Arquivo mensais:fevereiro 2015

Blogueira elitista e a “imagem da Globo”

Por Altamiro Borges | Via Blog do Miro

A “divertidíssima” jornalista Silvia Pilz, que utilizava seu blog para difundir preconceitos e esbanjar elitismo, não aguentou a saraivada de críticas e decidiu encerrar suas postagens no site do jornal O Globo. Não se sabe ao certo se ela “se suicidou” ou se foi “suicidada” pela direção global. No post intitulado “Me cago en la hostia”, ela se faz de vítima dos “politicamente corretos” e tenta explicar “o fim do blog Zona de Desconforto”, que estava hospedado no jornalão da famiglia Marinho. Garante, porém, que seguirá escrevendo as suas bobagens elitistas em sua própria página.

Segundo afirma, o objetivo do seu blog “era trazer ao jornal alguns assuntos que não são naturalmente abordados em jornais e discuti-los aberta e francamente. Dizer o que ninguém tem coragem de dizer. Fazer com que as pessoas reavaliassem hábitos e costumes. O blog foi concebido para tratar de hipocrisia, questionar valores e comportamento. A proposta funcionou enquanto o debate girava em torno de questões sexuais ou temas da família. Mas desandou quando resolvi abordar com a mesma franqueza temas que envolvem minorias, desvalidos e desfavorecidos”.

Ela mesma reconhece que seu patético artigo “O plano cobre” – no qual esbanja seu ódio de classe aos trabalhadores que usam planos de saúde – detonou a bronca dos internautas. “[Ele] desencadeou uma onda de reprovação inesperada. A situação tornou-se tragicômica e insustentável para a imagem do jornal O Globo”, afirma, deixando no ar se ela desistiu do blog ou se foi aconselhada pelos patrões a não escrever com “tanta franqueza” o que vários outros colunistas do império global também pensam, mas são mais hábeis e dissimulados no seu oficio de manipulação.

Posando de coitadinha, ela ainda reclama das críticas. “Depois desse post, que gerou um terremoto nas redes sociais, leitores revoltados foram buscar outros textos no acervo do blog. A onda de reprovação cresceu e tomou proporções insuportáveis quando começaram ofensas pessoais. Fui chamada de nazista e fascista por dizer – em um desses posts – que os adultos escondem o desconforto que sentem quando se deparam com crianças com síndrome de Down ou anões. Enfim, preconceitos velados e disfarçados, de um modo geral, não foram bem aceitos pelos leitores politicamente corretos. Zona de Desconforto deixa de ser publicado no Globo. Os textos, a partir de hoje, serão publicados aqui”.

Para que não acompanhou a risível história da “divertidíssima” blogueira de O Globo reproduzo abaixo um texto postado em 7 de fevereiro:

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Até Romário detona blogueira de O Globo

Por Altamiro Borges

A blogueira Silvia Pilz, que se acha “divertidíssima” com as suas postagens preconceituosas no jornal O Globo, está colecionando rapidamente uma legião de oponentes. Talvez até seja este seu intento narcisista e egocêntrico. Nesta quinta-feira (5), o senador Romário Faria (PSB-RJ), que desde os seus tempos de gramado sempre manteve boas relações com o império global, resolveu dar uma canelada na jornalista. Em sua página no Facebook, ele postou uma dura mensagem de repúdio às “tolices de uma pessoa com visão de mundo muito limitada”. O ex-craque da seleção brasileira, que é pai de uma menina de nove anos com Síndrome de Down, ficou irritado com um artigo escroto da blogueira contra os portadores da doença. “De cara, um anão assusta, assim como, de cara, crianças com Síndrome de Down também nos causam certo desconforto” – obrou Silvia Pilz.

Diante destes absurdos, que apenas reforçam estereótipos e visões preconceituosas, Romário bateu pesado: “Ela vive em um tempo que não lhe cabe mais… Já vivemos um tempo em que pessoas eram escravizadas pela cor da pele, por disputas territoriais ou guerras. Neste mesmo tempo, crianças nascidas com deficiência não tinham vez, eram abandonadas, doadas, escondidas. Anões (sim, eles continuam sendo chamados assim) eram expostos em feiras de bizarrices. E tudo isso era considerado normal. Este tempo passou”. O jogador chega a sugerir que Silvia Pilz dê um tempo no jornalismo para “reflexão”. Ele mandou a “divertidíssima” blogueira do jornal O Globo para o vestiário!

Jornalista tem nojo de pobres

Silvia Pilz conquistou certa fama – e que fama! – no início deste ano ao postar outro texto asqueroso, intitulado “O plano cobre”. Entre outras barbaridades, ela ironizou as pessoas de baixa renda com os seus problemas de saúde: “Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir [verificar] a pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de pressão. Em churrascos, não. Atualmente, com as facilidades que os planos de saúde oferecem, fazer exames tornou-se um programa sofisticado. Hemograma completo, chapa do pulmão, ressonância magnética, etc.”. Ela ainda seguiu nas asneiras:

“Acontece que o pobre – normalmente – alega que se não tomar café da manhã tem queda de pressão. Como o hemograma completo exige jejum de 8 ou 12 horas, o pobre, sempre bem arrumado, chega bem cedo no laboratório, pega sua senha, já suando de emoção [uma mistura de medo e prazer, como se estivesse entrando pela primeira vez em um avião] e fica obcecado pelo lanchinho que o laboratório oferece gratuitamente depois da coleta. Deve ser o ambiente. Piso brilhante de porcelanato, ar condicionado, TV ligada na Globo, pessoas uniformizadas. O pobre provavelmente se sente em um cenário de novela”.

Egocêntrica e “divertidíssima”

O artigo – se é possível chamá-lo desta forma – gerou um vendaval de ataques nas redes sociais. Sobraram adjetivos carinhosos para a jornalista, que virou motivo de chacota. Diante das críticas, Silvia Pilz até ficou irritadinha numa entrevista à BBC britânica: “A reação foi ridícula. E hipócrita também, porque as pessoas são todas bem hipócritas. Fui vítima de um linchamento digital dos militantes da ditadura do politicamente correto. Não ofendi ninguém e fiz um texto divertidíssimo”, afirmou. Na sequência, percebendo que não convenceu ninguém, ela recuou e postou: “Humor cáustico perde a graça quando precisa ser explicado. Falhei. Poucos se divertiram e muitos se ofenderam”.

Seu recuo, porém, também não convenceu. Em artigo postado no Jornal do Brasil, o líder comunitário Davison Coutinho, morador da Rocinha (RJ), detonou a colunista “que não consegue aceitar que os menos favorecidos tenham acesso às ‘coisas de rico’, ou melhor, não consegue aceitar que pobre tenha acesso aos mesmos serviços e direitos que antes eram da elite… Se eu li um texto tão preconceituoso antes, eu não me lembro. Envergonho-me em ter em nossa sociedade pessoas (nem sei se podemos chamar de pessoas) que pensam de tal forma. O que me envergonha, ainda mais, é um jornal de repercussão publicar o texto… Lamento, Silvia, que você seja um ser que não consegue conviver com o outro enquanto humano, e é apenas um acaso informativo de má qualidade e que precisa de reconhecimento para poder aparecer na mídia”.

Outras “calunistas” pensam da mesma forma

Já o imperdível blog “Diário do Centro do Mundo” tentou entender melhor a mentalidade elitista da blogueira e reproduziu seu perfil, postado no próprio jornal O Globo: “Silvia Pilz não conhece meio termo. Dona do blog Zona de Desconforto, a jornalista é do tipo que não mede palavras antes de expressar o que pensa. Ela diz que sempre foi assim, desde criancinha, e que não saberia ser diferente. O assunto pode ser tanto masturbação feminina quanto uma festinha infantil. São grandes doses de sinceridade sobre a natureza humana. Silvia escreve sobre cotidiano de uma forma que faz pensar e, às vezes, pode até incomodar… ‘Prefiro parar carro em vaga de deficiente, sem me sentir culpada’ – dispara a ex-aluna do Colégio Teresiano”.

De fato, a jornalista Silvia Pilz, que “gosta de atenção”, conseguiu atrair os holofotes. Levou uma canelada até do ex-craque e atual senador Romário. O pior é que tem muito “calunista” do jornal O Globo e de outros veículos da mídia “privada” – nos dois sentidos da palavra – que pensam exatamente como ela! Só não têm coragem de falar estes absurdos em público. Preferem os restaurantes e as festas luxuosas dos ricaços. São mais experientes do que a dondoca mimada!

A “Marcha do Silêncio” ficou pequena

Por Comunicado de Imprensa do Nuevo Mas | Via Correio da Cidadania

Terminou a marcha convocada pra 18 de fevereiro, a um mês da morte do fiscal da República Alberto Nisman. A primeira coisa que se pode dizer é que os fiscais e os políticos opositores convocadores, mais Jose Piumato (secretário geral do Sindicato dos Empregados do Judiciário) e a multimídia, como a TN e a CNN em nível internacional, não conseguiram transpor a habitual composição social dos “panelaços” da burguesia e das classes médias altas. Não se tratou de uma marcha multitudinária e nem popular. O centro de gravidade da marcha esteve marcado pelo pessoal hierárquico do Poder Judicial, em uma assistência que ficou pequena em relação às ambições dos organizadores.

Um número realista sobre a participação é que estiveram presentes cerca de 100 mil pessoas, não mais. Não se compara com o panelaço de novembro de 2012, que encheu não só a Praça de Maio, mas todo o entorno do Obelisco, pela imensa Avenida 9 de Julho.

A realidade, portanto, é que a mobilização não conseguiu transpor outras camadas sociais, ou seja, chegar aos setores populares. Tampouco no interior do país a marcha foi massiva. Houve importantes concentrações, mas não se viveu nenhum panelaço histórico.

Os organizadores, quiçá, se protegem atrás da chuva que atingiu a cidade de Buenos Aires. Mas isto não explica o porquê de no interior tampouco chegar a ser massiva como se esperava. Outro argumento é que estamos ainda nos meses de verão. Mas esta justificativa não resiste à análise, porque os grandes eventos históricos não respeitam o calendário.

Talvez, a razão mais profunda de o movimento ter ficado pequeno seja a limitação do programa que encarna. Os lemas da “marcha do silêncio” cantados pelos manifestantes eram “justiça”, “somos todos Nisman”, “presentes”, e estrofes do hino nacional argentino. Isto não é suficiente para ir mais além das classes médias altas. Nem ao menos para iniciar a “revolução das classes médias”, que segundo Elisa Carrió havia começado.

Outro problema da mobilização foi sua composição geracional: de maneira mais marcada do que nos panelaços, a média de idade foi muito alta, entre 50 e 60 anos, ou talvez pouco menos. Não apenas não houve a participação de setores populares como menos ainda de trabalhadores. Tampouco participaram os jovens, salvo no final da manifestação e de maneira isolada.

A realidade, portanto, é de que o governo teve certo êxito na sua política de polarização a respeito da marcha.

De um lado, estão a pauta abstrata de “República” e a defesa corporativa de uma suposta “independência” do Poder Judiciário. Poder este que é um dos mais oligárquicos, antidemocráticos e atrelados ao passado da ditadura militar.

Do outro lado, está o governo kirchnerista, que se apresenta reivindicando as “conquistas” da última década, como a superação do desemprego de massas. Algo que, na realidade, foi subproduto da rebelião popular de 2001, sob pena de que a Argentina capitalista terminasse explodindo pelos ares.

Mas também temos de advertir que vivemos um fim de ciclo cujo conteúdo massivo é a raiva ao governo Kirchner entre amplos setores populares e de trabalhadores, por conta da precarização das condições de vida: queda do salário real, tendência de aumento do desemprego, imposto sobre o salário e outras reivindicações populares. Contudo, estes sentimentos reais não alimentaram a marcha do dia 18 de fevereiro, entre outros motivos porque essa convocatória não levava em conta, como assinalamos, nenhum apelo ou problema operário e popular.

A situação em torno do caso Nisman colocou uma crise global, onde meteram os dedos setores do imperialismo ianque e do sionismo internacional, em concomitância com a reacionária islamofobia que pregam mundialmente. Mas isto parece não ser suficiente para gerar uma mobilização da sociedade em seu conjunto. O programa reacionário da “República”, abstrato e de reivindicações supostamente “democráticas”, mas de conteúdo igualmente retrógrado, de “fortalecer as instituições existentes”, não comoveu setores mais amplos.

Isto deixa um ensinamento, também, àqueles setores da esquerda que vêm levando adiante uma política “seguidora” dos mandos e desmandos da oposição de direita, como é o caso do Partido Obrero, líder indiscutível da FIT (Frente de Esquerda dos Trabalhadores).

A saída para se levantar à esquerda deve ser independente de todo bando patronal. Para acabar com a impunidade em casos como o atentado à AMIA (Associação Mutual Israelita-Argentina), em 1994, é preciso pautar uma comissão investigadora independente; também há que se pressionar pela dissolução efetiva da ex-SIDE (Secretaria de Inteligência de Estado), e não a sua substituição por um novo mecanismo de inteligência, como a AFI. Ao mesmo tempo, o Poder Judiciário deve ser reformulado de cima a baixo, a fim de liquidar seu caráter de corporação oligárquica.

Porém, mesmo tudo isso não basta. Frente a uma crise que aqui não termina, pois é global, cuja “dialética” seguirá sendo dada pelos golpes e contragolpes no lodo da política patronal, é necessária uma saída realmente democrática: uma Assembleia Constituinte Soberana. Uma saída que combine o apelo contra a impunidade e a luta contra o caráter antidemocrático deste Estado patronal, e sua “democracia” dos ricos, com as reivindicações mais sentidas dos trabalhadores e dos setores populares.

Porque o que está em crise é o ordenamento econômico, social e político do conjunto da Argentina: um ordenamento que só poderá realmente ser mudado pelas mobilizações dos trabalhadores que sejam independentes de ambos os bandos das classes superiores e do imperialismo. Isso é o que tem de ser discutido neste final de ciclo do kirchnerismo.

Ato em defesa da Petrobras reunirá sindicalistas, artistas, intelectuais e movimentos sociais

Via RBA

Programado para terça-feira (24) na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, ato resgata a imagem da empresa, alvo de uma campanha de desmoralização que prejudica a economia do país.

Refinaria Abreu e Lima, no Pernambuco: paralisação de obras prejudica trabalhadores e a economia do país

São Paulo – Um ato em defesa da Petrobras será realizado nesta terça-feira (24), no Rio de Janeiro, com a mobilização de sindicalistas, representantes dos movimentos sociais, estudantes, artistas, advogados, jornalistas e intelectuais.“Defender a Petrobras é defender o Brasil” é o slogan do ato, organizado pela CUT e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Estão confirmadas as presenças dos escritores Eric Nepumoceno e Fernando Moraes, da jornalista Hildegard Angel, do cineasta Luiz Carlos Barreto, da filósofa Marilena Chauí e do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, além de lideranças sindicais, estudantis e dos movimentos sociais.

O evento, que será realizado no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), integra uma campanha nacional em defesa da Petrobrás, que já teve início nas redes sociais, com a coleta de assinaturas de adesão ao manifesto, que será lançado oficialmente no dia 24.

“A investigação, o julgamento e a punição de corruptos e corruptores, doa a quem doer, não pode significar a paralisia da Petrobrás e do setor mais dinâmico da economia brasileira”, reitera o Manifesto em Defesa da Petrobrás e do Brasil, cuja íntegra pode ser acessada em http://www.fup.org.br/2012/assinatura-de-manifesto.

“É urgente denunciar, no entanto, que esta ação tem servido a uma campanha visando à desmoralização da Petrobrás, com reflexos diretos sobre o setor de óleo e gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o País; campanha que já prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior à dos desvios investigados”, afirma também o manifesto.

A campanha em defesa da estatal prosseguirá após o ato do dia 24, com atividades por todo o país. Uma manifestação já está agendada para o dia 13 de março, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Serviço
Ato em Defesa da Petrobrás
Dia: 24 de fevereiro de 2015
Horário: 18h
Local: ABI – Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro – Rio de Janeiro

Grécia X Troika: confronto adiado

Por Antonio Martins | Via Outras Palavras

Desafiante, o ministro grego Varoufakis anuncia que não se curvará. Manterá a promessa?

Nas medidas que Atenas anunciará esta noite estará chave para saber se tremeu, diante da ditadura financeira. Embate convida a refletir sobre caminhos da transformação política.

Os analistas da política europeia, e os que acompanham as lutas sociais contra a ditadura das finanças, aguardam com expectativa um conjunto de medidas econômicas que o governo grego anunciará ainda nesta segunda-feira. O conteúdo deste “pacote” indicará se Atenas cedeu aos 19 ministros europeus, que se uniram há três dias para pressioná-la a desistir da rebeldia contra as medidas de “austeridade”; ou se, ao contrário, mantém a luta por resgatar os direitos sociais e a democracia, colocando-os acima dos interesses dos mercados financeiros. Examinar as circunstâncias que antecedem o anúncio das medidas é útil para compreender a situação concreta da Grécia e seu novo governo. Também ajuda a examinar os caminhos complexos das lutas anticapitalistas contemporâneas – em especial as que buscam enxergar dinheiro e dívida de forma não-convencional.

Eleito em 25 de janeiro, formado majoritariamente por um partido inovador denominado Syriza (sigla de Coalizão de Esquerda Radical), o novo governo grego entusiasmou os que buscam alternativas ao sistema quando adotou, logo após assumir, medidas corajosas. Suspendeu as privatizações em curso (de portos, aeroportos, estradas, uma empresas de energia elétrica e uma refinaria de petróleo). Anunciou a volta do fornecimento de energia para 300 mil famílias que ficaram no escuro por inadimplência. Propôs reverter a redução de mais de 20% no salário mínimo, adotada em 2010, por exigência dos credores, em contrapartida a um empréstimo de 250 bilhões de euros. Apresentou estas primeiras medidas como apenas o primeiro passo para algo maior: renegociar a dívida grega; rejeitar o acordo que hoje a representa (denominado “Programa de Assistência Econômica e Financeira”), e que dá à chamada Troika (União Europeia, Banco Central Europeu – BCE – e FMI) direito de intervir na política econômica do país.

Mas, aparentemente, Atenas tinha menos força do que pensava para alcançar este segundo objetivo. As primeiras medidas encantaram a esquerda, mas enfureceram a Troika. Na semana passada, duas reuniões do conselho dos dezenove ministros das Finanças da zona do euro (o chamado “eurogrupo”) procuraram enquadrar o Syriza. Os governos que tentam sufocar a dissidência grega lançaram mão de dois instrumentos.

O primeiro é o vencimento da dívida grega, que ocorre no próximo sábado (28/2). A falta de um acordo tornaria Atenas inadimplente. Duas semanas antes, o BCE agiu para tornar este evento dramático. Decidiu que, em caso de inadimplência, deixaria de oferecer, aos debilitados bancos gregos, a linha de crédito que os mantém à tona. A notícia precipitou os riscos de crise bancária. Desde dezembro, quando tornou-se clara a hipótese de vitória eleitoral do Syriza, os gregos ricos passaram a sacar maciçamente suas economias dos bancos, num movimento que converteu-se em avalanche na semana passada.

Realizadas em Bruxelas, terça e sexta-feira, as reuniões do “eurogrupo” foram, por isso, comparadas a negociações entre um refém e seus sequestradores. Dezoito ministros exigiam de Atenas a submissão cabal ao Programa de Assistência Econômica e Financeira. Sozinho, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, resistiu o quanto pôde.

Ao final, chegou-se a um compromisso complexo. Varoufakis aceitou uma prorrogação, por quatro meses, do Programa – o que o Syriza havia anunciado anteriormente que não faria. Porém, o fez em condições muito distintas das que prevaleciam até então. Nos termos em que foi redigido, o documento já não menciona a obrigação da Grécia a um “superávit primário” de 3% ao ano, que estrangularia as despesas públicas e as chances de enfrentar a “austeridade”. Além disso, não caberá à Troika – e sim ao governo grego – apresentar as medidas com as quais pretende assegurar a estabilidade financeira do país. Os 18 ministros irão se pronunciar amanhã – quando analisarão, via conferência telefônica, a proposta de Atenas. Em princípio, poderão rejeitá-la.

É este pacote que se aguarda, para as próximas horas. Ao falar aos jornalistas em Bruxelas, na sexta-feira, Varoufakis mantinha-se desafiante. Afirmou que não se deveria esperar, de seu governo, medidas praticadas pelos anteriores – como redução de gastos sociais ou aumento do imposto sobre valor agregado (semelhante ao ICMS brasileiro). Previu, ao contrário, ações para ampliar a cobrança de tributos sobre os ricos (atualmente, poupados pelo frágil sistema de arrecadação da Grécia) e para ampliar o combate à crise humanitária desencadeada pela “austeridade”.

A concessão parcial de Varoufakis decepcionou parte das correntes do Syriza. O deputado Manolis Glezos, que tem 92 anos e é um herói da resistência grega contra a ocupação nazista, propôs protestos contra a assinatura do acordo. A Plataforma de Esquerda, um grupo interno importante anunciou que os parlamentares associados a ela votarão, no Parlamento, contra o gesto do governo.

Mas se a atitude antecipada sexta-feira pelo ministro das Finanças for mantida hoje, quando o pacote de Atenas for finalmente apresentado, esta noite, é provável que esta oposição se amenize. Começará então uma disputa prolongada entre a Grécia e os que querem submetê-la. No confronto, ambos os lados estarão correndo contra o tempo. Fragilizados economicamente há anos, os gregos sofrerão desgaste pela incapacidade de cumprir todas as suas promessas. Em contrapartida, os demais governos europeus enfrentam resistência crescente às políticas de corte de direitos sociais e favorecimento à aristocracia financeira.

Aqui parece residir, aliás, a incógnita decisiva. Esta oposição europeia poderá converter-se em mobilizações sociais e em eleição de novos governos dispostos a desafiar a Troika? Se isso não ocorrer, os gregos terão pouca munição, diante de um adversário muito mais poderoso. Mas se forem capazes de manter a altivez até despertar as sociedades europeias de um longo imobilismo, a aristocracia financeira estará em apuros.

O diretor da Globo que quer cassar 54 milhões de votos

Por Paulo Nogueira | Via DCM

O que acontece quando um jornalista acredita na Veja e é formado pela Globo?

Bem, são grandes as chances de ele se tornar Erick Bretas.

Bretas, que ocupou diversas posições de destaque no telejornalismo da Globo e hoje é seu diretor de Mídias Digitais, fez ontem uma coisa que desafia a capacidade de compreensão.

Defendeu, no Facebook, a cassação de 54 milhões de votos dados há menos de cinco meses para Dilma.

Ele acha que Dilma deve ser objeto de impeachment. E fez questão de avisar que estará na manifestação pela queda do governo eleito em 15 de março.

Uma jornalista da grande mídia, extremamente incomodada com a fanfarronice de Bretas, foi quem me avisou.

Eu jamais ouvira falar dele, e lamento tê-lo conhecido.Mas não me surpreendo.

É uma oportunidade de as pessoas saberem como é feito o jornalismo da Globo, para além dos comentaristas e apresentadores que estão na tela.

Atrás deles, há coisa igual ou pior, como Bretas.

Ele foi diretor executivo de jornalismo da TV Globo, cargo no qual foi substituído pela jornalista Sílvia Faria, celebrizada por ter mandado tirar o nome de FHC do noticiário da Lava Jato.

Você lê Bretas e descobre por que o jornalismo da Globo é o que é.

Ele cita a Veja, publicação sem nenhum compromisso com a verdade há muitos anos, como um muçulmano se refere ao Corão.

Isso o faria um analfabeto político, apenas, não fosse a posição que ocupa na Globo.

Imagine a forma como ele editou as reportagens quando ocupou posições de chefia na emissora. Agora pense no que esperam os consumidores do jornalismo digital da Globo sob seu comando.

E o fato é que Bretas é um na multidão dentro da Globo.

Fica claro, lendo o seu bestialógico, por que a Globo escondeu o helicóptero com meia tonelada de pasta de cocaína descoberto no helicóptero de um amigo fraternal de Aécio.

Também ficou evidente por que o aeroporto de Cláudio não mereceu uma cobertura minimamente decente da Globo.

Com editores como Bretas, como esperar que a Globo fosse tratar como deveria o espetacular caso das contas secretas do HSBC?

Isso só vai virar assunto se aparecer, na lista das contas, alguém ligado ao governo. Desde que, naturalmente, nela não figure alguém da família Marinho.

Bretas é uma aberração jornalística, e uma tragédia para o jornalismo brasileiro. Dado o alcance da Globo, e seu poder de manipulação, é uma ameaça à sociedade. Quantos cidadãos ingênuos não são deformados pelo trabalho de jornalistas como ele?

Pessoalmente, gostaria de saber se sua indignação não se estende à sonegação multimilionária de sua empresa.

Também queria saber, imaginando que ele seja um advogado do livre mercado, sua opinião sobre a reserva que ainda hoje beneficia a Globo e demais empresas jornalísticas.

Talvez fosse bom também ouvi-lo sobre o Mensalão eterno da Globo – o dinheiro público em doses colossais que acorre à empresa por meio de publicidade federal.

Sem esse dinheiro, coisa de meio bilhão ao ano de reais apenas do governo federal (sem contar os estaduais), a Globo, tal como conhecemos, verga e quebra. E Bretas, o homem que quer cassar Dilma, perde sua boquinha.

Ele avisa, num tom estranhamente solene, que vai para a rua em 15 de março — não como um reporter para cobrir o protesto, ou mesmo como um editor para observar as coisas, mas como o que de fato é: um militante de direita fantasiado de jornalista.

AGU sugere saída para quebra de empreiteiras, mas Ministério Público resiste

Por Patricia Faermann | Via Jornal GGN

Luís Inácio Adams explicou que o objetivo do acordo de leniência não é impunidade, mas preservar os empregos e evitar o impacto negativo na economia.

Depois que o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, publicou um vídeo defendendo o acordo de leniência com as empresas denunciadas de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, membros do Ministério Público no Tribunal de Contas da União e técnicos integrantes já contestaram a posição do governo.

O Ministério Público defende a colaboração das delações premiadas no caso da Lava Jato, e a Justiça do Paraná, sob o comando do juiz Sergio Moro, vem utilizando de mecanismos para proteger os delatores, entre eles, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, em nome do avanço das investigações. Por outro lado, não sustenta a mesma cautela com as empresas envolvidas.

No último sábado (21), a AGU publicou o vídeo (abaixo) no Youtube de Adams explicando os motivos dos quais defende que os executivos sejam punidos, sem ocasionar a quebra dessas empresas. Na sexta-feira (20), o Jornal GGN divulgou um pacote de ações sugeridas pelo MPF para punir as empreiteiras: além da multa de R$ 4,47 bilhões por desvio de recursos, a proibição de contratação junto ao poder público, e a suspensão de acesso a benefícios fiscais e creditícios. Poderia ocasionar a falência dos grupos de empresas.

No vídeo, Luís Inácio Adams explica justamente a preocupação com esse dado e propôs como saída o acordo de leniência, um instrumento em que a empresa colabora com as investigações, em troca de punições mais brandas, ainda que se mantenha alguns comprometimentos: ressarcir o erário e estabelecer normas para a mudança de práticas corruptivas. “O grande desafio que está associado ao combate à corrupção é que tenha à disposição instrumentos que permitam a punição dos culpados, mas não inviabilize uma empresa que tenha milhões de funcionários”, disse o advogado-geral da União.

“Obviamente que se a empresa não se propor a fazer, não se submeter aos requisitos ela vai ser investigada, julgada e, comprovados os fatos, punida. E a punição são de duas ordens: punições de multa, que vai até 20% do faturamento, e punição de impossibilidade de contratação, ou seja, pelo período de até cinco anos essa empresa não poderá contratar com o Estado, receber crédito do BNDES, e assim por diante. Esse é o contexto que se aplica à lei”, ressaltou Adams.

O advogado-geral tomou o cuidado de lembrar que a punibilidade se mantém. “Na verdade, o acordo de leniência é uma solução para uma penalização administrativa, não tem nenhuma função na área penal. Não isenta o criminoso, não impede a produção de prova, é um instrumento que potencializa a investigação porque coloca a empresa como agente colaborador do Estado”, disse. E elencou exemplos: “a Siemens fez no mundo, diversas empresas, num esforço de resgatar-se junto à sociedade, resgatar sua credibilidade”.

Entretanto, essa não foi a interpretação do grupo de procuradores e técnicos do TCU, que avaliaram que tal ação acarretaria na impunidade. Entenderam, em nota, que o acordo de leniência está “previsto em uma lei que tem o propósito de combater a corrupção” e “não pode e não deve ser usado como instrumento para ‘salvar’ empresas acusadas de atos ilícitos”.

“O acordo mencionado tem, sim, considerável repercussão penal, com a extinção da punibilidade do crime de cartel por ato administrativo, o que, por consequência, impede o Ministério Público de oferecer denúncia”, publica a nota, assinada pelos sindicatos dos auditores de controle externo do TCU, dos auditores dos tribunais de contas do Brasil e dos integrantes do Ministério Público de Contas.

O movimento dentro do Ministério Público de ir na contramão da preservação contra o impacto econômico com a possível falência das empresas foi concretizado no último dia 20, com o anúncio do pacote de medidas, mas também não demorou a apresentar blindagem a contra-ataques. Na mesma sexta-feira, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do MP junto ao TCU, pediu ao tribunal que não aceitasse acordos, tendo o risco de atrapalhar a investigação da Lava Jato.

Neste mês, o TCU aprovou uma norma que estabelece que qualquer acordo de leniência com empresas denunciadas de corrupção deve ser aprovado, previamente, pela Corte do tribunal, o que antes tramitava apenas pela Controladoria Geral da União.

Assista ao vídeo do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams:

É como se a Argentina tivesse voltado para visão de 1960, diz Mujica sobre integração regional

Via Opera Mundi

“O que a Argentina fizer ou não fizer vai incidir no rumo que o Brasil toma”, afirmou presidente uruguaio, que está no fim do mandato.

Mujica diz que Argentina parece ter “retrocedido” para uma visão de 1960. Agência Efe

“A integração precisa uma liderança, e essa liderança se chama Brasil, mas a Argentina teria que acompanhar, e não acompanha nem um c…, pelo contrário, é como se a Argentina tivesse retrocedido para uma visão de 1960″, criticou duramente o presidente uruguaio.

A poucos dias de deixar o governo do país, Mujica analisou a situação atual do processo de integração regional encarnado em organismos como o Mercosul e a Unasul e considerou que existe “um grande desafio pela frente”.

O presidente do Uruguai também afirmou que os países mais integracionistas da região latino-americana são os “menores”, por “necessidade”.

Mujica questionou o papel que Argentina desempenha neste processo, ao afirmar que o país “se esquece da integração” porque “quando as coisas vão bem agarra para o outro lado”.

O chefe de Estado se referiu ao Brasil, Argentina e México como “os países determinantes da América Latina”, mas ressaltou que seus dirigentes “falam e assumem um discurso integracionista, mas do ponto de vista prático, estão intrometidos até as orelhas nas contradições do Estado nacional”.

“A Argentina termina sendo determinante em tudo. O que a Argentina fizer ou não fizer vai incidir no rumo que o Brasil toma”, considerou Mujica.

“Se não encontramos mecanismos que vão nos integrando, que possam nos dar uma presença internacional de peso, vamos continuar como folhas soltas no vento”, acrescentou.

Após cinco anos de governo, Mujica deixará o poder em 1º de março. Em seu lugar assumirá Tabaré Vázquez, que já presidiu o Uruguai entre 2005 e 2010 e venceu o segundo turno das eleições realizadas em 30 de novembro do ano passado.