Por Paulo Moreno
Para os governos incompetentes é mais fácil culpar o coitado do São Pedro, contratar índios para fazer a dança das chuvas e ficar rezando pela água como o padrinho Padre Cícero.
Fui professor de Engenharia Hidráulica e Centrais Hidrelétricas na década de 1980, fui também aluno do Dr. Araújo Bento na UFMG e aprendi muitos projetos de hidráulica, inclusive ele trabalhou em inúmeros projetos do Sistema Elétrico Brasileiro e Projetos de Sistema de Captação de Água, Siderurgia, petróleo e mineração e conforme mensagens explicativas que ele já enviou aos correspondentes, concordo com o Dr. Araújo Bento, reiterando que nos últimos 40 anos o Brasil quase nada investiu (somando nesse período menos de 0,8% do PIB) em obras de “Saneamento Básico” e em “Projetos Adequados de Sistemas de Captação de Água”.
Note que mesmo antes da década de 1930, o regime de chuvas causava constantes enchentes em São Paulo e estas eram noticiadas no mundo inteiro, o que levou o governo Vargas em 1930 a solicitar um estudo hidrológico e contratar o engenheiro hidráulico, o Dr. White Billings, que trabalhava na empresa canadense Light, para elaborar o “primeiro estudo hidrológico de São Paulo”, concluído em 1930. Construiu-se então duas grandes represas na parte mais baixa da cidade na zona sul para aumentar os volumes das nascentes e receber a vazão efluente dessas chuvas e os transbordos dos Rios Pinheiros, Tietê e Tamanduateí e com essas “represas de transbordo denominadas por ele de “overflow water dump” esse manancial passou a ser usado para captar água para abastecimento de São Paulo desde 1932, pois antes essa água era perdida e ainda causava sérios deslizamentos na Serra do Mara e acidentes na antiga rodovia de santos (antigo caminho do mar). O engenheiro White Billings, que tem até hoje a represa em homenagem a seu projeto, percebeu que o encontro de correntes de ar muito úmido que vinham do oceano subiam a serra do mar provocando fortes ventos e tempestades (em Santos, Cubatão, Praia Grande, é possível perceber essas correntes quando eu passava regularmente pelas Rodovias Anchieta e Imigrantes, existem densas nuvens vindas do mar que provocam neblinas e sobem em direção a São Paulo e lá encontram as correntes frias e cai aquelas trombas de água muito comuns em São Paulo). Por essa razão no seu estudo, para reduzir os transtornos e as catastróficas enchentes em São Paulo, White Billings projetou um magnífico sistema de escoamento de águas, as redes pluviais de agrande diâmetro (as manilhas naquela época ainda eram de barro e de pequenos diâmetros, foram todas aumentadas e substituídas, mas a capital de São Paulo cresceu em população mais de 800% desde 1932 e incrivelmente muitas redes pluviais em alguns bairros de São Paulo – e até em muitos bairros do Rio de Janeiro – tem as mesmas dimensões, por isso. Mesmo com os piscinões construídos para tentar reter a água, as redes não comportam, são ainda insuficientes e os bueiros retornam água e as tampas das caixas viram chafarizes) as represas na zona sul antes da descida para a Serra do Mar, na região com menor cota da cidade (mais baixa altitude) e dessas foram todo o excesso de água escoava por redes pluviais até encontrar as represas e esse volume gera até hoje energia elétrica na usina que fica no pé da Serra do Mar, em Cubatão.
Os últimos projetos de porte feitos na área de saneamento e captação foram o Projeto do Sistema da Cantareira e o Sistema de Captação do Alto Tietê e Rio Pardo na grande São Paulo, implantados ainda na década de 1970, o Sistema do Reservatório Hídrico de Santos, um mega-reservatório feito como caverna na rocha, que coleta águas vindas das encostas da Serra do Mar, feito na década de 1970, e em BH os Novos Sistemas de Captação do Rio das Velhas e da Mutuca feitos ainda na década de 1960, e a fantástica obra de aumento da Calha do Rio Arrudas (1979-82) na região de Belo Horizonte, projeto feito pelo meu colega e ex-secretário de obras de Minas Gerais na década de 1970, engenheiro Maurício Campos, ele também professor de hidráulica da UFMG, quando eu ainda lecionava a matéria na PUCMINAS). Também na área de saneamento básico podemos citar as obras da Estação de Captação da Estação de Bangu no Rio de Janeiro e a hidrelétrica de Funil, as obras de construção das usinas hidrelétricas do Rio Grande em Minas Gerais (projeto que garantiu maior vazão para a nascente do Rio São Francisco na Serra da Canastra, com um fantástico projeto de recuperação da mata ciliar ao longo do Rio Grande e um gigantesco projeto de reflorestamento, denominado “Mar de Minas”, obra feita ao longo de uma década iniciada por JK e terminada pelo militares). Tivemos ainda o fantástico projeto da Revitalização do Rio Tietê na capital paulista (iniciado no governo Erundina) entre 1988 e 1992, que desassoreou e construiu aqueles famosos “gabiões de pedra com tela” que os romanos já faziam desde a idade antiga para garantir a vazão e escoamento das águas de chuva para os leitos dos rios, foi realizado nas margens e ao longo de todo o leito do Rio Tietê, nos 40 km que o rio atravessa a capital, o plantio de 50 mil árvores ao longo das duas margens do leito do Tietê (os antigos transbordamentos da Marginal Tietê eram notícia no mundo inteiro) aprofundou e alargou a calha do Rio Tietê, e também conforme dezenas de sugestões e mensagens que já enviei para o Grupo Desenvolvimentistas, Fóruns de Cidadania, até publicações e matérias em jornais, desde a crise dos apagões de FHC, chegando aos problemas atuais.
O ex-diretor da Sabesp e a ex-presidente da estatal propõem a criação da CMPI DA SABESP, a fim de investigar outros diretores e colaboradores internos que ajudaram nos desmontes, desmantelamentos das estatais, e privatizações como as ocorridas na Petrobras, Eletrobras e outras estatais, durante os governos tucanos, e mostrar como os últimos governos agiram de forma irresponsável em relação aos interesses públicos, beneficiando empresas privadas no programa de desestatização criado ainda no governo Mário Covas, privatizando todos os serviços de execução de obras, manutenção e até atividades fins como a operação de sistemas de captação, e ainda diversos setores e gerências de água da Sabesp, entregues ao capital privado. A privatização beneficiou um amigo de Covas, hoje dono da empresa privada DAE que opera em São Paulo, Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jarinu, Campinas, Itatiba, Itu, Itupeva, Vinhedo, Valinhos, Salto, e toda a região metropolitana na faixa oeste e noroeste de São Paulo. Também a privatização de antigos poços artesianos para as fábricas de bebidas serviu o capital privado, chegando ao cúmulo da própria Sabesp ser impedida desde 2001 de prosseguir com novos projetos de sistemas de captação profunda (poços artesianos).
Portanto, o Brasil enfrenta desde 1970 a maior crise de incompetência política da sua história, como o candidato ao governo de São Paulo, o engenheiro Paulo Skaf mostrou lucidamente, durante sua campanha eleitoral, inúmeros projetos que não saíram do papel desde o início dos governos tucanos e seus “choques de gestão” (entenda-se total terceirização e quarteirização, privatizações de áreas essenciais do estado como água e energia, etc) quase todos os projetos já prontos na Sabesp na década de 1980 foram cancelados ou suspensos com a desculpa que todos os setores produtivos do estado de São Paulo seriam privatizados seguindo a orientação do governo central (FHC). As gestões tucanas privatizaram mais de 60 empresas de energia elétrica, água, o gigantesco parque petroquímico antes pertencente a Petrobras, o entreguismo obsessivo vitimou a própria estatal a preços de banana, com “doatizações” ao capital estrangeiro, como ditava o Consenso de Washington. O petróleo foi o segmento mais foi saqueado nesses últimos 18 anos com a Privatização Branca da Petrobras, os ataques tucanos que entregaram 40% das ações da Petrobras no NYSE a um preço ridículo de um bilhão de dólares, este sendo o maior crime lesa-pátria da história. pois as ações valiam 35 bilhões de dólares. Desde 2000 a empresa que no passado pertenceu ao Brasil deveria mudar a razão social não para Petrobrax como queria FHC, e sim para Petrobras Soros Fund, pois ela deixa no NYSE 62% de todos os seus lucros, diretamente nos bolsos de George Soros, o megaespeculador e patrão de Arminio Fraga (ex-ministro do BACEN na era FHC, que veio ao Brasil para assumir o Banco Central e garantir a Internacionalização da Petrobras, ou seja, a desnacionalização.
Voltando aos projetos de saneamento, desde Covas estes foram jogados no lixo dos arquivos mortos da Sabesp, tais como os importantes trabalhos de desassoreamento e revitalização de Cantareira, dezenas de projetos de Captações Profundas Artesianas (estes terceirizados e hoje somente as fábricas de refrigerantes e bebidas se beneficiaram deles).
Somando-se a paralisia desses antigos projetos de captações profundas como o do aquífero Guarani em Botucatu (região mais aflorada do aquífero em São Paulo), também foram cancelados em 2001 todos os novos Sistemas de Captação de Água como o gigantesco “Projeto de Captação da Estação São Lourenço”, elaborado pelos engenheiros da Sabesp em 1990, ainda na era da prefeita Erundina e do governo Fluery. Este projeto, se saísse do papel, traria um grande benefício para a população da grande São Paulo, e duplicando a oferta de água, pois utilizará o aporte das nascentes na região da Serra do Japi e como considera ainda uma enorme plantio de árvores ao redor da represa, a vazão aportada aumentaria significativamente.
Note que a maioria dos reservatórios de água do mundo tem um gigantesco projeto de reflorestamento que prevê um cinturão de árvores altas e raízes profundas, como no Tenesse Valley Autority. Isso garante aporte de águas pelas árvores, e é por essa razão que a vazão do Rio Amazonas de mantém alta e constante. Os desmatamentos em tornos dos rios e nas florestas podem comprometer por muitas gerações futuras e causar secas severas. No planeta, nas regiões pelas quais passa a linha do Equador existem somente desertos, exceto no Brasil, por causa da Selva Amazônica e de bilhões de árvores que lá existem. Quando voei de Brasília até Manaus, observei que foram mais de três horas voando a 980 km/h sobre essa densa selva. Imaginem se os gananciosos pecuaristas do Pará, Rondônia e do Mato Grosso continuarem avançando com os desmatamentos sobre a selva, pela famosa Terra do Meio, região com maior número de assassinatos de pequenos produtores rurais e de colonos no Brasil, estes sistematicamente mortos por fazendeiros grileiros.
O Brasil detêm 12% de todo o volume de água doce do mundo, é simplesmente invejável pelos países do império que possuem imensos desertos como o gigantesco deserto da Califónia e Nevada. Se o Brasil tivesse governos sérios todo esse potencial seria aproveitado, com a implantação de sistemas de captação profundas, implantação de turbinas eólicas tipo AW que tem associado um sistema de refrigeração por evaporação e coleta da água contida na “umidade do ar” cada turbina eólica desse tipo, de pequeno e médio porte, pode gerar energias dos ventos com potência superior a 35 kw a 300 kw, e ainda retirar mais de 2.500 litros de água do próprio ar por dia. Imaginem só se fossem instalados blocos de 500 turbinas a cada 500 km, em regiões secas do nordeste que tem fortes ventos como o Ceará e Pernambuco, haveria muita energia e ainda a produção de 1.250.000 litros de água. Outra solução inteligente seria a osmose reserva para dessalinizar a água do mar e ainda levá-la aos sertões mais extremos através de dutos, como fazem no Libano, Jordãnia, Turquia, em Israel, Arabia Saudita, UAE (emirados árabes), e outras regiões secas do mundo.
Todos esses projetos extraí, sob licença, das mensagens do meu professor de hidráulica, o engenheiro Araújo Bento. O processo de osmose reversa, sistemas de captação profunda, projetos de turbinas eólicas captadoras de água (AW) já foi inúmeras vezes comentado por ele nas mensagens trocadas com os correspondentes e o Grupo Desenvolvimentista e a Auditoria Cidadã.
Esperamos uma CPI da Água que inclua a investigação dos desmontes na Sabesp, Cedae, Copasa, e demais estatais esquartejadas, desmontadas e terceirizadas sejam alvo de investigações e os responsáveis pelos procedimentos terão que explicar porque projetos viáveis e prontos desde os anos 1980 foram cancelados ou arquivados e ainda por que terceirizaram os projetos de sistemas de captação artesiana para as mega-industrias de bebidas. A cidade de Itupeva tem uma imensa fabrica da Coca Cola com dezenas de poços artesianos que eram do estado, e agora a própria Coca Cola aluga eventualmente estes abastecer as cidades que vivem o caos do racionamento, inclusive Itu, que fica ao lado de Itupeva.



Na abertura da primeira reunião ministerial do seu segundo mandato, nesta terça-feira (27), a presidenta Dilma Rousseff criticou as manipulações da mídia e conclamou sua nova equipe a travar o debate de ideias na sociedade. “Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação, sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente… Reajam aos boatos. Travem a batalha da comunicação”, afirmou. O discurso até é bonito, aguerrido, mas seus efeitos podem ser frustrantes. Afinal, o governo até hoje não adotou as medidas necessárias para travar a “batalha da comunicação” e para se contrapor à mídia monopolizada e manipuladora.

Enquanto o porta-voz oficial do YPG, Polat Can, anunciou a liberação completa da cidade via Twitter, as mídias sociais estão fervilhando com imagens de combatentes da resistência comemorando, tanques do ISIS queimados e, claro, a icônica bandeira vermelha, verde e amarela do TEVDEM, o Movimento por uma Sociedade Democrática, tremulando no topo da Mishtenur, a colina estrategicamente importante com vista para a cidade.
Embora a vitória em Kobane seja, sem dúvida, de importância crucial para a guerra contra o ISIS e uma razão importante para a celebração, deve ser salientado que a luta está longe de terminar. A maioria das mais de 300 aldeias que fazem parte do cantão de Kobane permanecem sob o controle do ISIS e, enquanto este continua a ser o caso, a grande maioria dos refugiados na Turquia não será capaz de voltar para suas casas.

