Diálogos Desenvolvimentistas: O rebanho do Capital e a nova ordem mundial

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Movidos pelo artigo intitulado Sobre como o capital aprendeu a se manifestar, do economista e associado Heldo Siqueira, os também integrantes da ADB, Adriano Benayon, doutor em economia e Tania Faillace, jornalista e escritora, teceram suas impressões e complementos sobre a dinâmica do Capital imperialista e seus projetos de domínio global.

Adriano Benayon – Não é o capital que se manifesta. Ele faz o seu gado manifestar-se para alcançar os fins, bem concretos que objetiva: saquear a economia do País, como vem fazendo em escala crescente, arrebatar o pré-sal e talvez a Petrobrás de quebra, eventualmente pôr no Executivo uma direção ainda mais submissa e por aí vai.

Eu subscreveria as palavras da Tania sobre os métodos dos concentradores capitalistas, inclusive quanto à bagunça que promovem, bem como o interesse deles em desestruturar a sociedade.

Apenas, mais uma vez, proponho que se dê o nome aos bois: não é o neoliberalismo. São os banqueiros, os cartéis industriais, em geral transnacionais. O neoliberalismo não é coisa alguma concreta, não é imputável: é só uma teoria, a teoria que muita gente, especialmente da esquerda, diz ser a da direita “liberal”, i.e., a não assumidamente totalitária (não-totalitária para outros verem, pois os ingleses ou angloamericanos são eles).

Devemos, a meu ver, negar que o que esteja em prática no Brasil seja liberal. Não é liberal. É intervencionista, dirigista. Só que muitos da esquerda desejam, com razão, que o Estado seja dirigista, para corrigir as desigualdades sociais, promover o desenvolvimento através dos investimentos públicos, política de defesa da concorrência etc., e se acostumaram a ver a oposição dos beneficiários da concentração e do saqueio ao dirigismo, ao intervencionismo para esses fins.

Mas os concentradores não são nada, do ponto de vista doutrinário: eles, piores que feras predadoras, só cuidam de acumular mais recursos e mais poder, e sem o cuidado das feras de não acabar com a caça.

Portanto, na prática, são protecionistas quando se trata de defender seus mercados cativos e liberais quando desejam penetrar nos que não dominam. São intervencionistas para fazer que o “governo”, sua marionete, estabelece, no Brasil, juros absolutamente absurdos, cuja composição basta para arrasar definitivamente a economia, se perdurar mais alguns anos. Também são intervencionistas quando fazem os Tesouros e os BACENs nos EUA e na Europa salvarem os bancos delinqüentes e aproveitadores da farra dos derivativos que desembocou no colapso financeiro. São intervencionistas no Brasil quando estabelecem favores fiscais e subsídios incríveis, em todos os níveis da Federação, em benefício de seus cartéis industriais transnacionais.

Já disse que não estou insistindo nesta ordem de ideias por diletantismo, ou meramente por prazer intelectual. Penso que estamos precisando urgentemente de ampliar o espectro dos que compreendem o que está em jogo. Não conseguiremos nem sequer iniciar as conversas, se não focarmos as questões no seu aspecto real, substantivo. Abordando-as sob óticas ideológicas, o império continuará triunfante, assistindo de camarote as brigas irreconciliáveis de direita e esquerda, socialistas e liberais etc., enquanto mete a mão sem qualquer restrição.

Voltando à desestruturação, à bagunça, o que me parece importante estar bem presente nas consciências é que as manifestações de rua são telecomandadas pelos concentradores para obter mais castanhas com as mãos dos gatos que vão às ruas, juntamente com as mãos de juízes e parlamentares, como antes também com as mãos de chefes militares.

Isso não quer dizer que não haja razões de sobra para o descontentamento popular: é só ver as lastimáveis infraestruturas de transportes, de energia etc., sem falar na elevação dos preços e da perda de empregos, já em curso e com tendência de aumentar aceleradamente.

Se Dilma tem culpa ou não, nem é muito relevante a esta altura. Ela tem muita responsabilidade, pelo simples fato de ocupar a presidência, mesmo que o poder real desta seja muitíssimo inferior ao da rainha Elisabeth (esta, ao contrário do que vivem repetindo, tem mais poder que o primeiro-ministro e parlamento, eleitos pelo dinheiro, através do povo).

Claro para mim e para muitos de vocês que o atual caos deriva principalmente de ações e efeitos do entreguismo acumulado ao longo de mais de sessenta anos, pós Getúlio, a que devemos adicionar mais cinco do período Dutra (1946-1950). Claro que a coisa deu saltos qualitativos para o abismo por meio de Collor e FHC. Mas como ter os olhos e os ouvidos do povo para nós nos explicarmos tudo isso.

Em resumo, Lula e Dilma resolveram assumir a presidência e fizeram os compromissos ditados pelos concentradores de continuar o essencial da política entreguista. Com isso guardam em suas mãos a bomba-relógio, cuja pressão megatônica só faz crescer, enquanto a hora da explosão se aproxima.

Tania Faillace – A doutrina de que falo é divulgada por fóruns especiais universitários e clubes da juventude, chamados de Clubes da Liberdade, e usa como inspiradores Von Mises e Ayn Rand. Não é coisa vaga, é uma doutrina bem estruturada. Usa o termo neoliberalismo anarquista para significar que é contra a instituição Estado, e as constituições nacionais.

Pretende a liberdade total dos empreendedores, sem regulamentos, sem regras, sem leis.
Já assisti a seus eventos, que são disseminados por vários países, têm a participação de altas personalidades internacionais, e são sustentados pelas corporações transnacionais.

Também os EUA serão fatiados em territórios sem identidade, mas num futuro a médio prazo. Como venho insistindo, esse ideário vem sendo partejado desde o Tratado de Bretton Wood, e é discutido e elaborada sua estratégia nos encontros de instâncias como o Clube de Bilderberg e o Clube de Roma, tendo seus membros aproveitado algumas ideias do nazismo dos anos 30 e 40, mas desenvolvidas no sentido do anarquismo institucional. De momento seus carros chefes são os governos dos EUA, Reino Unido, Canadá e Israel, como fiel executor, que terá como recompensa vastos territórios da América do Sul, notadamente da Argentina.

Há, porém, divergências entre esses atores. Temos agora a picuinha de EUA com a União Européia. A Inglaterra querendo associar-se ao Banco Asiático, que deve fazer concorrência ao FMI e seus derivados. O bate-boca de Obama com Alemanha, ameaçando-a de deixá-la ser palco de terrorismo, sem avisá-la, e a queda quase imediata de um avião alemão, provavelmente por sabotagem de terra, já que, com a mania dos controles informáticos nessas naves, elas já não têm navegadores visuais e operação mecânica, bastando cortar a comunicação informática por meios eletrônicos, que qualquer avião cai imediatamente.

De que terão ameaçado o governo brasileiro? Do mesmo que ameaçaram o governo alemão: atentados terroristas. Há grupos terroristas comandados por CIA e Mossad espalhados por todos os continentes, que podem ser ativados a qualquer comando via celular, inclusive no Brasil.

De minha parte, eu apostaria em esclarecer a opinião pública, não deixando pedra sobre pedra. Mas… através de qual veículo que o povo ouve, assiste e acredita? O Jornal Nacional? A situação veio consolidando-se desde o governo Sarney, após a morte provocada de Tancredo Neves. Sarney acabou com os órgãos estratégicos de desenvolvimento do Brasil: SUDAM, SUDENE, DNOS, DNOCS, BNH, e nem lembro o resto. FHC entregou as maiores empresas brasileiras, e inclusive a telefonia (!), que é a pedra de toque da sociedade pós-moderna. Falta mais o quê?

A onda investigativa é uma estratégia para tentar imobilizar os bandidos, e se possível tirá-los de cena. Mas não podemos esquecer que também o Crime Organizado, – dentro do qual o Narcotráfico, que tem sua bancada no Congresso, – joga pesado nessa conjuntura. Daí a insistência na liberação das drogas, para poder universalizar seu uso desde a infância. E a tolerância com o proxenetismo homo e heterossexual, que também é terreno do Crime Organizado, o qual, igualmente lida com tráfico de pessoas, e de órgãos.

Não se trata de picuinhas da política doméstica, mas dos grandes movimentos geopolíticos de nossa era de crise mundial econômica e política e social, devastação ambiental, e aquecimento global, sendo que tudo isso está intimamente relacionado.

Tomem tento, pessoal. O negócio é sério. Não é mais hora para quiproquós, melindres e mal-entendidos.

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