Brizola, Dilma e o verdadeiro inimigo

78 Flares Twitter 0 Facebook 78 Filament.io 78 Flares ×

Por Adriano Benayon | Brasília, 17/03/2015

Claro que Brizola teve consciência de quem era o principal agente, no Brasil, da oligarquia financeira angloamericana, centro do que é, ou pretende ser, o governo mundial.

A Globo, líder da mídia entreguista, é um instrumento, mas só um instrumento da referida tirania mundial.

Brizola teve sua oportunidade histórica, talvez em 1961, quando liderou o Rio Grande do Sul, quase repetindo, de certo modo, a revolução de 1930, se tivesse contado com colaboração de João Goulart, sem recuar diante dos golpistas militares. Este teria de ir menos à direita, mas com mais firmeza na reorganização da base militar nacionalista, que Vargas permitira enfraquecer desde 1952, já com a tendência de fazer concessões substanciais ao inimigo implacável.

Se Goulart tivesse entendido que não poderia ficar na mão dos políticos (PSD etc.), mantivesse o presidencialismo e desse o ministério da Fazenda a Brizola (como este pretendeu) e soubessem segurar a política nas áreas civil e militar, as coisas talvez pudessem ter sido diferentes. Claro que precisariam de ótimos serviços de inteligência, pois o golpe sempre esteve na pauta dos serviços secretos angloamericanos, mas teriam que agir repressivamente contra os excessos e ilegalidades dos ambiciosos civis e militares exploradores da demagogia anticomunista.

Quando Brizola voltou já sob a “democracia” controlada sob estrutura econômica e política dominadas pelas transnacionais [obra iniciada pelo golpe de 1954 e consolidada por JK], sua missão já era quase impossível, sem falar em 20 anos (ou por aí) fora do País, em que perdeu bases políticas. Aí o chão foi sendo puxado de seus pés.

O sistema sabia que era o único político com alguma, ainda que pequena, possibilidade de representar uma alternativa nacional (Arraes também era bom, e talvez até mais realista, mas não tinha a mesma base regional e nacional) e então tratou, com todos os meios, inclusive é claro os criminosos, de destruir o líder gaúcho.

Então, Brizola teria muitas dificuldades, mesmo que soubesse administrar melhor os egos de seus melhores aliados e quadros, e pôr de banda os infiltrados, no PDT, pelo sistema imperial, e ainda os puxa-sacos, tipo chefes de gabinete, que o cercavam. Na última chance de chegar à presidência, em 1989, as fraudes garantiram que ficasse fora do segundo turno. O sistema não dá sopa, e, se não tivesse, através de Lula, obtido dividir a esquerda, tentaria derrubá-lo após a posse.

Bem, as dificuldades agora são muitas. Entre as principais: 1) Dilma não é Brizola; 2) já cedeu espaço demais, como também Lula: os inimigos do Brasil já tinham poder demais quando os petistas entraram, e eles amamentaram as feras. Inclusive dentro da “legalidade”, são elas que têm mais trunfos (Congresso, Judiciário, MP etc.), sem falar na grande fonte do poder, que é a grana.

Eis porque provavelmente, a situação de Dilma é crítica: ou ceder ainda mais do que já cedeu e ficar completamente submetida à oligarquia, ou ser derrubada. O Brasil terá de gerar outros líderes (hoje imprevisíveis), e há que apostar na conscientização do povo. Daí há chance de sair alguma perspectiva.

 ***

Este texto é um comentário ao artigo “Está na hora de Dilma lembrar dos ensinamentos de Brizola”, publicado no Jornal GGN.

Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização vs Desenvolvimento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>