EUA decidem acatar posição da Rússia sobre a questão da Síria

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Via Sputniknews

Johnn Kerry, secretário de Estado norte-americano, e Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia.

Professor de Relações Internacionais e ex-diretor do BRICS Policy Center da Pontifícia Universidade Católica – Prefeitura do Rio de Janeiro, Fabiano Mielniczuk analisa a reaproximação de Estados Unidos e Síria relacionada ao combate ao terrorismo da Al Qaeda e do Estado Islâmico.

Em entrevista à rádio Sputnik, o professor de Relações Internacionais e ex-diretor do BRICS Policy Center da PUC e Prefeitura do Rio de Janeiro, Fabiano Mielniczuk, analisou a recente reviravolta nas relações dos Estados Unidos e Síria.

Nos últimos dias, os EUA tem adotado um tom conciliador com o governo de Assad, tendo inclusive elogiado o programa de retirada de armas químicas do país, realizado em conjunto com a Rússia.

Segundo Mielniczuk, os Estados Unidos estão preocupados com o aumento da influência do Estado Islâmico no país, o que levou a administração da Casa Branca a rever sua política para região.

O especialista lembrou que o conflito teve origens em 2011, sendo um extensão da Primavera Árabe. Na ocasião, seguindo o exemplo do Egito e outros países do Oriente Médio, sírios saíram às ruas para protestar contra o regime Bashar al-Assad, cuja família está há 40 anos no poder. Segundo Mielniczuk, apesar das reivindicações terem sido justas, os Estados Unidos, que trabalharam em conjunto com Arábia Saudita, erraram em financiar o grupos rebeldes.

O principal motivo das ações dos EUA e da Arábia Saudita foi a histórica aliança do governo sírio com Irã, o principal opositor da Arábia Saudita na região. Portanto, na ocasião, havia um forte interesse na derrubada de Assad, o que resultou no financiamento dos grupos rebeldes.
Em agosto de 2013, após uso de gás sarin nos arredores de Damasco (sem provas conclusivas quanto à responsabilidade de um dos lados do conflito), os EUA estavam a beira de uma intervenção militar no país.

Nesse momento, a Rússia, que já havia alertado para os perigos do financiamento dos rebeldes, entrou em cena e negociou um acordo de retirada de armas químicas do país. O maior medo da Rússia, explica Mielniczuk, era que esse tipo de armas fosse parar no Cáucaso, onde, nos anos 90, Moscou combateu os grupos extremistas islâmicos.

Mesmo assim, o ocidente seguiu apoiando os movimentos rebeldes. Como resultado, 200 mil sírios morreram durante os conflitos. Além disso, grupos do Al-Qaeda fugiram do Iraque para Síria, onde se reorganizaram e formaram o Estado Islâmico. Portanto, se hoje o Assad cai, não haverá uma transição democrática, mas sim um estado fundamentalista.

Isso não significa que Assad deve ser apoiado, pontuou o professor. No entanto, os Estados Unidos estão pagando pela própria imprudência na região desde o início dos anos 2000. Infelizmente, a situação na região somente será estabilizada com a derrota do Estado Islâmico, o que significa que os conflitos estão longe de acabar, lamentou Fabiano Mielniczuk.

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