A besta está solta, e foi solta por mãos hábeis e praticamente invisíveis

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Por Rogério Maestri | Via Jornal GGN

Todo e qualquer movimento que o Governo Federal tomar daqui por diante será tachado de demagogia, ações para esconder os fatos e outras coisas do gênero, pois atualmente a lógica não é mais ditada por atos nacionais.

Saem milhares de pessoas as ruas dentro da maior desordem doutrinária possível, uns pedem simplesmente o combate à corrupção, outros a retirada constitucional da presidência, terceiros pedem não só a retirada da presidência como a colocação do PT na ilegalidade, os mais exaltados pedem um golpe militar e no extremo temos aqueles que pedem a intervenção de países estrangeiros.

Toda esta confusão doutrinária parece algo que ocorre ao azar, porém se formos comparar com revoltas em outras partes do mundo, o cenário brasileiro se encaixa como uma luva.

As revoluções coloridas, rosa, laranja, das tulipas, nos países da ex-união soviética ou as primaveras ou outonos todos tem exatamente esta característica, uma falta de um programa concreto para a substituição dos governantes, apoio de movimentos de extrema direita composta de militantes lúmpens sem aparente origem, mas com características sinistras e obscuras, apoio secundário de oposições tradicionais que são suprimidas fisicamente ao longo do tempo, e o pior de tudo, tendo como resultado simplesmente a desorganização econômica, política e social dos países em que estas revoluções partidas das redes sociais têm êxito.

Os movimentos atuais não têm interlocutores, simplesmente porque é este o objetivo, vejam políticos tradicionais de oposição como o ex-presidente FHC se mantém afastados destes movimentos mostrando eventuais simpatias a eles. O próprio Aécio Neves, que poderia tentar capitalizar todo este descontentamento mantém-se com um olhar discreto e bucólico por uma janela as manifestações que ocorriam.

Quem tem mais de sessenta anos e um bom conhecimento da nossa história recente, se for um pouco perspicaz verá que os rumos destas manifestações não seguem a padrões que vimos, por exemplo, em 1964.

Naquela época, a “mão invisível” pensava em retirar a esquerda do poder de todos os países e substituí-las por governos militares fortes e aliados a um programa de internacionalização da economia. O governo de Castelo Branco, o general preferido por forças externas, seguiu exatamente este padrão. Entretanto nos dias atuais devido à complexidade da economia internacional e nacional, a mesma “mão invisível” dos movimentos nacional e internacionais, não se interessa mais por isto, pois um governo militar forte pode cair nas mãos de setores nacionalistas com um projeto definido perdendo o objetivo central da “mão invisível”.

Falei em objetivo central, mas não deixei claro o que é este objetivo, não deixei claro, pois este se esgota exatamente no desarranjo de toda e qualquer possibilidade de um grupo político, de direita ou de esquerda, de tomar o poder e reconstituir o Estado em torno de uma plataforma qualquer porém unitária.

Pode parecer algo surreal, mas o objetivo que está por trás de tudo está simplesmente na desestruturação do Estado, na secessão e implosão do território nacional. Um objetivo estúpido que não serve a nenhuma força ou tendência política nacional, nem a direita e muito menos a esquerda.

Poderia tentar demonstrar claramente o porquê deste objetivo de desestruturação do Estado, mas no lugar de cair em longas digressões posso simplesmente dizer. A quem interessa estados nacionais fracos? Quem sai lucrando com estes Estados envolvidos em lutas internas de fracções difusas e sinistras?

Quem responder corretamente estas perguntas conseguirá entender perfeitamente tudo que se desenrolou em outros países e que parece ser o nosso futuro. Também a resposta a estas perguntas mostra quem está por trás destes aparentes movimentos sem lideres e sem programa, e talvez, numa possibilidade remota quem entender isto talvez não vista com tanta facilidade camisetas coloridas, para protagonizar mais uma revolução, a verde, que com o passar do tempo verão quão manipulados pela “mão invisível” (não do mercado) e para onde esta “mão” nos levará.

Há um livro que seu conteúdo não é lá muito legível e compressível, e não recomendo a perda de tempo na sua leitura, porém o seu título é verdadeiramente forte e fantástico, e o título é:

NINGUÉM VIVE IMPUNEMENTE A DELÍCIA DOS EXTREMOS.

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