Arquivo mensais:janeiro 2015

Riqueza de 1% deve ultrapassar a dos outros 99% até 2016, alerta ONG

Via BBC

Renda anual individual de parcela mais rica da sociedade pode chegar a R$ 7 milhões

A partir do ano que vem, os recursos acumulados pelo 1% mais rico do planeta ultrapassarão a riqueza do resto da população, segundo um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam.

A riqueza desse 1% da população subiu de 44% do total de recursos mundiais em 2009 para 48% no ano passado, segundo o grupo. Em 2016, esse patamar pode superar 50% se o ritmo atual de crescimento for mantido.

O relatório, divulgado às vésperas da edição de 2015 do Forum Econômico Mundial de Davos, sustenta que a “explosão da desigualdade” está dificultando a luta contra a pobreza global.

“A escala da desigualdade global é chocante”, disse a diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima.

“Apesar de o assunto ser tratado de forma cada vez mais frequente na agenda mundial, a lacuna entre os mais ricos e o resto da população continua crescendo a ritmo acelerado.”

Desigualdade

A concentração de riqueza também se observa entre os 99% restantes da população mundial, disse a Oxfam. Essa parcela detém hoje 52% dos recursos mundiais.

Porém, destes, 46% estão nas mãos de cerca de um quinto da população.

Isso significa que a maior parte da população é dona de apenas 5,5% das riquezas mundiais. Em média, os membros desse segmento tiveram uma renda anual individual de US$ 3.851 (cerca de (R$ 10.000) em 2014.

Já entre aqueles que integram o segmento 1% mais rico, a renda média anual é de US$ 2,7 milhões (R$ 7 milhões).

A Oxfam afirmou que é necessário tomar medidas urgentes para frear o “crescimento da desigualdade”. A primeira delas deve ter como alvo a evasão fiscal praticada por grandes companhias.

O estudo foi divulgado um dia antes do aguardado discurso sobre o estado da União a ser proferido pelo presidente americano Barack Obama.

Espera-se que o mandatário da nação mais rica – e uma das mais desiguais – do planeta defenda aumento de impostos para os ricos com o objetivo de ajudar a classe média.

Pequim desloca Washington na América Latina

Por Cesar Fonseca | Via Independência Sul Americana

A expansão monetária americana que exerce pressão inflacionária, na América do Sul, por meio de guerra monetária,responsável por gerar déficit público como produto do aumento dos juros, para enxugar liquidez que eleva dívida interna e risco econômico, entram em choque com governos sul-americanos nacionalistas, dispostos a melhorar distribuição da renda que essa guerra monetária bloqueia. Em cena o ataque midiático ao nacionalismo.

250 bilhões de dólares é o que a china promete para a América Latina nos próximos anos. Comércio entre China e região pode alcançar 500 bilhões de dólares. É o novo cenário da geopolítica global que avança ao largo do dólar.

A China está se aproximando da América Latina, rapidamente, por meio de concessão de empréstimos a prazos longos e juros baixos, para servir de anteparo ao perigo de aumento da taxa de juro americana, previsto, antecipadamente, pelo BC dos EUA, para acontecer ainda no primeiro semestre de 2015.

As consequências desse movimento macroeconômico do império americano serão sucateamento industrial na periferia capitalista e desmobilização de patrimônios nacionais, privatizações, com avanço das multinacionais na economia nacional etc, acelerando processos de oligopolização etc.

A expansão monetária americana, acelerada depois da crash capitalista de 2007-2008, responsável por exportar inflação dos Estados Unidos para a periferia capitalista, obrigando-a endividar-se por meio do aumento dos juros internos, de modo a enxugar excesso de liquidez advinda de fora para dentro, desorganizando políticas fiscais nacionais, representa o grande perigo para toda a América do Sul e Caribe.

Dispondo de apoio financeiro chinês, as economias sul-americanas terão alternativa aos empréstimos sob condicionalidades draconianas ao estilo dos praticados pelo FMI, sempre que pintam desorganização periférica nos balanços de pagamentos em conta-corrente. Se o apoio chinês chega em paralelo, como está ocorrendo em relação à Venezuela e ao Equador, cria-se outra conjuntura alternativa ao garroteamento produzido pelo império americano na América do Sul, do tipo que já aconteceu em ocasiões anteriores, como, por exemplo, nos anos 1980, introduzindo, na sequência, as estratégias imperialistas do Consenso de Washington.

O avanço chinês, que se desenha nas relações China e América Latina, esboçadas na reunião em Pequim com os representantes dos países da CELAC – Comunidade dos Estados Latino-americanos e do Caribe -, semana passada, cria outro cenário para as relações internacionais da América do Sul.

A expansão inflacionária produzida pela guerra monetária americana é, sem dúvida, a grande produtora de desajustes fiscais, que os credores dos países do continente querem sejam atacados pelos remédios que Joaquim Levy, no Brasil, está receitando, com consequências perigosas, paralisantes, para as forças produtivas, como alerta o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE).

Por que o BNDES não acelera aproximação com a China, para formação de uma providência binacional Brasil-China, voltada à alavancagem de investimentos em infraestrutura na América do Sul, o mais urgente possível, lançando as bases financeiras do Banco do Sul? Seria o fortalecimento prático dos BRICS no continente sul-americano, criando e expandindo expectativas desenvolvimentistas, em vez de se deixar envolver pelo discurso de Washington, favorável aos ajustes fiscais draconianos à lá Levy que destruirão, se implementados, as bases produtivas sul-americanas.

Como sempre a grande mídia brasileira está de costa para a América Latina.

Não se viu nenhuma matéria de peso, nenhum comentário mais abrangente, sobre a reunião do governo chinês com os países integrantes da CELAC em Pequim.

Não seria desdobramento da nova geopolítica global colocada em cena pelos BRICS, com a China de ponta de lança, abrindo novas picadas para a expansão chinesa, com vista à construção da infraestrutura sul-americana, com recursos possíveis do Banco BRICS, a serem contabilizados mais à frente, enquanto são entabuladas negociações nesse sentido?

Durante o encontro, os chineses anunciaram empréstimos de 20 bilhões de dólares à Venezuela, que, como se sabe, enfrenta grandes dificuldades advindas da queda do preço do petróleo, responsável maior por gerar déficits em conta corrente do balanço de pagamento venezuelano.

Sabe-se, também, que foram acertados empréstimos entre China e Equador, bilhões de dólares, com prazo de 30 anos para pagar a juros de 2% ao ano.

Certamente, os chineses estão desovando, na América do Sul, parte dos dólares das suas reservas trilionárias, acumuladas no período de vacas gordas, quando a economia chinesa estava, praticamente, toda voltada para as exportações, mediante juro barato e câmbio desvalorizado, favorecendo instalação de multinacionais na China, com compromisso de exportações etc.

As reservas chinesas estarão, acelerando, investimentos em infraestrutura na América do Sul, como já está fazendo na África, bem como atua, na Europa, desovando-as em troca de ativos poderosos, no momento em que a economia europeia padece de forte queda da taxa de lucro por conta do excesso de capital acumulado, sinalizando deflação.

Seria mais do que conveniente, nesse momento, apressar funcionamento do Banco do Sul, de modo a recepcionar os dólares chineses, fugindo do perigo de desvalorização forte do dólar, se a estratégia monetária americana, de inundar a praça mundial, der com os burros nágua, mediante impossibilidade de Washington enxugar o meio circulante, via puxada forte nos juros, sob pena de agravar, ainda mais, a crise mundial.

Esse dinheiro, o das reservas chinesas, iriam, claro, para tocar a infraestrutura, por intermédio de reconversão monetária, adquirindo a cara das moedas locais, para comprar/importar mercadorias chineses, cotadas em yuan.

Essa prática já está em andamento nas relações comerciais entre China e Rússia e tende a ser incrementada, também, entre China, Rússia e Índia, de acordo com o avanço das relações diplomáticas verificadas entre eles na segunda metade de 2014.

Esse movimento de aproximação China e Rússia acelerou-se como providência capaz de ajudar a Rússia, depois que Estados Unidos e Europa – Inglaterra, França e Alemanha – intensificaram bloqueio comercial aos russos por conta da geopolítica de Putin, de reagir ao golpe de estado, na Ucrânia, financiado pela Otan, invadindo a Crimeia e deixando os europeus sob perigo de cortes de energia e petróleo importados da economia russa.

A China, nesse momento, atua para fortalecer a Rússia e estica a sua ação cooperativa à América do Sul, cujos governos nacionalistas estão sob ataques de Washington, cujo espírito cooperativo no continente encontra-se totalmente arrefecido por parte dos agentes financeiros americanos, como o BID e o Banco Mundial, carentes de recursos, para atender as demandas sul-americanas.

A onda política nacionalista sul-americana favorece, portanto, a penetração chinesa na América do Sul, enquanto Washington não cair na real quanto à mudança na correlação de forças, no continente, que remove as forças antes sua aliada.

Atua contra Washington, na reaproximação com a América do Sul, dominada pelo pensamento nacionalista, as ameaças do Banco Central dos Estados Unidos de aumentar a taxa de juro para enxugar o excesso de liquidez em dólar.

O BC americano está criando expectativas negativas, em escala crescente, especialmente, porque pratica, ainda, política monetária expansionista que aumenta taxa de juro na periferia capitalista como reação à ameaça hiperinflacionária decorrente da enxurrada de dólares que entra devido à insuficiência de controle à livre circulação de capital a economia nacional.

É por isso que os banqueiros querem a sustentação do câmbio flutuante: enchem de dólares a circulação interna que pressiona a inflação, obrigando o governo a adotar, igualmente, as metas inflacionárias, ao lado dos superavit primários draconianos.

A política monetária americana expansionista é a bombeadora do discurso favorável ao tripé neoliberal: meta inflacionária, cambio flutuante e superavit primário.

Como não perceber que essa política monetária americana destrói as economias nacionalistas sul-americanas, sucateando-as, industrialmente, para que se abra espaço para a volta dos aliados políticos ao poder, a fim de rearrumar situação que favorece os interesses de Washington?

Se a China, com suas reservas trilionárias de dólar, passa a socorrer a América do Sul contra o perigo americano, expressa na ameaça monetária expansionista – guerra monetária – os aécio neves da vida e suas pregações neoliberais dificilmente emplacariam, como não emplacou na última eleição.

Mas, se Joaquim Levy carregar demais na mão, claro, estará cumprindo o roteiro adequado aos interesses de Washington.

Se fosse o BNDES que tivesse feito essa jogada financeira chinesa, botar dólares das reservas brasileiras para apoiar países latino-americanos, os conservadores do poder midiático nacional Valor Econômico- O Globo-O Estado de São Paulo-Folha de São Paulo – teriam caído de pau.

Diriam que seria deixar ao léu os negócios no Brasil para privilegiar negócio dos outros.

Quando as empresas brasileiras, de qualidade e competência indiscutíveis, na área de engenharia, avançam no exterior, não merecem, do poder midíatico, o mesmo tratamento que dão às empresas de outros países que chegam ao Brasil para aproveitar as oportunidades de investimentos, especialmente, na infraestrutura.

É o tal negócio do complexo de vira lata tupiniquim, como diria Nelson Rodrigues.

Brasileiro fazer sucesso é escândalo.

As grandes empresas de engenharia brasileiras faziam tremendo sucesso no Oriente Médio até que os Estados Unidos, depois dos atentados nas torres gêmeas de Nova York, invadiram e destruíram o Iraque.

Lá trabalhavam grandes empreiteiras nacionais; foram despachadas, depois da invasão americana, para dar lugar às empreiteiras de Tio Sam.

Mesma coisa aconteceu na Líbia de Kadafi: a Otan – Estados Unidos e Europa (França, Alemanha e Inglaterra) -, derrubou o governo kadafiano, destruiu o País, que, agora, está sendo reconstruído, não pelas empresas brasileiras, lá instaladas, mas pelas americanas, que chegaram para ganhar a concorrência, depois que as bombas dos impérios abriram caminho para elas, sem concorrência internacional.

O laissez-faire dos oligopólios é esse: bombas para abrir mercados.

Essas empreiteiras internacionais querem, agora, chegar junto da Petrobras, para ocupar o lugar das brasileiras, acusadas de corrupção e forçadas, pela legislação, a serem afastadas.

O que a grande mídia americana faz que a grande mídia brasileira não faz? Por geniais doleiros, como Alberto Yousseff.

Por que não prender banqueiros ou grandes executivos de bancos, como foram presos executivos de empresas?

Se pretendem inviabilizar as empresas, nas suas relações com a Petrobras, porque tiveram executivos seus agindo corruptamente, o mesmo deve ser feito ou não com os bancos, que ajudaram na expatriação de capital?

Criam essas situações para prejudicar o capitalismo nacional, a fim de abrir espaço para os concorrentes internacionais.

Capitalismo, como já disse Proudon, implica roubo sistemático, porque se trata de regime de exploração econômica do homem pelo homem, dos concorrentes pelos concorrentes, dos governos pelos governos, sempre no sentido da exploração do mais fraco pelo mais forte etc.

Então, é claro que enquanto existir capitalismo existirá também as deformações do sistema, entre elas a corrupção.

Escandalizar é coisa de udenista.

Por isso é que Montesquieu bolou a República – Executivo, Legislativo e Judiciário -, de modo a que fossem os três poderes sistematicamente organizados para serem fiscalizados respectivamente entre si.

O árbitro do processo, claro, é o voto popular, com a força da renovação, sempre que necessária, dada pela correlação de forças políticas etc.

O certo, portanto, é caçar os corruptos, usando os poderes vigentes da República e não acabar com as empresas, como o poder midiático tupiniquim se esforça por fazê-lo, anti-nacionalmente.

Proteger a indústria nacional.

O poder midiático tupiniquim mistura as coisas: está dando pau firme nas empreiteiras nacionais, esvaziando-as, desmoralizando-as, criando as condições para afastá-las da Petrobras, acusando-as de corrupção etc.

Nesse sentido, o poder midiático não diz nada sobre os grandes bancos que intermediaram o dinheiro da corrupção patrocinada.

Aumento de juros terá impacto de até 14,3% na prestação da casa própria

Por Welton Máximo | Via Agência Brasil

O aumento de juros para os novos financiamentos da Caixa Econômica Federal para a casa própria terão impacto de até 14,3% nas prestações. Segundo levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os financiamentos mais caros serão os mais afetados pelas novas taxas, que vigoram para os contratos assinados a partir desta segunda-feira (19).

Para as linhas de crédito do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que financiam imóveis acima de R$ 650 mil na maior parte do país e de R$ 750 mil em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, as novas taxas farão a prestação subir entre 11,24% e 14,35%. Para as operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que financia unidades entre R$ 190 mil e R$ 650 mil (ou R$ 750 mil, em Minas, no Rio, em SP e no DF), o impacto nas parcelas será bem menor, ficando entre 0,83% e 4,69% nas linhas que sofreram reajuste.

As novas taxas valem para os novos financiamentos habitacionais concedidos com recursos da caderneta de poupança, sendo que as operações mais caras do SFH não terão os juros alterados. De acordo com a Caixa, os mutuários que já assinaram contrato não terão mudança. Os imóveis financiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou pelo Programa Minha Casa, Minha Vida também não tiveram os juros alterados. As duas modalidades financiam apenas unidades de até R$ 190 mil para famílias de menor renda.

As novas taxas para os financiamentos habitacionais foram anunciadas pela Caixa na última quinta-feira (15). Nos financiamentos do SFH, os juros, atualmente entre 8% e 9,15% ao ano, ficarão entre 8,5% e 9,15% ao ano. Nas operações do SFI, as taxas passarão de 8,8% a 9,2% ao ano para 10,2% a 11% ao ano. O banco justificou o reajuste com base no aumento da taxa Selic (juros básicos da economia), que passaram de 10% para 11,75% ao ano em 2014.

Os juros dos financiamentos habitacionais da Caixa são definidos conforme o perfil do comprador. Quem tem relacionamento com o banco (é correntista ou tem investimentos na instituição), tem conta-salário e é servidor público paga juros mais baixos à medida que o mutuário preenche cada um dos requisitos. Como a Caixa concentra 70% do crédito imobiliário no país, as taxas cobradas pela instituição servem de referência para operações semelhantes nos demais bancos.

A Anefac fez a simulação do impacto da alta dos juros nas prestações com base num financiamento de R$ 500 mil no SFH e no SFI em duas modalidades: prestação constante (tabela price) e amortização constante, quando o valor das parcelas diminui com o tempo. No caso do sistema de amortização constante, o impacto foi calculado para o valor da primeira prestação. Na última parcela, praticamente não há aumento.

Confira abaixo o impacto da alta dos juros nas prestações dos financiamentos habitacionais:

Após pressão sindical, Volkswagen readmite 800 trabalhadores

Via Terra

Greve na Volks foi iniciada no dia em quem os trabalhadores voltariam de férias coletivas.

Trabalhadores também conseguiram reajuste pela inflação do período, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Edmilson Magalhães / Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Os trabalhadores da Volkswagen, que estavam em greve desde o dia 6, decidiram retornar nesta sexta-feira ao trabalho após a montadora concordar em readmitir os 800 funcionários que haviam sido dispensados no final do ano passado. Em assembleia nesta manhã, eles concordaram em retomar as atividades na próxima segunda-feira. Segundo os trabalhadores, as demissões rompiam um acordo de estabilidade previsto até abril de 2017.

Além da readmissão, a empresa fez alterações no Acordo Coletivo da categoria, que havia sido rejeitado em dezembro. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, antes o documento previa reajuste na forma de abono. Agora, será concedida a inflação do período, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

Na segunda-feira, os metalúrgicos fizeram um ato em defesa do emprego, bloqueando trechos das Rodovias Anchieta e Imigrantes. No dia seguinte, representantes do sindicato foram recebidos pelo secretário-geral da Presidência da República, Miguel Rossetto. Durante o encontro os trabalhadores entregaram uma pauta de reivindicações, incluindo temas como proteção do emprego, ampliação do crédito e recomposição da frota. A empresa, por sua vez, retomou as negociações.

A greve na Volks foi iniciada no dia em quem os trabalhadores voltariam de férias coletivas. Eles souberam da decisão da montadora por meio de telegramas recebidos às vésperas do final do ano passado.

A Volkswagen avaliou, por meio de nota, que a aprovação do novo Acordo Coletivo resultou em uma proposta balanceada que possibilita a adequação dos custos e do efetivo na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista. De acordo com a empresa, o resultado vai permitir a continuidade dos programas de demissão voluntária, com incentivo financeiro. Além disso, “assegura a vinda de uma nova plataforma mundial de produto e modelos, solidificando as bases de um futuro sustentável para a unidade”.

Como a cartelização da mídia prejudicou São Paulo

Por Luis Nassif, em seu blog

Em 2005 houve o grande pacto dos grupos de mídia nacionais, seguindo o modelo do australiano Rupert Murdoch, trazido para o Brasil pelo presidente do grupo Abril, Roberto Civita.

Interrompeu-se a competição e definiu-se uma linha única de ação para todos os grupos, que consistia em uma luta sem quartel visando empalmar o poder político para facilitar a travessia para o novo padrão tecnológico que surgia.

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O capítulo mais ridículo foi o da criminalização de um Ministro que se valeu do cartão funcional para adquirir uma tapioca.

O capítulo mais comprometedor foi a tremenda campanha negativa contra as obras da Copa, que acabou desmentida pelos fatos.

O país foi prejudicado de duas maneiras.

A primeira, pelo prejuízo às críticas fundamentadas que deveriam ser feitas às práticas do governo e acabaram trocadas por tapiocas e outras bobagens; a segunda, por ter desarmado totalmente a fiscalização sobre governos aliados.

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Essa perda de foco jornalístico foi em parte responsável por dois dos maiores desastres da história de São Paulo: as enchentes no governo José Serra e a grande crise de água que se prenuncia no governo Geraldo Alckmin.

As enchentes destruíram cidades, alagaram São Paulo e, não fosse o trabalho dos blogs e das redes sociais, as causas jamais teriam sido divulgadas. A razão principal foi o fato de Serra ter cortado as verbas de desassoreamento do rio Tietê ao mesmo tempo em que inflava as verbas publicitárias e as compras de livros didáticos da editora Abril.

A suspensão dos trabalhos reduziu em 30% a 40% a vazão do rio. Os compromissos políticos espúrios dos grupos de mídia barraram os alertas provenientes de técnicos e especialistas.

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O mesmo ocorreu em relação ao problema da Sabesp. Durante todo 2014, os únicos alertas consistentes partiram dos blogs, porque os grupos de mídia se eximiram de sua responsabilidade.

Um dos momentos mais desmoralizadores desse neojornalismo foi a cobertura dada pela mídia ao uso do volume morto de água do sistema Cantareira. Uma medida de desespero, prenúncio dos problemas maiores que viriam pela frente, foi tratada como uma inauguração solene. “Foram distribuídos convites para convidados VIP, convidando “para o início do bombeamento da reserva estratégica de água para o sistema Cantareira. Os telejornais deram espaço nobre às palavras de Alckmin, à sua postura grave, mostrando como, graças à eficiência do governo do estado, o paulistano terá mais 6 meses rezando para as chuvas venham. Se não vierem, nem todos os caminhões pipa do país darão conta da tragédia”.

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Se depender da maioria dos blogs militantes, não serão divulgadas críticas ao governo Dilma; se depender da atuação maciça dos grupos de mídia, não será veiculada nenhuma crítica ou denúncia contra governos e políticos aliados.

Ao pretender esmagar a blogosfera, sufocando-a com ações judiciais os grupos de mídia penalizam gravemente o direito à informação por parte do público.

O Judiciário precisa desinterditar o debate e ter coragem de discutir esse tema.

Familiares de estudantes mexicamos desaparecidos exigem respostas do governo

Via Brasil de Fato

Familiares retomam conversas com governo para exigir respostas sobre o desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa.

Os familiares dos estudantes desaparecidos de Ayotzinapa ainda procuram por respostas. Exigindo investigações sobre o papel do Exército no caso, eles retomaram o diálogo com o governo mexicano, nesta terça-feira (13), em uma reunião realizada na sede da Procuradoria Geral da República do país.

Além dos familiares, estiveram presentes o ministro do Interior mexicano, Miguel Ángel Osorio, o procurador Jesús Murillo, e o diretor da Agência de Investigação Criminal da procuradoria, Tomás Zerón, entre outros funcionários.

Em declarações à imprensa ao final do encontro, o advogado das famílias, Vidulfo Rosales, classificou o encontro como “pobre” e referiu que os avanços na investigação ainda são “limitados”, apesar dos detidos.

Segundo o advogado, os representantes do governo insistem em afirmar que as investigações apontam que os restos mortais achados em valas no município de Cocula são os dos estudantes.

No entanto, em novembro passado, após analisar as valas os peritos da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) chegaram a conclusão que os restos mortais encontrados não eram dos 43 mexicanos desaparecidos.

Entenda o caso

Cerca de oitenta estudantes da escola rural para professores Raúl Isidro Burgos, da cidade de Iguala, viajavam em ônibus da empresa Costa Line, no dia 26 de setembro, para atividades que organizariam para coletar fundos. Os jovens eram provenientes de diversas regiões do país e, além de pedir recursos para a educação, protestavam contra a má qualidade do ensino.

Segundo relatos divulgados, após terem sido atacados pela polícia local, que abriu fogo contra o ônibus dos estudantes, eles foram vistos sendo conduzidos à força para o interior de viaturas. Segundo as autoridades, os policiais municipais teriam entregado os jovens para membros do cartel “Guerreros Unidos”.

Três membros do cartel admitiram que os estudantes foram assassinados e os corpos, queimados. De acordo com a investigação, o líder do grupo, Sidronio Casarrubias, ordenou o desaparecimento dos jovens por acreditar que eram membros dos “Los Rojos”, um grupo criminoso rival.

Segundo a Anistia Internacional, cerca de 70 pessoas, entre policiais, funcionários públicos e supostos criminosos, já foram presos por envolvimento no desaparecimento. Protestos pelo país continuam acontecendo em busca de respostas.

“O combate ao terrorismo é usado como desculpa para afirmação dos interesses geoestratégicos dos EUA”: Entrevista com Marcelo Zero

Por Rennan Martins | Vila Velha, 16/01/2015

Ronald Reagan e os talibãs, na época em que os EUA considerava-os “guerreiros da liberdade”

Na semana passada ocorreu em Paris o terrível ataque a redação do Charlie Hebdo, como todos sabem. Desencadeou-se então uma enormidade de discussões que vão desde se somos ou não Charlie, passando pela liberdade de expressão versus o discurso de ódio, desembocando na história e geopolítica que envolve o ocidente e os povos muçulmanos.

Muitas das opiniões caíram no intolerante e fácil julgamento que atribui ao Islã a responsabilidade pelo terrorismo. Este tipo de posicionamento é o que mais contribui para a violência, seja por meio do revanchismo ou pela legitimação de intervenções militares.

Para além das interpretações superficiais e buscando uma visão abrangente dessa problemática, entrevistei Marcelo Zero, sociólogo e especialista em relações internacionais. Zero considera que o terrorismo cresceu “exponencialmente” após as guerras que visavam combatê-lo, que as posições da extrema-direita saem fortalecidas após esse atentado, e nos alerta para o fato de que o terror é um conceito usado ao bel-prazer dos EUA a fim de conduzir intervenções que atinjam seus objetivos geopolíticos e econômicos.

Confira:

Com a ocorrência de mais este terrível atentado, dessa vez em Paris, o que se espera dos países da OTAN como resposta?

Até pouco tempo, a OTAN não se envolvia de forma significativa em atividades de contraterrorismo. O entendimento era o de que a organização existia para proteger o Atlântico Norte de ameaças externas, e não de ameaças internas. Além disso, a OTAN entendia o terrorismo como um método de luta, e não como um inimigo concreto e definido a ser combatido.

Entretanto tudo isso mudou com o 11 de setembro. A OTAN entendeu que os EUA foram atacados de fora, por forças da Al-Qaeda ligadas ao Taliban do Afeganistão. O atentado contra as Torres Gêmeas fora, assim, um agressão externa perpetrada por um inimigo concreto e identificável.

A partir desse evento, a OTAN passou a se envolver cada vez mais em atividades de contraterrorismo e na chamada Guerra Contra o Terror.

Em 2010, na reunião de Cúpula de Lisboa, a OTAN definiu seu novo Conceito Estratégico. Conforme essa nova estratégia, o terrorismo não é mais um simples instrumento operacional e tático de conflitos assimétricos difusos, mas sim uma “ameaça direta aos cidadãos dos países da OTAN e à estabilidade e prosperidade internacionais”. Dessa forma, desde 2010 que o terrorismo tem, clara e formalmente, absoluta centralidade na ação estratégica da OTAN.

A resposta da OTAN, em linha com a da França e dos EUA, será, sem dúvida, fortalecer e intensificar suas atividades de contraterrorismo, tanto no plano interno dos países que compõem a organização, tanto no plano externo, particularmente no Iêmen e na Síria.

Que propostas e forças políticas ganham projeção agora? Haverá uma onda islamofóbica na Europa?

Do ponto de vista político, as forças que ganham com esse atentado são, sem dúvida, as forças ligadas à direita e à extrema direita, tradicionalmente islamofóbicas e racistas. Marine Le Pen, em particular, que cresceu bastante nas últimas eleições, deve se fortalecer ainda mais.

Na realidade, a recessão vem provocando um recrudescimento dos sentimentos anti-imigrantes e xenófobos em toda a Europa.

O atentado, obviamente, tende a intensificar essa onda de intolerância contra outras religiosidades, culturas e etnias.

O problema maior não é, contudo, a onda de intolerância e islamofobia, que parece minoritária, mas sim a reação dos governos a ela. No caso da França, o governo socialista de Hollande provavelmente incorporará algumas medidas típicas da direita, como forma de conter o avanço eleitoral e político dessas forças.

Qual o significado do ato ocorrido em Paris que reuniu diversas lideranças mundiais? É possível uma resposta bélica por parte do ocidente?

A resposta bélica já existe. A Guerra ao Terror é constante e sistemática, embora oculta da grande mídia ocidental. Praticamente toda semana algum “alvo” dessa guerra é bombardeado ou atacado de alguma forma, seja no Paquistão, no Afeganistão, na Síria, no Iraque, na Palestina, no Iêmen, etc.

Somente no Iêmen houve 117 ataques, nos últimos 5 anos, com a morte de mais de 1.100 pessoas, pelo menos. A maior parte desses ataques foi feita com o uso de dos chamados drones, veículos não-tripulados controlados por operadores em território norte-americano.

Evidentemente, é de esperar uma intensificação desses ataques, particularmente no Iêmen, sede mais relevante da chamada Al-Qaeda da Península Arábica, invocada pelos irmãos Kouachi no atentado, e que se responsabilizou pelo ato.

Não acredito, no entanto, numa operação militar convencional, pois o governo corrupto do Iêmen coopera com os EUA na Guerra contra o Terror.

Porque Netanyahu recebeu tanto destaque na passeata e no evento ocorrido em seguida na Grande Sinagoga de Paris? Há algum significado nisso?

Embora tenha se afirmado que Hollande não queria Netanyahu na passeata, o fato concreto é que Israel é visto como um grande aliado das potências ocidentais na Guerra Contra o Terror. A contrainteligência e o contraterrorismo da França, dos EUA, etc. precisam dos serviços e da expertise fornecidos por Israel. Israel é o grande parceiro estratégico dos EUA e da Europa no Oriente Médio.

Como podemos entender o conceito de terrorismo? Procedem as alegações de que os governos fazem uso político do termo?

O combate ao terrorismo é usado como desculpa para afirmação dos interesses geoestratégicos dos EUA a aliados no mundo.

Até hoje, a ONU não conseguiu produzir uma conceituação sobre o que é, de fato, o terrorismo. Grupos que são considerados terroristas por Israel e os EUA, como o Hamas e Hezbollah, são muitas vezes considerados como “combatentes da libertação”, por outros.

Tecnicamente, o terrorismo é somente uma tática de luta. Ele não tem um conteúdo político específico.

Qual o esquema de operação da Al-Qaeda? Existe uma estrutura centralizada que coordena as ações do grupo?

Não, não há. A Al-Qaeda reúne, na realidade, diversas organizações difusas e descentralizadas. Não há uma hierarquia e uma estrutura organizacional fixa. Seria mais preciso se falar em “Al-Qaedas”, e não numa só organização. Daí a dificuldade em combatê-la. Esses grupos têm autonomia política e operacional. Há também disputas internas entre eles. O Estado Islâmico, por exemplo, surgiu como dissidência da Al-Qaeda na Síria.

Quanto a dita Guerra ao Terror. Ela conseguiu sufocar o terrorismo em alguma medida? Quais são os reais objetivos dessa guerra?

Os fatos mostram que não. Ao contrário, a Guerra contra o Terror e as invenções militares no Oriente Médio a ela associadas só fizeram aumentar a violência e as atividades dos grupos fundamentalistas. São os casos, por exemplo, das intervenções desastradas no Iraque e na Síria. Nesses países, as mortes já ascendem, em conjunto, a 700 mil pessoas e as atividades terroristas dos grupos islâmicos fundamentalistas aumentaram exponencialmente.

Reforço, o combate contra o terrorismo na realidade é usado como escusa para a derrubada de regimes que são considerados hostis pelas potências ocidentais, particularmente os EUA. Nesse processo, muitas vezes se incentivam grupos fundamentalistas que fazem oposição a esses regimes. Foi o caso do Estado Islâmico, grupo terrorista financiado e incentivado pelos EUA porque esteve e está envolvido na guerra contra o regime sírio de Al-Assad.

Convém lembrar que o Taliban é resultado, em grande parte, do apoio que os EUA deu aos mujahedin que, na década de 80, combatiam os soviéticos no Afeganistão.

Trata-se de um padrão repetitivo e preocupante de intervenção que desestabiliza politicamente a região e incentiva a violência e o terrorismo.

É possível atribuir o terrorismo a filosofia muçulmana em si?

Não, claro que não. A religião muçulmana já deu grandes exemplos históricos de tolerância. Numa época em que os cristãos promoviam Cruzadas, o Islã abrigava pacificamente, em muitas de suas grandes cidades, bairros judaicos e cristãos.

Na Espanha, que esteve durante séculos sob domínio muçulmano, houve convivência pacífica entre cristãos, judeus e árabes, nas cidades controladas pelos califados. Os cristãos não eram obrigados a se converter à religião muçulmana e existiam templos cristãos que funcionavam livremente, assim como sinagogas.

Os judeus eram particularmente valorizados, pois dominavam o árabe e o castelhano, além do idioma hebreu. A Inquisição, recorde-se, é uma invenção do cristianismo.

De onde provém a interpretação fundamentalista do islã que rege o EI e Al-Qaeda?

Como toda grande religião que se espraia no tempo e no espaço, o Islã produziu muitas interpretações, variantes, seitas e cismas. O mesmo aconteceu e ainda acontece com o cristianismo, por exemplo. No Islã, há sunitas, xiitas, salafistas, alauítas, etc. No cristianismo, há católicos e uma infinidade de variantes do protestantismo.

A interpretação fundamentalista do Islã, ou melhor, as interpretações fundamentalistas do Islã nascem de uma leitura rigorosa e literal do Corão e da Sunnah, combinada, muitas vezes, com leis e costumes tribais. Em alguns países, como a Arábia Saudita, a lei religiosa, a sharia ou charia, é aplicada totalmente, sendo a única fonte do direito. Já em vários outros países, a fonte do direito é secularista. Em outros, há uma mistura.

É controverso, no entanto, se essas interpretações fundamentalistas dão realmente suporte religioso ou moral às atividades violentas de grupos como o Estado Islâmico.

Do ponto de vista social e cultural, no entanto, essa violência está muito ligada às condições socioeconômicas de muitas populações islâmicas, excluídas do desenvolvimento, bem como aos conflitos políticos e geopolíticos presentes, sobretudo, no Grande Oriente Médio.

A violência não nasce da religião em si. A religião é apenas usada para justificá-la.

Nos últimos dias muito se falou sobre a Al-Qaeda do Iêmen, que seria uma das células mais ativas. Em que se baseiam essas afirmações? Que interesses o ocidente tem naquele país?

De fato, há muita atividade desse tipo no Iêmen. Esse país é, na realidade, bastante pobre. Sua renda per capita, segundo o critério PPP, é de apenas US$ 2.500 dólares, uma ninharia na afluente Península Arábica. Suas fontes de petróleo são escassas e estão diminuindo, embora ainda sejam responsáveis por cerca de 25% do PIB ienemita. A economia do Iêmen sofreu muito com a Guerra do Golfo, já que seus trabalhadores que estavam no Iraque e no Kuwait, responsáveis pelo envio de divisas para o país, tiveram que retornar à casa com o conflito.

A importância do Iêmen para o Ocidente tange à sua localização estratégica no estreito de Ormuz, rota entre a Ásia e a Europa por onde passam diariamente 17 bilhões de barris de petróleo, e à necessidade de manter a Península Arábica sob a órbita geopolítica ocidental e longe do extremismo islâmico.