Arquivo mensais:fevereiro 2015

Senadores dos EUA apresentam lei para acabar com o embargo a Cuba

Por Silvia Ayuso | Via El País

Banca de tomates em Cienfuegos, Cuba. / DADO GALDIERI (BLOOMBERG)

Projeto de lei é apresentado duas semanas depois de outro grupo apresentar uma iniciativa para colocar fim às restrições a viagens à ilha. Congresso dos EUA dá primeiro passo para fim do embargo a Cuba.

Há um grupo de congressistas em Washington que parece ter pressa para que sejam normalizadas as relações com Cuba travadas durante mais de meio século. Não se passaram sequer dois meses desde que o presidente Barack Obama anunciou o restabelecimento de relações diplomáticas com Havana, em 17 de dezembro, mas começam a se acumular no Congresso iniciativas legais para garantir a política do governante democrata.

No fim de janeiro, foi apresentada formalmente no Senado uma proposta de lei para por fim às restrições a viagens. Essa normativa sequer começou a ser debatida quando outro grupo bipartidarista de senadores —alguns deles os mesmos— deram um passo maior: acabar também por lei com todas as restrições que impedem o comércio com a ilha, ou seja, com o embargo comercial e financeiro vigente desde 1961.

A Lei de liberdade para a exportação para Cuba, como se chama a nova proposta legislativa, foi apresentada nesta quinta-feira pela senadora democrata Amy Klobuchar, de Minnesota.

“É hora de virar a página em nossa política em relação a Cuba”, declarou ao apresentar a proposta, que foi apoiada também pelos senadores democratas Patrick Leahy, Dick Durbin e Debbie Stabenow, assim como pelos republicanos Mike Enzi e Jeff Flake. As assinaturas de Leahy, Durbin, Enzi e Flake também figuram no projeto de lei para liberar as viagens.

A nova proposta anularia as restrições que pesam sobre o comércio com Cuba desde o início dos anos 60 e que, desde 1996, estão fixadas em lei, a Helms-Burton. A iniciativa não interfere, no entanto, na questão das viagens, atendida por outro projeto. Também inclui uma modificação das cláusulas sobre direitos humanos e as reclamações quanto a bens expropriados contidos na legislação de 1996, definiu Klobuchar.

Em meados de janeiro entraram em vigor a ordem executiva de Obama para flexibilizar as viagens e algumas das limitações comerciais contra Cuba, mas, ao se tornar lei, o embargo só pode ser revogado completamente pelo Congresso.

A nova iniciativa conta com o apoio explícito do influente setor agrícola. “Apreciamos a liderança da senadora Klobuchar para dar prosseguimento a essa lei bipartidarista, que incentivará as oportunidades para a agricultura norte-americana”, declarou a Coalizão Agrícola Norte-Americana por Cuba (USACC, em sua sigla em inglês).

A congressista de origem cubana Ileana Ros-Lehtinen, uma das mais críticas quanto à abertura em relação à ilha determinada por Obama, não demorou a replicar a iniciativa. “Em cada uma das Casas, os oponentes ao embargo tentam revogá-lo com muito alvoroço. Mas a lei é clara quanto a já existir um processo para revogar o embargo: eleições livres e justas em Cuba, respeito aos direitos humanos fundamentais, liberação de todos os presos políticos e outros requisitos da Helms-Burton”, relembrou.

A nova iniciativa legislativa, cujo destino nos corredores do Congresso não estão ainda definidos, acontece no momento em que se está à espera do anúncio da data da segunda rodada de conversações entre Cuba e EUA para normalizar relações, que deve acontecer este mês em Washington, segundo se anunciou no fim do primeiro encontro, em Havana, em janeiro.

Sem reflorestamento, ações de combate à seca não têm efeito

Via RBA

SOS Mata Atlântica lança edital para plantio de 1 milhão de mudas para recuperar até 400 hectares de mata, promovendo conservação de 4 milhões de litros de água por ano na área do Cantareira

Dos 5 mil quilômetros de extensão dos rios que formam o Sistema Cantareira, somente 1.190 quilômetros estão com a mata preservada. Nessas condições, uma área produtora de água tem muito menos condições de passar por um período de estiagem prolongado.

São Paulo – Sem um programa intensivo de reflorestamento, boa parte das ações para enfrentar a crise hídrica em São Paulo vai ter efeito reduzido, e o problema tende a se repetir com o passar do tempo, segundo afirmou a coordenadora da Aliança pela Água, Marussia Whateli, hoje (12), na Câmara Municipal, em reunião promovida pela Comissão de Meio Ambiente.

De acordo com um mapeamento por satélite feito pela Fundação SOS Mata atlântica, em parceria com Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente 21,5% da área que compreende o Sistema Cantareira contam com cobertura vegetal. Dos 5 mil quilômetros de extensão dos rios que formam o sistema, somente 1.190 quilômetros estão com a mata preservada. O entorno de outros reservatórios estão em situação semelhante e implicados em outros problemas, como a poluição na represa Billings.

“Nessas condições, uma área produtora de água tem muito menos condições de passar por um período de estiagem prolongado como o que estamos vivendo”, explica Marussia. Sem vegetação, a água infiltra menos no solo, reduzindo o volume de água nos lençóis freáticos, que alimentam nascentes. Além disso, sem mata ocorre erosão do solo, cuja terra vai para os rios e, consequentemente, para os reservatórios. Isso reduz a capacidade de armazenamento, além de tornar a região mais propícia a enchentes.

Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, ressalta que os planejamentos estratégicos de saneamento, como o Plano de Ação da Macrometrópole Paulista, produzido pelo governo de São Paulo, não contam com propostas de reflorestamento. “Nós encaixotamos nossos rios, poluímos nossas águas, destruímos a mata. E só pensamos em buscar água cada vez mais longe. É claro que em algum momento ficaríamos sem água”, afirmou.

Propostas

As ativistas fizeram suas ponderações após o professor e diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água da Universidade de São Paulo (USP) Ivanildo Hespanhol defender uma série de ações para enfrentar a crise, sobretudo voltadas ao tratamento de esgoto. Segundo ele, seria possível aumentar os atuais 16 metros cúbicos por segundo (m³/s) de esgoto tratado para 35m³/s sem realizar obras civis, somente com a mudança do sistema de filtragem atual para o sistema de membranas de ultrafiltração.

“Prioritariamente, podemos ampliar o processo na estação de tratamento de esgoto de Barueri, dos atuais 4m³/s para 11m³/s. E levá-los para o Sistema Cantareira por uma rede de dutos que utilize o caminho do trecho Norte do Rodoanel Mário Covas. A obra toda levaria de dois a três anos”, explicou o professor.

Hespanhol defendeu que, com a ampliação do tratamento nas demais estações, essa água seja lançada nos reservatórios para posterior tratamento e fornecimento à população. E que ao longo do tempo o sistema pode ser melhorado, para que o esgoto seja tratado a ponto de ser potável novamente. “Temos tecnologia para produzir e certificar água potável. Em condições, inclusive, para fornecer à indústria farmacêutica, que exige um grau de pureza da água ainda maior do que para consumo humano”, afirmou.

O professor também propôs que sejam pensados sistemas de captação de água de chuva na região metropolitana, utilizando construções amplas como shoppings e estádios. Isso poderia garantir uma grande reserva de água, que poderia ser utilizada para consumo não potável. “Tem chovido intensamente na área urbana e essa água acaba correndo para os rios e córregos, que estão poluídos”, ponderou Hespanhol.

Já o professor doutor da Escola Politécnica da USP Nelson Rodrigues Nucci defendeu maior controle no adensamento populacional da região metropolitana de São Paulo, além de um efetivo controle de perdas na rede da Sabesp. Segundo ele, havendo controle da demanda, o aumento na oferta de água deve ser de 13 m³/s até 2035. Caso contrário, serão necessários mais 58 m³/s, o que levaria a uma insegurança hídrica ainda maior e à necessidade de se buscar água cada vez mais longe. Hoje a Sabesp produz 69 m³/s de água tratada para a região metropolitana.

Divergências

Os professores defenderam as obras propostas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) – alterar a fonte de água dos bairros, redução de pressão, bônus, multa, transposição do rio Paraíba do Sul, trazer água do rio São Lourenço – e a atuação da Sabesp no enfrentamento da crise. “A Sabesp foi extremamente eficiente”, disse Nucci, para quem não havia condições de prever tamanha falta de chuvas.

A afirmação foi contestada pela coordenadora da Aliança pela Água. Ela analisa que a Sabesp agiu muito mais com preocupações políticas do que técnicas. “Não é que simplesmente chegou menos água nos reservatórios. Se retirou mais água do que entrava. A Sabesp desrespeitou a curva de aversão a riscos. Desde 2011 está havendo redução na afluência do sistema, mas só em fevereiro de 2014 se começou a reduzir a retirada de água”, disse Marussia.

Para Malu, é preciso ter cuidado para que as críticas à má gestão da Sabesp não sirvam de justificativa para defender a privatização do sistema. “Não se trata de privatizar a gestão. Quando criticamos, falamos de ter sido feita uma gestão política e não técnica, econômica e não social. É preciso pensar em uma agência reguladora com participação da sociedade”, defendeu a coordenadora da Rede das Águas.

O vereador Gilberto Natalini (PV), organizador do debate, fez coro com as ativistas. “Há, sim, responsabilidade do governo de São Paulo. Estavam sambando em uma nota só. Não há governo que acredite nas mudanças climáticas. E por isso não tomaram as medidas necessárias”, afirmou.

Já o rodízio de água, que pode ser adotado a qualquer momento em São Paulo, é visto com preocupação pelos especialistas. Isso porque com os dutos vazios, a água que vazou por fissuras no sistema da Sabesp pode retornar à rede, levando poluentes e contaminação. Hoje, a Sabesp perde até 30% da água produzida, segundo o Instituto Trata Brasil, ou 20%, segundo a companhia.

Um ponto em que todos os palestrantes concordaram é que vivemos um momento de incerteza. Projeções de que o sistema vai se recuperar ou que vai secar completamente são consideradas frágeis pelos especialistas. O Sistema Cantareira opera hoje com 6,7% da capacidade. “Uma certeza que temos é de que é preciso economizar água, fazer uma gestão responsável, esclarecer a população e investir em proteção e recuperação dos mananciais. A crise é grave, mas podemos passar por ela”, concluiu Malu.

Edital de reflorestamento

A Fundação SOS Mata Atlântica prorrogou para 7 de agosto deste ano edital para seleção de áreas prioritárias para a restauração florestal da Mata Atlântica – por meio do qual a entidade pretende plantar 1 milhão de mudas – com propostas de conservação e proteção dos recursos hídricos do Sistema Cantareira. Por meio do programa Clickarvore, serão investidos até R$ 2 milhões em propostas enviadas por pessoas físicas ou jurídicas, associações, Oscips ou ONGs ambientalistas e por proprietários de terras.

“O que aconteceu no Paraná é um microcosmo do que pode acontecer no Brasil”, diz Requião

Por Glauco Faria | Via Revista Fórum

Reação de funcionários públicos e professores em greve, que evitaram aprovação de “pacote de maldades” do governador Beto Richa (PSDB), deveria servir como reflexão para o governo Dilma, acredita o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Nesta quinta-feira (12), Curitiba viu uma cena que poderia fazer parte de algum filme de realismo fantástico. Deputados estaduais da base do governador Beto Richa (PSDB) chegaram escoltados pela polícia militar em um blindado da corporação para participar de uma sessão da Assembleia Legislativa. Eles pretendiam formar uma comissão geral para votar um pacote de medidas, propostas pelo governo do estado, que em tese combateriam a crise financeira do Paraná. Faltou combinar com funcionários públicos, professores e outros segmentos sociais prejudicados.

Manifestantes ocuparam as dependências da Casa e cercaram a Assembleia para impedir que fosse aprovada a comissão geral. Ela evitaria que as medidas passassem pelos trâmites normais do Legislativo local, fazendo com que fossem aprovadas a “toque de caixa” e sem discussão. Ao fim, o governo estadual retirou o pacotaço da pauta. Em nota, Richa afirmou que “o que aconteceu foi uma manifestação absurda e violenta, que atenta contra a democracia, a liberdade de expressão e o estado de direito”.

“O Paraná vive uma crise administrativa. O ‘Levy do Paraná’, que é o secretário da Fazenda [Mauro Ricardo Costa], enlouqueceu e contaminou o governador. Eles propuseram a liquidação da educação do Paraná e queriam acesso ao fundo previdenciário de 8 bilhões de reais para pagar suas contas, acabando com a possibilidade de aposentadoria do funcionalismo”, argumenta o senador paranaense Roberto Requião (PMDB), em entrevista à Fórum.

De acordo com o parlamentar, as medidas do governador colocariam em risco a educação no estado. “Este é o único fundo público do Brasil que não perdeu dinheiro porque, como governador, eu havia determinado que a totalidade do fundo fosse investida em letras do tesouro nacional, não era um fundo de capital variável. E o Richa resolveu agora mandar uma mensagem à Assembleia para colocar o dinheiro desse fundo em um caixa único e acabar com todos os avanços da educação do Paraná”, contesta.

Para o peemedebista, o que aconteceu na Assembleia foi “uma revolta contra uma política de cortes agressiva de um governo perdulário” e que põe em risco pontos como o projeto de formação continuada dos professores. “O Paraná era o primeiro estado em qualidade de educação e caiu para nono e eles [o governo do estado] estavam acabando com o plano de cargos e salários, abandonaram as escolas, estavam fechando unidades com os cortes no orçamento. Com o pretexto de enxugamento da máquina, mas, ao mesmo tempo, concordavam com o auxílio-moradia de juízes, Tribunal de Contas, Ministério Público…”, aponta.

Crítico da política econômica do governo federal, em especial das medidas de austeridade propostas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Requião alerta para o tipo de reação que pode ocorrer caso a gestão de Dilma Rousseff insista nessa linha. “O que aconteceu no Paraná é um microcosmo do que pode acontecer no Brasil”, adverte. “É preciso dizer se existe um projeto, o povo merece pelo menos saber porque está se sacrificando”, argumenta.

Para dar suporte ao movimento grevista e aos manifestantes do Paraná, Requião colocou à disposição sua TV15. Criado em sua campanha para governador em 2014, o canal de televisionamento pela internet deu suporte a blogueiros que buscam realizar um contraponto à mídia tradicional no estado, fazendo transmissões ao vivo via streaming (veja um dos vídeos aqui).

Política do governo Dilma

Sobre o governo Dilma, Requião define a relação política da sua gestão com o Parlamento como um “jogo mal jogado”. Nesse cenário, a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara seria mais fruto da atuação do governo junto ao Congresso do que de sua capacidade de liderança. Para o senador, as medidas econômicas de Joaquim Levy “não têm chance” de serem aprovadas. “Seria melhor o governo retirar essas propostas”, afirma.

O parlamentar paranaense também afirma que Eduardo Cunha acalenta o sonho de ser candidato à presidência da República, por isso não apoiaria um eventual pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que colocaria no cargo um adversário do deputado, Michel Temer. Dentro desse projeto de poder estaria a tomada de espaço dentro do partido, representada, por exemplo, pela eleição de Leonardo Picciani a líder do PMDB na Câmara, que teria contado com apoio do presidente da Casa.

Questionado sobre se o sonho de Cunha de chegar ao Planalto é factível, Requião responde: “Se Fernando Collor foi eleito…”.

Mídia atropela a notícia para servir ao “governo anterior”

Por Luiz Carlos Azenha | Via Viomundo

Foto do Facebook de Maurício Machado registra: “período que antecede o governo petista” é governo FHC!

Milhares de pessoas cercam o prédio de uma assembleia legislativa. Encaram bombas e balas de borracha. Impedem a votação do plano de austeridade de um dos principais governos estaduais do Brasil.

Manchete da Folha? Outra notícia, vinda também de Curitiba, extraída de um antigo depoimento do doleiro: José Dirceu sabia (dos desvios na Petrobras). Depoimento, aliás, desmentido pelo próprio. E pelo também citado tesoureiro do PT, João Vaccari. O doleiro disse à PF o que bem entendeu. No caso, ele é o réu confesso. Mas sua palavra é publicada como verdade absoluta e inquestionável.

O que está acontecendo?

O suposto envolvimento de Dirceu cai como uma luva no roteiro. Mensalão + petrolão = Lula derrotado em 2018. Mas, para que tenha credibilidade, é preciso eliminar do escândalo o que a Globonews chamou de “período que antecede o governo petista”. Sarney? Itamar? Médici?

É por isso que, como notou o presidente do PT, a curiosidade dos delegados que colhem depoimentos na Operação Lava Jato parece se fixar no período pós-2003.

É como se Youssef, o doleiro, não tivesse servido também a tucanos.

Aliás, a credibilidade do PT está no fim com os eleitores também pelo fato de o partido ter convivido muito bem, sempre, com a herança maldita dos antecessores.

A origem da máfia dos sanguessugas — que vendia ambulâncias superfaturadas — foi o ministério da Saúde sob José Serra, mas ela prosseguiu depois que Lula assumiu o poder.

O mesmo aconteceu com a máfia dos vampiros — que negociava hemoderivados.

O PT de Lula, em nome de um acordo em Minas, manteve no poder em Furnas o diretor Dimas Toledo, justamente o homem da Lista de Furnas, o esquema de financiamento de campanha de tucanos e aliados através dos fornecedores da estatal.

Marcos Valério serviu ao esquema de caixa 2 do PSDB e aliados antes de repetir a jogada com o PT e aliados.

Quando o PT no poder teve a oportunidade de provocar rupturas com o passado, não o fez.

CPI do Banestado? Terminou em acordão. CPI da Privataria? Nem então, nem depois do livro de Amaury Ribeiro Jr.

Quando um delegado da Polícia Federal teve a coragem de encanar o banqueiro, o governo se voltou… contra o delegado. O chefe da Polícia Federal foi mandado para o exílio. O banqueiro hoje financia um site de apoio ao governo Dilma!

Quando um repórter da Veja foi flagrado em aliança jornalística com o bicheiro, o PT olhou, olhou e fez que não viu.

Por isso, não foi surpresa quando o vice de um governador tucano — Afif Domingos — se tornou ministro de uma presidente petista.

Ninguém enrubesce com a perspectiva de ver Marta Suplicy, petista histórica, concorrendo à Prefeitura de São Paulo pelo PSB com o apoio de Geraldo Alckmin.

É nesta geleia geral que Curitiba assume relevância ainda maior. Não a Curitiba do Moro, mas a que impediu a austeridade de Beto Richa.

É junho de 2013, de novo.

Mas a mídia não entendeu isso. Ela está ocupada na campanha que parece não ter fim: criminalizar apenas um dos irmãos — eles estão ficando cada vez mais parecidos.

Não mencionem “PSDB” que ela enterra nas páginas internas. Na Globo, como famosamente saia no Jornal Nacional já na campanha de 2006, é “o governo anterior”.

Para esconder o grande desastre em andamento no Brasil, o apagão da água em São Paulo — este sim, não é um depoimento sem provas –, disfarça criando a perspectiva de um racionamento de energia que ainda nem é considerado.

PS do Viomundo: Conforme dissemos anteriormente, quando a blogosfera entrou em surto com a eleição de Eduardo Cunha, ele nunca se interessou pelo impeachment de Dilma. Definido como lobista por Altamiro Borges, o deputado carioca é isso: serviçal da grana. Ele não vai entregar a chave do cofre para os tucanos. Jamais. Cunha é o artífice da reação da elite brasileira contra junho de 2003. Se deixarem, vai fazer uma reforma política que nos fará ficar com saudade daquele Congresso cercado pelos manifestantes.

“Petrobrás não é isso”: Mensagem de Delfim Netto para Bendine

Via JB
Da esquerda para a direita: Aldemir Bendine, Paulo César e Delfim Netto.

Da esquerda para a direita: Aldemir Bendine, Paulo César e Delfim Netto.

Bendine pode estar tomando o caminho errado ao reavaliar ativos e metodologia.

Em resposta ao artigo que o ex-ministro Delfim Netto publicou na quarta-feira no jornal Folha de S. Paulo, o consultor legislativo da Câmara dos Deputados Paulo César Ribeiro Lima elaborou argumentos nos quais alerta que o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, pode estar tomando a decisão errada ao anunciar a reavaliação de ativos e metodologias.

Paulo César Ribeiro Lima, que foi engenheiro na Petrobras durante muitos anos, destaca que a estatal tem uma série de ativos integrados que permitem a venda, por exemplo, do óleo diesel, cujo custo de produção é baixíssimo para a companhia. “É por isso que a Petrobras é a empresa mais rentável do País. Se não fosse a Operação Lava Jato, o lucro da companhia em 2015, poderia ser de R$ 45 bilhões, o maior de sua história.”

Veja a resposta de Paulo César Ribeiro Lima:

O novo Presidente da Petrobras pode tomar o caminho errado: “Nós estamos aí reavaliando uma série de ativos e as metodologias empregadas”.

A questão do “valor real ativos” da Petrobras é muito mais complexa do que se imagina. A Petrobras tem uma série de ativos integrado que permitem a venda, por exemplo, do óleo diesel, cujo custo de produção é baixíssimo para a companhia.

Supondo-se um valor do petróleo de US$ 50, o custo de produção de um litro de diesel é de cerca de R$ 0,60, enquanto seu valor no mercado internacional é de aproximadamente R$ 1,35 por litro; o preço de realização da Petrobras é de R$ 1,56 por litro. Observa-se, então, que o custo de produção do derivado é muito menor que o preço de venda, tanto no mercado interno quanto no mercado internacional. É por isso que a Petrobras é a empresa mais rentável do País. Se não fosse a Operação Lava Jato, o lucro da companhia em 2015, poderia ser de R$ 45 bilhões, o maior de sua história.

Essa lucratividade extraordinária da Petrobras decorre, principalmente, dos seus principais “ativos”: reservatórios do Pré-Sal e do Pós-Sal, terminais, dutos, refinarias e excelente corpo técnico. E por que a Petrobras têm esses ativos? Porque ela foi monopolista integral até 1997 e voltou a ser monopolista na operação do Pré-Sal e em áreas estratégicas a partir de 2010.

No caso dos grandes reservatórios nacionais, a Petrobras opera praticamente todos. Os grandes destaques são os campos de Lula (65%), Búzios (100%) e Libra (40%), cada um com mais de 10 bilhões de barris recuperáveis. Apenas em três campos, os volumes recuperáveis da Petrobras serão da ordem de 20 bilhões de barris, considerado o percentual de participação (entre parênteses). Registre-se, que existem muitos outros campos operados pela Petrobras.

Apenas para demonstrar os privilégios da Petrobras, o Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, por meio da Resolução nº 1, de 24 de junho de 2014, aprovou a contratação direta da Petrobras para produção de volumes adicionais ao contrato de cessão onerosa. Dessa forma, a companhia tem uma posição privilegiada de produzir, sem licitação, volumes estimados, em barris equivalentes de petróleo, da ordem de:

- Búzios: 6,5 a 10 bilhões;

- Entorno de Iara: 2,5 a 4 bilhões;

- Florim: 300 a 500 milhões;

- Nordeste de Tupi: 500 a 700 milhões.

Em Búzios e em Libra, os contratos são extremamente favoráveis à Petrobras, assim como em todos os campos operados pela empresa. Na verdade, os campos petrolíferos, principalmente em águas profundas, são os grandes ativos da Petrobras.

A principal pergunta é: como esses ativos estão lançados no balanço? Pelo valor da aquisição do direito de exploração e produção, que são baixíssimos. Dessa forma, o atual patrimônio líquido da empresa é absolutamente irreal. As alavancagens financeiras divulgadas pelo mercado servem apenas para desvalorizar a Petrobras.

O principal ativo para que o custo de produção do óleo diesel seja da ordem de R$ 0,60 por litro são os grandes reservatórios, não as refinarias.

Essa posição privilegiada da Petrobras na área de exploração e produção pressupõe um compromisso da companhia em investir no refino no Brasil. Poderia até haver uma política pública que determinasse a obrigatoriedade de que produtores de petróleo refinassem um determinado percentual de sua produção no País. Isso obrigaria a se ter um cálculo integrado do retorno dos ativos.

Isso faz sentido na Noruega, por exemplo? Não, uma vez que o retorno sobre o investimento no refino é muito menor que na produção de petróleo, que o país não precisa de uma política de desenvolvimento regional e que não tem interesse em gerar grandes demandas de mão de obra, nem na construção de parques industriais poluidores.

Essa, contudo, não é a situação do Brasil, onde temos a Petrobras com grandes privilégios na produção e com monopólio real dos terminas, dutos e refinarias, o que pressupõem um compromisso da companhia com o desenvolvimento do País. Situação muito diferente da Petrobras é a do Banco do Brasil, que também é uma sociedade de economia mista, mas que compete efetivamente no mercado.

Dessa forma, é fundamental que a Petrobras e seus acionistas tenham uma visão integrada do valor e da sinergia de todos ativos da companhia, não de um ativo isolado, como, por exemplo, uma refinaria.

Analisa-se, a seguir, o caso da Refinaria de Pasadena. Com a crise financeira de 2008, as margens do refino e o valor dos ativos diminuíram. Isso levou a Petrobras a realizar baixas contábeis, denominadas impairments, que totalizaram US$ 530 milhões, sendo US$ 160 milhões em 2008, US$ 147 milhões em 2009 e US$ 223 milhões em 2012. Essas baixas decorreram da avaliação do valor de mercado do ativo.

No caso do complexo de Pasadena no Texas, que inclui uma refinaria com capacidade de 100 mil barris por dia e uma comercializadora, fornece gasolina e diesel para o exigente mercado americano e está localizada em uma área estratégica, a Petrobras investiu cerca de US$ 1,5 bilhão. Nesse caso, as baixas contábeis de US$ 530 milhões foram adequadas?

Qual seria, então, a baixa contábil da Refinaria Abreu e Lima, com capacidade de 230 mil barris por dia e cujos investimentos já foram de cerca de US$ 18 bilhões e novos gastos serão necessários para finalizar o segundo trem de refino?

Mesmo sendo capaz de refinar óleo pesado, será difícil chegar a um valor de mercado para a Refinaria Abreu e Lima superior a US$ 6 bilhões pelas metodologias convencionais, o que resultaria em uma baixa contábil de US$ 12 bilhões. No entanto, o superfaturamento da refinaria, que inclui eventuais propinas, foi da ordem de US$ 4 bilhões. Ou seja, pelos “critérios de mercado” poderia haver uma baixa contábil três vezes maior que o superfaturamento.

Se for computado o “valor integrado dos ativos” (reservatório de Marlim, navio de transporte, dutos, Terminal Suape, Refinaria Abreu e Lima etc), pode concluir que não há necessidade de nenhuma baixa contábil. Muito pelo contrário, pode-se concluir que esse conjunto de “ativos” está subavaliado, uma vez que os derivados produzidos terão um custo muito menor que o valor de venda, o que geraria um altíssimo valor presente líquido – VPL.

É isso que precisa ser informado à sociedade brasileira, mas não está sendo.

Delfim Netto diz na Folha de hoje: “Os portadores da opinião que o ente metafísico a que se dá o nome de mercado é divino, vêm a sua materialidade nas cotações das Bolsas. Trata-se de pura ideologia”.

Planalto responsabiliza BW por acidente de navio plataforma

Via Correio do Brasil

Na nota oficial, Dilma externou “solidariedade” às famílias das vítimas e disse que a “Petrobras irá cuidar para que a BW preste toda a assistência

Insatisfeita com os esclarecimentos da Petrobras sobre a explosão do navio plataforma da norueguesa BW offshore na quarta-feira, na costa do Espírito Santo, a presidente Dilma Rousseff emitiu um nota inusual nesta quinta-feira para reforçar que a assistência aos trabalhadores é de responsabilidade da empresa estrangeira.

Na nota oficial, Dilma externou “solidariedade” às famílias das vítimas e disse que a “Petrobras irá cuidar para que a BW preste toda a assistência às famílias envolvidas”, num esclarecimento pouco comum em notas da Presidência da República.

Para o Palácio do Planalto, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, não havia ficado claro o suficiente nas explicações prestadas pela Petrobras que a operação do navio plataforma era de responsabilidade da BW offshore.

A tripulação do navio era formada por funcionários próprios e terceirizados da norueguesa BW Offshore e apenas um fiscal da Petrobras, segundo o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.

Rangel, que ocupou a cadeira do Conselho de Administração da Petrobras em 2013, quando tinha como uma de suas principais bandeiras um Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, criticou a iniciativa da Petrobras de afretar navios.

– Não vou dizer que a Petrobras teria mais força para evitar um acidente como esse, mas o fato concreto é que a Petrobras e os sindicatos que representam seus funcionários têm mecanismos de cobrança de práticas de segurança muito fortes – afirmou.

“Essas plataformas terceirizadas têm sindicatos de fachada, que representam os funcionários com interesses próprios, sem comprometimento”, acrescentou.

Com a eleição no novo conselheiro Deyvid Bacelar, também apoiado pela FUP, Rangel afirmou que os funcionários vão buscar levar essa demanda, de evitar o afretamento de plataformas, ao Conselho.

A explosão a bordo do navio plataforma FPSO Cidade de São Mateus na costa do Espírito Santo, que ocorreu na quarta-feira, causou a morte de cinco pessoas, sendo que quatro trabalhadores ainda estão desaparecidos, informou a norueguesa BW Offshore, proprietária da embarcação, em um comunicado nesta manhã.

A FPSO Cidade de São Mateus, que armazena e produz petróleo e gás, estava trabalhando para a Petrobras.

Segundo boletim mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 25 pessoas estão feridas e quatro permanecem desaparecidas.

Empório Brasil de notícias

Por Luciano Martins Costa | Via OI

Jornalistas bem posicionados na mídia tradicional costumam justificar o clima de guerra que a imprensa mantém e estimula contra a aliança partidária que governa o Brasil desde 2003 com a frase produzida pelo artista plástico, tradutor e humorista Millôr Fernandes (1923-2012), segundo o qual “imprensa é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”. No entanto, como é prática na imprensa brasileira, a frase anedótica é repetida fora de seu contexto, no mesmo processo utilizado para falsear investigações, manipular indicadores e distorcer declarações.

Millôr cunhou a expressão para criticar a imprensa, em 1964, quando lançou a revista satírica Pif Paf, e nunca escondeu as grandes restrições que fazia às empresas de comunicação do Brasil, que conspiraram e apoiaram a ditadura militar e só deixaram de ser subservientes quando a censura se estabeleceu nas redações. Em 1980, em entrevista que depois se transformou no livro intitulado A entrevista, ele diria, enfaticamente, que “a imprensa brasileira sempre foi canalha. Se fosse um pouco melhor, poderia ter uma influência maravilhosa sobre o país”.

A frase famosa também poderia ter uma versão posterior, e atribuída ao diretor de Redação da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, que em fevereiro de 1996 declarou, no programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, que a imprensa estava sendo servil ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Para ser mais preciso, o leitor pode ir aos arquivos e comprovar o que disse literalmente o dirigente do diário paulista, ao responder uma pergunta do jornalista Dante Mattiusse sobre certa benevolência dos jornais com o governo da época:

“Com relação ao governo Fernando Henrique Cardoso, eu concordo totalmente. Eu acho que, de um modo geral, a imprensa brasileira tem sido quase que de um servilismo em relação a esse governo. Poucas vezes eu presenciei na minha vida profissional, exceto naquele curto interregno inicial do governo Collor, poucas vezes eu presenciei na mídia um espetáculo de tamanha adesão em relação ao governo, aos valores do governo, aos supostos acertos desse governo, às políticas desse governo”.

Dois partidos, duas balanças

Essa afirmação poderia ser repetida, em 2014, com referência à relação diferenciada da imprensa brasileira, conforme se trata o governo paulista, em mãos do PSDB, e o governo federal ou da administração petista na capital de São Paulo. Se questionado, Otavio Frias Filho seria obrigado a admitir que sua frase serviria, agora, para identificar a subserviência da mídia tradicional – a Folha incluída – ao governador Geraldo Alckmin.

No Estado de S. Paulo, podia-se ler na edição de quarta-feira (11/2): “Escola de SP tem sala com até 85 estudantes”. A reportagem, que apontava a superlotação e o fechamento de 3.017 salas nas escolas estaduais, justificava um escândalo, mas ficou por isso mesmo e não houve maior repercussão. A Folha ignorou o assunto, mas publicou na quinta-feira (12/2): “Haddad descumpre meta de lotação de sala na pré-escola” – e dá-lhe crítica pelo fato de a prefeitura paulistana colocar em média 31 crianças por sala, tendo anunciado que o ideal seria 29 alunos por sala.

Na cobertura sobre a crise de abastecimento de água na região da capital paulista, é notável o esforço dos jornais em destacar as medidas adotadas pelo governador, esquecendo suas responsabilidades por não haver tomado providências preventivas para evitar o problema. Por exemplo, a imprensa apresenta como positiva a primeira reunião do comitê metropolitano de gestão da crise hídrica, quando a medida só foi tomada pelo governador depois que os prefeitos da região se queixaram da centralização das decisões.

A lista de assuntos em que o dedo da imprensa pesa mais de um lado do que do outro é interminável, mas alguns detalhes podem ser observados a olho nu pelo leitor crítico. Por exemplo, registre-se o rigor com que a polícia paulista reprimiu os manifestantes que protestavam contra a crise de abastecimento de água, na quarta-feira (11), e aguarde-se a atitude das forças policiais no próximo dia 15/2, durante a manifestação programada para pedir o impeachment da presidente da República.

A metáfora de Millôr Fernandes faz sentido, quando se imagina que uma imprensa sem crítica equivale a qualquer outro tipo de negócio, como, por exemplo, um botequim ou uma loja de varejo. Mas quando a imprensa é oposição seletiva, conforme a sigla que está no poder, fica mais parecida com uma casa de tolerância.