A concentração de poder midiático e a disputa popular

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Por Rennan Martins | Vila Velha, 04/03/2015

A reabertura democrática brasileira foi conduzida, nas palavras dos militares, de forma “lenta, gradual e segura”. Esta versão dos fatos dão ideia de que, mesmo lentamente, as estruturas do autoritarismo acabaram dissolvidas pela Constituinte de 88. Infelizmente isso não condiz com a realidade e em pleno 2015 ainda convivemos com diversas instituições oligárquicas, que promovem interesses privados como se fossem públicos e constituem verdadeira trincheira da manutenção de privilégios e desigualdades injustificáveis.

Poderíamos falar do serviço da dívida pública, da polícia militar, mas abordaremos novamente o urgente problema da imprensa nacional. Pra entendermos a situação, é preciso contar a história do surgimento e consolidação deste oligopólio que aí está.

Após o golpe de 64 que destituiu o presidente trabalhista João Goulart, os militares se viram desafiados a consolidar o poder usurpado. Nada melhor e mais típico de regimes ditatoriais que o esmagamento de toda e qualquer voz dissonante, conjugado ao favorecimento dos capazes de promover propaganda do regime, visando convencer corações e mentes dos cidadãos.

E foi isso, precisamente, o que fizeram. Veículos populares como o histórico jornal Última Hora e a então líder de audiência Rede Excelsior de Televisão foram boicotados e perseguidos enquanto os colaboradores do golpismo tinham caminho repleto de facilidades para o crescimento.

Foi neste ínterim que o cartel da informação, hoje fortíssimo, se configurou. À época articulados em torno do famigerado Instituto de Pesquisas Sociais (IPES), impetraram verdadeira operação de engenharia social em torno da fabricação do consenso de que o Brasil precisava combater uma suposta “ameaça comunista”, disfarçando a realidade de que a ditadura serviu para sustar o projeto de desenvolvimento autônomo nacional encarnado em figuras como Getúlio Vargas e Jango.

Atualmente o Brasil convive com o fardo de uma imprensa concentrada nas mãos de algumas poucas famílias. Estas mesmas redes de comunicação aliam-se a certos políticos regionais de forma que o poder da palavra, a promoção de uma visão de mundo específica, é massiva e diuturnamente bombardeada, alienando a sociedade de seus reais obstáculos e desafios. O debate público é pautado ou interditado por essa mídia cartelizada que sonega fatos cruciais a população. Se ontem o IPES unificava a atuação dos magnatas, temos agora o Instituto Millenium, verdadeiro centro de manipulação da realidade.

O caso do escândalo de sonegação bilionária do HSBC, Swissleaks, é significativo nesse contexto. A escassa cobertura feita pela imprensa cartelizada se dá porque os desdobramentos e investigação do esquema de sonegação massiva e internacional pode incriminar os próprios donos dos veículos. Chegamos ao cúmulo inacreditável do jornalista Fernando Rodrigues, do Uol, monopolizar a lista dos mais de 8.000 brasileiros que possuíam conta na Suíça, liberando somente alguns nomes meticulosamente pinçados.

A Rede Globo parece a mais escaldada diante do vazamento desse esquema mundial de dilapidação e saque. Lembremos que a empresa é processada pela sonegação de mais de R$ 600 milhões por conta de manobra realizada em paraísos fiscais para fugir do pagamento dos impostos devidos na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Será que a família Marinho está presente na lista do HSBC?

No tocante a Petrobras, é vergonhosa a campanha em andamento. A grande mídia retrata a mais importante estatal brasileira como agente e não vítima dos desvios praticados. Se aproveitam do desenrolar das investigações para convencer o público leigo de que não temos capacidade para explorar o pré-sal, que devemos entregá-lo aos estrangeiros. Quando da criação da empresa nos disseram que não tínhamos petróleo, quando dos estudos do pré-sal diziam que ele não existia, agora a tese é de que somos incapazes de administrá-lo. Os partidários do atraso estavam errados ontem, não reconhecem e fazem pior, continuam divulgando inverdades hoje, em prejuízo de toda a população.

O que os concentradores de poder político e econômico não contavam era com a possibilidade da virada, do enfrentamento. O avanço tecnológico nos trouxe a internet e a massificação da banda larga, e com ela surgiu uma nova mídia, livre de compromissos escusos, disposta a fazer o contraponto e disputar a hegemonia política na sociedade. O Blog dos Desenvolvimentistas se enquadra nessa proposta.

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