Por Cesar Fonseca | Via Independência Sul Americana

Ouvi outro dia o senador Requião dizer que conhece o Juiz Moro, dando dele testemunho de pessoa exemplar, séria, cumpridora dos deveres, alguém que não livra a cara de ninguém, seja quem for etc. O senador peemedebista, conhecido pela sua sinceridade e correção, além de cultivar posições políticas nacionalistas e falar francamente contra decisões de governo que estariam na linha de uma acomodação com a orientação neoliberal, entreguista, cujas consequências, na sua opinião, levam o País para um beco sem saída, está convencido que Moro vai até o fim, doa a quem doer, produzindo estragos a torto e a direito, à esquerda e à direita, metendo o dedo na ferida, para produzir algo que, realmente, aposta ele, fará história. Porém, é de se estranhar que na lista dos que estão amargando prisão por mal comportamento em todo esse episódio escandaloso da Operação Lava Jato não tenha um poderoso ligado ao sistema financeiro, à banca toda poderosa, ao lado de representantes das grandes empreiteiras, acusadas de comprar a consciência de gerentes de operações de setores importantes da Petrobras. O dinheiro circulou nos paraísos fiscais por meio dos bancos, mas, nada vem à tona, apesar de os procuradores terem ido à Suíça e trazido de lá malas e mais malas de extratos bancários. Agora, vem ao ar esse vazamento de informações capitais do HSBC, arrolado, também, como repassador de recursos etc, considerado uma das grandes lavanderias do mundo. Ninguém da banca vai preso, sr. juiz? Por que?
O juiz Moro está devendo o óbvio: colocar na cadeia um tubarão de grande porte de um grande banco ou tubarões de grandes bancos, a exemplo do que acontece com empresários de empreiteiras que deram propinas para gerentes da Petrobras para abocanhar contratos milionários.
Por onde foi transferida essa dinheirama toda, milhões, bilhões de reais, minha gente?
Tem alguém que acredita ter sido possível levá-la em malas ou em cuecas?
Passaram ou não pelos canais do sistema financeiro, onde o milagre da multiplicação tem sido a norma por meio da especulação, do roubo, da chantagem, da taxa de juro, dos juros compostos, dos juros sobre sobre juros, da manipulação, da elisão fiscal, da sonegação de impostos, do crime?
O vazamento de informações levantadas por grupo de jornalistas ligados ao ICIJ(The International Consortium of Investigative Journalists), publicadas pelo Le Monde, envolvendo o HSBC, uma das maiores lavanderias do mundo, é sinal claro e evidente de alerta.
Não teria sido desviado por aí, também, algum dinheiro do contribuinte brasileiro?
Não teria rolado a propina por esse expediente produtor de sobrepreços de mercadorias super faturadas comprador de consciências de funcionários da estatal do petróleo?
Os procuradores enviados por Janot à Suíça levantaram malas e malas de extratos bancários, mas não disseram nada até agora.
Extratos bancários são provas contundentes da participação de bancos e banqueiros na maracutaia bilionária.
Empresários já tiveram prisão decretada pelo Juiz Moro, doleiros ídem, agentes políticos, também, intermediários poderosos de toda a sorte, da mesma forma, mas, banqueiro, até o momento, nada, mesmo sabendo que tanto extrato trazido em malas cheias dos paraísos fiscais comprovariam alguma coisa de ruim ou péssimo em relação a esse pessoal que manipula dinheiro grosso.
Por que?
Matéria veiculada pelo Valor Econômico destacou há algumas semanas que os procuradores iriam enquadrar os bancos.
Seriam divulgadas listas de pessoas ligadas a eles etc.
Mas, nos dias seguintes à publicação, o silêncio abateu-se brutalmente sobre o assunto.
A grande mídia não dá um pio sobre os grandes bancos no processo de intermediação da propina.
Nem os grandes jornais, nem tevês, nem rádios, nada.
Muito menos os políticos cobram, da Tribuna, no Congresso, investigações dos tubarões dos grandes bancos.
De repente, vem à tona a notícia do Le Monde.
O HSBC, esse grande banco inglês, tido como um dos maiores lavadores de dinheiro do mundo, escândalo global, está enrolado e arrolado.
E tem extrato dele em mãos dos procuradores…
Qual a força poderosa que impediu até o momento que os homens de preto da banca não sejam incomodados?
Ao lado do HSBC estão Bradesco, Itaú, BB, Santander etc.
Ninguém vai ser convocado pelo juiz Moro que, segundo o senador Requião, não vai dar moleza para ninguém?
Dois pesos, duas medidas?
Ou vale aquela máxima de que todos os homens são iguais, mas há, sem dúvida, uns mais iguais do que os outros?
