão política. Reparem: é o Estado (e não o “petismo”) que pode se desmanchar. Petrobras, políticas sociais, a própria ideia de desenvolvimento.

Tudo isso está em cheque. E não é à toa.

Na Argentina, já se fala abertamente no envolvimento de serviços de inteligência estrangeiros, na morte do procurador Nisman – com o objetivo de desestabilizar Cristina Kirchner – leia mais aqui, no texto de Paul Craig Roberts (sugestão do site O Empastelador).

No Brasil, vivemos uma venezuelização de mão única: apenas um dos lados aposta no confronto total. Os paneleiros querem sangue; o governo mantem a moderação verbal. Até quando?

O cenário é de um confronto que ameça não o governo Dilma, mas a própria ideia de um Estado nacional com projeto próprio.

A manifestação do dia 15 é só um capítulo da guerra. A própria batalha do impeachment é parte de uma guerra muito mais ampla.

Essa guerra será dura, e pode durar muitos anos. O tempo da conciliação acabou.

***

PS: Nos anos 80, quando se falava na participação direta dos Estados Unidos na derrubada de TODOS os governos do Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), ocorrida uma ou duas décadas antes, certos liberais uspianos sorriam, e atribuíam a afirmação a “teorias conspiratórias”; com a abertura dos arquivos em Washington, conheceu-se a verdade.

Parece “teoria conspiratória” que, depois de eliminar o nacionalismo árabe, os EUA preparem-se para um ataque contra a América do Sul bolivariana?

Homofobia: Filho de casal gay morre após ser agredido dentro de escola em SP

Via SpressoSP

Jovem de 14 anos não resistiu às agressões e faleceu depois de ficar quatro dias em coma; pai informou que pretende processar o governo de São Paulo: “Queremos que a justiça seja feita.”

Nesta segunda-feira (9), o adolescente Peterson Ricardo de Oliveira, de 14 anos, morreu após ser agredido por outros cinco jovens em uma escola pública na Vila Jamil, em Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo, na última quinta-feira (5). Peterson era filho adotivo de um casal gay e estava em coma desde o incidente.

Em entrevista ao portal R7, um dos pais da vítima, Márcio Nogueira, lamentou o ocorrido e informou que pretende processar o governo de São Paulo. “Queremos que a justiça seja feita. Eu não sabia que meu filho sofria preconceito por ser filho de um casal homossexual. Estamos tristes e decidimos divulgar o que aconteceu para que isso não se repita com outras crianças”, afirmou.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação negou a versão da família e informou que não há nenhum registro de agressão no interior da escola. Já a Secretaria Estadual de Saúde confirma que o adolescente deu entrada na última quinta-feira (5) no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos com parada cardiorrespiratória e passou por um processo de reanimação. Exames feitos no garoto também constataram que ele teve hemorragia, mas não apresentava sinais externos de violência física.

Ivan Valente quer que deputados citados em lista se afastem da CPI da Petrobras

Por Luciano Nascimento | Via Agência Brasil

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) solicitou hoje (10) ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-RJ), que os deputados citados na lista encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de abertura de inquéritos para investigar nomes citados nos depoimentos da Operação Lava Jato, se afastem da comissão.

“Quem está sob investigação não pode exercer o papel de investigador de si mesmo”, objetou. O pedido foi apoiado pelos líderes do PPS, Rubens Bueno (PR) e do DEM, Mendonça Filho (PE). “Quem tiver o nome mencionado na lista do Janot, não deveria fazer parte da CPI [da Petrobras] e do Conselho de Ética, é uma decisão de bom senso e de ética”, complementou Filho.

A lista traz nomes de ex-governadores, ex-ministros de Estado, senadores e deputados federais. Dois deles – os deputados Lázaro Botelho (PP-TO) e Sandes Júnior (PP-GO), como suplente, integram a CPI da Petrobras.

Ivan Valente disse que seu partido vai recorrer ao STF, caso os deputados não se afastem da comissão. De acordo com o relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), cabe aos líderes partidários substituir os integrantes. “Essa é uma tarefa das lideranças partidárias. Nem eu nem o presidente temos poder de substituir membros desta comissão, disse.

“É inconcebível que quem está sob investigação se mantenha como investigador. Isso pode colocar dúvidas no trabalho da comissão. Se as lideranças não tomarem uma atitude até amanhã, nós protocolaremos uma representação na corregedoria”, anunciou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (PSDB-SP).

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha que já se dispô s a falar na CPI. Cunha vai à comissão na próxima quinta-feira (12).

Ainda de acordo com Valente, o partido protocolará na sessão deliberativa do Plenário desta terça-feira, um projeto de Resolução para que todos os membros da Mesa Diretora, do Conselho de Ética e presidentes de Comissão citados na lista sejam afastados imediatamente de suas funções, durante o período de investigação da CPI.

Na sessão de instalação da CPI, o PSOL já havia protocolado uma questão de ordem pedindo que parlamentares que receberam doações para a campanha eleitoral de empresas investigadas na Operação Lava Jato fossem afastados da CPI. O pedido, contudo foi negado pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que dirigiu os trabalhos por ser o parlamentar mais velho da comissão.

Ontem (9), o PSOL e o PPS protocolaram requerimentos para que a CPI convoque para prestar esclarecimentos os políticos que tiveram inquéritos abertos na última sexta-feira. O PPS apresentou um pedido para ouvir 47 investigados – todos os listados pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Já o Psol quer ouvir 34 parlamentares mencionados, além do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Hervé Falciani: O país mais interessante para bancos offshore é o Brasil

Via Jornal GGN

“O Brasil é o maior alvo dos bancos que praticam a opacidade financeira no mundo inteiro, alvo número 1 dos centros estratégicos de decisão dos bancos”, disse, em entrevista ao Estadão.

O Estadão entrou na briga do monopólio das informações sobre os Swissleaks, dados das contas secretas mantidas no HSBC da Suíça, e conseguiu entrevistar Hervé Falciani, engenheiro de computação e ex-funcionário do HSBC, a fonte que vazou a lista de clientes para a imprensa. “O Brasil é o maior cliente de bancos opacos do mundo”, alerta ao jornal brasileiro.

Denunciante do esquema montado pela filial do banco em Genebra, Falciani é a maior autoridade para falar sobre o Swissleaks. Hoje, dedica-se a pesquisas sobre escândalos financeiros e colabora com partidos antissistema em diferentes países da Europa, para políticas com o objetivo de evitar esquemas de corrupção como o do HSBC.

Hervé Falciani informou que o Brasil era um dos países que bloqueavam o avanço das investigações, além da França, Itália e Espanha, “por razões políticas”, e que esse foi o motivo que o levou a vazar os dados para a imprensa mundial. E revelou: “o Brasil é o maior alvo dos bancos que praticam a opacidade financeira no mundo inteiro. (…) é o alvo número 1 dos centros estratégicos de decisão dos bancos”.

“É assim para o HSBC, do qual fiz parte, e também para outros bancos. Me reúno sempre com outros insiders e temos a convicção de que o país mais interessante do mundo para os bancos opacos, os bancos offshore que vendem serviços de opacidade, é o Brasil”, disse. O motivo, segundo Falciani, pode ser visto na reação atual do país: “Por que o Brasil só começa agora a se mexer para tomar providências para investigar o caso HSBC se ele é o País mais exposto em termos de capitais? Por que o Brasil abre investigações só sobre os clientes, no momento em que está claro há muitos anos que são os bancos que precisam ser investigados?”, questionou.

Um desses problemas das investigações, aponta o ex-funcionário do HSBC, é que “em muitos países, como no Brasil, acredita-se que uma investigação deve priorizar os clientes dos bancos, os fraudadores. É verdade. Mas o maior tema não são os fraudadores, que são os sintomas da doença”. “As causas da doença são as estruturas financeiras, os bancos, que oferecem a intermediação. São suas estruturas que permitem e estimulam a organização do crime, as fraudes, a lavagem de dinheiro, o terrorismo”, completa.

O engenheiro de computação lembrou que o esquema estrapola a lavagem de dinheiro, mas trata-se de um “dinheiro negro”, que corresponde à “ocultação” do “traçado do dinheiro”, realizado pelos bancos offshore. “Os bancos offshore (em paraísos fiscais) representam a metade da dívida mundial em volume de atividade”, afirma.

O repórter Andrei Netto decidiu questionar Falciani sobre o esquema de corrupção da Petrobras, relacionando-o com o do HSBC: “esse dinheiro parava na Suíça e, podemos imaginar, em muitos outros países em que estão instalados sistemas como o do HSBC. O que esse escândalo revela para o senhor?”, perguntou. Falciani restringiu-se a responder que é um exemplo de ocultação de dinheiro, “esquema organizado para partilhar o mercado da concorrência pública”, e afirmou que é o maior problema de uma democracia.

Leia a entrevista completa na reportagem do Estadão.

Sem democracia na mídia, mulher continuará sendo tratada como objeto

Por Tiago Pereira | Via RBA

Especialista da representação feminina na mídia, Rachel Moreno, acusa impactos na autoestima da mulher por imposição de padrões estéticos que atendem apenas aos interesses do mercado.

Mobilizações por todo o país marcaram a luta por igualdade no Dia Internacional da Mulher, ontem (8)

São Paulo – A psicóloga e coordenadora do Observatório da Mulher, Rachel Moreno, afirma que para mudar a representação feminina na mídia, quebrando com estereótipos e pondo fim à exploração sexual da imagem da mulher, é preciso democratizar os meios de comunicação. Para ela, não basta escalar repórteres mulheres para apresentar os principais jornais da maior emissora do país, na véspera e no Dia Internacional da Mulher (8 de março).

Rachel, que também é autora dos livros A Beleza do Impossível e A Imagem da Mulher na Mídia, ressalta que a atual forma de representação da mulher, em um cenário de concentração da mídia, é “absolutamente estreita”, e que falta “diversidade e pluralidade”.

“A mulher é sempre representada como branca, jovem, magra, cabelos lisos etc quando, na verdade, a mulher brasileira é branca, negra, jovem, velha, magra, gorda, de uma diversidade que, simplesmente, não se veem representadas.”

A psicóloga afirma que a perpetuação de tais estereótipos estabelecem padrões de beleza inatingíveis, que atende aos interesses da indústria, do comércio e das cirurgias plásticas, com irremediável prejuízo à autoestima da mulher.

Para Rachel, a mídia concentrada atende, basicamente, a dois interesses fundamentais: marcar posição, contra ou a favor, em relação ao governo vigente e produzir consumidores.

“No caso da sexualização das mulheres, inclusive da erotização precoce das crianças e do bombardeio a respeito de modelos de felicidade e valores, acaba justamente acontecendo para produzir consumidores para os anunciantes. Isso é muito pouco. Os nossos problemas do dia a dia não são discutidos, a realidade vivida pelas mulheres não é discutida, as novas questões e demandas também não são discutidas”, diz, acrescentando que é muito pouco fazer uma vez por ano matérias especiais que homenageiam o Dia Internacional da Mulher.

Rachel ressalta que, mesmo veículos de imprensa “mais sérios”, quando buscam fugir da objetivação e ultrasexualização da mulher, nunca as representam como especialistas, detentoras de opinião e conhecimentos relevantes, mas apenas como “vítimas ou testemunhas”.

Para alterar tal panorama, Rachel Moreno cobra, primeiramente, compromisso, por parte da grande imprensa, que, segundo ela, é “educadora informal poderosíssima”, mas que colabora na banalização e naturalização da violência contra a mulher.

A psicóloga diz não acreditar nos mecanismos de autorregulação defendidos pelas redes de comunicação e agências de publicidade e ressalta que o Conselho Nacional de Autorregulamentação (Conar) demora para agir, chega atrasado – quando anúncios denunciados por abuso já saíram do ar – e, na maioria das vezes, toma partido dos anunciantes. Ela defende a criação de normas e regras para o setor e um órgão independente que fiscalize implementação destas.

“A Constituição garante o direito de comunicação, e comunicação é uma via de duas mãos. Como é que estamos falando na existência de democracia na comunicação se nós temos seis famílias que detêm todos os meios, neste país. Eles definem o que nós vamos ver, e o que não vamos ver, e o que nós vamos pensar sobre o que eles decidem que vão nos mostrar. Isso não é democracia.”

Rachel defende também a reforma política com participação da sociedade civil para aumentar a representação da mulher no parlamento, com o fim do financiamento privado de campanha, pois, segundo ela, “as mulheres acabam sendo mais pobres e resistem mais a recorrer aos recursos das empresas”. Cobra também voto em lista alternada, que garanta a paridade entre homens e mulheres.

Para além das reformas, na mídia e na política, a coordenadora do Observatório da Mulher espera uma mudança de costumes: “As mulheres não participam da política porque são sobrecarregadas, têm dupla jornada de trabalho. Está na hora de dividir o trabalho doméstico entre homens e mulheres. Mostrar nas novelas o homem chegando em casa mais cedo e preparando o jantar e, quando a mulher chega, a mesa está posta para naturalizar uma nova divisão das tarefas domésticas, Além disso, desnaturalizar a violência de gênero, discutir seriamente a sexualidade e cuidados necessários, enfim, exercer com responsabilidade social a sua função de educadora informal e de concessão. E repensar a distribuição do espectro eletromagnético, e dos recursos governamentais para a mídia”.

Bob Fernandes: “Panelaço” se esqueceu de gritar contra Renan, Eduardo Cunha e Lista de Janot

Por Bob Fernandes | Via Facebook

“Panelaço” contra a presidente em várias cidades. Em São Paulo, nos chamados “bairros nobres”, panelas e gritos de “Fora Dilma”. E também ofensas impublicáveis.

Em milhares de relatos, nem uma (1) notícia de um (1) só grito, uma baixela contra Eduardo Cunha, Renan Calheiros, ou demais 47 da Lista de Janot…ou contra empreiteiras…

É um direito de todo e qualquer cidadão desejar a queda de Dilma. Como é o de xingá-la nas suas sacadas e varandões. Ainda que ofender a presidente na sua condição de mulher diga muito sobre quem xinga.

Lembremos: Dilma governa a crise que sua própria gestão criou. Mas, ao contrário dos presidentes do Senado e Câmara, ela não está na Lista de Janot… Renan, Cunha e outros 47 estão.

Renan é um sobrevivente. Sentiu o cheiro antes e escapou do governo Collor. Foi ministro da Justiça de Fernando Henrique.

Renan sobreviveu a sucessivos escândalos. Se vier a ser investigado, vai usar todo seu Poder para sobreviver.

Isso inclui operar contra o governo do seu PMDB. Como fez no dia em que seu nome vazava da Lista de Janot e ele era saudado por líderes da oposição.

Eduardo Cunha tornou-se presidente da Câmara com aplausos da oposição. Que, como dizem hoje alguns de seus líderes, quer “ver Dilma sangrar”.

Eleito, Cunha logo informou que só sobre seu “cadáver” a “regulamentação econômica da Mídia” seria aprovada. Cunha é inteligente e hábil.

Experiente, o agora presidente da Câmara já foi aliado de Collor e PC, Maluf e Garotinho.

Para esvaziar a relatoria da CPI da Petrobras, que é do PT, Cunha criou 4 sub-relatorias. A CPI será sua arma para arrancar o que busca.

O Supremo pode ou não investigar e indiciar Cunha, Renan e os 47. Mas quem cassa é o Congresso. E eles julgarão a si mesmos.

Renan, Eduardo Cunha & Cia sequestrarão a pauta do Congresso, farão qualquer acordo para não serem cassados.

Dia 15 vem ai grande manifestação.

Uma pena o pessoal do “panelaço” nas sacadas e varandões ter se esquecido do Renan Calheiros, do Eduardo Cunha, dos outros 47…das empreiteiras…Ainda dá tempo.