Arquivo mensais:janeiro 2015

Guerra ao terror

Por Wladimir Safatle | Via Blog da Boitempo

Capa da edição de hoje, 14/01/2015, do semanário Charlie Hebdo, primeira após o atentado

Depois da semana passada, vemos a afirmação em coro de que o extremismo muçulmano é um dos maiores problemas da atualidade. Mas nem sempre o coro se dispõe a dar um passo à frente e se perguntar pelas coordenadas sociopolíticas do aparecimento de tal problema.

Ao que parece, alguns acreditam que simplesmente colocar a questão nesses termos já é ser cúmplice e não demonstrar solidariedade pelas vítimas. É querer ser racional com o irracional, relativizar o que seria motivado pelo mal radical, pelo ódio milenar contra nós e nossa liberdade, apoiar a superstição contra as luzes. Em nome de tal visão de combate que nada quer saber sobre causas pois não se interessa em mudá-las, estamos em “guerra contra o terror” há quase 15 anos.

No entanto, depois de 15 anos em guerra, não estamos mais seguros do que em 2001. O que temos são: três países invadidos (Afeganistão, Iraque e Mali), um conjunto impressionante de leis e práticas de controle que cerceiam a liberdade em nome da defesa da liberdade, um Estado Islâmico a controlar áreas de antigos países do Oriente Médio, o aumento exponencial da xenofobia e da islamofobia em países europeus e novas levas de jovens muçulmanos europeus dispostos a serem mártires do jihadismo internacional.

Ou seja, enveredar pela “guerra ao terror” é a melhor maneira de se afundar no problema. Pois qual seria o próximo passo: reforçar as fronteiras, uma nova intervenção militar? Mas para que, se os novos jihadistas são cidadãos europeus, morando nas periferias? Quem sabe então tentar concentrar os muçulmanos europeus em campos nos quais eles poderiam ser melhor controlados?

Insistiria que, se quisermos vencer o extremismo muçulmano, melhor começar por parar de reeditar teorias coloniais sobre o pretenso caráter arcaico da religião dos antigos colonizados, como se nós mesmos não tivéssemos nos acomodado aos nossos próprios arcaísmos. Pois se tem alguém que agradecerá de joelhos aqueles que usam a imprensa para falar que o islã não é compatível com a democracia (como se alguma religião realmente fosse) são os terroristas da Al Qaeda e do Estado Islâmico. É exatamente o que eles sempre falaram. Infelizmente, para propagar esta boa nova, eles tem bastantes aliados entre nós.

Não é vitimizar assassinos dementes tentar sair desta toada surda e entender o sentimento, a assombrar os descendentes de árabes vivendo na Europa, de impotência política, de exclusão econômica brutal, de não ter ninguém que os defenda de ataques racistas vindos de partidos e da vida ordinária. É a melhor maneira de tentar impedir que novos assassinos apareçam.

Ex-diretor da Petrobras Cerveró é preso pela PF no aeroporto do Rio

Por Pedro Fonseca | Via Reuters

O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró foi preso pela Polícia Federal ao desembarcar no aeroporto internacional do Rio de Janeiro na madrugada desta quarta-feira por acusação de envolvimento em crimes na estatal investigados pela Operação Lavo Jato, informou o Ministério Público Federal.

Cerveró foi detido em uma área interna do aeroporto ao desembarcar em voo vindo de Londres e foi transferido para a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde estão concentradas as investigações da Lava Jato.

O Ministério Público Federal disse em nota que Cerveró foi preso preventivamente devido a indícios de que continuaria “a praticar crimes, como a ocultação do produto e proveito do crime no exterior, e pela transferência de bens (valores e imóveis) para familiares”.

Segundo o MPF, o ex-diretor tentou transferir meio milhão de reais para sua filha e também transferiu recentemente três apartamentos “adquiridos com recursos de origem duvidosa”.

O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse que as justificativas do MPF para o pedido de prisão preventiva não têm fundamento.

“Se forem essas duas hipóteses, é um absurdo essa prisão porque essas motivações não são crime. O juiz fundamentou de forma ilegal. Vamos ao tribunal pedir habeas corpus”, disse Ribeiro à Reuters, por telefone.

“O Nestor há nove meses se colocou à disposição do Ministério Público e da PF, e nenhum desses dois órgãos o chamou para esclarecer qualquer fato… Não havia nenhum motivo para a prisão preventiva. Essa medida drástica não cabe para Nestor Cerveró.”

A Justiça Federal do Paraná acatou em dezembro denúncia contra Cerveró sob acusação de envolvimento em suposto esquema de corrupção na estatal. Cerveró responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Cerveró era diretor da Petrobras na época da controversa aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Em dezembro, a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou perdas de 659,4 milhões de dólares pela Petrobras na compra da refinaria, que teria ocorrido por um valor acima do considerado justo.

A eventual ascensão da Índia seria um terremoto mundial

Por Bruno Galvão

Nos últimos anos, tem havido uma obsessão imprensa indiana: China. Li há algum tempo que há frequência grande de citações da China nos jornais indianos e é quase ausente a citação da Índia nos jornais chineses. É um misto de medo e de admiração. Não há dúvida que a Índia deseja imitar o sucesso chinês. Recentemente, o novo governo indiano montou uma agressiva política industrial “Make in India”, nitidamente com inspiração e em competição com a China. Acho que as pessoas não tem noção como a Índia está atrás da China no mercado mundial de manufaturas. Estou enviando abaixo o gráfico da participação da China e da Índia no mercado mundial de manufaturas. Em 2013, a Índia atingiu o market-share que a China tinha em 1988, quando o país exportava ainda produtos muito simples.

Além disso, se notarmos a pauta de exportações de manufaturas da Índia, podemos perceber como é concentrada em poucos produtos (joias, fármacos, alguns produtos químicos e confecções). Estranhamente, ela não conseguiu entrar em coisas básicas que países relativamente atrasados do Sudeste Asiático tradicionalmente exportavam (produtos eletrônicos, móveis e até calçados). A Índia tem custos salariais 5 vezes mais baixo que a China. Ah, mas tem problema de infraestrutura. Mas, ela não pode fazer uma ZPE em um porto e por uma termelétrica do lado? Aliás, esse é um ponto de vantagem que acho da Índia em relação à China. Tem mar por todo lado. Isso é importante? Acho que sim, a China tem fracassado em transferir para o interior suas plataformas de exportação. 90% das exportações são realizadas por províncias costeiras; 70% nos vales do rio perola e yang tse (pelos últimos dados que tinha visto, o que tem muitos anos, mas acho que não mudou muita coisa não).A China tem esse problema, que, ao contrário dos EUA, não tem o pacifico do outro lado, mas sim um vazio demográfico e econômico.

O exemplo chinês ( é importante tanto para saber que é possível e vale a pena industrializar quanto o que deve ser feito) e o temor da China (eles podem nos massacrar se não industrializarmos) são duas grandes vantagens para a China. Além disso, a China abriu caminho e as empresas entenderam que pode dar certo. Por outro lado, há desafios muito sérios. Acho que os dois principais são: i) não há espaço no mercado mundial para 2 Chinas; é nítido que o crescimento do mercado mundial de manufaturas ‘baratas’ não é atualmente o mesmo de quando a China desenvolveu; ii) acho que os EUA apenderam o risco de permitir o surgimento de uma nova China para a geopolítica mundial.

Agora, se isso ocorrer, acho que o surgimento de uma nova China (como pode ser visto no Gráfico acima, diferente do que se diz, a Índia atualmente não é de jeito nenhum uma China menor) provocará um terremoto. A incorporação da Índia, significará por si a incorporação de metade da populaçao do Terceiro Mundo na trajetória do desenvolvimento. Além disso, isso daria um poder de manobra para o restante da periferia na negociação internacional (comercial e financeira) muito forte. Vejamos o caso da China, imagina o espaço de negociação da Argentina, Equador e Venezuela sem China? Na minha opinião, a China já limita muito a possibilidade de cartelização das grandes potências. Com a incorporação da Índia, acho que fica praticamente impossível. Vejamos o caso atual, mesmo com a eleição de um governo muito pro-EUA e a derrota do partido não alinhado (o partido do Nehru) e com a fraqueza econômica e política da Rússia, a Índia está negociando com a Rússia, a despeito do interesse desse governo em se alinhar aos EUA. Imagina, negociação de comércio com Índia e Mercosul? Atualmente, as importações da Índia já correspondem a um quinto das importações da UE. Se a índia se fortalece, poderíamos negociar com eles, mandar a OMC andar e fazer política industrial a vontade.

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Bruno Galvão é doutor em economia pela UFRJ.

Washington configurou 2015 para ser um ano de conflito; esse conflito pode ser intenso

Por Paul Craig Roberts | Via Oriente Mídia

Washington é a causa do conflito que vem sendo promovido já a algum tempo. A Rússia estava muito fraca para fazer qualquer coisa a respeito de quando o governo Clinton começou a empurrar a OTAN para junto das fronteiras russas, assim como de quando ele ilegalmente atacou a Iugoslávia desmembrando o país em pedaços menores, mais fáceis a serem controlados.

A Rússia também ainda continuava muito enfraquecida para poder fazer alguma coisa de quando o governo de George W. Bush se retirou do acordo ABM, [Acordo regulamentando a quantidade e o uso dos mísseis anti-balísticos] e de quando o mesmo começou a organizar a colocação de bases militares americanas, contendo mísseis anti-balísticos, nas fronteiras russas. Washington mentiu para a Rússia dizendo que o objetivo da colocação dessas bases seria o de proteger a Europa dos não-existentes ICBMs nucleares do Irã. [ICBM sendo então um míssel intercontinental anti-balístico]

Entretanto, na Rússia compreendeu-se que o real objetivo dos Estados Unidos era o de degradar a capacidade retaliatória da Rússia, aumentando dessa maneira a capacidade de Washington para coagir o país a entrar em acordos que comprometeriam a sua soberania.

No verão de 2008 a Rússia já tinha o seu poder como que restabelecido. Por ordens de Washington o exército da Geórgia, equipado e treinado pelos Estados Unidos e Israel, atacou a separatista República da Ossécia do Sul na madrugada de 8 de agosto, matando 8 membros das forças da paz assim como pessoas da população civíl. Sectores dos militares russos reagiram imediatamente a isso e dentro de poucas horas o exército da Geórgia, treinados pelos acima mencionados, tinha sido completamente derrotado. A República da Ossécia do Sul, na Geórgia, estava novamente em mãos russas, como essa província sempre tinha estado, desde pelo menos desde os séculos 19 e 20.

Putin deveria ter deixado Mikheil Saakashvili – esse fantoche americano instalado no poder como presidente da Geórgia pela “Revolução Rosa” a qual foi instigada por Washington – ser enforcado. Entretanto, num erro estratégico, a Rússia retirou suas forças deixando o governo fantoche de Washington no lugar para causar futuros problemas para a Rússia.

Washington faz muita pressão para incorporar a Geórgia na OTAN e isso principalmente para poder pôr mais bases militares na fronteira russa. Tem-se entretanto também aqui que, na época do sucedido, Moscou via a Europa como bastante mais independente de Washington do que ela realmente era, acreditando que mantendo boas relações com a mesma iria impedir bases militares americanas a serem estabelecidas na Geórgia.

Hoje em dia o governo russo já não tem mais nenhuma ilusão quanto a Europa ser capaz de uma política exterior independente. O Presidente Vladimir Putin da Rússia declarou publicamente que a Rússia tinha compreendido que diplomacia com a Europa não fazia muito sentido, e isso porque os políticos europeus estavam representando mais os interesses de Washington do que os da Europa.

O Ministro dos Negócios e Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Lavrov, reconheceu recentemente que a categorização da Europa como uma entidade constituida por Nações Captivas tinha deixado claro para a Rússia que gestos de boa vontade da Rússia quanto a mesma não poderiam produzir, nessas circunstâncias, desejados efeitos diplomáticos.

Com o evaporar-se das ilusões de que diplomacia com o ocidente iria produzir soluções pacíficas, e com a realidade reafirmando-se, começou então a escalação da demonização de Vladimir Putin por Washington em conjunto com seus países vassálos. Tem-se Hillary Clinton nesse cenário até chamando Putin, de Hitler.

Enquanto Washington incorpora as ex-partes constituintes da Rússia e do império soviético no seu próprio império, e bombardeia sete outros países, Washington ao mesmo tempo vai declarando que Putin é militarmente muito agressivo, e que ele tem intenções de reconstruir o império soviético.

Washington arma o sistema neo-nazi, que Obama estabeleceu na Ucrânia, enquanto erradamente declara que Putin invadiu e anexou províncias ucranianas. Todas essas bramantes mentiras repetem-se, aos milhares, e em éco, pela mídia prostituta do ocidente. Nem mesmo Hitler teve a sua disposição uma tal complacente mídia como Washington.

Todos os esforços diplomáticos da Rússia tem sido bloqueados por Washington, acabando-se por se poder contar o resultado como zero e nada mais. Dessa maneira a Rússia foi forçada, pela realidade, a atualizar sua própria doutrina militar. A nova doutrina, aprovada em 26 de dezembro, afirma que os Estados Unidos e a OTAN constituem a principal ameaça militar para a existência da Rússia, como país independente e soberano.

O documento russo declara a doutrina de guerra de Washington – na qual a aceitação da idéia de um ataque preventivo, a colocação de mísseis anti-balísticos [ditos de defesa mas na realidade de agressão], assim como a contínua construção das forças da OTAN, e a intenção dos americanos de colocarem armas no espaço – como uma clara indicação de que Washington está se preparando para atacar a Rússia.

Washington também está a conduzir guerra político-econômica contra a Rússia, tentando destabilizar a economia russa com sanções e ataques a moeda russa, o rublo. O documento russo reconhece que a Rússia enfrenta ameaças de mudança de regime [lê-se ameaças de golpe de estado] por parte do ocidente. Esse objetivo seria então conseguido através de “ações com a finalidade de violentamente mudar a ordem constitucional russa, com a destabilização da realidade político-social, da desorganização do funcionamento das instituições governamentais, e das principais e cruciais instituições civis e militares, assim como da infraestrutura informal da Rússia.”

As organizações não governamentais estrangeiras, ONGs, e a mídia russa, que é dirigida como propriedade de estrangeiros, são instrumentos nas mãos de Washington, que usam esses instrumentos para destabilizar a Rússia.

As agressivas e irresponsáveis diretivas políticas de Washington contra a Rússia fez por ressuscitar a corrida de armamentos nucleares. A Rússia agora está desenvolvendo dois novos sistemas ICBM [de mísseis intercontinentais anti-balísticos] e em 2016 deverá colocar sistemas de armamentos designados a neutralizar os sistemas de mísseis anti-balísticos dos Estados Unidos. Em resumo, os instigadores de guerra que governam em Washington puseram o mundo a caminho do armageddon nuclear.

Tanto o governo da Rússia como o da China já compreenderam que suas respectivas existências estão sendo ameaçadas pelas ambições de hegemonia, ou seja de dominância, de Washington. Larchmonter apresentou relatórios que mostravam que, partindo do princípio de Washington ter planos para marginalizar os dois países, tanto a Rússia quanto a China decidiram-se por unificar suas economias, criando sectores de uma economia conjunta, conquanto também unificando seus comandos militares. Daqui por diante tem-se então que a Rússia e a China estarão andando conjuntamente, tanto no plano econômico como no militar.

http://www.mediafire.com/view/08rzue8ffism94t/China-Russia_Double_Helix.docx

Essa união do Urso Russo com o Dragão Chinês reduz o sonho dos conservativos americanos quanto a um “século americano” a um puro disparate. Larchmonter caracteriza isso assim: “Os Estados Unidos e a OTAN precisariam do Arcanjo Miguel para derrotar essa união Sino-Russa, mas ao que tudo indica o Arcanjo Miguel já está alinhado com o Urso Russo, e sua cultura ortodoxa. Não há armas, estratégias ou tácticas concebíveis que possam, num futuro próximo, conseguir causar maiores estragos a essas duas economias emergentes, agora que estão atuando em parceria.”

Larchmonter tem esperanças na nova geopolítica criada pela atuação conjunta da Rússia e da China. Eu não tenho nada contra essa sua conclusão, mas se os arrogantes conservativos compreenderem que as suas diretivas políticas para uma hegemonia mundial encontraram agora um inimigo que não poderão derrotar, eles irão pressionar para um ataque nuclear preventivo, antes que o comando unitário Russo-Chinês esteja operacional. Para se proteger contra um ataque à-surpresas, a Rússia e a China fariam melhor em operar em completa e total prontidão nuclear.

A economia dos Estados Unidos – na realidade a inteira ocidente-orientada economia indo do Japão a Europa – é um castelo de cartas. Desde que o declínio econômico começou, a cerca de 7 anos atrás, a inteira economia ocidental foi dirigida para o apoio de uns poucos bancos super-dimensionados, ao crédito soberano, e para o apoio do U.S. dólar. Em consequência disso as próprias economias assim como a capacidade das populações para manejar a situação foram se deteriorando.

Os mercados financeiros baseiam-se agora em contínuas manipulações e não em fundamentos sóbrios. Tem-se depois aqui que essas manipulações são insustentáveis. Com o débito explodindo os juros reais negativos não fazem sentido. Com a renda real do consumidor, assim também como o seu crédito real, e a real venda de produtos no comércio de varejo estagnados, ou em queda branta, o mercado de valores, fundos e ações, não pode ser outra coisa que uma bolha [a ser furada].

Com a Rússia e a China, assim como outros países, distanciando-se do uso do dólar no mercado internacional, e com a Rússia desenvolvendo uma alternativa rede bancária internacional SWIFT, enquanto os BRICS desenvolvem alternativas ao FMI e ao Banco Mundial, de quando outras partes do mundo desenvolvem seus próprios cartões de crédito e sistemas de Internet, o dólar americano, conjuntamente com as moedas do Japão e da Europa – que estão sendo imprimidas para sustentar o valor de câmbio do dólar – poderiam vir a experimentar uma dramática queda no mercado de câmbio, o que faria com que a economia de importação-dependente do ocidente se tornasse disfuncional.

Na minha opinião tomou muito tempo para que a Rússia e a China compreendessem a perversidade e malevolência que controla Washington. Por conseguinte, ambas estão a arriscar um ataque nuclear antes da total operacionalidade da implementação de sua defesa conjunta. Como a economia do ocidente é como um castelo de cartas, a Rússia e a China poderiam pô-la em colápso antes que os neoconservativos pudessem levar o mundo a guerra. Como a agressão de Washington contra os dois países é clara como cristal, não deixando nem sombras de dúvidas, tanto a Rússia como a China teriam todo o direito de tomar medidas defensivas.

Como os Estados Unidos estão conduzindo uma guerra financeira contra a Rússia, essa poderia reivindicar que arruinando a economia russa o ocidente a depravou da sua capacidade de pagar seus empréstimos aos bancos ocidentais. Se isso não fosse o suficiente para quebrar os fragilmente capitalizados bancos europeus, a Rússia poderia declarar que os países da OTAN – agora oficialmente reconhecidos pela nova doutrina de guerra da Rússia como inimigos do estado – tinham colocado a Rússia na situação de que ela não mais poderia apoiar a agressão da OTAN contra si, através de vender gás natural aos países membros dessa organização. Caso o fechamento de muitas das indústrias europeias, o aumento do desemprego e as quebras dos bancos não resultassem na dissolução da OTAN, e portanto ao fim das ameaças,os chineses poderiam começar a agir.

Os chineses tem um grande número de bens, valores e títulos denominados em dólares. Como os agentes da Reserva Federal [os denominados bancos de ouro ou bullion banks] inundam os futuros mercados com massivas quantidades de papéis de valor – “shorts”, em períodos de pouca atividade com a finalidade de abaixar o preço do ouro, a China poderia então inundar o mercado, em poucos minutos, com os seus papéis denominados em dólares com o equivalente a anos de flexibilização quantitativa, ou seja, massiva impressão de dólares.

Se a Reserva Federal, FED, [12 bancos particulares] rápidamente então criasse os dólares com os quais pudessem comprar essa massiva quantidade de papéis de valor da China, que no caso seriam os papéis denominados como “Treasuries” – para que o castelo de cartas deles não se desmoronasse – os chineses então poderiam inundar o mercado de divisas, mas dessa vez com os dólares que se lhes pagam pelos títulos. Conquanto a Reserva Federal pode imprimir dólares com os quais comprar os papéis denominados Treasuries, a Reserva Federal (FED) não pode imprimir moedas estrangeiras com as quais comprar os dólares.

O dólar entraria em colápso e com ele o poder do “Hegemon” – do Dominador. A guerra teria acabado sem um único tiro, ou míssel deslanchado.

Do meu ponto de vista, e nessa situação, tanto a Rússia quanto a China teriam uma obrigação moral em relação ao mundo quanto a impedir a guerra nuclear, que os conservativos que controlam as diretivas políticas dos Estados Unidos tem a intenção de deslanchar, simplesmente através de responder, a altura, a guerra econômica de Washington.

Tanto a Rússia quanto a China não deveriam dar avisos prévios. Aqui exige-se ação determinada. Agir passo a passo não seria o suficiente. A descarga deverá ser solta de vez. Com 4 U.S. bancos mantendo os papéis denominados “derivados” – os quais totalizam em muitas vezes o PIB do mundo – a explosão financeira seria equivalente a uma nuclear.

USA estaria terminado e o mundo salvo.

Larchmonter tem razão. 2015 pode ser um muito bom ano.

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Paul Craig Roberts, “Washington Has Shaped 2015 to Be a Year of Conflict. The Conflict Could Be Intense”- Strategic Culture Foundation, 29-12-2014.

Traduzido e síntese por Anna Malm, artigospoliticos.com, para Mondialisation.ca

Carta Maior e Emir Sader vencem na Justiça ex-editor da Veja

Via Carta Maior

O STJ manteve decisão anterior do Tribunal de Justiça de São Paulo, contra Mario Sabino, na ação de indenização por danos morais que este movia.

O ministro Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou provimento ao recurso impetrado pelo jornalista Mário Sabino, ex-redator chefe da revista Veja, na ação que este movia contra o sociólogo Emir Sader e contra a Carta Maior. O ministro manteve, assim, decisão anterior do Tribunal de Justiça de São Paulo, contra Sabino, na ação de indenização por danos morais decorrentes de um texto publicado pelo sociólogo.

No dia 30 de março de 2006, Emir Sader publicou na Carta Maior um comentário sobre a resenha do livro “A arte da política: a História que vivi”, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, feita pelo então redator-chefe de Veja, Mário Sabino.

Em seu comentário, Emir Sader tece críticas ao livro, que faz uma defesa acalorada do ideário que embalou os anos FHC. Sentindo-se ofendido, o autor da resenha moveu processo de ação indenizatória por ofensas morais e à sua honra. A ação foi julgada improcedente, condenando o autor ao pagamento das custas e despesas processuais e de honorários advocatícios arbitrados em R$ 2.000,00.

Ao negar provimento ao recurso, o ministro Moura Ribeiro afirmou: “O que se vê, na verdade, é a irresignação da parte autora com o resultado que lhe foi desfavorável, pretendendo, por meio dos embargos, obter novo julgamento da matéria, com notório intuito infringente, o que se mostra inviável, já que inexistentes os requisitos elencados no aludido dispositivo da lei adjetiva civil”.

Em relação ao mérito, o magistrado do STJ manteve a seguinte decisão:

“Na matéria jornalística em pauta não há foco algum na pessoa do apelante, aliás, seu nome nem mesmo é citado. A crítica se refere ao livro “A arte da política: a história que vivi” de autoria do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. O último parágrafo do texto em comento, diz respeito à opinião do autor da matéria em relação a uma suposta ligação sorrateira entre a Revista Veja e Fernando Henrique Cardoso. Entretanto, entendendo-se injuriosa essa alegação, o legitimado para buscar eventual reparação é a Revista e não o apelante, cujo nome, reitera-se, sequer vem mencionado na reportagem”.

Emir Sader e a Carta Maior foram representados pelo advogado Marcello Daniel Cristalino e equipe.

EI considera “muito estúpida” nova publicação de charge de Maomé

Via Agência Efe

O Estado Islâmico (EI) considerou nesta quarta-feira como “muito estúpida” a publicação de caricaturas de Maomé na nova edição do semanário “Charlie Hedbo”, segundo um boletim informativo divulgado pela rádio digital do grupo jihadista.

O EI, por meio de um locutor, disse que o “Charlie Hedbo publicou caricaturas que mais uma vez concernem ao profeta e isto é uma ação muito estúpida”.

Um homem lê a nova edição do satírico Charlie Hebdo. EFE/Yoan Valat

O semanário francês lançou hoje uma edição especial com uma charge de Maomé chorando com um cartaz afirmando “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie) sob a frase “Tout est perdonné” (Tudo está perdoado).

A sede em Paris da publicação foi atacada na quarta-feira passada pelos irmãos Sarif e Chérif Kouachi, que mataram doze pessoas, incluindo seu diretor, Stéphane Charbonnier, o “Charb”, e quatro dos caricaturistas mais famosos da França.

O grupo Al Qaeda na Península Arábica (AQPA), com base no Iêmen, assumiu hoje a autoria do ataque.

O EI tem sua origem na Al Qaeda no Iraque, embora enfrente na Síria o braço armado desta organização.

Advogado ligado ao PSDB isenta Antonio Anastasia

Por Luis Nassif, em seu blog

No Estadão, o advogado de Alberto Yousseff, ligado ao PSDB e apontado como responsável pelo vazamento de um dos depoimentos sigilosos a revista Veja, aparece em reportagem inocentando o ex-governador mineiro Antonio Anastasia.

O título do jornal é definitivo: “Defesa de doleiro isenta Eduardo Cunha e Anastasia”. O teor da reportagem, não. O advogado admite que o doleiro enviou R$ 1 milhão para Minas, mas não sabe precisar quem foi o beneficiário. “Se o Jayme Careca tem alguma coisa a informar, de que o destino do dinheiro foi o Anastasia, cabe a ele provar isso”, disse o ínclito Antonio Figueiredo Basto, que há muito deveria ter sido processado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) por colocar em risco a defesa do seu cliente em troca de uma jogada política com a Veja.

Antes de mais nada, enfatizo o que já escrevi aqui: Antonio Anastasia é um homem público acima de qualquer suspeita; assim como Eduardo Cunha é um político abaixo de qualquer crítica.

O vazamento que o vitimou é da mesma natureza espúria de todos os demais vazamentos da Lava Jato: não se tem como conferir porque o inquérito é sigiloso.

O Procurador Geral da República Rodrigo Janot considera normais vazamentos de inquéritos sigilosos e o STF (Supremo Tribunal Federal) mantém o sigilo para advogados e partes acusadas, os vazadores ficam donos da situação: podem liquidar com reputações, inviabilizar nomeações de Ministros, interferir em eleições e contar com a benevolência de Janot. E os jornais podem escolher a quem defender ou a quem liquidar ou ainda o vazamento que garantir melhores vendas.

Aos inimigos, o peso de qualquer acusação, por mais inverossímil que seja, sem direito a retificação; aos amigos, o beneplácito dos atenuantes, mesmo não tendo nenhum significado, como é o caso da declaração do advogado.