Arquivo mensais:janeiro 2015

A linha levítica. Ou leviana?

Por Mino Carta | Via Carta Capital

Há quem vaticine que Dilma, a bem do mercado (com m pequeno), ainda vai mudar seu ministro da Fazenda.

Que dirá Lula se a recessão chegar? Adriana Spaca / BRAZIL PHOTO PRESS/AFP

Diz o Oráculo de Delfos: “À vista do que se delineia, até setembro o empresariado vai pedir a Dilma que tire Joaquim Levy do Ministério da Fazenda”. Por que setembro? Tento entender: até lá a recessão seria inevitável ao sabor da política monetarista que caracteriza a atual gestão da economia brasileira. A se considerar que a opção do País nesta atribulada situação é crescer e crescer, nada mais daninho do que a orientação levítica. Ou leviana?

O Oráculo, como se sabe, é originário da Grécia antiga, mas ao longo dos séculos deu para se encarnar em figuras distintas e devidamente influentes. Refiro-me, portanto, a alguém merecedor de respeito. Veremos o que veremos, embora o Oráculo não costume errar.

À indústria cabe protagonizar crescimento. O Conselheiro Acácio concorda. Seu êxito depende do mercado nacional e internacional, aquele que não se confunde com o Mercado, com M grande, já há décadas alçado à condição de Moloch global. Aquele é habitado por quem consome, este faz a felicidade de banqueiros e especuladores. Não há como enganar-se quanto ao fato de que Joaquim Levy está na Fazenda para agradar ao Mercado.

Falha gravíssima do primeiro mandato de Dilma Rousseff foi o descaso com que a indústria brasileira foi abandonada ao seu destino. Convém insistir no erro? Em um primeiro momento, não faltou quem se regozijasse quando a presidenta faz exatamente o que faria a turma da casa-grande caso ganhasse a eleição de outubro passado. Procuro interpretar o vaticínio oracular: com o tempo, e em meio ao recrudescer da crise, o empresariado irá render-se à voz da razão, a bem de todos. O almejado bem geral da Nação. Geral? Nem tanto, a turma do privilégio gostaria que tudo ficasse como está.

Em um país forçado à devoção do neoliberalismo, o investimento dará lugar ao rentismo no seu exercício mais desbragado. Outras as demandas recomendadas pelo momento difícil. Em primeiro lugar, esforço concentrado para renovar os objetivos do PAC em obras de infraestrutura, em um Brasil aflito por imperdoáveis crises, uma energética, outra hídrica, sem contar o desastre da administração tucana de São Paulo, a exibir o leito da Cantareira crestado como as secas das terras nordestinas de outros tempos.

Outro empenho decisivo diz respeito à recuperação do prestígio da Petrobras, quarta maior empresa petrolífera do mundo, hoje em risco insustentável vítima de escândalos que ferem a credibilidade do próprio Estado brasileiro. A ação exige, obviamente, determinação e firmeza, sem tergiversações, e muito menos leniência, na punição dos culpados e no reacerto das rotas.

O que preocupa é a mediocridade dos conselheiros da presidenta, enquanto a distância entre a própria e Lula repete neste momento as dimensões do primeiro mandato. Está certo, dirá o ex-presidente, sempre disposto a entender, desde a vitória de Dilma em 2010, a justa aspiração da criatura de afirmar independência em relação ao criador, dizer a que veio e deixar seu legado.

Lula também sublinhará jamais ter pressionado a favor da nomeação de qualquer ministro, embora seja do conhecimento até do mundo mineral não apreciar vários entre os mais chegados a Dilma. Resta ver o que acontecerá se os maus agouros vingarem. Ou seja, se a recessão chegar em um Brasil que não cresce. Qual haverá de ser, se assim for, a postura de Lula?

O Brasil carregou, por mais de um século, a tradição de votar em pessoas em lugar de partidos, aspecto de óbvia explicação em um país onde partidos, na acepção democrática, desde sempre não passaram de clubes recreativos fundados por senhores da casa-grande. Com o PT desenhou-se a possibilidade de uma mudança. Não foi mantida. No poder o PT portou-se como todos os demais, com a agravante de ter prometido para não cumprir.

Não está claro até que ponto Lula pode e quer empenhar-se para recolocar seu partido nos trilhos originais. Tampouco estão claras suas intenções na perspectiva de 2018. Nem lhe conviria, agora, uma definição. Certa é sua boa saúde, o que poderia contribuir para apresentar a candidatura na hora oportuna. Trágico para Dilma se ele surgisse como o salvador da pátria. Não menos trágico para a casa-grande. Para os moradores da mansão, e dos seus aspirantes, Lula é a ameaça de longe mais apavorante, com ou sem partido.

Troika e austeridade viraram ‘coisas do passado’ na Grécia, diz líder do Syriza após vitória

Via Opera Mundi

Alexis Tsipras deve ser o novo primeiro-ministro do país; To Potami anunciou apoio ao Syriza, garantindo maioria parlamentar.

Tsipras discursa após vitória; ele deve ser indicado primeiro-ministro da Grécia. Efe

O líder do Syriza e futuro primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, agradeceu neste domingo (25/01) a vitória do partido e confirmou que as medidas de austeridade no país estão próximas do fim.

“A Grécia está virando uma página, deixando para trás cinco anos de humilhação e dor. Hoje, a troika [grupo que impôs medidas de austeridade] é coisa do passado”, afirmou, diante de apoiadores em Atenas. “Não haverá quebra mútua [com a troika], nem continuação ou subjugação.”

Tsipras defendeu a negociação para a questão da dívida externa, que atinge 175% do PIB (Produto Interno Bruto), no que ele chamou de solução “mutuamente aceitável”. Ele também chamou pela união dos gregos após o pleito. “Não há vitoriosos e derrotados. Hoje foi uma derrota das elites e das oligarquias da Grécia.”

Com cerca de 60% dos votos apurados, o Syriza, de esquerda, havia alcançado 149 cadeiras (das 300 em jogo), duas a menos que o necessário para garantir a maioria absoluta sem coligações. O Nova Democracia, do primeiro-ministro Antonis Samaras, estava com 77, seguido pelo Aurora Dourada, de extrema-direita, com 17, por To Potami (centro-esquerda), que estava com 16, pelos comunistas, com 15, e pelo Pasok, outrora um dos partidos mais fortes do país, que deve conseguir 13 cadeiras.

Em um cenário de necessidade de coligações, os comunistas passariam a sofrer pressão para entrar no governo e formar maioria junto com o Syriza. Apesar disso, um dos lideres do partido, o eurodeputado Kostas Papadakis, rejeitou a possibilidade em entrevista a um veículo espanhol. “Não apoiaremos o Syriza; somos contra a União Europeia, a Otan e as cadeias do capitalismo”, afirmou.

No entanto, o líder do Potami, Stavros Theodorakis, anunciou que vai apoiar o Syriza, garantindo maioria parlamentar mesmo que o vencedor da eleição não consiga as 151 cadeiras. Isso faz com que Tsipras vire premiê do país.

Samaras admitiu a derrota pouco antes do discurso de Tsipras. “Entrego um país que é parte da União Europeia e do euro. Pelo bem deste país, eu espero que o próximo governo mantenha o que foi conquistado”, disse em declarações à imprensa.

Da geopolítica do petróleo para a do gás

Por Imad Fawzi Shueibi | Via Oriente Mídia

A agressão midiática e militar contra Síria está diretamente relacionada com a concorrência global pelos recursos energéticos, explica o Professor Imad Shuebi no magistral artigo que apresentamos hoje.

Nesse exato momento em que assistindo ao colapso da zona do euro, e que uma grave crise econômica levou os Estados Unidos a acumular uma dívida superior a 14.940 bilhões de dólares; no momento em que a influência americana declina em contraste com os países emergentes que conformam o BRICS, se faz evidente que a chave para o exito econômico e o predomínio político reside principalmente no controle da energia do século XXI: o gás.

A Síria tornou-se alvo justamente por estar no meio do mais importante reservatório de gás do planeta. O petróleo foi a causa das guerras do século XX. Hoje estamos vivendo o surgimento de uma nova era: a das guerras do gás.

Após a queda da União Soviética, ficou claro para os russos que a corrida armamentista havia lhes prejudicado em demasia, sobretudo no campo energético, onde faltou a energia necessária ao processo de modernização industrial do país. Os Estados Unidos, por outro lado, tinham conseguido se desenvolver e impor, sem muitas dificuldades, sua política internacional nesta área graças a sua presença por décadas nas áreas de petróleo. Os russos decidiram, em seguida, posicionar-se nas fontes de energia, tanto nas que produzem petróleo, como nas empresas de produção de gás. Considerando que, devido à sua distribuição internacional, o setor de petróleo não oferecia boas perspectivas, Moscou apostou pelo gás, por sua produção, seu transporte e sua comercialização em larga escala. Tudo começou em 1995, quando Vladimir Putin traçou a estratégia da Gazprom: partindo desde as áreas de produção de gás da Rússia até Azerbaidjão, Turcomenistão, Irã (para comercialização), até o Oriente Médio. A verdade é que os projetos North Stream e South Stream demonstraram os esforços de Vladimir Putin e seu governo de situar a Rússia na arena internacional na área energética, que já desempenha um papel importante na economia européia, que, durante as próximas décadas, dependerá do gás como alternativa ao petróleo ou como complemento deste, quando deu prioridade ao gás, em detrimento do petróleo.

A partir desse contexto, era urgente para Washington implementar seu próprio projeto: Nabbuco, uma estratégia que concorria com a dos russos e que jogava para desempenhar um papel decisivo na determinação da estratégia e política energética para os próximos 100 anos.

Fato é que o gás será a principal fonte de energia do século XXI, uma alternativa diante da redução das reservas mundiais de petróleo e, ao mesmo tempo, uma fonte de energia limpa. O controle das zonas gasíferas no mundo disputado entre as antigas potências e as emergentes é o elemento que dá origem a um conflito internacional com manifestações de caráter regional.

É evidente que a Rússia aprendeu com as lições do passado, pelo menos no que se refere aquilo que, do ponto de vista da economia, contribuiu para o colapso da União Soviética, que foi, precisamente, a falta de controle dos recursos de energia indispensáveis para o desenvolvimento da estrutura industrial. A Rússia compreendeu que o gás está destinado a ser a fonte de energia do próximo século.

O gás da Síria

A ‘revolução síria” é uma encenação midiática que esconde a intervenção militar ocidental para a conquista do gás.

Quando Israel empreendeu a extração de petróleo e gás, a partir de 2009, ficou claro que a bacia do Mediterrânea se havia somado ao jogo e que haveria duas possibilidades: Síria seria alvo de um ataque ou toda a região viveria em paz, pois se supõe que o século XXI seja o século da energia limpa.

De acordo com o Washington Institute for Near East Policy (WINEP, Think-Tank do AIPAC), a bacia do Mediterrâneo contém as maiores reservas de gás e é, precisamente, na Síria onde se localizam as mais importantes. Este mesmo Instituto também emitiu a hipótese de que a batalha entre a Turquia e Chipre se intensificará porque a Turquia não pode aceitar a perda do projeto Nabucco (apesar do contrato assinado com Moscou em Dezembro de 2011 para o transporte de grande parte do gás de South Stream através da Turquia).

A revelação do segredo do gás sírio dá uma ideia da importância do que está realmente em jogo. Quem tenha o controle da Síria poderá controlar o Médio Oriente. E a partir da Síria, portão da Ásia, terá em suas mãos a chave da Rússia e, também, da China, através da “Rota da Seda”, assim você poderá dominar o mundo neste século, já que é o século do gás.

É esta a razão pela qual os signatários do acordo de Damasco, que permite que o gás iraniano passe pelo Iraque e chegue ao Mediterrâneo, criando um novo espaço geopolítico e cortando a linha vital do Projeto Nabucco, declararam na época que “A Síria é a chave da nova era”.

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Imad Fawzi Shueibi: geopolítico e filósofo. Presidente do centro de documentação e estudos estratégicos de Damasco – Síria.

Alta de juros terá impacto bilionário na dívida pública

Por Ruth Costas | Via BBC

Copom anunciou elevação da taxa de juros nesta quarta-feira

A alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros da economia (Selic), para 12,25% ao ano, anunciada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), deve ter um impacto de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões na dívida pública federal.

Os cálculos foram feitos à pedido da BBC Brasil por João Luiz Mascolo, economista e professor do Insper.

O aumento ocorre porque a Selic é usada para calcular a remuneração sobre os títulos da dívida pública. “Por um lado, a alta é um tiro no pé por causa desse impacto sobre a dívida, mas o BC não tinha alternativa em função da necessidade de se controlar a inflação e o esperado é que no médio prazo se possa retomar uma trajetória de baixa de juros”, opina Mascolo.

“Aumentar os juros para conter o consumo é o instrumento de ação mais rápida que o Banco Central tinha para tentar desacelerar a inflação, que, neste início de ano, deve ser pressionada pela alta dos preços administrados (como transportes, energia elétrica e combustíveis).”

A emissão de títulos de dívida pública é uma das formas usadas pelo governo para captar recursos e financiar suas atividades. Funciona como um empréstimo pelo qual o credor recebe o valor emprestado acrescido de juros, calculados de acordo com a variação da Selic. Quanto maior é a taxa, maior será, portanto, a dívida pública, ou seja, o montante a ser pago pelo governo.

‘Pacote de maldades’

A subida da Selic já era esperada pelo mercado e é anunciada em meio à adoção de uma série de medidas impopulares pelo governo, já apelidadas de “pacote de maldades”.

No início do mês, foi anunciada uma mudança nas regras de acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários como pensão por morte, abono salarial e seguro desemprego.

Nesta semana, foi divulgada uma elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de crédito e a retomada da CIDE, o imposto que incide sobre a gasolina e o diesel, zerado em 2012.

As medidas têm como objetivo contribuir para que o governo consiga economizar este ano 1,2% do PIB, conforme prometido pelo novo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

No jargão econômico, essa economia é chamada de superávit primário e é usada para o pagamento dos juros da dívida pública.

“Trata-se do saldo que resulta quando se subtrai os gastos do governo de sua receita”, explica Marcolo. “A questão é que, com a Selic subindo para 12,25% ao ano, a conta dos juros que devem ser pagos com esses recursos também deve subir.”

Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas e ex-secretário de assuntos econômicos do Ministério do Planejamento, o impacto da alta de juros na dívida pública “provavelmente já está nos cálculos da nova equipe da Fazenda”.

Alessandra Ribeiro, economista da Consultoria Tendências, nota que esse impacto pode ser atenuado por uma queda dos juros de longo prazo, que já vem caindo desde que Levy começou a anunciar seus planos para promover um ajuste fiscal.

Tanto Ribeiro quanto Velloso acreditam que o governo vai na direção correta com o aperto fiscal e monetário, mas admitem que isso deve ter um custo para o crescimento.

“A nova equipe econômica está tomando medidas de curto prazo que, em alguns aspectos, lembram os velhos programas fiscais dos acordos com o FMI (Fundo Monetário Internacional), mas é o que dá para fazer em uma situação emergencial, criada pelo desarranjo das contas públicas e pela pressão sobre a inflação”, acredita Velloso. “Não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos.”

A Tendências já está considerando revisar sua previsão para o PIB deste ano para uma retração de 0,5%.

“As medidas de aperto foram mais duras do que esperávamos e ainda vamos ter um impacto negativo do escândalo de corrupção na Petrobras nos investimentos”, explica Ribeiro.

Impacto no crescimento?

Medidas anunciadas por novo ministro da Economia foram apelidadas de “pacote de maldades”

Para críticos da atual política econômica, o grande risco de um aperto monetário e fiscal duro é que ele acabe jogando fora o dinamismo da economia para colocar em dia as contas públicas.

Christopher Garman, especialista em mercados emergentes da consultoria Eurasia Group, faz outra ressalva. “O governo já está passando o recado de que está comprometido com as metas fiscais e controle da inflação. Falta apresentar uma agenda reformas que ajude a retomada do investimento e crescimento”, diz.

Segundo a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, a nova política para a economia é “ortodoxa” e “conservadora”.

“O problema é que, diante da continuidade de um mundo em crise e da desaceleração abrupta do mercado interno (último motor de crescimento da economia nacional que ainda funcionava), a possibilidade destes ajustes aprofundarem as tendências recessivas da economia nacional não é desprezível. Caso este cenário pessimista se confirme, mesmo os aumentos das alíquotas dos impostos serão insuficientes para ajustar as contas públicas, tendo em vista que a arrecadação tributária será muito inferior à esperada”, diz o comunicado.

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PS do Desenvolvimentistas: Esta matéria é importante porque demonstra três coisas. 1- O aumento dos juros consome dinheiro público e é interessante principalmente aos bancos. 2- O impacto de 7 a 10 bilhões previsto será pago com cortes de direitos trabalhistas, benefícios sociais e outros, ou seja, sempre as custas dos trabalhadores, nunca dos poderosos. 3- A narrativa da mídia hegemônica apresenta a ortodoxia econômica como opção única para os Estados, sabemos, portanto, a quem ela serve.

O relatório de Oxfam e a reunião em Davos

Por Eduardo Ruiz-Healy | Via Other News

A organização internacional Oxfam, baseada Oxford, Reino Unido, divulgou seu último relatório, intitulado Riqueza: Ter tudo e querer mais, onde adverte “que no próximo ano a riqueza do 1% mais rico da população do planeta superará a dos 99% restantes, ao menos que se reverta a atual tendência de desigualdade e concentração de riqueza”. Diz ainda que atualmente “uma de cada nove pessoas carece de alimentação suficiente, e mais de 1 bilhão de pessoas ainda vivem com menos de 1,25 dólares por dia”.

Oxfam explica que “a riqueza mundial se concentra cada vez mais nas mãos de uma pequena elite rica. Os dados do Credit Suisse revelam que, desde 2010, o 1% dos indivíduos mais ricos do mundo incrementou sua participação no conjunto da riqueza a nível mundial” acrescentando que “em 2014, o 1% possuía 48% da riqueza mundial, enquanto os 99% restantes repartiam 52%. Praticamente a totalidade desse 52% está nas mãos dos 20% mais ricos da população mundial, de maneira que os 80% só possuem 5,5% da riqueza mundial. Mantendo-se essa tendência de incremento da participação dos mais abastados na riqueza mundial, em somente dois anos o 1% será mais rico que os 99%, possuindo mais que 50% da riqueza já em 2016”.

As revelações da Oxfam não são nada novas e há muitos anos se observa que os ricos estão ficando mais ricos e os pobres cada dia mais pobres enquanto a classe média luta para não cair na pobreza. Isto acontece em quase todos os países.

Além disso, há mais de uma década que se amplia o fosso que separa os países ricos dos pobres.

Em poucas palavras, a crescente concentração de riqueza não se dá somente entre pessoas, mas entre nações.

Depreende-se desse quadro que os diversos modelos econômicos vigentes, histórica e geograficamente no planeta fracassaram para quase 99% da humanidade, e funcionaram muito bem para o 1%. O empobrecimento das maiorias se observa na maior parte dos países da América, Europa, Ásia e África. Este processo ocorre em economias de perfil diverso como os Estados Unidos, México, França, Brasil, Grécia, Venezuela, Espanha ou Reino unido.

O relatório de Oxfam ganhou projeção nos meios de comunicação porque foi publicado três dias antes do início do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, evento onde se reúnem os principais líderes políticos e empresariais do planeta para discutir publicamente os grandes problemas que enfrenta o mundo e, no âmbito privado, fazer grandes negócios.

Desde quarta-feira (21) até sábado, dia 24, no exclusivo centro turístico encravado nos Alpes, os representantes do 1% que se sustentam com a riqueza que produz 100% dos seres humanos estará de acordo também em manter sua posição privilegiada.

Oxalá que a maioria deles tenham a sensibilidade de ler o documento de Oxfam e atuar levando em conta as advertências contidas nele.

A situação econômica mundial é crítica e nas mãos destes senhores está a possibilidade de buscar e aplicar soluções que permitam uma melhor distribuição da riqueza no mundo.

Se estes empresários e líderes políticos insistirem em ignorar o crescente problema da desigualdade, que não se queixem depois da proliferação da violência, delinquência e do terrorismo que em maior ou menos grau são produto da pobreza.

Tradução: Rennan Martins

Policiais são os maiores agressores de jornalistas, diz Fenaj

Por Isabela Vieira | Via Agência Brasil

Dos 129 jornalistas agredidos no país no ano passado, 62 foram vítimas da violência policial, segundo o Relatório da Violência contra Jornalistas 2014 divulgado pela Fenaj Tomaz Silva/Agência Brasil

O perfil da agressão a profissionais da imprensa mudou nos últimos anos. O Relatório da Violência contra Jornalistas 2014, divulgado hoje (22) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mostra que os crimes deixaram de ter motivação política e passaram a ser cometidos por policiais, sendo a maioria em manifestações. Dos 129 jornalistas agredidos no país no ano passado, 62 foram vítimas da violência policial, ou seja, 48,06%.

O documento destaca ainda, em 2014, a morte de três profissionais, entre eles, o repórter cinematográfico da TV Band, Santiago Ilídio Andrade, vítima de rojão disparado por manifestantes em protesto no Rio. Embora em percentual menor do que a violência policial, ataques a jornalistas por pessoas em manifestações chegaram a 16 casos e preocupam.

“A maioria [das agressões] partiu de agentes policiais, principalmente das polícias militares, em boa parte, da polícia paulista, onde houve excesso”, diz o presidente da Fenaj, Celso Schröder. “Em segundo lugar, estão os manifestantes, com 12,4% [das agressões] e políticos, também com 12,4%”, completa. No mundo, Schröder explicou que jornalistas mortos ou vítimas de violência atuam na área de polícia ou na cobertura de conflitos de guerra.

Em comum, as agressões por policiais ou manifestantes ocorreram em protestos, com 50,39% dos casos, sendo a maioria no Sudeste. Em geral, as vítimas trabalhavam em veículos impressos, eram repórteres fotográficos ou cinematográficos, diz o presidente da Fenaj, alertando para a consolidação de uma tendência que começou nas manifestações de 2013.

O presidente da Fenaj, Celso Schröder, disse que, além de policiais, jornalistas foram agredidos por manifestantes e políticosTomaz Silva/Agência Brasil

Para enfrentar esse perigo, a Fenaj cobra que os crimes sejam tratados em esfera federal e que seja criado um Observatório Nacional da Violência. A expectativa é que o órgão seja criado este ano, pela Secretaria de Direitos Humanos e pelo Ministério da Justiça, que passariam a fazer também a interlocução com agentes de segurança nos estados.

No Rio, onde o repórter da Band, foi morto, a presidenta do Sindicato dos Jornalistas do município, Paula Máiran, além de cobrar investigação e responsabilização das agressões, acrescenta que as empresas de comunicação precisam garantir treinamento adequado às equipes, equipamentos de proteção para coberturas e respeito à Cláusula de Consciência dos Jornalistas, que permite ao profissional recusar tarefas em desacordo com o Código de Ética.

Embora não seja uma justificativa para os ataques, Paula disse que, na capital fluminense, “jornalistas nas ruas acabam atacados como representantes das empresas onde trabalham, diante da revolta com a linha editorial manipulada e distorcida de veículos”, e lembrou que a prerrogativa de recorrer à Cláusula de Consciência é uma das 16 recomendações feitas às empresas de comunicação pelo Ministério Público do Trabalho e pelo sindicato.

O Relatório da Violência contra Jornalistas, feito com dados contabilizados pela categoria, segundo a Fenaj, registrou agressões, ameaças, assédio, intimidações, injúria racial, censura, impedimento ao trabalho e prisões e detenções. Segundo o relatório, esses são casos de violações do direito humano à comunicação, à liberdade de imprensa e expressão.

Em nova alta, Copom leva juros ao nível mais alto em três anos e meio

Via RBA

Taxa básica foi a 12,25% ao ano. Decisão foi unânime. Desde abril de 2013, aumento acumulado chega a cinco pontos percentuais. Trabalhadores e empresários criticam: ‘Rendição ao mercado’.

Desde que retomou o ciclo de altas, em abril de 2013, a elevação acumulada é de cinco pontos

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mais uma vez não surpreendeu e no encerramento da primeira reunião do ano, hoje (21), decidiu por mais uma alta na taxa básica de juros. A elevação foi de meio ponto percentual, levando a Selic a 12,25% ao ano, no maior nível desde julho de 2011 (12,5%).

A decisão foi unânime e sem viés, diz em nota o Banco Central, e foi tomada “avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação”.

Apenas nas três últimas reuniões, o Copom aumentou os juros em 1,25 ponto. Desde que retomou o ciclo de altas, em abril de 2013, a elevação acumulada é de cinco pontos, de 7,25% (o menor nível histórico) para 12,25%.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cardeiro, o novo aumento dos juros e as recentes medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo fazem acelerar a marcha para uma recessão, “com trágicas consequências para os direitos, a renda e o emprego dos trabalhadores”. Ele afirmou que se trata de uma rendição ao mercado financeiro e que as medidas “aumentarão a concentração da riqueza no país, contradizendo as políticas econômicas dos últimos governos e os compromissos de campanha da presidenta Dilma Rousseff”.

“A medida é contraria a qualquer projeto de desenvolvimento para o país”, critica, também em nota, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres. “Esta medida nefasta, além de manter a taxa Selic em patamares proibitivos e colocar à mostra a insensibilidade do governo ante as demandas da classe trabalhadora, impede o crescimento da produção, do consumo e a geração de empregos.”

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão “dificultará ainda mais a recuperação da economia”. “Os efeitos diretos dessa medida são a elevação dos custos dos financiamentos, a dificuldade de acesso ao crédito e a consequente redução do consumo das famílias e dos investimentos das empresas”, afirma a entidade.

A Federação do Comércio (Fecomércio) do Rio de Janeiro também criticou. “O aumento dos juros pelo Copom é mais um dos muitos preços pagos por empresários e consumidores brasileiros pela condução equivocada da política econômica nos últimos anos. Ao contrário de previsibilidade, rigor fiscal e inspiração de confiança, a economia passou a conviver com improvisos, metas de última hora e ações localizadas”, afirma a entidade. “A conta chegou. E nessa hora, as medidas têm seguido o caminho mais fácil: aumentar os já elevados custos na produção e no consumo – impostos e juros.”