
Weber Figueiredo – Observar que quem domina a tecnologia, isto é, quem domina o projeto de engenharia, é quem especifica toda a cadeia produtiva, ou seja, especifica todos os insumos necessários à obtenção do produto final, quer seja uma refinaria, plataforma, viaduto, máquina ou equipamento.
Quando as empresas estrangeiras substituem as empresas nacionais, elas passam a desenvolver os seus próprios projetos de engenharia, e, portanto, passam a ter o domínio dos preços e fornecedores e, aí, adeus aos controles nacionais. Isso significa perda de autonomia (ou soberania).
Quando as empresas de telecomunicações foram privatizadas e entregues ao capital estrangeiro pelo mago do entreguismo, a primeira coisa que fizeram foi cortar diversos fornecedores brasileiros e passar a comprar equipamentos e serviços de seus parceiros estrangeiros.
Esses juristas de meia tigela, ministérios públicos, tcu’s etc, não metem o bico com nenhuma empresa mundial para dizer se houve superfaturamento ou não de um produto ou serviço, porque é difícil discutir com o americano, chinês ou coreano se alguma coisa feita sob encomenda (customizada) no exterior tem o preço correto de R$ 100 e não de R$ 1000 como ofertado.
Se já é moroso discutir preço com as empreiteiras nacionais (com as nossas planilhas de preços), imagine discutir com as empresas estrangeiras que dominam todo o negócio. Além disso, quando eliminamos a inteligência nacional de projetos, eliminamos pessoas que possam dialogar sobre tecnologia e preços de igual para igual com os estrangeiros. Ficam uns “burros” brasileiros recebendo receitas e preços prontos dos “parceiros” estrangeiros. E mais, os empregos que deveriam ficar aqui são transferidos para o exterior.
Dependência tecnológica, significa cortar a cabeça do conhecimento e decisões e ficar apenas coma a mão-de-obra subalterna.
Isso é bonito?
Acho que não, por isso devemos defender empresas nacionais que têm autonomia tecnológica a exemplo da Petrobras e construtoras (que projetam e constroem).
Nelson Prata – A dominação estrangeira dos projetos em quaisquer setores significa dar o golpe final na soberania. Alguém realmente acha que as privatizações eliminam a corrupção? O Estado está a salvo com as privatizações? Ledo engano, o Estado é saqueado com ainda mais vigor após os desmontes, pois as antigas estatais são e continuarão sendo subsidiadas pelos cofres públicos, só que fora do holofote da mídia conivente, sob o manto do disfarce privado.
Veja o recente caso japonês, onde ministros renunciaram e o Primeiro-Ministro está sob pressão por haver recebido doações de empresas “privadas”, subsidiadas pelo governo japonês. Imagine agora a festa que fazem e farão os investidores beneficiados pela privataria passada e futura. Este é o verdadeiro buraco em que nos meterão, estaremos eternamente condenados a cobrir rombos orçamentários, escravos em uma colônia disfarçada de nação.
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Weber Figueiredo é engenheiro e professor da CEFET-RJ.
Nelson Prata é engenheiro, professor e consultor.
