Diálogos Desenvolvimentistas: O ataque a Petrobras e a sanha entreguista

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Os ataques que a imprensa corporativa têm realizado contra a Petrobras renderam uma boa discussão entre os integrantes do grupo. Nela fala-se sobre o papel dos partidos na defesa ou entrega do patrimônio nacional, a tão falada correlação de forças na implementação das alternativas reais e por fim sobre a conjuntura internacional atualmente desfavorável para os países produtores de petróleo, por conta principalmente do dumping de mercado promovido pelos EUA e Arábia Saudita.

Confira este interessante diálogo:

Luiz Carlos Cruz – Não devo fazer juízo de valor do blog Conversa afiada e de entidades pró-governo que assinam esta NOTA difusa, porém em relação a Defesa da Petrobras, não faltou citar:

Que a Petrobras não foi constituída para pagar dividendos a acionistas;

Que defender a Petrobras é reestatizar e torná-la 100% publica com monopólio do Estado brasileiro;

Que defender a Petrobras é acabar com os leilões de petróleo;

Observação:

Quem realizou e entregou o leilão de libra foi este governo do neo PT.

Tania Faillace – Entre as muitas desvantagens de ser velho, surge uma vantagem: fomos testemunhas de acontecimentos que já ninguém sabe como aconteceram.

A Petrobras foi criada com cláusula de monopólio estatal. Ponto.

No governo militar de Médici, essa cláusula foi removida, permitindo leilões e outras transações.

Geisel, quando assumiu, nunca usou essa cláusula, porque tinha sido presidente da Petrobras, e era um nacionalista ferrenho.

Figueiredo também não a usou.

Foi essa uma das razões, aliás, porque os norte-americanos, que tinham trabalhado em favor do golpe de 1964, se desgostaram dos militares e resolveram apostar nos civis para lhes dar o que eles esperavam que os militares lhes dessem. E foi pela mesma razão, que a “democratização” não atendeu à reivindicação de Diretas Já. Governo civil, sim, mas com eleitorado reduzido. Na ocasião, foi feita uma verdadeira campanha terrorista contra uma possível candidatura Maluf – que não conseguiriam controlar.

E foi eleito (?) Tancredo Neves (que não merecia o neto que tem), amigo de Getúlio, trabalhista dos antigos.

Mas Tancredo não deveria ser empossado. Levaram-no para um exame no célebre Hospital da Base (célebre cenário de muitos mistérios), e abriram-lhe o abdômen sem fazer a competente lavagem intestinal, e permitindo na sala de cirurgia pessoas com roupas de rua, e sapatos!, conforme denunciou sua irmã depois e ninguém a ligou.

Resultado: septicemia por infecção hospitalar.

E assumiu Sarney que era o homem pré-indicado, mas não tinha cacife para eleger-se diretamente naquele momento. Sarney fechou DNOCS, DNOS, BNH, SUDENE e SUDAM, órgãos estratégicos do ponto de vista estrutural e do desenvolvimento.

Tinham irregularidades e até coisa pior em seu acervo, mas poderia ter sido feito com eles, o que a Dilma está fazendo na Petrobras: investigar e punir os culpados.

Sarney fechou esses serviços, porque o plano exigia avançar em empresas estatais para privatizá-las.

Não de cara. Quem deveria fazer isso seria o Collor, que começou garfando as poupanças das pessoas físicas dentro dos bancos. Muita gente no Brasil se suicidou por isso, principalmente aposentados. Mas Collor exagerou, e seu tesoureiro de campanha apareceu assassinado um dia, numa simulação de crime passional em que só acreditaram os seguranças que o guardavam, que estavam armados e eram as únicas testemunhas.

Para os leigos, mais pareceu uma queima de arquivo.

Assumiu o vice, Itamar. Um velhote bonachão e meio desligado.

E enfim surgiu o HERÓI dos interesses norte-americanos, o príncipe FHC. Fez tudinho como manda o figurino. Quando Lula assumiu, 65 estatais rentáveis tinham sido privatizadas (inclusive a telefonia e a energia elétrica, a maior mineradora do mundo, etc.) e os leilões já eram rotina.

Por que não foram denunciadas as privatizações, quando nós, no Sul, tínhamos uma campanha preparada contra elas desde 1996? Mistérios dos bastidores da política. Nenhuma cúpula partidária no Brasil se levantou contra elas.

Só esta velha excêntrica aqui (que na época ainda não era velhaq) e seus amigos sindicalistas, continuamos a distribuir nosso folhetinho, mas sem qualquer estrutura para isso – alguns ainda têm vocação para Dom Quixote.

Mando a capa dele para os amigos. São oito páginas admiravelmente quadrinizadas por artistas como Santiago, Moa e Guazelli.

Ronaldo Abreu – O que mais me preocupa não é a questão do petróleo pois este modelo de mais caminhão e carro e por consequência mais combustível tem limite. Mas os empregos qualificados num país que gera cada vez menos empregos bons. A Petrobras representa uma esperança desta geração de empregos. Sobre disputas pró e contra governo, muito a culpa é do governo mesmo. Alíquota patronal de INSS sobre domésticas cairia para 8% e o que o governo faz? Aumenta para 12. Ferra a classe média. depois os chama de golpistas… Coloca esta conta no IR sobre dividendos! Enquanto isso as multis mandam lucro sem pagar nada e querem que a classe média aplauda o governo (mesmo sendo bem alienada).

Tania Faillace – Este país precisa ser reformulado de alto a baixo.

Não apenas para criar empregos mas para dar uma diretriz econômica para nosso desenvolvimento, equilibrando produção agrícola, produção industrial, serviços.

E acabar com a discriminação entre os setores.

Bons profissionais são necessários em todos eles.

Não esqueçamos sequer as forças armadas, embora eu ache que elas precisem de uma reciclagem em sua formação para integrar povo e soldados solidariamente, como tarefas diferenciadas mas fundamentais para um mesmo fim: uma nação independente, autônoma, soberana e justa.

Bento Araújo – No mundo está sendo travada uma nova guerra econômica já aplicada nos anos 1980: o Dumping do Petróleo, pois, o império chegou a conclusão que se apoderar do petróleo sem gastos com sangrentas guerras e combates militares é mais vantajoso nessa conjuntura.

O alvo dos ferozes ataques e economia de guerra feitos pelos EUA nesse cenário do “Segundo Dumping Mundial do Petróleo” iniciado em janeiro de 2014 e orquestrado pelo império Anglo-Americano é sem dúvida nenhuma obter aliados internos e adesão da mídia golpista aliada (Globo Timelife Brazil Inc, Editora Abril etc) e também de políticos entreguistas e lesa-pátria para conseguir o retorno do REGIME DE CONCESSÕES no pré-sal, tomando posse de nossas riquezas (200 bilhões de barris) e dos campos em Maracaibo na Venezuela (295 bilhões de barris). Observe que mais de 75% dos campos petrolíferos do mundo são CAMPOS MADUROS EM FORTE DECLINIO DE PRODUÇÃO, inclusive na Arábia Saudita que iniciou a inflexão da Curva de Produção no ano 2013, está iniciando um forte declínio, essa é a razão dos altos custos de locação das sondas variando de 500 mil dólares a um milhão de dólares por dia e os ferozes ataques a petrolíferas com reservas gigantes descobertas recentemente.

Desde o início desse segundo dumping do petróleo as petrolíferas do mundo inteiro tiveram ações desvalorizadas (o preço do barril caiu de 120 para 60 dólares, mantido artificialmente por dois anos graças a reservas anglo-americanas no campo de Majnoon, e fazendo cair quase que na mesma proporção o valor das suas ações). O objetivo é atingir as empresas petrolíferas detentoras de gigantescas reservas e de tecnologias de exploração em águas profundas. A Petrobras está sendo achincalhada mesmo tendo recebido prêmios e batendo recordes regulares de produção e refino na área do pré-sal. Veja que essa semana entrou em plena operação a segunda unidade da RNEST a HDT de DIESEL S-10, e somada à produção da UDA =Unidade de Destilação Atmosférica da RNEST que partiu em novembro de 2014, a área de REFINO da Petrobras (do Brasil) volta a respirar após 35 anos de febre privatista dos governos, que impediram por quase quatro décadas a construção de novas refinarias, a última fora a REVAP, construída no governo militar, tendo entrado em operação em meados de 1980 e com capacidade de 240 mil barris por dia e grau de complexidade seis. A RENEST tem grau de complexidade 14 e ainda o dobro da capacidade dessa última. Pela descoberta de campos gigantes e os recordes de produção e alta produtividade a Petrobras já recebeu três prêmios internacionais na OTC, dois na época da descoberta dos campos gigantes Marlim e Albacora e Roncador e depois o terceiro prêmio muito recente em 2014 pela alta produtividade da produção no pré-sal que em poucos anos já atinge a produção diária de 740 mil barris por dia.

É bom lembrar que a subsidiária da Petrobras (extinta por Collor) a BRASPETRO descobriu o campo gigante e magnífico de MAJNOON em setembro de 1990, a maior descoberta do mundo feita antes do pré-sal, e ao fazer prospecções sísmicas ao sul do Iraque a BRASPETRO também descobriu a existência de poços horizontais direcionais da Chevron que extraía e roubava o óleo iraquiano pela fronteira do Kwait. Essa foi a causa da guerra do golfo em 1991 e em 2003.

A mesma Chevron tentou ainda extrair ilicitamente o óleo leve do pré-sal na Bacia de Campos a partir de uma concessão de um leilão coroado de falcatruas em 1998, usando as mesmas técnicas para atingir a camada pré-sal e uma segunda camada mais profunda sem ter a autorização para tal. O resultado dessa tentativa de roubo do óleo de camada pré-sal, gerou um desastre ambiental sem precedentes em 2012 na Bacia de Campos e por sorte a Petrobras, que tinha um bloco ao lado, fez o bloqueio do poço irregular da Chevron. Por causa desse incidente a Marinha ocupou a plataforma da Chevron, oque quase gerou uma crise diplomática. A Chevron perdeu a concessão e teve que sair do campo por um processo no qual a ANP e a PF recolheu todos os passaportes dos gerentes da Chevron e dos diretores no Rio de Janeiro. Esse incidente foi amenizado no Congresso abafado na mídia global.

Essa é a verdadeira razão dos ataques do império AA e dos políticos entreguistas e lesa-pátria contra as petrolíferas detentoras de grandes reservas e tecnologia de exploração em águas profundas (Petrobras e Statoil). Eles querem continuar entregando riquezas minerais e petrolíferas gigantescas aos maiores consumidores do mundo, os EUA, que consome quase a metade de toda a produção mundial de petróleo, ou seja, 38 milhões de barris diários num mundo que produz 84 milhões de barris por dia. Observe que há 20 anos os campos petrolíferos dos EUA entraram em forte declínio de produção, razão das guerras do petróleo no Oriente Médio e dos dois DUMPINGS do PETRÓLEO (1983-1986 e 2014-2015). O primeiro dumping gerou a Perestroyka na Rússia pois esta não suportou a queda do preço do petróleo de 50 para 13 dólares o barril. As economias dos países exportadores de petróleo e gás natural caiu na mesma proporção da baixa. O dumping de 1983 também teve como alvo o Irã por causa da queda do Xá Reza Pahlevi e a ascensão de Khomeine. O dumping de 2014 tem como alvos as reservas da Venezuela (295 bilhões de barris) e do pré-sal (200 bilhões de barris). Aqui a guerra está sendo travada entre os entreguistas que querem o regime de concessão e os nacionalistas que querem o regime de partilha.

No Programa de Internacionalização (desnacionalização) da Petrobras, o senhor FHC contou com aliados internos (ex sr Paulo Roberto Costa, nomeado por FHC em 06/08/1996, confira no jornal Valor Econômico da mesma data “FHC nomeia Paulo Roberto para a Diretoria de Gás da Petrobras para gerir contrato com a ENRON”). Em janeiro de 1997 o genro de FHC, então chefe da ANP iniciou os Leilões das CONCESSOES se apropriando dos MAPAS DE PETROLEO DA PETROBRAS que a duras penas pesquisou por quatro décadas todo o solo e plataforma continental brasileira. As reservas brasileiras foram vendidas a preços ínfimos, ridiculamente baixos. Um dos campos foi vendido em 1998 a preço de um apartamento na Barra da Tijuca e os gringos ganharam bilhões com a extração predatória até DEPLETAR o campo. Em março de 1999 FHC e seu genro novamente entregaram de mãos beijadas na Bolsa de NY um lote bilionário de 405 das ações preferenciais da PETROBRAS (PETR4) a preços ínfimos, quase a metade da Petrobras trocada por MOEDAS PODRES DO MERCADO IMOBILIÁRIO AMERICANO DE GEORGE SOROS (PATRÃO DE ARMINIO FRAGA) por menos de 5% do valor nominal. Essa privatização branca da Petrobras foi feita por David Zylbersztajn, FHC e Nery Phillipe um ex-banqueiro dono do banco SBA que tornou-se presidente da Petrobras. Tiveram até que solicitar ao Congresso, as pressas, mudar o estatuto para nomear um gringo na presidência da estatal.

Observe que no Golpe Militar de 1964 existia uma causa interna (reforma agrária) e outra causa externa muito mais atuante no golpe que foi a Lei 4.131- do Controle de Remessas e de Lucros ao Exterior, ambas uniram os governadores latifundiários com os interesses estrangeiros das multinacionais e a mídia golpista contra JANGO em março de 1964, e foi deflagrada a fantástica OPERAÇÃO BROTHER SAM – CIA CSA-105 que levou uma esquadra da 4A frota ao Brasil meses antes do golpe para ajudar os rebeldes caso eles encontrassem resistência no II e III Exército, aliados de Jango. O embaixador Lindon Gordon se encarregou de avisar Jango que a Casa Branca havia deslocado a 4a Frota para a costa brasileira e tinha 20 mil, marines a bordo da esquadra e ainda com apoio do porta-aviões FORRIESTER, estes permaneceram ancorados por três meses próximo a costa do Rio Grande do Sul, e prestariam apoio militar ao golpe caso necessário.

Nessa época foi criado em 1963 o Primeiro Mensalão do Brasil o IBAD, sob controle do IPES para preparação do golpe, sob o financiamento dos EUA. Essa passagem está muito clara nos livros 1964 – A CONQUISTA DO ESTADO, do Rene Dreyfuss e A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO CPI GLOBO TIMELIFE, do Daniel Herz.

O “IPESIANOS” TAMBÉM TREINARAM BLACK BLOCKS, AÇÕES NA ÁREA SINDICAL (AFL-CIO) E NOS MOVIMENTOS ESTUDANTIS, ANGARIARAM OS LIDERES DA UNE DA ÉPOCA O SR MARCO MACIEL, SR JOSE CHIRICO, SERRA E OUTROS.

Luiz Carlos Cruz – Não parece que sua velhice seja uma desvantagem. Aprendemos muito com seus depoimentos, muita das vezes, bem argumentados.

O que me cause espécie é uma pessoa que justifica com argumentos brilhantes o que não presta – O governo neopetista.

Não se trata de mistério, pois o enigma de Lula, já foi decifrado e como afirmam ele não é um apedeuta.

Agora esta insistência em ficar, o tempo todo, comparando com o governo FHC é manter o status quo – É mais do mesmo.

André Luís – O maior problema não é se é Lula e FHC, isso está se tornando FLA X FLU. O maior problema é que não vejo ninguém que possa liderar o país, nem a esquerda nem a direita, por isso que estamos vendo o florescer de radicais que não conseguem resistir a 1 minuto de debate sério.

Ontem estava acompanhando o Programa da Record News com o Heródoto Barbeiro, quando um dos debatedores citou Gramsci dizendo que estamos vivendo num período de interregno, onde o antigo não morre e o novo não aparece.

Este é o grande problema do Brasil, e até do mundo, não há lideranças no momento além das velhas, e isto pode levar ao pior dos mundos, o aparecimento de oportunistas que se aproveitem deste momento.

Uma ideia sobre “Diálogos Desenvolvimentistas: O ataque a Petrobras e a sanha entreguista

  1. Leopoldo

    17/03/2015 – Começou a privatização da Petrobras

    A Petrobras já deu o pontapé inicial no plano para vender parte do seu patrimônio, com a definição do que será oferecido ao mercado e a contratação dos primeiros bancos encarregados de procurar compradores no Brasil e no exterior.

    O pacote inclui usinas termelétricas, participações em distribuidoras de gás e em campos de petróleo, postos de gasolina no exterior e a Petrobras Distribuidora, dona da marca BR, a maior rede de postos do país e maior fonte de lucro da empresa.

    A oferta da Petrobras Distribuidora (postos BR), rede com cerca de 7.500 postos no país, é considerada a mais interessante do bloco e foi entregue ao Bradesco BBI.

    A oferta de algumas centenas de postos de gasolina na Argentina, Paraguai, Uruguai e Colômbia será feita ao Itaú BBA.

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