Arquivo mensais:fevereiro 2015

Obama falha o seu golpe de Estado na Venezuela

Por Thierry Meyssan | Via Voltairenet.org

O presidente Obama com o seu conselheiro para a América Latina, Ricardo Zuñiga, e a conselheira nacional de segurança, Susan Rice. © White House

Mais uma vez, a administração Obama tentou mudar pela força um regime político que lhe resiste. A 12 de fevereiro, um avião da Academi (ex-Blackwater), disfarçado como aeronave do exército venezuelano, devia bombardear o palácio presidencial e matar o presidente Nicolas Maduro. Os conspiradores tinham previsto colocar no poder a antiga deputada Maria Corina Machado e fazê-la aclamar, de imediato, por antigos presidentes latino-americanos.

O presidente Obama tinha prevenido. Na sua nova doutrina de Defesa (National Security Strategy), ele escreveu : «Nós ficaremos do lado dos cidadãos cujo exercício pleno dos direitos democráticos está em perigo, tal como é o caso dos Venezuelanos». Ora, sendo a Venezuela, desde a adoção da constituição de 1999, um dos mais democráticos Estados do mundo, esta frase deixava pressagiar o pior, no sentido de a impedir de prosseguir na sua via de independência e de redistribuição de riqueza.

Foi a 6 de fevereiro de 2015. Washington tinha acabado de terminar os preparativos para o derrube das instituições democráticas da Venezuela. O golpe de Estado tinha sido planejado para 12 de fevereiro.

A «Operação Jericó» foi supervisionada pelo Conselho Nacional de Segurança (NSC), sob a autoridade de Ricardo Zuñiga. Este «diplomata» é o neto do presidente homônimo do Partido Nacional das Honduras, que organizou os “putschs” de 1963 e de 1972 a favor do general López Arellano. Ele dirigiu a antena da CIA em Havana, (2009-11) onde recrutou agentes, e os financiou, para formar a oposição a Fidel Castro, ao mesmo tempo que negociava a retomada das relações diplomáticas com Cuba (finalmente concluída em 2014).

Como sempre, neste tipo de operação, Washington vela para não parecer implicado nos acontecimentos que orquestra. A CIA agiu através de organizações pretensamente não-governamentais para dirigir os golpistas : a National Endowment for Democracy (Contribuição Nacional para a Democracia- ndT) e as suas duas extensões, de direita (International Republican Institute) e de esquerda (National Democratic Institute), Freedom House (Casa da Liberdade), e o International Center for Non-Profit Law (Centro Internacional para Assistência Jurídica Gratuita- ndT). Por outro lado, os Estados Unidos solicitam sempre os seus aliados para sub-contratar certas partes dos golpes, neste caso, pelo menos, a Alemanha (encarregada da proteção dos cidadãos da Otan durante o golpe), o Canadá (encarregado de controlar o aeroporto internacional civil de Caracas), Israel (encarregado dos assassinatos de personalidades chavistas) e o Reino Unido (encarregado da propaganda dos “putschistas”). Por fim, mobilizam as suas redes políticas a estarem prontas ao reconhecimento dos golpistas : em Washington o senador Marco Rubio, no Chile o antigo presidente Sebastián Piñera, na Colômbia os antigos presidentes Álvaro Uribe Vélez e Andrés Pastrana, no México os antigos presidentes Felipe Calderón e Vicente Fox, em Espanha o antigo presidente do governo José María Aznar.

Para justificar o “putsch”, a Casa Branca tinha encorajado grandes companhias venezuelanas a açambarcar, mais do que a distribuir, as mercadorias de primeira necessidade. A ideia era a de provocar filas de espera diante das lojas, depois infiltrar agentes nas multidões para provocar tumultos. Na realidade se existiram, de fato, problemas de aprovisionamento, em janeiro-fevereiro, e filas de espera diante das lojas, jamais os Venezuelanos atacaram os comércios.

Para reforçar a sua atuação econoômica o presidente Obama havia assinado, a 18 de dezembro de 2014, uma lei impondo novas sanções contra a Venezuela e vários dos seus dirigentes. Oficialmente, tratava-se de sancionar as personalidades que teriam reprimido os protestos estudantis. Na realidade, desde o princípio do ano, Washington pagava uma importância —quatro vezes superior ao ordenado médio— a gangues para que eles atacassem as forças da ordem. Os pseudo-estudantes mataram, assim, 43 pessoas em alguns meses, e semearam o terror nas ruas da capital.

Antigo número 2 da ISAF no Afeganistão, o general Thomas W. Geary é hoje em dia o encarregado de Inteligência no SouthCom.

A ação militar era supervisionada pelo general Thomas W. Geary, a partir do SouthCom em Miami, e Rebecca Chavez, a partir do Pentágono, e sub-contratada ao exército privado da Academi (antiga Blackwater) ; uma sociedade atualmente administrada pelo almirante Bobby R. Inman (antigo patrão da NSA) e por John Ashcroft (antigo Attorney General—Procurador Geral— da administração Bush). Um avião Super Tucano, de matricula N314TG, comprado pela firma da Virgínia, em 2008, para o assassinato de Raul Reyes, o n°2 das Farc da Colômbia, devia ser caracterizado com um avião do exército venezuelano. Ele deveria bombardear o palácio presidencial de Miraflores e outros alvos, entre uma dezena deles pré-determinados, compreendendo o ministério da Defesa, a direção da Inteligência e a cadeia de televisão da ALBA, a TeleSur. Dado o avião estar estacionado na Colômbia, o Q.G. operacional da «Jericó» tinha sido instalado na embaixada dos Estados Unidos em Bogotá, com a participação direta do embaixador Kevin Whitaker e do seu adjunto Benjamin Ziff.

Alguns oficiais superiores, na ativa ou reformados, haviam registado, com antecedência, uma mensagem à Nação, na qual anunciavam ter tomado o poder a fim de restabelecer a ordem. Estava previsto que eles subscreveriam um plano de transição, publicado, a 12 de fevereiro, de manhã, pelo El Nacional e redigido pelo Departamento de Estado dos EUA. Um novo governo teria sido formado, dirigido pela antiga deputada Maria Corina Machado.

O golpe de Estado devia colocar no poder Maria Corina Machado. A 26 de janeiro, ela recebia, em Caracas, os seus principais cúmplices estrangeiros.

Maria Corina Machado foi a presidente da “Súmate”, a associação que organizou e perdeu o referendo revogatório contra Hugo Chávez Frias, em 2004, já com o financiamento da National Endowment for Democracy (NED) e os serviços do publicitário francês Jacques Séguéla. Apesar da sua derrota, foi recebida com toda a pompa pelo presidente George W. Bush, no Salão oval, a 31 de maio de 2005. Eleita como representante pelo Estado de Miranda, em 2011, ela tinha aparecido de súbito, a 21 de março de 2014, como chefe da delegação do Panamá na reunião da Organização dos Estados Americanos (O.E.A). Ela fora, de imediato, demitida do seu lugar de deputada por violação dos artigos 149 e 191 da Constituição (da Venezuela- ndT).

Para facilitar a coordenação do golpe, Maria Corina Machado organizou, em Caracas, a 26 de janeiro, um colóquio, « O Poder da cidadania e a Democracia atual», no qual participaram a maior parte das personalidades venezuelanas e estrangeiras implicadas.

Pouca sorte! A Inteligência Militar venezuelana vigiava as personalidades suspeitas de ter fomentado um complô, anterior, visando assassinar o presidente Maduro. Em maio último, o Procurador de Caracas acusava Maria Corina Machado, o governador Henrique Salas Römer, o ex-diplomata Diego Arria, o advogado Gustavo Tarre Birceño, o banqueiro Eligio Cedeño e o empresário Pedro M. Burelli, mas, eles negaram a autoria dos “e-mails” alegando que tinham sido falsificados pela Inteligência Militar. Ora é claro, eles estavam todos conluiados.

Ao rastrear estes conspiradores a Inteligência Militar descobriu a «Operação Jericó». Na noite de 11 de fevereiro, os principais líderes do complô, e um agente da Mossad, foram presos e a segurança aérea reforçada. Outros foram apanhados dia 12. No dia 20 as confissões obtidas permitiram deter um cúmplice, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.

O presidente da câmara de Caracas, Antonio Ledezma, era o agente de ligação com Israel. Viajou secretamente para Telavive, em 18 de maio de 2012, para se encontrar, lá, com Benjamin Netanyahu e Avigdor Lieberman. Ele, representava o chefe da oposição venezuelana, Henrique Capriles Radonski.

O presidente Nicolás Maduro interveio imediatamente, na televisão, para denunciar os conspiradores. Enquanto, em Washington, a porta-voz do departamento de Estado fazia rir os jornalistas, que se recordavam do golpe organizado por Obama nas Honduras, em 2009 —quanto à América Latina—, ou mais recentemente da tentativa de golpe na Macedoônia, em janeiro de 2015 —quanto ao resto do mundo—, declarando a propósito: «Estas acusações, como todas as precedentes, são ridículas. É uma prática política estabelecida de longa data, os Estados Unidos não apoiam mudanças políticas por meios não constitucionais. As mudanças políticas devem ser realizadas por meios democráticos, constitucionais, pacíficos e legais. Nós temos verificado, em várias ocasiões, que o governo venezuelano tenta desviar a atenção das suas próprias ações, acusando para isso os Estados Unidos, ou outros membros da comunidade internacional, por causa de acontecimentos no interior da Venezuela. Estes esforços refletem uma falta de seriedade por parte do governo da Venezuela, em fazer face à grave situação com a qual está confrontado».

Para os venezuelanos este golpe, falhado, coloca uma questão séria: como manter viva a sua democracia se os principais líderes da oposição estão na prisão, pelos crimes que se aprestavam a cometer contra a própria democracia? Para aqueles que pensam, erradamente, que os Estados Unidos mudaram, que não são mais uma potência imperialista, e, que agora defendem a democracia no mundo inteiro a «Operação Jericó» é um tema de reflexão inesgotável.

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Thierry Maissen é intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Brasil de 200 bilhões de barris

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania

O setor do petróleo fornece um farto material para a constatação da ganância humana. Com a pretensão de trazer alguma explicação para o que acontece nestes dias com o Brasil, sem existir preocupação alguma da mídia para explicar, defendo a tese de que ocorreu uma rápida ascensão do nosso país no ranking daqueles atrativos para o capital internacional. Até 2006, era um país com abundância de recursos naturais, território e um razoável mercado consumidor. Mas ele não possuía petróleo em quantidade suficiente para se tornar grande exportador. Era fornecedor de minérios e grãos não tão valiosos no mercado internacional quanto o petróleo. Implícito está que o preço do barril irá subir brevemente para algum valor, pelo menos, em torno de US$80.

A partir dos anos 90, o Brasil perdeu graus de soberania e passou a ser um exemplar subalterno do capital internacional. Por exemplo, tem uma lei complacente de remessa de lucros, permite livre trânsito de capitais, não protege a empresa nacional genuína, tem uma política de superávit primário e câmbio que tranquiliza os rentistas, permite a desnacionalização do parque industrial, oferece a subsidiárias estrangeiras benefícios fiscais e creditícios, tem uma mídia hegemônica pertencente a este capital, que aliena a sociedade, e possui uma defesa militar incipiente. Assim, pode-se dizer que, após 1990, a sociedade brasileira passou a ter uma maior sangria de suas riquezas e seus esforços para o exterior. Este era o Brasil subalterno, que só tinha 14 bilhões de barris de petróleo, suficientes somente para 17 anos do seu consumo.

Em 2006, descobre-se o Pré-Sal, que pode conter de 100 a 300 bilhões de barris de petróleo, dos quais 60 bilhões já foram descobertos – e em menos de dez anos. Ao mesmo tempo, começou-se a recuperar a proteção à industria nacional, com a proibição da compra de plataformas de petróleo no exterior. Também, decidiu-se recompor as Forças Armadas, com o desenvolvimento de submarinos e caças no país, e, também, novos equipamentos de defesa para o Exército. Recentemente, decidiu-se desenvolver um avião militar de transporte de carga.

O Brasil, que já vinha participando do Mercosul, amplia sua interação soberana em outros fóruns internacionais, como a Unasul, a Celac e os Brics, contrariando interesses geopolíticos dos Estados Unidos. Recentemente, um banco e um fundo monetário dos Brics foram criados. Ocorreu no período, também, a mudança da política externa do Brasil, que buscou a aproximação com os países em desenvolvimento da África, do Oriente Médio e de outras regiões, sem hostilizar os Estados Unidos, a Europa e o Japão. A presidente Dilma propôs aos países da ONU uma ação conjunta para conter a espionagem internacional, que tem participação da CIA e da NSA, do governo dos Estados Unidos.

Com a descoberta do Pré-Sal, abandona-se o modelo das concessões, que permitia a quase totalidade do lucro e todo o petróleo irem para o exterior. Adota-se o modelo do contrato de partilha para esta área, que é melhor do que a concessão. No contrato de partilha, uma parte adicional do lucro, acima do royalty, vai para o fundo social e parte do petróleo vai para o Estado brasileiro. Decidiu-se também escolher a Petrobras para ser a operadora única do Pré-Sal, o que é importante para maximizar a compra de bens e serviços no país. No leilão de Libra, foi formado um consórcio com a participação de duas petrolíferas chinesas, fugindo-se ao esquema de só participarem empresas ocidentais. No final do ano de 2014, quatro campos do Pré-Sal, que somam cerca de 14 bilhões de barris, foram entregues diretamente à Petrobras, sem leilão, o que contrariou as petrolíferas estrangeiras que desejavam vê-los leiloados.

A partir da descoberta do Pré-Sal, a Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos é reativada em 2009, o presidente norte-americano Barack Obama vem ao Brasil em 2011 e seu vice-presidente se transforma em figura fácil de ser encontrada aqui. Ele se reúne diretamente com a presidente da Petrobras, o que é muito estranho. O governo norte-americano procura levar a qualquer custo a presidente Dilma para uma visita oficial aos Estados Unidos, com direito a jantar na Casa Branca, considerada uma honraria sem igual. Por esta e outras razões, FHC gostaria muito de o Pré-Sal ter sido descoberto no seu mandato, mas ele só se preocupava em preparar a Petrobras para a privatização. Surpreendentemente, meu candidato a um prêmio das Nações Unidas para grandes promotores da paz no mundo, Edward Snowden, nos informa que até os telefones da presidente Dilma foram interceptados pela inteligência estadunidense.

O tempo passa e chega o momento de nova eleição presidencial no Brasil. O capital internacional de forma geral e, especificamente, o capital do setor petrolífero, com grande influência na Casa Branca, quiseram aproveitar esta eleição para mudar algumas regras de maior soberania, estabelecidas nos últimos anos, inclusive as do Pré-Sal. Além disso, o capital internacional quer eleger um mandatário do Brasil mais subserviente. Assim, explica-se a campanha de muito ódio e enorme manipulação executada pela mídia deste capital no período eleitoral. Possivelmente, a NSA e a CIA, utilizando empresas estrangeiras aqui estabelecidas, devem tê-las incentivado a contribuir com recursos para eleger os seus candidatos em 2014, formando uma bancada no Congresso Nacional que é um misto de entreguistas com alienados corruptos, porém, muito fiéis aos doadores de campanha.

Com o acontecimento independente da descoberta dos ladrões na Petrobras, aliás, muito bem-vindo pelos estrategistas do roubo do petróleo nacional, o terceiro turno da campanha presidencial tomou corpo na mídia, assim como a tarefa de confundir a população para acreditar que a Petrobras rouba dinheiro do povo e não são os ladrões ocupantes de cargos nela que roubam.

Com uma Petrobras fraca, de preferência até privatizada, fica mais fácil levar o petróleo do Pré-Sal. Um fato importante é que, no governo FHC, existiram denúncias que a Polícia Federal e o Ministério Público pareceram ser ineptos e a mídia criminosamente benevolente com o governo. Uma destas denúncias foi a de compra de votos para a reeleição, que, mesmo com um réu confesso declarando ter recebido dinheiro para votar a favor da reeleição, nada teve de apurada; já a mídia, deu divulgação mínima e o Ministério Público não apresentou denúncia à Justiça.

Enfim, para o bem ou para o mal, tudo mudou de figura. Morreu o Brasil de só 14 bilhões de barris de petróleo. Ele terá, brevemente, uma reserva de 200 bilhões de barris, que corresponderá a uma das três maiores do mundo e irá requerer muitas medidas de soberania, se é que a sociedade brasileira deve usufruir desta riqueza. Assim, agora, na visão do capital internacional, o Brasil não chega a estar se tornando um país antagônico, como China, Rússia, Irã e Venezuela, mas está criando regras e tomando medidas hostis a este capital. Está-se no estágio da busca da cooptação dos poderes e do controle da população pela mídia do capital.

Contudo, a população não está, na sua imensa sabedoria, acreditando tanto na mídia. Se a população não der apoio para o plano do impeachment da presidente, novas tramas poderão acontecer, como uma “primavera brasileira para tirar os ladrões da Petrobras do governo”. Eventualmente, será um golpe de Estado dado pelo Congresso com o apoio da mídia. O povo precisa não dar apoio à quebra do regime democrático e não apoiar também governantes que permitam a perda do Pré-Sal.

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Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania, acesse o blog o autor.

Em defesa da Soberania Nacional, da Petrobrás e de nossa Engenharia

Via AEPET

Convidamos a todos para reunião dos movimentos sociais em defesa da Petrobrás, da Engenharia Nacional e de uma política social desenvolvimentista a realizar-se na quarta-feira, dia 25, às 17h, no Clube de Engenharia (Av. Rio Branco, 124, 25º andar). Promovida pelo Clube de Engenharia, Coppe/UFRJ, Sindipetro, AEPET e Intersul, com apoio de várias outras entidades da sociedade civil, a reunião, que lançará o manifesto Aliança pelo Brasil, conta com o apoio também de personalidades como Maria da Conceição, Luís Gonzaga Belluzzo, José Carlos de Assis, Luís Pinguelli Rosa, Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, entre outros.

No encontro entidades de âmbito nacional, como Centrais Sindicais e Federações de Trabalhadores, assinarão uma carta a ser entregue ao Ministro da Justiça, ao Controlador Geral da União e ao Procurador Geral da República em defesa das empresas de Engenharia, que estão sob ameaça de fechamento em face de uma interpretação equívoca de corrupção na operação Lava Jato. Deixaremos claro que concordamos com a punição de corruptos, mas não há sentido em fechar ou inviabilizar empresas que representam a geração de mais de 500 mil empregos no país.

Data: 25 de fevereiro de 2015

Horário: 17h

Local: Clube de Engenharia – 25° andar

Apoio: Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET); Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (IBEP); Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro/RJ); Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea/RJ); Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ); Centro Celso Furtado; Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ); Sindicato de Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ); Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

Ajuste fiscal = desajuste econômico e social

Por Cesar Fonseca | Via Independência Sul Americana

A greve dos caminhoneiros é fruto do ajuste fiscal de Joaquim Levy. No ambiente em que os procuradores tentam inviabilizar a vida das indústrias que empreitam obras da Petrobras, responsável pela saúde da economia, no ambiente da proposta nacionalista, o ajuste fiscal vai se tornando veneno letal. Acelera a insuficiência das imunidades do corpo econômico nacional, tornando-o passível de sofrer mortíferas infecções, expostas, por sua vez, no grande hospital global em que se transformou a economia mundial, em guerra monetária praticada pelos ricos contra os emergenes. Nesse contexto, ajuste fiscal elimina experiência nacionalista brasileira, tradução da ascensão de nova classe média, cuja saúde, expressa em poder de compra interno, é fundamental para a indústria nacional. O desequilibrio fiscal é a representação da ascensão social dada pelo Estado Social, como expressão legítima do desenvolvimento com característica essencialmente brasileira, sul-americana, voltada à melhor distribuição da renda nacional. O ajuste Levy restaura o status quo ante à experiência nacionalista distributivista e sinaliza ressurreição da desigualdade social. Basta observar que a terapia levyana extrai renda dos mais pobres, via aumento de impostos e tarifas, deixando os mais ricos soltos no pasto para se alimentarem de gordo capim. A selvageria econômica está de volta. A oposição, se tivesse vencido as eleições, estaria produzindo essa terra arrasada. Agora, tenta jogar Joaquim Levy às feras e se movimenta para apoiar impeachment da presidenta Dilma Rosseff. Para tanto, tem o largo apoio do poder midiático para veicular suas idéias golpistas, como se vê na Folha de São Paulo, o artigo do tucano Alberto Goldiman, defendendo o impedimento dilmista, e no jornal O Globo o editorial que se exulta com a crise da Petrobras para pedir o fim do modelo de partilha da extração de óleo na camada do pré sal, vocalizando o desejo das multinacionais, favoráveis ao modelo de concessão. Os conservadores entreguistas jogam para parar o Brasil, a fim de saboreá-lo como verdadeiros abutres.

Levy puxou o freio da economia que já vinha em ritmo lento e agora vai para a paralisação.

Fez isso para atender a demanda do mercado financeiro que não estava satisfeito com o avanço dos gastos públicos responsáveis pela ascensão de uma classe social emergente, cujas consequências apontavam para formação de mercado interno sem o qual a indústria nacional não tem como desovar a sua produção.

Como diz bem em entrevista à Carta Capital, o compositor genial Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura, na Era Lula, estava em curso uma experiência brasileira de novo crescimento econômico.

O Estado Social avançava gerando como subproduto o desequilíbrio fiscal, sinalizador de nova história, em País em que o equilíbrio fiscal é tradução de desigualdade social.

As elites não suportaram os 12 anos de nacionalismo imprimido por esse experimento econômico brasileiro voltado para as classes sociais mais pobres.

Maiores gastos para com os menos favorecidos, evidentemente, aumentaram a inflação, principalmente, porque o governo não teve coragem de atuar mais decididamente sobre os juros, a fonte de renda dos especuladores na terra da especulação.

Os pobres encontraram espaço maior.

Passaram a comer mais.

Maior acesso à alimentação por conta de vantagens sociais e econômicas diferenciadas asseguradas pelo Estado Social movimentou as forças produtivas.

Agora, sem consumidor interno, com sua renda disponível para o consumo roubada pela suspensão dos subsídios, o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro Neto, tenta montar, às pressas, programa nacional de exportação.

Imagina que obterá recompensa no mercado internacional.

Parece não perceber que os países emergentes estão sob ataque de guerras monetárias patrocinadas pelos governos dos países ricos.

Os Estados Unidos começaram o conflito monetário.

Elevaram a oferta de moeda na circulação e reduziram os juros.

Com moeda desvalorizada e as empresas americanas dispondo de custo mais barato para produzir, estão frente a situação vantajosa, para ocupar mercados dos outros.

Ou seja, as exportações brasileiras, que estão mais caras por conta dos juros mais altos do mundo, da carga tributária extorsiva e da inflação em alta, não têm como ganhar corrida competitiva com empresas multinacionais, favorecidas pela guerra monetária, desencadeada por Tio Sam, depois da crise global de 2007-2008.

A tentativa exportadora para a Europa, também, pode ser sonho de noite de verão.

Os europeus enfrentam deflação, ou seja, excesso de oferta, que joga os preços para baixo.

Buscam, desesperadamente, um pouco de inflação.

Ainda, assim, Mário Draghi, presidente do BC europeu, partiu para a mesma jogada do BC de Tio Sam: ampliar a oferta monetária e segurar juro na casa dos zero ou negativo.

Tudo para tentar reanimar a produção, o emprego, a renda, a arrecadação e os investimentos, vislumbrando exportações.

O esforço exportador brasileiro, para a Europa, tende a se frustrar.

Restaria exportar mais para a China.

Será possível?

Difícil.

Os chineses não estão exportando, satisfatoriamente, nem para a Europa, nem para os Estados Unidos.

Lutam, comercialmente, com o Japão, que, ao adotar a mesma política monetária expansionista americana e europeia, levou os países asiáticos a uma competição comercial sangrenta.

Todo a Ásia tenta se proteger das exportações japonesas, fazendo o mesmo que o governo do Japão: desvalorização cambial e juro baixo.

Voltando-se para dentro, sustentada por estoques altos de alimentos e minérios, para bancar a custo baixo a manufatura, de modo a poder crescer 7%/ano, nos próximos cinco ou dez anos, a China importará menos produtos primários brasileiros.

O que os concorrentes querem é destruir o Brasil, tomando seu mercado.

E, nesse sentido, a arma com a qual o governo brasileiro, nos últimos anos, utilizou para enfrentar os desafios da economia mundial, o seu mercado interno, está sendo destruída pelo ajuste fiscal de Levy.

O chicago boy brasileiro teria muito que aprender com Napoleão, genial estrategista de guerra.

Primeiro, parece que ele não está percebendo que o Brasil está sob ataque e que a economia atual é campo de guerra.

Se destrói a arma nacionalista, perderá a guerra, certamente.

Parece insanidade total destruir o mercado interno, a alavanca econômica de qualquer país desenvolvido, em nome de ajuste fiscal, de modo a buscar alternativa no mercado internacional, para onde toda a luta econômica se desloca, com todos utilizando armas da desvalorização cambial para travar guerra monetária.

Certamente, a economia, no final do primeiro mandato dilmista não vinha bem, em meio a uma conjuntura interna afetada pelo que a oposição, ingenuamente, fingiu desconhecer, ou seja, a guerra monetária em curso.

Em vez de se fazer planejamento para o segundo mandato ancorado num pacto social em que o preço do ajuste fosse distribuído igualitariamente entre capital – especialmente, o financeiro, especulativo – e o trabalho, o que Levy apresenta?

Arrocho em cima dos assalariados, retirando-lhes benefícios trabalhistas, e tentativa de desestabilizar a Previdência Social.

Não se fala nada de ajuste em cima dos especuladores, dos agiotas, cobrando mais impostos deles, como o de operações financeiras.

Seria tirar de quem tem para dar aos que pouco possuem.

Avança Levy sobre a galinha dos ovos de ouro, isto é, da renda disponível para o consumo.

Levanta o argumento de que assim agindo está fazendo poupança para o setor privado investir.

Mas, como mostram as pesquisas sobre os ânimos dos empresários, ninguém se dispõe aos investimentos, sem consumidor.

O ajuste Levy, como está se vendo, nos seus primeiros lances, é remédio que eliminada as imunidades do corpo econômico nacional, a sua capacidade de consumo.

Expõe-o, consequentemente, a moléstias, qual fragilizado doente em hospital infectado de bactérias.

Resultado da precipitação da estratégia errada levyana: a inflação sobe mais forte, cresce o desemprego, os preços de produtos essenciais à vida produtiva, como os dos combustíveis, produzem paralisações dos caminhoneiros etc.

Cria-se expectativa negativa que inviabiliza os investimentos e o emprego.

A política macroeconômica, como dizia Keynes, precisa estar de olho em duas variáveis, emprego e investimento, dependentes, por sua vez, de alocações monetárias e fiscais dadas pelo governo.

Nesse ambiente em que os procuradores tentam inviabilizar as indústrias que empreitam serviços à Petrobras, matando a galinha dos ovos de ouro, em nome do combate à corrupção detonada pela Operação Lava Jato, a economia brasileira, sob Levy, segue o caminho do calvário.

Uma conspiração interna neoliberal produz acelerado economicídio.

Indonésia mantém pena de morte para brasileiro e mais 10 condenados

Via Agência Efe

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, defendeu nesta terça-feira o direito de seu governo utilizar a pena de morte e assegurou que serão realizadas as execuções previstas de 11 réus, sete deles estrangeiros, informou imprensa local.

O brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte está entre os que serão executados neste mês, depois que os pedidos de clemência do governo brasileiro tenham sido rechaçados por Widodo, que também desprezou pedidos da Austrália e França para seus cidadãos.

Joko não pensa em anular sentença de morte a brasileiro. EFE/Rusman

“Ninguém deveria intervir na execução da pena capital porque é nossa soberania legal, nossa soberania política”, disse Widodo, segundo o jornal “Jakarta Post”,

Widodo fez estas declarações ao defender sua decisão de retirar o representante indonésio no Brasil, Toto Riyanto, depois que a presidente brasileira, Dilma Rousseff, se negou a receber suas cartas credenciais como embaixador.

A Indonésia ameaçou revisar seus compromissos bilaterais, inclusive a compra de equipamento militar, devido ao conflito diplomático que começou em janeiro depois que o país asiático executou outro brasileiro, Marco Archer Cardoso Moreira.

Esta rodada de execuções também deteriorou as relações entre Indonésia e Austrália, cujo primeiro-ministro, Tony Abbott, pediu clemência para dois australianos após lembrar a ajuda prestada por Canberra ao país asiático após o tsunami de 2004.

“Durante o tsunami recebemos ajuda humanitária de 56 países, incluída a Austrália. Se não for considerada ajuda humanitária, a devolveremos”, disse o vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla, segundo o “Jakarta Globe”.

A data das execuções, que estavam previstas para este mês, ainda não foi fixada e será anunciada com 72 horas de antecedência.

Paralíticos Gregos vs Donas de Casa do HSBC

Por Rui Dourado | Via Aventar

Ouvimos José Rodrigues dos Santos a fazer eco das vozes que apontam como principal problema da crise grega exemplos como o dos falsos paralíticos. O argumento cola bem quando se quer atiçar pobres contra pobres, mas a verdade é que o subsídio atribuído aos falsos paralíticos que enganavam fisco grego não se compara nem de perto nem de longe com o roubo gigantesco das “donas de casa” da HSBC. Dona de casa era uma das profissões virtuais declaradas por clientes do HSBC que na verdade eram industriais, artistas, jornalistas, princesas, traficantes de armas ou de droga. É esta diferença de campeonatos entre os paralíticos e as donas de casa que ajuda a compreender melhor a crise grega. As contas “especiais” (contas artilhadas para fugir ao fisco) do HSBC relacionadas com a Grécia ascendem a mais de 2,3 mil milhões de euros (~2,6 mil milhões de dólares). Por exemplo, um dos apanhados, o grego Lavrentis Lavrentiadis tinha sete contas no HSBC com ligações a outras contas bancárias (paraísos fiscais) onde detinha 4,6 milhões de dólares. O senhor Lavrentiadis não era paralítico, mas em 2012 foi acusado de fraude, lavagem de dinheiro, participação em associação criminosa e de emprestar a si próprio, cerca de 600 milhões de euros, através de um banco do seu próprio grupo. Esteve 18 meses em prisão preventiva e vai ser julgado em março deste ano.

Em Portugal, as denuncias de fraude favoritas dos ultraliberais são os beneficiários do rendimento de inserção, os desempregados e pessoas de baixa. São eles que destroem o estado, são eles que desmotivam a sociedade, não querem trabalhar, fomentam preguiça, etc. Ora, em média o rendimento de inserção é da ordem dos 90€ mensais. Só o montante total das contas especiais da HSBC relacionadas com Portugal ascendem a cerca de 850 milhões de euros, ou seja cerca de três vezes o orçamento de estado para o rendimento de inserção. E convém sublinhar que a fraude das contas especiais do HSBC é apenas uma pequena parte da fraude fiscal relativa a esse anos.

A grande preocupação dos ultraliberais são as migalhas, porque o bolo já é deles.

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O euro em fase terminal

Por Jorge Bateira | Via Resistir.info

Um governo de ruptura deve, à cabeça, nacionalizar os bancos e instituir o controlo dos movimentos de capitais.

Quando participei no primeiro debate televisivo realizado em Portugal sobre o euro (“Prós e Contras”, 15/Abril/2013), afirmei que a moeda única iria acabar. Da mesma forma que a Inglaterra de 1931 não aguentou a política de austeridade imposta por um sistema monetário que excluía a desvalorização da moeda – no padrão-ouro, o reequilíbrio externo teria de ser alcançado por redução dos salários, a chamada “desvalorização interna” –, também nos nossos dias, um dos países sujeitos à política cruel imposta pela UE acabará por sair. O primeiro será a Grécia, os outros vão a seguir, ao ritmo do respectivo ciclo político.

Entretanto, o discurso do medo voltará às televisões. Dir-nos-ão que sair do euro é uma calamidade porque perderemos metade do poder de compra, que os bancos vão falir e perderemos as nossas poupanças, que o Estado não pagará aos funcionários públicos e pensionistas, que seremos excluídos dos mercados para todo o sempre e, argumento último de quem está inseguro, que a Alemanha nos invadirá para restabelecer a ordem. Do serviço público de televisão, gerido por comissários políticos, não se pode esperar uma informação isenta e fundamentada. Não haverá recolha de depoimentos de especialistas estrangeiros que ponham em causa o pensamento dominante, não haverá debate honesto com uma participação plural que ultrapasse o discurso partidário rotineiro. Dos canais privados também não podemos esperar que cumpram as exigências básicas de pluralismo, nem que as autoridades competentes o exijam. O que temos visto fala por si. Aliás, os analistas que ocupam o palco estão no bolso dos grupos económicos e da finança. Um governo de salvação nacional também terá de resgatar a comunicação social e pô-la ao serviço do interesse público.

Recordemos então algumas ideias simples que os portugueses não têm direito a debater nos media de grande audiência. Quando Portugal sair do euro, todos os contratos realizados sob jurisdição nacional ficam automaticamente redenominados em novos escudos, segundo a jurisprudência internacional ( lex moneta, 1 escudo = 1 euro). Assim, todos os empréstimos bancários, depósitos, salários, pensões, preços nas lojas, etc., passam a escudos e, a partir desse dia, o Estado apenas paga e recebe em escudos. O Estado fica sem problemas de liquidez porque os seus défices – necessários para estimular a economia – ficam cobertos por financiamento interno, quer do sector privado, que procura obrigações do Tesouro para aplicações seguras, quer do Banco de Portugal, a entidade pública que emite moeda. Portanto, sair do euro significa a libertação do país dos humores dos mercados financeiros. Quanto às necessidades de financiamento em outras moedas, os últimos dias mostraram–nos que os EUA estão dispostos a ajudar para evitar o recurso aos seus rivais. Note-se que os BRIC têm agora um banco que é alternativa ao FMI.

Um governo de ruptura deve, à cabeça, nacionalizar os bancos e instituir o controlo dos movimentos de capitais. Seria vantajoso comprá-los em bolsa, à cotação do momento, e proceder à sua recapitalização, tudo com emissão monetária. A inflação será o custo a pagar para recuperarmos a soberania. Mas será um custo transitório (inicialmente, cerca de 12%, muito menos nos dois anos seguintes) que pode ser distribuído com justiça social através de compensações a atribuir aos rendimentos mais baixos. A classe média/alta, vendo os seus desempregados recuperarem a dignidade de voltar a trabalhar em condições decentes, aceitará de bom grado alguma perda temporária de poder de compra. Como seria de esperar, o novo paradigma da política económica dará prioridade ao emprego, ao contrário da finança, que diaboliza a inflação e acha inevitável este desemprego típico dos anos trinta do século passado.

À medida que se forem abrindo espaços de debate público informado sobre o que significa sair do euro, os portugueses ficarão cada vez mais receptivos à proposta de uma Europa de países soberanos. Por muito que custe aos federalistas, não creio que os portugueses queiram viver num protectorado sujeito a diktats.

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Jorge Bateira é economista, coautor do blog Ladrões de Bicicletas.