Por Adriano Benayon
O conceito que adoto de economia de mercado é o de uma economia em que o mercado não seja controlado, manipulado por grandes atores, ou seja, onde haja razoável grau de concorrência, monitorado e assegurado pelo Estado. Logicamente estamos falando daquilo que preconizo e que não se costuma encontrar na maior parte dos países, embora em alguns haja um setor ponderável da economia que se aproxima desse desiderato.
Chamo esse sistema de economia de mercado, contrapondo-o ao capitalismo, e não, confundindo-o com este, porque nele o mercado desempenha a função que os manuais de economia esperam dele, o que não ocorre de forma alguma nas situações (cada vez mais dominantes hoje em dia) em que a concentração econômica e financeira tem rédea solta. De resto, é isso que está na origem última do colapso financeiro mundial, que o Mundo está sofrendo de forma aguda, que se vai agravar ainda mais.
Chamo capitalismo o sistema em que não há limites para a concentração de poder econômico ou financeiro nas mãos de grupos, indivíduos ou dinastias. Estas não só as das famílias reais, mas também as dos magnatas ditos privados, os quais têm poder sobre as coisas públicas infinitamente maior do que os subalternos que ocupam cargos de presidentes e de primeiros-ministros nos diversos países. Sob o capitalismo, do qual deriva o imperialismo e, por isso, as periferias, como o Brasil, sofrem brutal e permanente saqueio, é evidente que o mercado nada decide por si. Quando se fala em mercado, na realidade se está falando de decisões arranjadas, como que de cartas marcadas, pelos grandes participantes que os controlam. Esses conceitos têm apoio em Fernand Braudel, entre outros autores que podemos considerar clássicos.
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Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo.
