Por Emanuel Cancella | Via APN
A indicação de Aldemir Bendine para presidente da Petrobrás não mudará em nada os rumos da empresa. Queríamos que a direção da empresa fosse mais sintonizada com o povo brasileiro, com a defesa de seu caráter público, com a garantia de transparência e de combate rigoroso à corrupção. Bendine é um nome de confiança da Dilma que irá dar continuidade a atual política encaminhada pela Petrobrás. Continuará o jogo de interesses políticos, a privatização da empresa, as terceirizações, o apoio aos leilões do petróleo, o desinvestimento, a discriminação com os trabalhadores, em especial, os aposentados. Queremos um presidente e uma direção da Petrobrás sintonizados com a população e que fosse eleita pelos próprios trabalhadores.
A Petrobrás acabou de ganhar o “Oscar” da indústria do petróleo. O prêmio OTC (Offshore Tecnology Conference 2015), concorrendo com as principais petroleiras do mundo. Os trabalhadores petroleiros, muitos que trabalham em áreas complexas como em refinarias, terminais, plataformas, outros em centros de pesquisa, setores administrativos, alguns em turnos ininterruptos que incluem trabalho no carnaval, natal, ano novo. Quando a maioria da população está de folga com a família, lá está o petroleiro trabalhando. A sociedade tem que saber que o petroleiro durante a operação “Lava a Jato” que investiga a corrupção na Petrobrás aumentou a capacidade de refino, levou a Petrobrás ao primeiro lugar na produção de óleo, passando a americana Exxon Mobil, e é a quarta do mundo na produção de óleo e gás. E o pré-sal cuja a tecnologia foi desenvolvida por esses próprios petroleiros e que já produz 715 mil barris por dia é o suficiente para abastecer países como Uruguai, Paraguai, Bolívia e Peru.
É desses petroleiros, homens e mulheres que vestem a camisa da Petrobrás, que o Sindipetro-RJ e a Federação Nacional dos Petroleiros defende que saia o presidente e a diretoria da Petrobrás. E que fossem escolhidos pelos próprios trabalhadores, para evitar os esquemas políticos de corrupção e jogos de interesses escusos.
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Emanuel Cancella é Secretário Geral do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros.
