Arquivo mensais:fevereiro 2015

Crise hídrica: O burro na sala dos paulistas

Por Luciano Martins Costa | Via OI

Inconfidência de funcionário que trabalha na assessoria de comunicação do governo de São Paulo dá conta de que a comissão de gestão da crise hídrica não considera seriamente realizar um racionamento de cinco dias sem água e dois dias com fornecimento. Técnicos afirmam que os riscos seriam muito grandes.

O ponto máximo do corte seria quatro dias sem água seguidos de dois dias com fornecimento sob pressão reduzida. A ameaça de cinco dias de seca é o burro na sala.

Há um grande descontentamento em algumas secretarias cujas atribuições são afetadas diretamente pela incúria da Sabesp e do governador Geraldo Alckmin. Os assessores de comunicação dessas secretarias foram alijados do centro de decisões e se veem obrigados a lidar diariamente com medidas restritivas que são inventadas sem que sejam consultados. A secretaria da Educação, por exemplo, foi surpreendida pelo anúncio de corte de verba para higiene e limpeza nas escolas públicas.

A centralização de decisões é uma das medidas mais comuns na gestão de crises que podem afetar a reputação de governantes ou de empresas. Portanto, compreende-se a preocupação do governador Geraldo Alckmin e seu subsecretário de Comunicação em evitar que os bastidores de reuniões estratégicas vazem por meio de funcionários descontentes.

No entanto, a preocupação não tem fundamento, porque a imprensa não demonstra nenhuma disposição para questionar suas políticas públicas – ou a falta delas. Pelo contrário: diante da evidência de que o corte de fornecimento tem potencial para causar transtornos nas escolas, o que fazem os jornais?

O Estado de S. Paulo publica que as universidades públicas do Estado cogitam suspender aulas, pela impossibilidade de realizar a limpeza de banheiros, por exemplo – e temem que isso venha a prejudicar o andamento de pesquisas. Já a Folha de S. Paulo foi atrás de especulações sobre restrições ao uso de água nas escolas municipais.

Segundo a Folha, alguns diretores de escolas municipais decidiram vetar o uso de escovas de dentes e supervisionar o acesso de alunos aos bebedouros. O texto se refere a interpretações extremadas de uma orientação oficial da Secretaria Municipal de Educação, no sentido de que as escolas promovam ações contra o desperdício, cuidem da manutenção para evitar vazamentos e aproveitem para orientar os alunos sobre o uso racional da água.

Secos e molhados

Como se vê, trata-se de iniciativa necessária, diante da gravidade que a crise pode adquirir com a volta às aulas. O objetivo da recomendação é conseguir que as escolas da capital paulista reduzam em 20% o consumo de água. No entanto, o jornal faz parecer que alguns diretores de escolas municipais são estúpidos ao tomarem “medidas extremas”.

Enquanto isso, a imprensa agasalha passivamente a estratégia de comunicação do governo do Estado, que conseguiu diminuir as notícias negativas sobre as causas da falta de água, por exemplo, dando destaque a iniciativas atuais, que deveriam ter sido tomadas muitos anos atrás.

Nesta quarta-feira (4/2), além das referências às universidades públicas e escolas municipais, o leitor vai encontrar notícias sobre proposta de lei para obrigar os novos edifícios a economizar água e o anúncio de obras para interligar os reservatórios da região metropolitana.

Sempre que é necessário tomar medidas emergenciais, deve-se analisar os possíveis danos colaterais. Por exemplo, a reversão do fluxo do rio Juquiá, já considerada no passado, tem provocado reações de entidades ambientalistas: o rio Ribeira, do qual o Juquiá é tributário, vem sofrendo uma constante perda de volume por causa de abusos na retirada de areia. Essa areia alimenta a indústria de construção civil na capital paulista. Como se vê, a coisa não é assim tão simples.

Sempre foi papel da imprensa mostrar que toda questão tem múltiplas facetas, e não apenas “os dois lados”, como costumam justificar os jornais. No caso das medidas que o governador anuncia com anos de atraso, a imprensa engole, por exemplo, a isca do rodízio de cinco dias e ajuda a empurrar goela abaixo o racionamento que já está em curso há meses.

Jornalistas gostam de repetir a frase de Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”.

No caso da mídia tradicional brasileira, curiosamente, a citação vale apenas para alguns. Uma imprensa crítica em igual medida para todo o espectro político ajuda a melhorar as instituições públicas. Uma imprensa que se comporta como organização partidária e extensão de assessorias de comunicação é uma constante ameaça à democracia.

A invejável potência da Petrobras

Por Bento Araújo

Muito boa notícia para nós brasileiros, para os empregados e também para as gerências da Petrobras receber essa honrosa premiação mundial, que  demonstra o reconhecimento mundial da capacidade do corpo técnico da empresa.

Lembro-me muito bem do premio que a Petrobras recebeu na OTC nas décadas de 1980/90 pela descoberta dos CAMPOS GIGANTES MARLIM E ALBACORA, e depois na descoberta do CAMPO GIGANTE DE RONCADOR, em 1997.

Com essa recente premiação internacional, pelos recordes e a operação no pré-sal, espero que os políticos entreguistas do passado – que venderam a preços ínfimos parte das ações da Petrobras no NYSE – aproveitem o DUMPING INTERNACIONAL DO PETRÓLEO e recomprem essas mesmas ações, reflitam e parem com esses entreguismos, verdadeiros ataques furiosos e lesa-pátria contra a maior empresa nacional que somente aguça a voracidade de megaespeculadores internacionais.

Ontem as ações subiram 8% por conta dos recordes de produção no refino com a entrada em operação da UNIDADE DE DESTILAÇÃO ATMOSFÉRICA DA RNEST em novembro de 2014 e os recordes em dezembro, a produção de derivados subiu de 2.140.000 para 2.400.000 de barris por dia e na área do PRE-SAL os recordes diários estão aumentando, já superando a faixa dos 700 mil barris por dia. Isto mostra que os campos do pre-sal tem alta produtividade, e explica também a voracidade dos ataques furiosos dos políticos e dos interesses estrangeiros.

Continuemos em frente batendo mais recordes com a entrada em operação da primeira plataforma da série dos FPSOs REPLICANTES, que começará em breve. Ainda bem que comprei um lote de ações na semana passada, já ganhei 15%, todos os brasileiros deveriam fazer o mesmo e pedir a Dilma que libere mais uma vez o uso do FGTS para compra de ações da Petrobras, como fez Lula em 2003.

A Petrobras venceu a crise do “dumping do petróleo” de 1983 a 1986 com trabalho e dedicação, aumentando os números de prospecções e descobrindo os enormes campos de Marlim e Albacora, em 1986. Lembro-me perfeitamente, pois, foi nessa época que prestei o concurso na Petrobras, após ter trabalhado anteriormente 19 anos em outros segmentos da indústria.

O mais importante é que o corpo técnico da Petrobras é competente e adora desafios, essa crise será coisa do passado.

As ações subiram hoje mais 15% no Bovespa. Desejemos sucesso a quem for assumir a presidência da Petrobras e que Deus o ilumine a recomprar as ações no NYSE e continuar incentivando o corpo técnico.

O dumping do petróleo, ontem e hoje

A Veja publicou em 84 uma matéria intitulada “Como a Petrobras venceu a crise do Dumping Internacional do Petróleo de 1983″. Nessa época os EUA articularam a baixa de preços para atingir as economias da Rússia e Irã, por conta da queda do Xá iraniano, Reza Pahlevi, e a ascensão de Khomeine em 1979 concomitante a de Mikhail Gobachev, que vendeu ações da Gazprom como medida de desespero ao ver o petróleo cair de 50 para 13 dólares o barril, em 1983. Iniciou-se um cenário de “economia de guerra” que gerou a terrível crise da Perestroyka na Rússia e a posterior queda da URSS.

Assim como no dumping iniciado em janeiro de 2014, com o objetivo claro de afetar as economias da Venezuela e do Irã, o preço do barril caiu de 100 dólares para 60 dólares, fazendo despencar as ações de muitas petrolíferas, em particular as gigantes do petróleo, responsáveis pelas maiores descobertas recentes (Petronas, Petramina, ENI, Statoil, Gazprom, Petrobras, etc).

Aqui no Brasil pouco foi falado sobre o efeito do “dumping orquestrado pelo império AA”, que quer tomar posse das reservas do pré-sal brasileiro usando os mesmos políticos lesa-pátria que entregaram a George Soros, patrão de Armínio Fraga, a preços ínfimos, um lote bilionário de 40% das ações preferenciais Petrobras na Bolsa de NY. Os algozes dessa entrega generosa no NYSE foram os senhores FHC (filho do general sr Leônidas Cardoso, envolvido com a ESSO, no escândalo de 1943), que foi agraciado com um auto-exílio remunerado por decreto numa aposentadoria muito precoce, em 1969, aos quatro anos de trabalho na USP, e seu genro, David Zilbersztajn, estes dois foram os mentores do entreguismo desnacionalizante da Petrobras, em março de 1999, no NYSE.

Putin surpreendeu o mundo ocidental no mês passado quando recomprou todas as ações da GAZPROM, vendidas a preços ínfimos durante a Perestroyka, ganhando 20 bilhões com a valorização da empresa que estava afetada, juntamente com as outras 20 petrolíferas por conta do dumping iniciado ano passado. Esta baixa orquestrada dos preços fez cair as ações de todas as petrolíferas produtoras e detentoras de grandes reservas de óleo no mundo, inclusive a Petronas, Shell, ENI, Statoil, Gazprom e a Petrobras.

O governo do Brasil deveria fazer o mesmo que Putin e renacionalizar a Petrobras. O primeiro passo foi dado com o PRODESIN, anunciado na posse de Graça Foster em 2012, que prevê a venda de todos os ativos em unidades antigas e obsoletas compradas no exterior durante o Programa de Internacionalização do governo tucano de FHC.

O ex-presidente Lula, absurdamente, não quis trocar os diretores nomeados por FHC na Petrobras. Todos lá permaneceram, o que houve foi simplesmente uma “dança das cadeiras”. O Rodolfo Landim foi locado na BR Distribuidora, O senhor Paulo Roberto Costa, forte aliado e nomeado por FHC em 1995 no DEPRO/DPSE, foi da diretoria de gás e energia para a de abastecimento e refino, em 2003, no lugar do Eider de Aquino, que por sua se aposentou. Graça Foster assumiu a posição que era de Costa na diretoria de gás e energia. A engenheira química senhora Graça Foster atuou firmemente nos projetos das novas termelétricas e sem elas teríamos tido um novo apagão, mas foi jogada na cova dos leões ao assumir a presidência devido os absurdos do seu antecessor, o economista ortodoxo, senhor Sergio Gabrielle.

Portanto, Lula já sabia sobre os antecedentes vida pregressa de PRC e outros diretores nomeados por FHC par ajudar no PROGRAMA DE INTERNACIONALIZAÇÃO que incluiu a entrega da metade das ações no NYSE e a as absurdas compras de unidades operacionais muito antigas no exterior. Já corria no TCU desde 2000, um processo investigativo contra os diretores Paulo Costa, AKP, Barusco, e outros aliados os programas de desmontes na estatal, venda a preços de banana a oligopólios privados das maiores petroquímicas do Brasil que pertenciam a Petrobras e foram construídas pela estatal durante o governo militar (a BR perdeu um patrimônio de 50 bilhões de dólares com essas entregas das petroquímicas vendidas a preços ínfimos ao capital especulativo). Estão sendo investigados também pelo mal sucedido contrato assinado pela diretor da área de gás (antiga GASPETRO), senhor PRC, para gerir a Gasbol em 1996, com a pré-falida ENRON. Lula também aderiu aos leilões lesa-pátria das reservas de óleo brasileiro, o “líder sob encomenda”, escolhido pelos generais Golbery e Osvaldo de Oliva – pai do Mercadante – para ser treinado na AFL-SIO em John Hoopkings em 1974. Permaneceu no braço sindical da CIA e teve a ajuda do ex-patrão Paulo Villares, forte aliado de Golbery e do general Osvaldo Mercadante no Projeto de Distensão Controlada do governo militar, copiado do projeto da Polônia, fizeram uma réplica do WALESKA aqui no Brasil. Um líder sob encomenda que fez parceria com o filho do general Mercadante. Nessa época até pagaram a dívida da Polônia aqui no Brasil em 1978, conhecido como escândalo das polonetas do Luis Carlos Pécora. Temos então que FHC e Lula são alinhados dos banqueiros desde a origem.

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PS Desenvolvimentistas: Você pode baixar aqui e aqui, respectivamente, as matérias que explanam como a Petrobras venceu o dumping internacional de 1984 e o processo de “privatização branca” que nossa mais potente estatal está sofrendo.

Bento Araújo é professor e engenheiro, com uma carreira de 45 anos na indústria, sendo 26 deles na Petrobrás. Anteriormente trabalhou (19 anos) em outros setores da área de infra-estrutura, como o Setor Elétrico, pela subsidiária SBE da Eletrobras; na construção e ampliação da ACESITA, empresa siderúrgica produtora de aços especiais; e na Cia Vale do Rio Doce – obras de ampliação da Mina Conceição e Mina do Campestre, em Itabira.

Em novo caso de corrupção, Alstom tem R$ 282 milhões bloqueados pela Justiça

Via Brasil de Fato

Decisão é resultado de ação civil de improbidade administrativa por atos de corrupção movida pelo MP; Esse não é o único caso de envolvimento da multinacional francesa em esquemas de corrupção no Brasil.

A Justiça decretou na última segunda-feira (2) o bloqueio de R$ 282 milhões da multinacional francesa Alstom e do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE), Robson Marinho.

A decisão é resultado de ação civil de improbidade administrativa por atos de corrupção proposta pelo Ministério Público. Na ação, o MP acusa Marinho, conselheiro indicado pelo então governador Mario Covas (PSDB), de ter recebido propina para favorecer a Alstom em uma licitação, em 1998.

O contrato se refere à modernização da transmissão de energia no Estado de São Paulo. A assinatura do aditivo ocorreu no dia 15 de julho de 1990 entre a Eletropaulo e a Cegelec, empresa pertencente ao grupo Alstom.

Esse não é o único caso de envolvimento da multinacional francesa em esquemas de corrupção no Brasil. Em fevereiro do ano passado, a Alston admitiu ter pago uma comissão equivalente a R$ 1,6 milhão, em janeiro de 1999, para vender equipamentos para a hidrelétrica de Itá, no estado de Santa Catarina. O valor corresponde atualmente a R$ 6 milhões.

A Alstom também está envolvida em um esquema de formação de cartel em licitações do metrô de São Paulo e do Distrito Federal. As irregularidades foram delatadas em julho de 2013 pela multinacional alemã Siemens, que também fazia parte do esquema.

Petrobras recebe maior prêmio da indústria de petróleo e gás offshore mundial

Via Portal Brasil

Prêmio será concedido em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas pela empresa para a produção da camada Pré-Sal.

Em maio de 2015, em Houston (EUA), a Petrobras receberá pela terceira vez o prêmio OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada Pré-Sal.

Esse prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore.

Em 1992, a Petrobras recebeu o prêmio por conquistas técnicas notáveis relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de produção em águas profundas relativas ao campo de Marlim e, em 2001, por avanços nas tecnologias e na economicidade de projetos de águas profundas, no desenvolvimento do campo de Roncador.

Em carta comunicando a premiação à Petrobras, o Presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes, destacou: “Este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores são de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o Pré-Sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”

Produção no Pré-Sal

O recente recorde de produção de óleo na camada Pré-Sal, de 713 mil barris diários de petróleo, obtido em 21/12/2014, demonstra a robustez das tecnologias aplicadas.

Cuba avisa EUA sobre ajuda a dissidentes antes da próxima negociação

Via Correio do Brasil

Josefina Vidal, diretora para assuntos dos EUA no Ministérios de Relações Exteriores de Cuba, em Havana

Cuba avistou aos Estados Unidos que espera que os diplomatas norte-americanos reduzam a ajuda aos dissidentes cubanos antes que os dois países possam reabrir embaixadas nas respectivas capitais.

Os dois adversários de longa data estão negociando o restabelecimento de relações diplomáticas como um primeiro passo para reverter mais de cinco décadas de confronto. Funcionários de ambos os governos se reuniram em Havana em janeiro, e uma segunda rodada de negociações está prevista para Washington este mês.

Mas a principal negociadora de Cuba disse em uma entrevista transmitida na televisão estatal, na segunda-feira, que, se os Estados Unidos querem a livre circulação dos seus diplomatas em Cuba, primeiro têm de parar de usá-los para apoiar a oposição política.

– A forma como esses diplomatas (dos EUA) agem tem de mudar no que se refere ao incentivo, organização, treinamento e fornecimento de financiamento a elementos dentro do nosso país que agem contra os interesses do governo do povo cubano – disse Josefina Vidal. “A total liberdade de movimento, que o lado dos EUA está pleiteando, está ligada a uma mudança no comportamento de sua missão diplomática e dos seus funcionários”, acrescentou Josefina, a principal representante de Cuba para assuntos norte-americanos.

Washington sempre criticou o governo comunista por reprimir os opositores do sistema de partido único no país. Embora o apoio da população aos dissidentes seja limitado, eles recebem muita atenção dos EUA e diplomatas ocidentais.

Os Estados Unidos dizem apoiar ativistas cubanos que exercem o seu direito à liberdade de expressão.

O restabelecimento das relações diplomáticas poderia ocorrer antes da cúpula regional no Panamá, em abril, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, e o de Cuba, Raúl Castro, se reunirão pela primeira vez desde que apertaram as mãos no funeral de Nelson Mandela em dezembro de 2013.

Obama e Raúl falaram ao telefone um dia antes de seus anúncios separados, mas simultâneos, em 17 de dezembro, de que iriam tentar acabar com as hostilidades da Guerra Fria.

A advertência de Josefina sugere que há obstáculos para restabelecer relações diplomáticas, o que tem sido visto como um primeiro passo relativamente fácil antes de os dois lados tentarem resolver as diferenças mais profundas em questões como os direitos humanos e o embargo econômico dos EUA a Cuba.

Josefina disse que a conduta dos diplomatas cubanos em Washington foi “impecável”, embora tenha sugerido que os norte-americanos estavam se imiscuindo nos assuntos internos de Cuba. “Questões de assuntos internos de Cuba não são negociáveis”, afirmou.

“Nós também não estamos indo negociar assuntos de caráter interno relativo à soberania cubana em troca do levantamento do embargo. Fora isso, todo o resto é um processo de negociação.”

Krugman: Grécia põe Europa à prova

Por Paul Krugman | Via El País

Para poder fazer o que é certo, o continente deve deixar de substituir análises por moralização.

O ministro de Economia grego, Yanis Varoufakis. / KOSTAS TSIRONIS (REUTERS)

Nos cinco anos que se passaram desde o início da crise do euro, a lucidez escasseou consideravelmente. Mas essa falta de clareza tem que acabar imediatamente. Os últimos acontecimentos na Grécia representam um desafio crucial para a Europa: será que o continente é capaz de deixar para trás os mitos e a moralização e enfrentar a realidade de uma maneira que respeite seus valores essenciais? Caso contrário, todo o projeto europeu – a tentativa de consolidar a paz e a democracia através de uma prosperidade compartilhada – sofrerá um golpe terrível, talvez mortal.

Falemos primeiro desses mitos: muita gente parece acreditar que os empréstimos recebidos por Atenas desde o início da crise serviram para financiar a dívida grega.

A realidade, no entanto, é que a imensa maioria do dinheiro emprestado à Grécia foi utilizada simplesmente para pagar os juros e a parte principal de sua dívida. De fato, ao longo dos dois últimos anos, uma quantidade superior ao total enviado à Grécia foi reciclada da seguinte maneira: o Governo grego obtém mais rendimentos do que gasta em coisas que não são juros, e entrega os fundos adicionais a seus credores.

Ou, para simplificar as coisas um pouco mais, seria possível pensar que a política europeia representa um resgate econômico não apenas para a Grécia, mas também para os bancos dos países credores, e que o Governo grego simplesmente atua como intermediário (enquanto os cidadãos gregos, que viram seu nível de vida despencar, são exigidos ainda mais sacrifícios para que também possam aportar fundos a esse resgate).

Uma maneira de ver as exigências do recém-eleito Governo grego é que este quer que se reduza o valor desse aporte. Ninguém diz que a Grécia gasta mais do que recebe; a única coisa que se discute é a possibilidade de gastar menos em juros e mais em coisas como saúde e benefícios aos indigentes. E ao fazê-lo, a consequência seria uma redução enorme da taxa de desemprego grega, de 25%.

Mas a Grécia não teria obrigação de pagar as dívidas que seu próprio Governo decidiu contrair? É aí que entra em jogo a moralização.

É verdade que a Grécia (ou, para ser mais exato, o Governo de centro-direita que comandou o país entre 2004 e 2009) pegou emprestado de maneira voluntária uma quantia enorme de dinheiro. Mas também é verdade que os bancos da Alemanha e do resto do mundo emprestaram todo esse dinheiro para a Grécia de maneira voluntária. Em condições normais, seria de se esperar que as duas partes responsáveis por esse erro de julgamento pagassem por ele. Mas as entidades credoras privadas foram, em grande medida, resgatadas (apesar do “corte” de suas demandas em 2012). Enquanto isso, espera-se que a Grécia continue pagando.

Bem, a verdade é que ninguém acredita que a Grécia possa pagar tudo o que deve. Portanto por que não admitir essa realidade e reduzir os pagamentos a um nível que não imponha aos cidadãos um sofrimento eterno? Por acaso o objetivo é que a Grécia sirva de exemplo para outros países endividados? Se for assim, como se compatibiliza isso com os valores daquela que, supostamente, é uma comunidade de países democráticos e soberanos?

A pergunta sobre os valores ganha ainda mais força quando se leva em conta o motivo pelo qual os credores da Grécia continuam tendo poder. Caso se tratasse apenas de um problema de financiamento público, a Grécia poderia simplesmente declarar falência; o país não receberia mais empréstimos, mas também deixaria de pagar as dívidas que tem hoje e sua liquidez melhoraria claramente.

O problema da Grécia, no entanto, é a fragilidade de seus bancos, que atualmente (como os bancos de toda a zona do euro) têm acesso ao crédito do Banco Central Europeu. Se esse crédito é fechado, o sistema bancário grego provavelmente viria abaixo em meio ao pânico bancário. Portanto, enquanto continuar com o euro, a Grécia precisa da boa vontade do Banco Central, que por sua vez depende da atitude da Alemanha e de outros países credores.

Mas pensem na maneira como isso influi na negociação da dívida. Será que a Alemanha estaria realmente disposta a dizer a outra democracia da União Europeia: “Pague ou destruiremos seu sistema bancário”?

E pensem no que aconteceria se o novo Governo grego – que, afinal, foi eleito por prometer que vai acabar com a austeridade – não desse seu braço a torcer. É muito provável que esse caminho conduzisse a uma saída forçada da Grécia da zona do euro, com consequências econômicas e políticas que poderiam ser desastrosas para a Europa como um todo.

De um ponto de vista objetivo, resolver essa situação não deveria ser difícil. Ainda que ninguém saiba, o fato é que a Grécia avançou muito na recuperação de sua competitividade; os salários e os custos despencaram, de modo que, neste momento, a austeridade é o principal lastro sustentando a economia. Portanto, o que é preciso fazer é simples: deixar que a Grécia tenha superávits menores, mas positivos, o que mitigaria o sofrimento grego e permitiria ao novo Governo proclamar seu sucesso, o que aplacaria as forças antidemocráticas que aguardam nos bastidores. Enquanto isso, o custo para os contribuintes dos países credores – que nunca vão recuperar o importe total da dívida – seria mínimo.

Entretanto para poder fazer o que é correto seria necessário que outros europeus, mais concretamente os alemães, se esquecessem dos mitos egoístas e deixassem de substituir a análise pela moralização.

Será que conseguirão? É o que veremos em breve.

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Paul Krugman é ganhador do prêmio Nobel de Economia e professor de Economia e Relações Internacionais na Universidade de Princeton.

Vitória de Cunha é do PSDB, da oligarquia e contra as reformas política e da mídia

Por Davis Sena Filho | Via Palavra Livre

Panfleto de campanha de Eduardo Cunha: Muito respeito!

Primeiro: a vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB) é a vitória do PSDB, que traiu o candidato do PSB, Júlio Delgado, e votou em peso no deputado carioca, a ser seguido pelos seus aliados históricos e satélites políticos, DEM e PPS, além de vários partidos nanicos e de portes médios.

Segundo: Cunha tem alma tucana; é um político ideologicamente conservador e sempre foi um adversário ferrenho do PT e do PDT, no Rio de Janeiro, seu estado, bem como “inimigo” do Governo Dilma Rousseff, a atrapalhá-lo, mesmo quando respondeu pelos interesses de sua bancada, cujo partido, o PMDB, ocupa o cargo de vice-presidente da República, na pessoa de Michel Temer.

Terceiro: O novo presidente da Câmara dos Deputados é de oposição, o que se torna um grave problema para a aprovação dos projetos do Governo Federal. Certamente que a efetivação do marco regulatório para os meios de comunicação social previsto pela Constituição de 1988, assim como a aprovação da reforma política vão sofrer um sério revés, porque Eduardo Cunha é alinhado aos interesses dos magnatas bilionários de imprensa.

Além disso, ele é favorável ao financiamento privado de campanhas, até porque o deputado fluminense se notabilizou também em ter acesso ao mundo das construtoras e de megaempresários aos quais sempre defendeu seus interesses como parlamentar. Não é à toa que Cunha teve uma das campanhas mais caras e ricas do Brasil para o cargo de deputado federal, nas eleições de outubro passado.

Quem certamente deve estar muito feliz com a vitória de Eduardo Cunha, além da imprensa de negócios privados e o PSDB é o juiz do Supremo e político de direita, Gilmar Mendes. Creio que tal magistrado, quando soube da vitória de um deputado opositor ao Governo para exercer a Presidência da Câmara, deve ter pipocado fogos e brindado com champanhe a vitória de um de seus aliados políticos mais emblemáticos.

Afinal, completou-se dez meses que o juiz condestável pediu vistas do processo que o STF considerou inconstitucional a doação de empresas para as campanhas eleitorais. A verdade é que partidos como o PSDB, DEM, entre outros, além dos magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, bem como juízes com o perfil conservador de Gilmar Mendes, querem a perpetuação do financiamento privado de campanhas eleitorais, porque, evidentemente, o establishment, representado por esses grupos e pessoas, sempre se beneficiou e elegeu seus aliados.

O juiz, de tantas e infindáveis polêmicas e que deveria ser discreto por causa da força de seu cargo, está a desconsiderar seus pares e não a aceitar a derrota, por se tratar de um homem despótico e que rejeita o diálogo. Quando percebeu o placar de seis a um desfavorável ao financiamento privado de campanhas políticas, Gilmar Mendes pediu vistas do processo de uma votação já consolidada, porque não concorda que a maioria dos votos defina como inconstitucional as doações de empresas.

Então, para ele, somente resta protelar e segurar ao máximo o resultado da votação da qual ele discorda, independente se seus maus atos e ações vão prejudicar o Brasil, a sociedade brasileira e a democracia. Gilmar sempre agiu assim. Agora resta saber quando o magistrado, a seu bel-prazer, vai devolver o processo para ser pautado e, consequentemente, a votação ser concluída, apesar de o resultado estar consolidado.

A vitória de Eduardo Cunha para presidente da Câmara é também a vitória de juízes, a exemplo de Gilmar Mendes, bem como da direita partidária e do sistema midiático empresarial, que se tornou há muito tempo o principal partido de direita e de oposição do Brasil.

Contudo, a derrota do PT e do Governo Trabalhista denota a fraqueza do Governo quanto à sua mobilização político-partidária, além do desgaste público perante parcela importante da Nação, que hoje vota contra o Governo e se compõem politicamente com o noticiário da imprensa controlada pelos magnatas bilionários.

Evidentemente que uma oposição midiática sistemática, feroz e completamente despreocupada em fazer jornalismo influencia, e bastante, o humor de milhões de pessoas, principalmente as de classe média, que, por intermédio de seus valores e princípios, compartilham dos interesses da burguesia inquilina da casa grande.

O Partido dos Trabalhadores e o Governo Trabalhista perderam a guerra da comunicação e vai ser muito difícil reverter este quadro. Entretanto, a culpa é do próprio Governo e, com efeito, do PT. Sempre afirmei que a Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo é fraca. Chegaram a nomear, e durante anos, uma secretária ligada ao mais poderoso oligopólio de comunicação, exemplificado nas Organizações(?) Globo. Simplesmente surreal!

O PT e o Governo que paguem o pato ou passem a ler mais a história do Brasil. Sempre, e em todas as épocas, quando trabalhistas estiveram no poder, a direita se mobiliza e joga sujo. Como a direita escravagista brasileira não tem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo, além de nunca ter realizado ou construído nada, a exemplo da Petrobras, da Vale do Rio Doce ou a transposição do Rio São Francisco, dentre dezenas ou centenas de obras estratégicas, o que resta para os direitistas é apelar para temas como “corrupção”, “mar de lama”, “república sindicalista”, com o apoio da classe média coxinha, que sempre gostou de empunhar vassouras e servir de sustentação política para as mentiras e trapaças políticas da burguesia, que objetivam a concretização de golpes de estado, seja por via militar (João Goulart), parlamentar (Collor e Jânio) e judicial, como tentaram com o Lula e agora tentam com a Dilma.

A imprensa de mercado, a direita partidária, parcela importante do Ministério Público e do STF, e agora com o apoio do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, vão engessar o Governo do PT e fazer com que a presidenta Dilma Rousseff não consiga governar, porque vai ter de ficar sempre na defensiva para se defender de acusações e denúncias, sem ter trégua para poder implementar seu programa de governo e projeto de País apoiados nas urnas pela maioria do povo brasileiro.

O PT e o Governo vacilaram, tergiversaram, sentiram-se inseguros e hoje pagam um preço altíssimo. Receberam abraços de ursos ou de afogados e agora experimentam derrotas na Câmara e em instituições oposicionistas como o STF e o MP. Essa derrota para um deputado totalmente voltado aos interesses da classe rica e de oligopólios golpistas, a exemplo dos meios de comunicação controlados pelos magnatas bilionários de imprensa é realmente algo desalentador.

Então, o que resta ao Governo Trabalhista? Lutar, lutar e lutar! Fazer as reformas, com o apoio primordial da comunicação. Que a Secom, da Presidência da República, as Ascons, dos Ministérios e dos órgãos e autarquias, além da Radiobras, façam seus papéis e rebatam, terminantemente e sistematicamente, quaisquer tipos de ataques, denúncias e acusações, sejam elas procedentes ou não.

A Secom tem de ter voz ativa, e, por seu turno, deixar de ser obsoleta. O quadro político se mostra cinzento e pode se transformar em nuvens de chuvas torrenciais. A vitória de Eduardo Cunha pertence mais ao PSDB do que ao PMDB, aos empresários em geral e aos interesses norte-americanos, à imprensa da casa grande e a um Congresso conservador politicamente, liberal economicamente, que despreza o Brasil e odeia ver os trabalhistas no poder. É isso aí.